A apresentar mensagens correspondentes à consulta meu padrinho ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta meu padrinho ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

domingo, 24 de agosto de 2008

500.000 Magalhães e um pedido de desculpas ao meu padrinho

Se descerem rio abaixo até ao meu texto do passado dia 8, verão que não me portei lá muito bem com o meu padrinho. Serve o presente para salvar a minha honra e pedir-lhe desculpas públicas dos meus erros, como passo a explicar:
Provando que continua cheio de razão e que só muito raramente se engana, o meu padrinho apresentou ao país e ao mundo o pequeno portátil que vai ser distribuído a 500.000 crianças do 1º ciclo escolar. Em homenagem ao circum-navegador, baptizou o brinquedo de Magalhães. Na minha modesta opinião o Magalhães está para Portugal como o Lego está para a Suécia.
O pequeno Magalhães é o pónei de batalha dos programas e-escola e e-escolinha do governo do meu padrinho, o que vai dar no seguinte: os putos do escalão A não pagam nada pela sua distribuição e os do escalão B pagarão 20€. Apenas os pais e encarregados que não beneficiam de acção escolar é que terão de desembolsar 50€. Uma verdadeira pechincha. O pequeno Magalhães é um folar ao nível do melhor dos padrinhos!
Resistente ao choque, à água e aos líquidos em geral (por razões de mero pudor, o meu padrinho omitiu que também resistia ao xixi), o pequeno portátil apresenta-se em suaves tons azul-marinho e branco. Munido dum processador da poderosa Intel e com cerca de 6 horas de bateria, tem acesso à internet e vem com software de última geração.
Palavras do meu padrinho, que adiantou que o Magalhães está a ser “construído” em Portugal e que a sua ligação à internet terá uma largura de banda de 48 “megabytes” por segundo.

Amantes da democracia como ele, meu padrinho, a Líbia e a Venezuela aprestam-se para nos comprar milhões de pequenos Magalhães, certamente a troco de mais petróleo.
Entrevistado pela Exame Informática, o vice-presidente executivo da Intel não poupou elogios ao governo do meu padrinho: “O que Portugal está a fazer é, sem dúvida, um bom exemplo para outros países.
(*)

Incomodado com um ou dois lapsos de língua que terá cometido durante a apresentação do novo brinquedo, confidenciei-lhe em privado:
Padrinho:
- Já ninguém constrói computadores; é mais barato assemblá-los, isto é, sacar os componentes aqui e ali, de preferência onde a mão-de-obra for ao preço da chuva; reunidos os componentes, monta-se a máquina. Et voilá: simples e barato. Sabe, é tal qual a canibalização que a malta fazia na guerra colonial com as peças das viaturas Unimog: de 3 chaços velhos fazíamos 1 em condições de andar.
- Já agora: a velocidade de acesso do Magalhães é de 48 megabites por segundo (Mb/s) e não de 48 megabytes (MB/s). Olhe que 1Mb/s corresponde apenas a 0,125MB/s; assim sendo, são precisos 8 megabites para chegar a 1 megabyte.

- Diz-me ele: Gaita, afilhado, isso é que me saíste um informático de 1ª água!
- E ó mais não sou engenheiro! – Respondi-lhe eu, ao mesmo tempo que lhe virava as costas e me afastava em passo de corrida.
Não fosse ele atirar-me com o Magalhães que trazia debaixo do braço...
________
(*) A interessante entrevista pode ser lida no n.º de Setembro da revista, de págs. 30 a 32.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

O padrinho

Seriam umas 3 da manhã quando o telefone tocou. Deixei o teclado do portátil onde preparava mais um post e cliquei na tecla de atendimento do dito. Era o meu padrinho, a verberar-me em tom algo irritado:
- “Ouve lá! Então agora andas armado em bloguista independente e verrinoso! Ainda por cima botaste no blogue uma imagem do Che com ar decadente e meio cóboi!
Ouve lá ó meu merdas! Andas a portar-te mal, a modos que a mijar fora da carroça, como dizem aí na tua terreola!

- “Oiça, padrinho, mas eu sou um homem livre como os passarinhos. Afinal vivemos em democracia” – balbuciei.
- “Qual padrinho, qual quê! Ainda acabas por te virar é contra mim! É o teu próximo passo, meu madraço, que eu bem te conheço o estilo!”, interrompe ele num tom de voz que me começava a preocupar.
- “Mas oiça, padrinho, você sabe bem que nunca fui muito de ir à missa, quanto mais à catequese. E, gaita, também só o padrinho e os seus outros afilhados é que botavam faladura nas reuniões e eu ali para um canto como se fosse uma peça do mobiliário estilo art nouveau ou coisa assim...
- "Você?! Mas agora é assim que me tratas?"
O homem tinha razão: estava a ser indelicado e rude. Engoli em seco e atalhei:
- “Desculpe, Sr. Eng.º, foi sem querer, enervei-me…
- “Agora tratas-me por engenheiro? Estás-me a gozar, ou quê! Até parece que não sabes que o canudo foi uma prenda que eu recebi e que tive de pagar com outro favor!", retorquiu-me ele, cada vez mais agreste e irritadiço.
A conversa ia de mal a pior e não havia maneira de eu atinar com um final feliz para o raio do telefonema a meio da madrugada. Só tinha uma saída: confessar o meu delito.
- “Sabe, Sr. 1º ministro, isto são os calores do verão a atacar-me. Já leu o que o BC disse sobre esta minha fase, no
Notícias de Bustos?
- Senti que sossegou; tanto que me respondeu prontamente: “Assim está melhor. Já começas a entrar nos eixos. Olha, por falar em calores: vou uma semanita de banhos pró Cartaxo curar-me de tanta canseira.
Mas ficas a saber: quando regressar, vais alinhar em grande na Campanha Alegre!!" (*)
___________________
(*) Pressinto que as coisas vão mesmo melhorar entre nós. O meu padrinho não se referia ao Manel Alegre. Estava na cara que ele também andava a ler o Eça de Queiroz, mais precisamente “UMA CAMPANHA ALEGRE - De “As Farpas”, em 2 volumes, editado pela Lello & Irmão, Porto, 1965.

terça-feira, 24 de março de 2009

Devagar se vai ao citius

O CITIUS (do latim, mais rápido, mais célere) é uma plataforma que se encontra disponível na internet para uso dos diversos operadores judiciais: advogados, magistrados (CITIUS - Magistrados Judiciais) e funcionários judiciais (Habilus).
Esta nova ferramenta informática veio substituir o anterior Habilus.net e representa uma fase mais avançada da chamada desmaterialização dos processos nos tribunais judiciais. Em vez do uso do papel e do correio electrónico (1) os advogados passaram a beneficiar das seguintes funcionalidades do Citius:
- proceder à entrega electrónica das peças processuais (petições, contestações, requerimentos avulsos, apresentação de meios de prova, etc.) e seus documentos acompanhantes, bem como dos requerimentos de execução e de injunção;
- consultar os processos e as injunções, bem como a sua distribuição e andamento;
- consultar numa agenda electrónica as diligências que lhes foram marcadas nos vários processos em que intervêm;
- consultarem as notas de honorários a que têm direito.
A página do Citius contém ainda ligações úteis, como sejam os endereços dos tribunais e um calendário judicial com indicação das férias judiciais e feriados nacionais e municipais.
Para quem domina bem o uso dos computadores e os seus meandros, o CITIUS é uma verdadeira mina de ouro.
Como é dos usos e costumes, a página contém ainda os indispensáveis links destinados aos menos conhecedores dos segredos da net, com respostas às perguntas mais frequentes e ainda a costumeira barra de ajuda, o que tudo abre em separador próprio e sem dificuldade que se veja.
Não sobram razões de crítica em relação a muitas medidas tomadas pelo Sócrates [o meu padrinho, como tenho lembrado em tantos posts], sobretudo porque se mostram inócuas e/ou de aplicação enviesada.
Mas na área da Justiça [como na da Saúde, embora com a discordância de muita da classe ou casta, como queiram] este governo tem reformado como nenhum outro fez. Com duas excepções:
1ª - a diarreia legislativa, que não mostra sinais de abrandar e revela que o legislador pouco sabe da poda: são os boys, as girls, o aparelho - o raio do aparelho (2) e os engomadinhos ou pézinhos-moles que citei no post do passado dia 18 - apetece-me mais Shakespeare;
2ª - o limite de 3Mb de capacidade nas entregas electrónicas. Sobre este tema, já tinha alertado o meu padrinho, que confunde Mb com MB. Ainda há 2 dias me confrontei com a idiotice: bastam meia dúzia de anexos em formato pdf e lá temos de ir ou remeter para o tribunal em suporte de papel os documentos que deviam acompanhar o articulado.
Então não há outros formatos seguros? Só conhecem o pdf? Ou alguém teve comissão na escolha, como há muito acontece ou aconteceu com o hardware e o próprio software? E não dá para aumentar até aos 5Mb, pelo menos?

Adoro o CITIUS e todo o meu trabalho passa por lá. E só encaixo as críticas de quem continua a sobreviver a leste do paraíso que é a internet. As demais, não passam de interesses corporativos, próprios de quem não quer prestar contas ao Povo que lhes paga e exige eficiência, destreza e empenhamento pela coisa pública (a res publica das citações ocas).
Sim! Tal como disse em Oliveira do Bairro uma jovem, competente e trabalhadora Juíza na sua tomada de posse: A JUSTIÇA É DO POVO E PARA O POVO!!
E mais não digo, que se faz tarde.
_
1) Antes da actual plataforma era facultativo o envio de peças processuais através do correio electrónico desde que o advogado tivesse certificado digital fornecido pela Ordem dos Advogados. Foi o que sempre fiz durante os anos em que vigorou esse regime.
2) Quando era rapaz novo quiseram impingir-me uma placa no sítio de alguns dentes em falta; resultado: passei a odiar o aparelho.
- ABAIXO O APARELHO!
- VIVA A DENTADURA DO PROLETARIADO!
*
O Citius tem linhas telefónicas, de fax e email, para apoio aos menos avisados.
* Links sobre o Citius: http://www.tribunaisnet.mj.pt/ e portal do governo, este em PDF [toma que já almoçaste!]

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Ontem foi dia das novas comarcas-piloto

Nos estudos de 2004 chamavam-se NUT's (Nomenclatura de Unidade Territorial), nome que soava a algo de impessoal e fazia lembrar os universos de Kafka ou de George Orwell.
Após muitos acertos e um percurso mais do que sinuoso, o novo mapa judiciário foi publicado em Diário da República a 26 de Janeiro, logo ali se prevendo a sua aplicação a partir de 14 de Abril em três comarcas-piloto: Baixo Vouga, Grande Lisboa Noroeste e Alentejo Litoral.
Bem à portuguesa, o caos dominou o dia de ontem nas antigas comarcas abrangidas pelas 3 novas grandes comarcas-piloto. Com a publicação em Agosto de 2008 da Lei de Organização e Funcionamento dos Tribunais Judiciais (Lei n.º 52/2008, de 28 de Agosto), a entrada em funcionamento dos novos tribunais já tinha sofrido o adiamento do costume. Na minha imodesta opinião, ao atraso não serão estranhos três factores:1º - O governo fala muito em investimento público, mas o meu padrinho só deve sonhar com grandes e modernos comboios e aviões; recalcamentos duma infância onde certamente abundaram brinquedos de menino rico. Entretanto e talvez com a excepção do novo e bem bonito Tribunal de Família de Oliveira do Bairro, as obras de contrução dos novos tribunais ou de adaptação e modernização dos existentes iam ficando para as calendas. Para nosso desespero e desencanto o concurso público de adjudicação das obras de construção do novo Tribunal de Oliveira do Bairro (uma referência a nível nacional, com a criação do chamado Tribunal Multiportas ou multifunções) foi adiado umas 4 vezes. É obra!
2º - O 25 de Abril pode ter chegado a muito lado mas as castas agarradas ao velho estado das coisas não se extinguiram: apenas mudaram de mãos e multiplicaram generosamente o seu número como ratos em celeiro cheio. Esta democracia modernaça dos Sócrates, Durões, Portas, Guterres e Cavacos é muito generosa, gosta muito de dar, de distribuir, de multiplicar (entre os seus e à vez, claro) os pães pelos pobres que agora são novos ricos. Uma espécie de Robins dos Bosques em circuito fechado que ilustrei AQUI.
3º - Os portugueses adoram o lufa-lufa das compras e do tratar das suas obrigações no último dia do prazo, assim a modos que in articulo mortis, à hora da morte.

Apesar de tantas vicissitudes, ontem fui um homem feliz: com a criação dum novo conceito territorial e de novos modelos de gestão, de atribuição de mais e melhores recursos técnicos e humanos e da especialização por comarca, finalmente algo de estruturalmente diferente e revolucionário acontece na complicada, tradicionalmente emperrada e muito conservadora máquina da Justiça.
A qualidade do serviço público prestado aos cidadãos salta à vista a quem entra nos tribunais: segurança e novas tecnologias é coisa que não falta. E mal precisamos de sair do nosso local de trabalho: a justiça está à distância dum clique nos nossos computadores.
Diga-se o que se disser e mau grado a diarreia legislativa, a Justiça é o patinho bonito deste governo.
O meu padrinho esqueceu-se do folar, mas mesmo assim,
Parabéns!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Vidas de muitas guerras e paz tão pouca

Gosto de leituras "entre linhas". De mensagens subliminares.
E assim respondo às interrogações de alguns/algumas amigos(as) sobre o post antecedente.
E gosto muito de poesia, sobretudo do meu Eugénio de Andrade, velho companheiro da mesa de cabeceira, como gosto de vaguear pela "Rosa do Mundo / 2001 Poemas para o futuro", um extenso e abrangente (no tempo e no espaço) trabalho de recolha de poesia feito para o "Porto 2001", Edição Assírio & Alvim.
Este gosto vem-me dos tempos da Coimbra de 1966/69, gosto que procurava conjugar (conciliar?) com a luta contra a ditadura, ali desde a rua estreita onde há cerca de 70 anos vive a Real República Bota Abaixo.

Claro que o poema "Despedida" nada teve ou tem a ver com a porca da política. Porca, por mor dos políticos de manjedoura, sejam eles peixes de águas profundas ou cá mais da beira-água.
Valha a verdade: o meu "padrinho" Sócrates - de quem tanto falei e com quem tanto brinquei e gozei neste blogue - despediu-se do poder com dignidade.
O rapazola que agora lhe tomou o poiso precisa de muito mais coragem para dar a volta ao regabofe em que o país se atolou do que aquela que aparenta revelar.
Desde logo, precisa de se livrar do padrinho de baptismo político. Como precisa de se livrar dos novos padrinhos e da legião de afilhados que não tardarão a bater-lhe à porta a exigir o folar da Páscoa, ansisosos de se tornarem "califas no lugar do califa."

Eu, limito-me a precisar de paz.
E de me ir libertando das muitas guerras que vivi e nas quais fui parte activa; por vezes, demais, armado em guerreiro e líder de Operações Especiais.

Preciso de me ir libertando dessa guerra que me persegue há 39 anos, feitos este mês e que continua alapada ao corpo e à alma, um pouco por culpa do tio Segismundo Freud. Lá me vou entendendo com ela, procurando gerir os diabinhos que me perseguem, brincando com eles.
Sempre, mas sempre, sem esquecer aquele lema: "Ranger uma vez, Ranger toda a vida", razão que julgo me faz manter de pé firme, como que predestinado a não morrer na praia, longe dos combates de que me recuso a fugir ou a deixar matar de morte matada. 

Mas o que mais preciso agora é de me libertar das outras guerras, sobretudo das que se intrometem e vandalizam as nossas vidas pessoais, íntimas e afectivas.

Por isso me soube tão bem aquela tarde inteira de paz que vivi ontem na casa da muito amiga Dina, sita mesmo à beirinha do mar da Costa Nova, logo ali ao atravessar da rua, onde até tempo sobrou para trabalhar.
Preciso de me reencontrar com o mar, paixão que me acompanha e impele dede os primeiros recordares da infância.

É do que estou precisado, segurando na mão esquerda [que a direita tem outros donos] a poesia do Eugénio de Andrade, esse  génio que tão bem soube conjugar a escrita com a terra e com o corpo.
...
Onde me levas rio que cantei,
esperança destes olhos que molhei
de pura solidão e desencanto?
Onde me levas?, que me custa tanto.
...
___
- 1ª imagem: extraída de "Guerra Colonial", de Aniceto Afonso e Carlos de Matos Gomes, Edição Notícias Editorial/2000.
- 2ª imagem: pôr do sol na Costa Nova, ontem.
- O poema, esse, saquei-o do XXX capítulo de "As Mãos e os Frutos", de Eugénio de Andrade / Poesia e Prosa [1940 - 1980], Edição Limiar, 2ª edição revista e aumentada.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Mulheres de Bustos arrasam lei da paridade!

O post antecedente a modos que foi premonitório.
A notícia que aqui vos deixo é avassaladora, telúrica. É mais uma pedrada no charco dos costumes e vícios instalados.
Acabo de saber que um grupo de mulheres de Bustos se prepara para virar do avesso as próximas eleições autárquicas.
Juro que é verdade: Bustos vai ter uma lista concorrente, composta exclusivamente de mulheres!

O que nos espera nos próximos 4 anos

Como se não bastasse, consta-me que vai ser liderada pela 3ª cara metade, estacionada aqui ao lado, nos blogues linkados na barra lateral direita...
Parecendo certo e seguro que o farão sob a almofada do partido do meu padrinho, apressei-me a dar-lhe o que penso ser uma notícia tonificante, por entre o mar de desgraças que lhe têm batido à porta [durante a conversa, foram várias as vezes que citou, diga-se que em mau latim, o "annus horribilis" que teima em acossá-lo].
Exultante, confessou-me do outro lado da linha:
- Tu podes ser um madraço, um infiel, um incorrigível anarco-facho. Mas desta vez - que é a primeira, que eu saiba - tiro-te o chapéu!
Julgava-te perdido para a causa! O clube jamais se esquecerá do teu empenhamento! Vou já ali assinar um decreto a propor-te para a medalha de mérito da Ordem dos Arrependidos!
A promessa soube-me a pouco e até estive tentado a desligar o telemóvel.
Farto de dar o corpo ao manifesto e levar pancada da grossa como prémio, disparei:
- Ó meu primeiro! Então eu abri as portas para esta acção revolucionária do mulherio, uma verdadeira bofetada na hipocrisia da lei da paridade, e tu vens-me com as medalhas!
Não sabes que eu não sou de salamaleques, de doutorices bafientas?
E se em vez disso me garantisses um tacho na administração da Empresa de Águas do Baixo Vouga?
Após um curto silêncio, dispara-me:
- Olha lá, ó guevarista pretensioso! Então não sabes que os lugares já estão prometidos e que vão ser partilhados com a malta do PSD? E admitindo que te dizia que sim, que garantias me davas de que te ias portar bem?
Contenta-te mas é com a medalha e põe-te na bicha!
Quem sabe: pode ser que entres na leva seguinte...

__
- Imagem de "A noiva de Lucky Luke", de Morris & Guy Vidal, Edição Meriberica/Liber, 1986

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Casamentos homossexuais - II

O Jornal da Bairrada é dos semanários regionais com maior tiragem a nível nacional e todos sabemos o impacto que tem junto da vasta comunidade emigrante, da Europa às Américas, passando pela longínqua Austrália.
A pergunta da semana da edição do JB de ontem versou sobre o tema reproduzido acima [clicar na imagem para aumentar] e sobre ele responderam ainda um autarca de Anadia e outro de Águeda.
Lá que o meu discurso tivesse sido redondo, ainda vá que não vá, nem que fosse pela idade; como dizem os mais velhos, vou em 61. Agora um jovem como o Nuno Barata ter calcorreado os 500 caracteres que nos consentiram sem dizer absolutamente nada, isso já é preocupante.
Onde pára a irreverência, o espírito de vanguarda e rebeldia que sempre foi timbre da malta nova? Como fomos diferentes nos idos de 60! É o que dá ser a voz do dono.
E então a temática é fracturante? E eu que pensava que não, que já tínhamos subido esse degrau! Estava longe de imaginar que serias um dos destinatários da tirada do “tapar o sol com a peneira”…
Já agora: se há atitudes que elogio no Sócrates, esta é uma delas. A meio do desgaste que a crise provoca, o homem arrisca-se como nenhum político da praça faria; e mais: o eleitorado ficou a saber que o casamento entre pessoas do mesmo sexo será consagrado na lei civil se o meu padrinho ganhar as próximas legislativas.

Oremos para que não seja mais uma promessa por cumprir; senão, a largura do vosso cartaz não vai chegar para o nariz do Pinóquio..

domingo, 14 de setembro de 2008

Os portugueses são uns queixinhas

O 1º ministro inaugurou ontem o Hotel Casino de Chaves, um investimento que terá custado 50 milhões de euros.
José Sócrates classificou o projecto turístico como "um dos investimentos mais importantes do norte do país", decisivo para o desenvolvimento e crescimento da economia transmontana. O nosso 1º não esteve pelos ajustes e foi mais longe: “A minha principal missão em vir aqui a Chaves é elogiar o grupo Solverde, a vossa família [os irmãos Viola, que controlam uma molhada de casinos de norte a sul do país] e também deixar uma palavra de confiança à cidade de Chaves”.
Tudo porque a cidade de Chaves é terra que não se põe a "chorar sobre o leite derramado", nem se associou ao espírito queixinhas que grassa pelo país.
Entretanto, o casino abriu portas em Janeiro deste ano, com sala de máquinas com 322 slot-machines e sala mista com máquinas e jogos bancados, quatro bares e etc.
Depois do Chavez é Chaves a conquistar o coração do nosso 1º. Está na cara: isto só vai ao sítio com petróleo e jogos de azar.
E como continuamos os dois agarrados ao tabaquito, a melhor forma de lhe mostrar a minha devoção é convidá-lo a fumar o cachimbo da paz.
- Imagens extraídas de "Rantamplan - O Padrinho" e de "Lucky Lucke - O 20º de Cavalaria", ambas dos imorredouros Morris & Goscinny.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O congresso do povo

Tal como a irredutível aldeia gaulesa de Asterix e Obelix, a lusitana Espinho resiste ainda e sempre à campanha negra do inimigo, como o comprova o facto do 16º congresso do partido do meu padrinho ter lugar por um destes dias na cidade mais a norte do nosso distrito.
Desconfio que a poção mágica foi preparada pelo Panoramix local, o sempiterno presidente da câmara. O Zé Mota é uma das pilhas duracel do PS, um verdadeiro resistente, adorado pela classe piscatória local e pela 3ª idade, que se farta de ir com ele de férias ao Brasil.
Conheci-o há muitos anos, durante o pouco tempo em que frequentei a catequese. Até fui a uma missa nacional em finais dos anos 80, no pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa; gostei muito porque só lá estive no 1º dia, findo o qual um amigo do peito me levou para outros e mais apetecíveis caminhos. Adeus congresso, adeus carreira política, que me falta o jeito para ser a voz do dono.
Como o José Mota cumpre o último mandado, fico à espera que a tradição seja mais uma vez cumprida e arranjem um confortável poiso para um homem que subiu a pulso as escadinhas do partido. Sempre assim foi com os partidos no poder: basta lembrar os bons exemplos dos governos PSD e os resultados à vista no caso BPN.
Como diziam os romanos, quousque tandem?
__
Quousque tandem (até quando?): começo do célebre discurso de Cícero no senado de Roma (anos 60 a.C.)

terça-feira, 14 de abril de 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009

a bolsa de estudo

O nosso 1º terminou em beleza o XVI congresso nacional do partido pedindo a renovação da maioria absoluta e anunciando o alargamento do ensino obrigatório para os 12 anos e a criação de uma bolsa de estudo para apoiar os jovens entre os 15 e os 18 anos, com dificuldades financeiras.
É por estas e por outras que eu gosto muito do meu padrinho.
_
Agradeço ao colega e amigo Paulo Figueiredo a montagem do canguru. PRF é autor do ritmo do caracol e do nosso conhecido OliveiraDoBairro.Net, linkado na barra lateral/blogues da bairrada. Aquele abraço de amizade e agradecimento pelos muitos ensinamentos sobre a linguagem HTML

domingo, 1 de março de 2009

XVI congresso do ps: acabou-se o petróleo!

No seu discurso inaugural do XVI Congresso do PS de Espinho, Sócrates anunciou o fim dos off-shores.
Acabou-se o petróleo!
Resultado: cerca das 22 horas de ontem um apagão pôs às escuras a nave polivalente de Espinho, inaugurada em 1996 pelo próprio 1º ministro.
Sem off-shores como é que o meu padrinho queria manter os offshores?
Ou será apenas uma questão de semântica?
_
Na imagem, o offshore do Alberto João.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

fintabolistas - II

Hoje volto a dar uma perninha na Assembleia Municipal de Oliveira do Bairro como suplente duma equipa com 2 jogadores num campeonato de 27.
O povo assim tem querido, o povo é sereno e ficam a saber que o povo tem carradas de razão: para quê pôr 2 simpáticos jogadores a estragar as chuteiras e as camisolas num jogo que à partida está condenado à derrota?
De resto, diz também o povo: quem está no poder é que sabe, é que tem os livros (incluindo os da contabilidade) e se ganharam é porque têm os melhores jogadores e treinadores e os da oposição só sabem é empatar e dizer mal, deviam mas era ser proibidos de abrir a boca (1).
Confesso que esta entrada em campo por umas horitas me acontece na pior altura da minha carreira de jogador amador, porque:
a) já tinha decidido arrumar as chuteiras (2);
b) a profissão não me dá descanso e, como dizia um gajo da minha República de Coimbra, não "drumo";
c) me comprometi com outra equipa às escondidas do meu padrinho (3)
d) o stress provocado pelo excesso de trabalho e por aquela coisa que os psicanalistas resolveram inventar e a que deram o enfático nome de "stress pós-traumático de guerra", me pode dar para mandar os políticos para um sítio que agora não digo.
E não se pode defenestrá-los?
_
(1) podem não acreditar, mas há uns tempos atrás o líder da bancada que está no poder sugeriu algo parecido, mas foi sem querer, ele não queria dizer nada daquilo, até pediu desculpa e é tão bom rapaz, como provou aqui;
(2) a propósito: vou substituir o colega Pai Tomás, apelido que carinhosamente lhe atribuí por ser pai do João Tomás, aquele rapaz que sabe meter golos como poucos mas nunca foi bem aproveitado pelos treinadores.
(3) organizei e faço parte da lista da Comissão de Festas do S. Lourenço de Bustos - 2009, função incompatível com o exercício de quaisquer outros cargos desportivos, políticos ou religiosos.
- P.S. (salvo seja!): a imagem volta a ser da contra-capa do n.º 5 da Visão [museu dos clássicos] e retrata o Príncipe Valente em fim de carreira...

domingo, 8 de março de 2009

quem tem magalhães tem tudo

No editorial da revista Exame Informática deste mês o seu director fala da eficácia do projecto e-escolas, apontando números que comprovam o excelente resultado da aposta deste governo nos computadores portáteis:
Em 2008 a mercado nacional de portáteis cresceu 58,8%, o que constituiu a maior subida na Europa Ocidental, cuja média foi de 16,8%. Imaginem: em 2008 os portugueses compraram 1,33 milhões de portáteis, mais 85,6% do que no ano anterior.
São três as explicações que Pedro Miguel Oliveira encontra para este salto de gigante: o projecto e-escolas - que permitiu distribuir mais de 350.000 portáteis -, a vulgarização dos netbooks e a baixa verificada no preço dos portáteis, esta como reflexo das regras da concorrência ditadas pela aposta do governo e pelo receio da massificação dos netbooks, esses pequenos portáteis de torna-viagem.
São números que não deixam margem para dúvidas. No entanto, a oposição perde o seu precioso tempo a desancar no magalhães, ora porque ainda não chegou a todo o lado, ora porque tem erros ortográficos e vá de chamar a ministra ao parlamento para uma sessão de reguadas.
Entretanto e no seguimento do espírito de tolerância demonstrado perante as diatribes do Manuel Alegre, o meu padrinho abriu outra excepção para as críticas: tenho carta branca para desancar no magalhães, desde que jure a pés juntos que irei alinhar na campanha alegre que se aproxima.
Prefiro jurar que nunca mais digo mal do magalhães...

sábado, 21 de fevereiro de 2009

magalhães faz circum-navegação

A sátira carnavalesca ao portátil do meu padrinho deixou de ser proibida pela Procuradora-Adjunta do Tribunal de Torres Vedras. Em despacho anterior que agora revogou, a sra. magistrada proibira a brincadeira estribando-se num diploma dos anos da brasa que proíbe a publicação e comercialização de objectos e meios de comunicação de conteúdo pornográfico (o ecrã da réplica do famoso computador estaria inundado de mulheres nuas).
Falta de maturidade e insegurança são explicações plausíveis para a tacanha decisão de proibir; já a revogação da proibição deve ter tido a mãozinha do superior hierárquico e por aí acima até ao topo da cadeia alimentar – a PGR.
Como é carnaval, ninguém leva a mal.
__
A lei em causa é de 76 e pode ser vista no excelente site da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa,
aqui.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Há mar e mar. Há ir e ficar

A descoberta do vídeo antecedente trouxe-me à lembrança um bom amigo e companheiro de Bustos: o Necas Caldeira, magarefe reformado. Mas também embarcadiço, para fugir à guerra a que acabou por não fugir.
Naquela madrugada, apeteceu-me bater-lhe à porta e perguntar-lhe: 
- Então, Necas e o teu mar? 
- E a guerra, Necas, a puta da guerra ali no Tôto, aonde nos encontrámos ia eu para para mais uma intervenção a pedido dos senhores da guerra de Luanda?
- E as campanhas no bacalhau, Necas? Conta-me, conta-me lá, que quero ouvi-las outra vez?

Acabei por encontrá-lo ontem, no sítio do costume, andava aqui o padrinho, mai'la madrinha e o afilhado, a colocar a 3ª tela do "Bustos em 1º". Foi na Barreira, à beira da casa do Altino.
Acabada a safra e umas atramoçadas minis de permeio na loja da Maria do Altino, viémos até casa lembrar tempos que marcaram a nossa juventude. 
E viajar pela net. Mar adentro. Até St. Jones, na Terra-Nova, Labrador.
Chegados lá, dispara-me o Necas:
"O Santa Maria Manuela era da pesca à linha. Saíam em Fevereiro/Março e regressavam antes dos temporais. Os primeiras linhas eram a alma da pesca à linha. Iam nos dóris para sotavento, zagaiando de vez em quando, a ver se ferravam peixe. Se viam que dava, largavam os tróleis de 10, 26, 28 linhas, na zona testada pela zagaia. Era um fartote!
 Carregados os dóris e deixadas as linhas assinaladas com bóias, vinham descarregar o bacalhau para bordo, que garfeavam para dentro da embarcação sem sair do dóris [tás a ver aqui, no filme? Cala-te mas é, e aprende!]
Arrastão Santa Princesa

Fui em 66 para o bacalhau, no Santa Princesa, um navio de guerra francês adaptado. Também andei no Santa Mafalda
Arrastão Santa Mafalda

Foram 4 viagens ao todo, entre 66 e 69.
Uma vez, o Ti Jacinto Merendeiro, da Gafanha do Carmo, morreu dum ataque quando íamos para St. Johns. Enterrámo-lo lá, mas o filho, emigrante no Canadá, trouxe-o para o chão da terra dele. Era gente de raízes!
Mas antes da malta ser enterrada em terra, muito antes de mim, fazia-se o "bota-abaixo": o corpo de quem morria a bordo dos veleiros era colocado em cima duma tábua e seguro por pesos para afundar. Deixado à água, o bota-abaixo só acabava quando se largava uma lamparina a boiar no local, a assinalar a morte.
[Tás parvo ou quê? Claro que a lamparina boiava à solta! Era uma cerimónia, a fazer de conta! Como o teu enterro e o meu, quando formos viver para a casa grande que fica em frente do Zé Valério!  Ou estás à espera de missa cantada e santa no enterro?
- Calei-me antes que ele me excomungasse...]

Não aguentei os 7 anos que a lei mandava para se livrar da guerra. Embarquei para Angola em 71, com o Batalhão 3855, 4ª Companhia, a 3437.
E a tua, que eras dessa merda da intervenção, sempre a saltar para onde elas escaldavam?
- Era a 3564, Necas - respondi-lhe eu - uma companhia independente, sob as  ordens directas do Comando-Chefe de Luanda.

Já agora, Necas: quando nos encontrámos no Tôto ia para uma intervenção na serra da Mucaba, a subir  de gatas, a pique, à espera das ameixas cairem. Fomos a seguir aos páras, que vieram de lá corridos. Aquilo era um santuário da Fenelá, uma espécie de cu de Judas.
Sabes, no percurso passei por uma pequena fazenda que se chamava Mamarrosa.
Lembrou-me a terra. 
A terra para onde tinha de voltar, Necas, nem que fosse cão!"

A nossa terra é o nosso chão. 
É aqui que estão as nossas raízes.
Todos os dias as rego com água.
__
A net está cheia de blogues e sítios que nos transportam para o mundo perdido das frotas bacalhoeiras.
Bem hajam pela ajudinha!