sábado, 18 de abril de 2009
outras músicas, d'outras margens
O borda d'água e o seringador
Prefiro o primeiro e já aqui o trouxe por alturas dos calores de verão.Não sou cliente do 2º, mas foram de seringador as supostas declarações do recém eleito Presidente da Direcção Nacional da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, desembargador António Martins.
É que me pareceu ouvi-lo dizer após a cerimónia de tomada de posse que as maiorias absolutas são perigosas.Importa-se de repetir?
E de explicar melhor se aludia à maioria absoluta que o elegeu ou à que elegeu o actual governo?
E se aludia a ambas, são perigosas porquê?
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Ontem foi dia das novas comarcas-piloto
Após muitos acertos e um percurso mais do que sinuoso, o novo mapa judiciário foi publicado em Diário da República a 26 de Janeiro, logo ali se prevendo a sua aplicação a partir de 14 de Abril em três comarcas-piloto: Baixo Vouga, Grande Lisboa Noroeste e Alentejo Litoral.
Bem à portuguesa, o caos dominou o dia de ontem nas antigas comarcas abrangidas pelas 3 novas grandes comarcas-piloto. Com a publicação em Agosto de 2008 da Lei de Organização e Funcionamento dos Tribunais Judiciais (Lei n.º 52/2008, de 28 de Agosto), a entrada em funcionamento dos novos tribunais já tinha sofrido o adiamento do costume. Na minha imodesta opinião, ao atraso não serão estranhos três factores:
2º - O 25 de Abril pode ter chegado a muito lado mas as castas agarradas ao velho estado das coisas não se extinguiram: apenas mudaram de mãos e multiplicaram generosamente o seu número como ratos em celeiro cheio. Esta democracia modernaça dos Sócrates, Durões, Portas, Guterres e Cavacos é muito generosa, gosta muito de dar, de distribuir, de multiplicar (entre os seus e à vez, claro) os pães pelos pobres que agora são novos ricos. Uma espécie de Robins dos Bosques em circuito fechado que ilustrei AQUI.
3º - Os portugueses adoram o lufa-lufa das compras e do tratar das suas obrigações no último dia do prazo, assim a modos que in articulo mortis, à hora da morte.
Apesar de tantas vicissitudes, ontem fui um homem feliz: com a criação dum novo conceito territorial e de novos modelos de gestão, de atribuição de mais e melhores recursos técnicos e humanos e da especialização por comarca, finalmente algo de estruturalmente diferente e revolucionário acontece na complicada, tradicionalmente emperrada e muito conservadora máquina da Justiça.
A qualidade do serviço público prestado aos cidadãos salta à vista a quem entra nos tribunais: segurança e novas tecnologias é coisa que não falta. E mal precisamos de sair do nosso local de trabalho: a justiça está à distância dum clique nos nossos computadores.
Diga-se o que se disser e mau grado a diarreia legislativa, a Justiça é o patinho bonito deste governo.
O meu padrinho esqueceu-se do folar, mas mesmo assim,
Parabéns!
terça-feira, 14 de abril de 2009
Quem tem um portátil tem tudo
sexta-feira, 10 de abril de 2009
é preciso reformar a tropa!
Tem-se falado em instabilidade no seio das Forças Armadas. Parece que a malta quer melhores condições, que isto de vestir uma farda tem muito que se lhe diga.Não é que eu seja saudosista, mas, gaita, esta nova geração do ar condiconado além do costumeiro aumento de vencimentos, quer o quê?
Se o Ramalho Ortigão fosse vivo desancava-lhes forte e feio no seu blogue pessoal e intimista...
_
Scaner extraído das Obras Completas de Ramalho Ortigão \ Farpas Esquecidas \ vol. I \ Livraria Clássica Editora, 1946 \ pág. 105.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
De como a justiça real era benévola para alguns
_Imagem extraída da Collecção da Legislação Antiga e Moderna do Reino de Portugal \ Parte II \ Da legislação Moderna \ Tomo III \ Coimbra: Na Real Imprensa da Universidade \ Anno de MDCCCVII \ Por Resolução de S. Magestade de 2 de Setembro de 1786.
- Trata-se das Ordenações do Reino, no caso as Ordenações Filipinas, que estão divididas em 5 livros e estes em 3 tomos (volumes, na nomenclatura actual).
[para ler melhor ter em conta que a letra S tem aspecto estilizado. Mais ter em conta que barregã é a modos que prostituta, vendedeira de primaveras].
terça-feira, 7 de abril de 2009
Os pequenos bandeirantes e o genocídio das sombrias
Quem viveu comigo os gloriosos tempos de meninice sabe muito bem do que falo. Nós vivíamos para “ir aos costelos”, sobretudo aos que roubávamos ao Jó, ao falecido primo Adélio e até àqueles a quem não estávamos ligados por laços de sangue.
Chegámos a fazer excursões pelo misterioso sertão que para nós eram as “terras das areias”, ali mais para as cercanias do mar. Munidos de frigideira e pequeno fogareiro a petróleo, chegámos a acampar por lá enquanto as largas dezenas de costelos aguardavam o romper da aurora e com ele a chegada das pobres sombrias e boieiras.
É mais por causa das primeiras que desabafo no divã psicanalítico que são os blogues. Sim, nós contribuímos para o extermínio da emberiza ortulana!!Essa mesma, a sombria que fazia as nossas delícias na frigideira! A sombria ansiosa por depenicar o bichinho do milho atado bem ao centro do costelo! A sombria que, por isso mesmo, era gordinha e apetecível!
O Atlas da Aves que nidificam em Portugal Continental não precisava de dizer que o canto da sombria “audível a grande distância, começa a ouvir-se em meados de Abril”. Disso, a malta ainda se lembra!
Como se não bastasse, a carta de fls. 203 do Atlas dá-as como proliferando um pouco mais para o interior do centro e norte do país, em especial a Serra da Estrela. Não acredito!
Então e a miudagem de lá não toma uma atitude!
*
Ando a correr atrás do Outro,
como fazem
dois meninos brincando no jardim…
…até me achar, de repente,
sem saber como, o Outro lá da frente,
que vai fugindo de mim.
*
- Poema de Sebastião da Gama (Brincadeira), extraído de Serra-Mãe – Poemas \ Colecção Poesia das Edições Ática \ 4ª edição. [comprado em Outubro de 72, num intervalo de brincadeiras de má lembrança]
sábado, 4 de abril de 2009
Os bandeirantes e o genocídio dos povos nativos
Não acredito que o desconhecimento se deva ao facto dos Bandeirantes, a par do desbravar dos sertões brasileiros, terem semeado a morte e a doença entre os povos nativos que iam encontrando pelo caminho. A razão estará no patrioteirismo dos nossos historiadores, mais interessados na epopeia dos portugueses vista do lado nacionalista e expansionista. É que a par dos colonizadores portugueses, foram muitos os brasileiros envolvidos no rasgar do interior da enorme colónia que era o Brasil no séc. XVII.E agora digam lá que não somos uns patriotas!
sexta-feira, 3 de abril de 2009
O fiel amigo
A par do cão, é conhecido por ser o único amigo que nunca é infiel.Os cientistas dão-lhe o nome de Gadus morhua e afiançam que a sua taxonomia é muito complexa, existindo várias espécies e subespécies.
Cá por mim, de complexo não tem nada, pois nem sequer é difícil de grelhar, cozer, fritar ou assar.
Já pesquei parentes próximos, como o badejo, mas a fisionomia do verdadeiro bacalhau é inconfundível.
Há uns anos atrás, outro amigo fiel - o Helder Luzio, conseguia-me uns exemplares frescos, a que eu dava o destino preferido: cozido em água, cebola e sal. Então as cabeças acompanhadas de couve e umas batatitas eram um verdadeiro regalo.
Ao que parece, são tempos que já não voltam.
A não ser que emigre para a Noruega ou a Islândia.
Sempre juntava o útil ao agradável...
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Bibliografia e foto: A EPOPEIA DOS BACALHAUS, de Francisco Manso e Óscar Cruz \ Distri Editora, 1984 [comprado na Bertrand, em Aveiro, aos 19.12.1984]
quinta-feira, 2 de abril de 2009
O Carnaval da Política - II
O Carnaval da Política - I
Tal como refere o texto, trata-se de mais um vira-casacas do gaiteiro mundo da política. Conheci-o bem nos meus tempos de advocacia em Anadia, já lá vão 20 e tantos anos. Na altura, César Carvalheira ia à missa e aprendia catequese na escola do PS, crença que dava muito jeito a quem se dedicava essencialmente a empreitar obras de construção civil para o Estado e Autarquias Locais.Mudaram-se os tempos políticos e com ele os actos de fé: Carvalheira passou a adorar outro bezerro de oiro...
O caso nem é virgem na região. Outro exemplar típico deste tipo de fauna é o Gilberto Madail da FPF, que também começou por ser catequista na igreja socialista.
Conheci-os ambos nesses tempos de fervorosa militância, que passava por umas agradáveis incursões pela noite aveirense...
Ainda recordo uma reunião duma distrital do PS [daquelas que se prolongavam madrugada adentro] e ouvir os camaradas chorar a perca de tão fervorosos adeptos; disse o que pensava, que gente daquela podia ser tudo menos desejada num partido de base humanista.
Comecei aí a despedir-me dum certo estilo e forma de estar na política e na vida.
No post seguinte faço questão de homenagear esse tipo de fauna.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Ração de combate: os dias da fome
Era uma ou mais caixas destas que levávamos para as operações de 2, 3 e até 4 dias, mato adentro.Tudo gente do melhor que havia ao cimo da terra, verdadeiros camaradas a quem tratava por "Sr. Silva", "Sr. Santiago" ou "Sr. Adão".
Parece que a úlcera continua, que a guerra está para durar, durar...
terça-feira, 31 de março de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
O aniversário e a arte tumular
Um homem progride, blindado e hirsuto
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- Poema de António Gedeão [Linhas de Força\Carta aberta. Edição do Autor\1967].
sexta-feira, 27 de março de 2009
AINDA ESTOU VIVO

Já perdi o medo
Chegará no seu dia
Hoje levanto-me mais cedo
Madrugar nada me custa.
os teus Amigos,
voltaram a lembrar-te!
Como num poema teu,
mais uma vez,
chamámos-te à vida,
quando tu, desiludido,
preferias morrer.
Por isso nos rimos da morte enquanto estamos vivos.
_
O 1º quinteto e a última estrofe foram extraídos de Ainda estou vivo, poema escrito pelo Carlos em 29.1.2004, 8 meses antes de se ir embora (27.9.2004).
O poema que chamei à vida, Acaso não somos Amigos?, foi escrito no Chioco (Moçambique) em 1971.
[CARLOS LUZIO - O PESCADOR DE SONHOS\ Edição dos Amigos\ 2005]

