domingo, 24 de agosto de 2008

500.000 Magalhães e um pedido de desculpas ao meu padrinho

Se descerem rio abaixo até ao meu texto do passado dia 8, verão que não me portei lá muito bem com o meu padrinho. Serve o presente para salvar a minha honra e pedir-lhe desculpas públicas dos meus erros, como passo a explicar:
Provando que continua cheio de razão e que só muito raramente se engana, o meu padrinho apresentou ao país e ao mundo o pequeno portátil que vai ser distribuído a 500.000 crianças do 1º ciclo escolar. Em homenagem ao circum-navegador, baptizou o brinquedo de Magalhães. Na minha modesta opinião o Magalhães está para Portugal como o Lego está para a Suécia.
O pequeno Magalhães é o pónei de batalha dos programas e-escola e e-escolinha do governo do meu padrinho, o que vai dar no seguinte: os putos do escalão A não pagam nada pela sua distribuição e os do escalão B pagarão 20€. Apenas os pais e encarregados que não beneficiam de acção escolar é que terão de desembolsar 50€. Uma verdadeira pechincha. O pequeno Magalhães é um folar ao nível do melhor dos padrinhos!
Resistente ao choque, à água e aos líquidos em geral (por razões de mero pudor, o meu padrinho omitiu que também resistia ao xixi), o pequeno portátil apresenta-se em suaves tons azul-marinho e branco. Munido dum processador da poderosa Intel e com cerca de 6 horas de bateria, tem acesso à internet e vem com software de última geração.
Palavras do meu padrinho, que adiantou que o Magalhães está a ser “construído” em Portugal e que a sua ligação à internet terá uma largura de banda de 48 “megabytes” por segundo.

Amantes da democracia como ele, meu padrinho, a Líbia e a Venezuela aprestam-se para nos comprar milhões de pequenos Magalhães, certamente a troco de mais petróleo.
Entrevistado pela Exame Informática, o vice-presidente executivo da Intel não poupou elogios ao governo do meu padrinho: “O que Portugal está a fazer é, sem dúvida, um bom exemplo para outros países.
(*)

Incomodado com um ou dois lapsos de língua que terá cometido durante a apresentação do novo brinquedo, confidenciei-lhe em privado:
Padrinho:
- Já ninguém constrói computadores; é mais barato assemblá-los, isto é, sacar os componentes aqui e ali, de preferência onde a mão-de-obra for ao preço da chuva; reunidos os componentes, monta-se a máquina. Et voilá: simples e barato. Sabe, é tal qual a canibalização que a malta fazia na guerra colonial com as peças das viaturas Unimog: de 3 chaços velhos fazíamos 1 em condições de andar.
- Já agora: a velocidade de acesso do Magalhães é de 48 megabites por segundo (Mb/s) e não de 48 megabytes (MB/s). Olhe que 1Mb/s corresponde apenas a 0,125MB/s; assim sendo, são precisos 8 megabites para chegar a 1 megabyte.

- Diz-me ele: Gaita, afilhado, isso é que me saíste um informático de 1ª água!
- E ó mais não sou engenheiro! – Respondi-lhe eu, ao mesmo tempo que lhe virava as costas e me afastava em passo de corrida.
Não fosse ele atirar-me com o Magalhães que trazia debaixo do braço...
________
(*) A interessante entrevista pode ser lida no n.º de Setembro da revista, de págs. 30 a 32.

2 comentários :

Anónimo disse...

Esta coisa do Padrinho "cheira" à máfia. Os xuxialistas lá sabem do que gostam e do que comem...
Não entendi a "graça" do texto mas gosto sempre que vejo um xuxialista a atacar o Sócrates. Continua Óscar que ainda chegas a deputado do PSD!
E quanto ao Magalhães é um escândalo!
Então agora querem democratizar o acesso à informática, olha o gajo, olha o Padrinho armado em socialista...
Continua Óscar, que a Manelinha ainda te contrata para assessor ( ou então a tua prima...)

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