sábado, 27 de fevereiro de 2010

Chover no molhado

Então Deus disse a Noé: «o fim de todos (os homens) chegou diante de Mim, pois encheram a terra de iniquidades. Vou exterminá-los, assim como à terra. Constrói uma arca de madeiras resinosas.
...
De tudo o que tem vida, de todos os animais, levarás para a arca dois de cada espécie, para os conservares vivos junto de ti: um macho e uma fêmea.
Depois .... 
...romperam-se as fontes do grande abismo e abriram-se cataratas do céu. A chuva caiu sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites.

Comentário: chove tanto e de tanto lado, que é melhor ir pensando no pós-dilúvio.
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- Citações da Bíblia Sagrada / Génesis, 6 e 7, Edição do Instituto Bíblico de Roma, Stampley Publicações Ltda., São Paulo, Brasil].
- Imagem extraída de www.risadageral.com

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A face oculta das escutas ou de como as coisas se terão passado

O processo
A profusão e o conteúdo dos alvos eram de tal ordem que pareciam óbvios os fortes indícios da prática do crime de atentado contra o estado de direito. Porém e apesar de bom zelador da lei e dos ideais de Abril, o tribunal de Aveiro deixou-se levar pela velha e recalcada regra do acusatório: não está escrito em lado nenhum, mas, à cautela, há que indiciar pelo mais e depois logo se verá onde é que isto vai parar.
Percebe-se a regra desviante: ao contrário de que pensava Josef K. (1), a justiça não pode ficar quieta. Bem vistas as coisas, quaisquer tentativas ou meros fumos que apontam para a monopolização de orgãos de informação servem para bloquear o processo democrático. Logo, há que agir rapidamente e derrotar a todo o custo esse estádio supremo do capitalismo que é o imperialismo.
O "sistema de participações" de que falava Lenin (2) não só serve o aumento de poderio dos monopolistas, como permite levar a cabo as piores traficâncias e roubar o povo impunemente.
Vistas assim as coisas, só havia um caminho a seguir: apunhalar o novo César!

As forças de bloqueio
Esqueceu a instância aveirense que o ordenamento jurídico vive enredado numa teia demasiado peganhenta, ainda por cima agravada pela diarreia legislativa que vem assolando o país. Vá lá a gente entender-se no emaranhado de leis codificadas e avulsas.
Pior que tudo isso: como se não chegasse o enredo das supostas infiltrações maçónicas e jesuíticas no aparelho judiciário, sobretudo ao nível das instâncias superiores (3), a nódoa acabou por cair no melhor pano:
As escutas do novo César eram, afinal, nulas. Pois é: os melhores também se enganam e falham onde era suposto acertar no alvo.
Mas nem tudo estava perdido: se a comunicação social chega aos segredos de Estado, porque é que não há-de chegar às meras escutas dum processo judicial? Afinal, sempre lá chegou e, convenhamos, é para isso mesmo que servem 
as forças de desbloqueio
No meio duma crise que ameaçava a ruína, as escutas caíram como sopa no mel ou lagosta à mesa dos haitianos da comunicação social. Com a vantagem de que não há regras processuais a respeitar: os suspeitos presumem-se culpados e quem tem escutas tem condenação pela certa. Basta divulgar o que interessa e ocultar os sinais contrários.
O endes (4)
Muito por culpa dos agentes judiciários (magistrados, advogados, funcionários judiciais e outros que tais) a Justiça, essa, entretanto, vai derrapando até chegar à total descrença pública.


Cá por mim, que deixei de ir ao circo há dezenas de anos, vou-me ficando pela feira quinzenal da minha terra, logo ali no Sobreiro e pelas iniciativas locais. Prefiro os sabores e o pulsar das gentes da terra. Porque é aí que encontro as minhas raízes.
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Referências bibliográficas e notas finais:
(1) O Processo, de Franz Kafka, Colecção Dois Mundos/Ed. Livros do Brasil, pág. 152.
(2) Imperialismo, estado supremo do capitalismo, de V. I. Lenin, Ed. Centelha, Coimbra/1974, pág. 64.
(3) Acordão do Supremo Tribunal Administrativo de 14/1/2010, Proc.º n.º 043845, consultável
AQUI.
(4) Na minha terra, chama-se endes ao ovo das galinhas poedeiras que deixamos no ninho depois de retirados os demais, de modo a servir como chamariz. Estou em crer que a palavra vem do inglês "end".
 - As imagens foram extraídas do site presentermedia.com e do post encontrável na etiqueta "Justiça" (A palavra e a mão).
- P.S. (salvo seja): chama-se "alvo" à referência onde as escutas estão contidas no processo através dum n.º identificador, de modo a facilitar o acesso ao suporte digital contido num CD ou no próprio disco duro do computador.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O Sol não é para todos

O episódio do procedimento cautelar destinado a impedir a publicação dum texto no semanário Sol constitui mais uma machadada na deliberada descredibilização da Justiça.
Os jornalistas julgam-se acima da lei, usam e abusam de meios proibidos ao comum dos cidadãos e, não tarda, serão eles a decidir quem, mal ou bem, deve ou não deve governar o país.
No que ao 1º ministro diz respeito, o conteúdo das escutas feitas no âmbito do processo "face oculta" não tem relevância criminal. Foi o que decidiram o Procurador Geral da República e o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça.
Como desde logo defendeu o Bloco de Esquerda, os indícios (aparentemente evidentes) de que pessoas do círculo do 1º ministro (com ou sem a cumplicidade ou co-autoria deste) tencionavam ou ambicionavam controlar orgãos da comunicação social "incómodos" justificam uma investigação séria por parte da Assembleia da República.
Provavelmente e de acordo com as regras democráticas, conduziriam à mais do que justificada demissão deste governo minoritário.
Como as coisas se estão a passar, o verdadeiro poder saltou para as mãos da comunicação social.
Pela 2ª semana consecutiva, o semanário Sol publica notícias obtidas por meios ilícitos, criminosos, meios que ao longo de 31 anos de advocacia desaconselhei aos meus clientes. Sob pena da justiça penal lhes cair em cima com unhas e dentes, para além dos limites das suas capacidades de defesa.
Se um cidadão anónimo, sem poder financeiro, social ou político, se furtasse a uma citação como a que uma agente de execução repetidamente pretendeu cumprir durante a tarde de ontem na sede do semanário, certamente estaria hoje a sentar-se no banco dos réus sob a acusação de obstrução da justiça.
Se o mesmo cidadão fizesse uso dum meio ilegítimo, criminoso, para atingir um objectivo (ainda que lícito), já teria sido detido e, com alguma probabilidade, seria rapidamente julgado e severamente condenado.
Quanto às escutas, quando legítimas, não passam de mais um meio de prova que, corroborado por outras diligências probatórias, poderá levar à condenação dum suspeito da prática dum determinado crime.
Por curiosa coincidência, ontem mesmo, vários colegas defendemos essa tese em sede de alegações finais num conturbado e longo processo-crime.
Mas para a toda poderosa corporação da comunicação social a justiça é diferente. Confirma-se que quem tem poder manda como quer.
Também se confirma o que sempre me pareceu desde os tempos de jovem rebelde: o sol, quando nasceu, não é para todos.
George Orwell tinha razão no seu romance de 1949: o big brother vem aí!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O Sr. Teixeira

Já se percebeu que o ministro Teixeira dos Santos não aceita que a Madeira veja aumentadas as transferências do Orçamento do Estado. Por uma questão de justiça e equidade entre os portugueses, é o que diz e bem.
Se bem me recordo, enquanto 1º ministro, Cavaco Silva também não embarcou nos desmandos de Alberto João Jardim, o que valeu a Cavaco o epíteto de "Sr. Silva".
O dirigente madeirense anda demasiado calado para o gosto dele.
Não tarda, o ministro das Finanças não passará do "Sr. Teixeira".
Entretanto, vamos esperar sentados pela justiça e equidade que muitos pregam e poucos aplicam...
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Foto tirada no Museu do Vinho da Bairrada, em Anadia.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Gracias


Mercedes Sosa, aliás “La Negra” (1935/2009): cantora popular argentina.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Haiti: cenário de guerra

A dimensão da tragédia no Haiti levou os governos do México e do Brasil a enviarem navios-hospital em socorro das vítimas do terramoto.
Sem ignorar o empenhamento dos EUA na ajuda e a adaptação de meios militares a fins civis e humanitários, certo é que Obama não resistiu ao envio duma brigada de soldados e um porta-aviões (USS Carl Vinson, na imagem ao lado), num total superior a 5.000 militares, muitos dos quais fuzileiros. (ver notícia AQUI)
Os Césares podem ser magnânimos, mas até em momentos destes adoram mostrar o seu poderio militar.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Enfim, casados!

A Proposta de Lei do Governo sobre os casamentos entre pessoas do mesmo sexo foi aprovada pelo plenário da Assembleia da República (proposta n.º 7/XI) no passado dia 8. Pronunciei-me sobre a matéria AQUI.
Entretanto e em vez de "casamento", a proposta do PSD falava em “união civil registada” de pessoas do mesmo sexo, não alterando o regime de casamento previsto no Código Civil. Foi chumbada, como se esperava.
Ficam por responder muitas questões:
1ª - Ao afirmar no seu artigo 3º que a aprovação do casamento homossexual não implica a admissibilidade legal da adopção, a proposta fica-se entre a carne e o peixe, uma espécie de “nim”.
A inconstitucionalidade da norma parece óbvia, como desde logo ressalta da interpretação do n.º 1 do art.º 26º da Constituição.
2ª - Quem votou PS só porque a matéria fazia parte do seu programa eleitoral?
3ª – Se fosse referendado, o casamento entre pessoas do mesmo sexo levava sopa da grossa.
4ª – Pouco vai mudar no país real: a medida é impopular; porque somos conservadores e pouco dados a mudanças de fundo.
5ª – Os destinatários da proposta de lei serão uma minoria ínfima.
6ª – A homossexualidade continuará a viver escondida, envergonhada.

Donde, concluo: deveria ter-se começado por vencer a barreira da incompreensão.
A medida vai custar caro ao PS e ao contrário dos que pensam que as coisas vão melhorar, tudo acabará por piorar.


Como retrata a imagem.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Asterix faz hoje 50 anos

No dia 29 de Outubro de 1959, a revista francesa Pilote publicava a 1ª prancha de Asterix, o irredutível gaulês cuja aldeia, decorridos 50 anos, continua a resistir aos invasores romanos.
A famosa banda desenhada já terá vendido 325 milhões de exemplares em 107 idiomas.
Claro que tenho a colecção completa (ou quase), desde o 1º álbum, "Asterix O Gaulês", saído em 1961. 
A parceria entre os autores do nosso herói, René Goscinny (argumento) e Albert Uderzo (desenho), manteve-se até à morte do 1º em 1977. Desde então,  Uderzo passou a assumir a edição dos novos álbuns.


Como curiosidade, registe-se que a página portuguesa do Google recorda o evento, apresentando uma imagem dos principais heróis, Asterix e Obelix
Como se vê, os nossos heróis continuam a desancar nos romanos como se os anos não passassem por eles.
Deve ser efeito da poção mágica do Panoramix...

sábado, 10 de outubro de 2009

Recordares de paz e de guerra

A cidade de Lândana, ou Guilherme Capelo, em Cabinda / Angola (princípios de 1974)



Operação Quitexe, no rio Lukengue, norte de Angola (Nov. de 1973)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

PROMESSAS LEVA-AS A URNA...

A viver nos nosso dias Leopold Franz Johann Ferdinand Maria Sacher-Masoch não teria, com toda a certeza, idealizado algo mais perverso para concretizar a sua pulsão favorita: obter prazer com a sua própria dor e sofrimento.

Sui generis expressão do mais puro masoquismo, a aceitação por parte do cidadão comum do reiterado incumprimento das promessas eleitorais por parte da "classe política" que governa este Planeta, é algo que prefigura, à escala da Humanidade, um comportamento a tocar as raias do patológico.
Que, vindas de todos os quadrantes do espectro político, democraticamente presentes à esquerda, à direita e ao centro, as promessas eleitorais ganham as eleições que de outra forma os seus autores se arriscariam a perder, é algo que não sofre a menor contestação.

Que, não sendo regra, é "normal" que a esmagadora maioria dessas promessas não sejam cumpridas no período pós eleitoral, e que quem as promete saiba de antemão que as não irá cumprir, faz já quase parte do senso comum, mas é no mínimo dos mínimos ignominioso.
Agora o que é mesmo, mesmo, ultrajante é que ou intuindo ou mesmo percepcionando tudo isto, o comum dos cidadãos ainda continue impávido e sereno a depositar na urna o penhor da sua esperança de dias melhores, eternamente prometidos e eternamente esquecidos, sem um único queixume que não seja o de em futura oportunidade mudar de moleiro...mas não de ladrão.
De promessa em promessa, de esperança em esperança, cíclica e passivamente assistimos a mais uma reinvenção deste provérbio, imbuídos de algo que fica algures entre a estupidez humana, que como todos sabemos é incomensurável, e a completa ausência de consciência política.
Mas por quanto tempo mais conseguirá o cidadão comum suportar as promessas que, está careca de saber, jamais se cumprirão?
Por quanto tempo mais conseguirá conviver pacificamente com o concubinato de casa, cama e pucarinho entre o poder e o capital, que a cada momento se reinventam para perpetuarem a quase apática submissão da horda de explorados da qual é parte integrante?

Por quanto tempo mais poderá complacentemente pactuar com a farsa imoral da distribuição de migalhas a quem realmente produz a refeição inteira, e sucessivamente fazer vista grossa a promessas de equidade financeira e social que se fazem para nunca ser cumpridas?
Por quanto tempo mais poderá o cidadão comum assistir à delapidação do planeta onde temporariamente habita, e onde por este andar não habitarão os filhos dos seus filhos?
Por quanto tempo mais poderemos nós, comuns cidadãos, fazer de conta que perdemos a capacidade de tomarmos em mãos o nosso próprio destino?


Será que não vem chegando a altura de começarmos a equacionar a possibilidade de não necessitarmos de moleiro e muito menos de ladrão?
jr
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O bloguedooscar abriu-se à colaboração deste misterioso "jr", um blogger com provas dadas, sempre a coberto do mais extremoso anonimato. Anonimato que jurei preservar (eu seja ceguinho!, tal foi a garantia que lhe dei).

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

TACHO DEU SARRABULHO

De 4 em 4 anos, as promessas de tachos repetem-se.
E de 4 em 4 anos, ficam promessas de tachos por cumprir.
Como os tachos são menos do que as promessas, de 4 em 4 anos há sarrabulho: os que foram enganados pelas promessas eleitorais denunciam a vigarice.
Aconteceu isso há pouco mais de 4 anos com o Dr. Fernando Vieira, então presidente da União Desportiva de Bustos, que em 2001 aceitou integrar a lista do CDS para a Assembleia Municipal apenas por lhe terem prometido um sintético para o campo de futebol da UDB.
O nosso presidente da UDB sacrificou a sua condição de militante do PS pela condição de bustuense e amante maior do clube de Bustos.
Como eu era dirigente concelhio do PS, o dótô teve o cuidado e a ombridade de, previamente, falar comigo. Apoiei-o, porque também eu, antes de ser militante dum partido político, sou militante de Bustos.
A promessa não só não foi cumprida, como o sintético foi para outro lado: o Oliveira do Bairro Sport Clube.
E não foi cumprida porquê, perguntarão?
Não foi cumprida, porque quando o CDS organizou em 2005 a lista para a Câmara convidou um prestigiado oliveirense e dirigente do OBSC para fazer parte dessa lista. O convidado aceitou, na condição da Câmara pagar imediatamente o sintético do clube sediado na capital do concelho.
A Câmara cumpriu com o dirigente oliveirense e deixou no fundo da gaveta a promessa que fizera 4 anos antes ao Dr. Fernando Vieira.
O caso deu um grande sarrabulho, com comunicados na rua e protesto do vigarizado na Assembleia Municipal (julgo que, em final de mandato, o Dr. Fernando renunciou mesmo ao cargo de membro da Assembleia). 
O sintético veio para Bustos, pois veio, mas foi pela mão do actual executivo.
Gosto muito de sarrabulho, sobretudo se for feito num tacho grande, ao lume.
Este que aqui apresento foi feito pelas mãos de ouro do Licínio da Mamarrosa e foi comido na adega do Jó, ali no Sobreiro.
A saboreá-lo havia lambões para todos os gostos e paladares: do PS, do PSD, do CDS, do Bloco de Esquerda, da CDU, do Benfica, do Sporting, do Porto, do Beira-Mar e até do Belenenses, por sinal um clube do coração de muitos bustuenses nascidos nos anos 20, 30 e 40.
Bustuenses que não esquecem.
É bom não esquecer. É bom lembrar.
Porque um Povo sem memória é um Povo sem história.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A TERRA

Pinta a terra no meu corpo.
Pinta a terra no meu corpo.
Pinta, pai, a terra no meu corpo.
Eu próprio vou transformar todo um povo,
vou tornar sagrado todo um povo.
Pinta, pai, a terra no meu corpo.
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- Poema dos Índios Sioux, América do Norte. Tradução de Herberto Helder. Publicação: "Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro", Assírio & Alvim, 3ª edição /Abril de 2001, pág. 216
- Imagem extraída da capa de "Fort Whelling, de Hugo Pratt,Tomo 1, Edições ASA, 1ª edição, de Nov. de 2002.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Vocês conhecem-me

Não vou dizer que sou mais conhecido do que a Sé de Braga. Deixo isso para o candidato do CDS à Câmara Municipal, ele sim, pelo menos tão conhecido como a vetusta sé da cidade dos arcebispos. O que não admira, porque ambos existem e se mantém de pé há centos e centos de anos. (1)
E também não vos vou pedir que confiem, seja em mim, seja no candidato. Explico porquê:
Quanto ao candidato e entre outras razões de que agora me reservo não falar, porque se trata dum verdadeiro "animal político", velho rato sabido, cheio de truques na manga, especialista na arte de prometer que os políticos tão bem cultivam, que diz que fez o que não fez (ou só fez em parte), ou que agora vai fazer o que há muito deveria ter feito.
E se vos peço para também não confiarem em mim, lá tenho as minhas razões.
Entre outras de que agora me reservo não falar, sou meio anarca, um rebelde, cão que não conhece dono, porta bandeira de causas que defendo até à exaustão. 
Causas que às vezes ganho, às vezes perco. Mesmo quando ganho.
Confesso também que sou visceralmente anti-estalinista, menos num aspecto. Como Estaline, seria capaz de restaurar os ícones religiosos para incentivar o povo a resistir à invasão nazi (2).
Porque digo isto, perguntarão. Também explico porquê:
Vamos supor que a lista BUSTOS EM 1º, concorrente à eleição para a Assembleia de Freguesia de Bustos, ganha as eleições de 11 de Outubro...
Em tal caso, alguém me imagina a ter de tratar a vencedora por "Senhora Presidenta" prá qui, "Senhora Presidenta" prá li?
Que reacção esperariam dum homem que já casou 3 vezes e outras tantas se amigou?
Suportaria tal vexame?
Ou tentaria um 4 casamento?
E se a história voltasse a repetir-se? Tentaria um 5º?
Não! Jamais (ler jamais com sotaque afrancesado)!
A história não vai repetir-se! 
Nem a lista da minha 3ªcarametade vai ganhar as eleições...
...nem eu acredito em 5 casamentos, ainda que interpolados!
Cinco casamentos são cinco mandatos.
São mandatos a mais!
Deus me livre!
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(1) A Sé de Braga terá começado a ser construída no séc. XI, entre 1070 e 1093.
(2) As tropas soviéticas chegaram a marchar contra os exércitos de Hitler com bandeiras de santos ortodoxos como porta-estandartes.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

De como em 1º começa a estar BUSTOS

Em perfeita sincronia e demonstrando apurado sentido do que é interactividade, este post é editado em simultâneo com idêntico post do blogue bustos-em-primeiro.
Deixem que vos conte:
Na passada noite e como de costume,  a task force do PS concelhio reuniu na “cabana do Pai Tomás”, sita ali à recatada Silveira de Oiã. Apesar da conhecida aversão às aulas de catequese, recalcamento de infância que me impediu de estar presente, fui informado por telemóvel dos pormenores da apresentação pública das listas de todos candidatos do PS, apresentação essa que irá ter lugar nesta 6ª feira, dia do fatídico 11 de Setembro, pelas 18H30, no hotel Paraíso, em Oliveira do Bairro.
Surpresa das surpresas: a madrinha e 1ª da lista das e dos Jovens de Bustos, que gira sob a denominação de BUSTOS EM 1º, vai representar as seis candidaturas às (6) freguesias do concelho.
A 3ªcarametade vê assim reconhecida a ousadia e coragem de enfrentar o mundo pardacento da política dos politiqueiros e da politiquice. Dos maus padrinhos e piores afilhados, usualmente afiladinhos (i.é., na fila, em lista de espera) para comer do bolo, de preferência à tripa fôrra, até ao rapar do fundo do pequeno tacho que coube em sortes ao concelho que temos sido.
Claro que apadrinhei e apadrinharei até à morte a jovem, ousada e entusiasmada equipa do BUSTOS EM 1º.
Claro que elas e eles vão dar cartas.
Claro que vão ensinar (aprendendo) como se deve fazer e viver a política.
Claro que vão despertar e alertar as adormecidas consciências.
Claro que elas e eles sabem muito bem o que querem e que novos rumos devem orientar Bustos e os bustuenses.
Claro que os politiqueiros do anteontem e do ontem vão tremer como varas verdes.
Claro que eles vão andar aos gambozinos.
Claro que vão panicar; quiçá, borrar-se de medo.
Claro que vão, disso não tenham dúvidas, corar de vergonha.
Vergonha pelo que deixaram escapar entre os dedos da sua (in)consciência e (de)formação social, política e ética.
Vergonha pelo mal que deixaram acontecer.
Pelo marasmo bafiento a que votaram Bustos, apesar das promessas que fazem todos os 4 anos, num ciclo vicioso e viciado.
Pela falta de lucidez, imaginação e sentido prático das coisas.
Assim será, mesmo que eles ganhem na contagem do número das cruzinhas, que o Povo é sereno e acredita até no inacreditável.
Eles não sabem, mas:
*
Tudo é fácil quando se está brincando com a flor entre os dedos,
quando se olham nos olhos as crianças,
quando se visita no leito o amor convalescente.
É bom ser flor, criança, ou ser doente.
Tudo são terras donde brotam esperanças,
pétalas, tranças,
a porta do hospital aberta à nossa frente.
Desde que nasci que todos me enganam,
em casa, na rua, na escola, no emprego, na igreja, no quartel,
com fogos de artifício e fatias de pão besuntadas com mel.
E o mais grave é que não me enganam com erros nem com falsidades
mas com profundas e autênticas verdades.

E é tudo tão simples quando se rola a flor entre os dedos!
Os estadistas não sabem,
mas nós, os das flores, para quem os caminhos do sonho não guardam segredos,
sabemos isso e todas as coisas mais que nos livros não cabem.
*
Deixo-vos com a citação do parónimo texto do padrinho, também acabadinho de sair no BUSTOS EM 1º e que podem linkar em baixo:
Finalmente…
BUSTOS COMEÇA A ESTAR EM 1º!
oscardebustos
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- Poema "Amargo estilo novo", de António Gedeão / Linhas de Força / Edição do autor, 1967, págs. 57 e 58.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Há mar e mar. Há ir e ficar

A descoberta do vídeo antecedente trouxe-me à lembrança um bom amigo e companheiro de Bustos: o Necas Caldeira, magarefe reformado. Mas também embarcadiço, para fugir à guerra a que acabou por não fugir.
Naquela madrugada, apeteceu-me bater-lhe à porta e perguntar-lhe: 
- Então, Necas e o teu mar? 
- E a guerra, Necas, a puta da guerra ali no Tôto, aonde nos encontrámos ia eu para para mais uma intervenção a pedido dos senhores da guerra de Luanda?
- E as campanhas no bacalhau, Necas? Conta-me, conta-me lá, que quero ouvi-las outra vez?

Acabei por encontrá-lo ontem, no sítio do costume, andava aqui o padrinho, mai'la madrinha e o afilhado, a colocar a 3ª tela do "Bustos em 1º". Foi na Barreira, à beira da casa do Altino.
Acabada a safra e umas atramoçadas minis de permeio na loja da Maria do Altino, viémos até casa lembrar tempos que marcaram a nossa juventude. 
E viajar pela net. Mar adentro. Até St. Jones, na Terra-Nova, Labrador.
Chegados lá, dispara-me o Necas:
"O Santa Maria Manuela era da pesca à linha. Saíam em Fevereiro/Março e regressavam antes dos temporais. Os primeiras linhas eram a alma da pesca à linha. Iam nos dóris para sotavento, zagaiando de vez em quando, a ver se ferravam peixe. Se viam que dava, largavam os tróleis de 10, 26, 28 linhas, na zona testada pela zagaia. Era um fartote!
 Carregados os dóris e deixadas as linhas assinaladas com bóias, vinham descarregar o bacalhau para bordo, que garfeavam para dentro da embarcação sem sair do dóris [tás a ver aqui, no filme? Cala-te mas é, e aprende!]
Arrastão Santa Princesa

Fui em 66 para o bacalhau, no Santa Princesa, um navio de guerra francês adaptado. Também andei no Santa Mafalda
Arrastão Santa Mafalda

Foram 4 viagens ao todo, entre 66 e 69.
Uma vez, o Ti Jacinto Merendeiro, da Gafanha do Carmo, morreu dum ataque quando íamos para St. Johns. Enterrámo-lo lá, mas o filho, emigrante no Canadá, trouxe-o para o chão da terra dele. Era gente de raízes!
Mas antes da malta ser enterrada em terra, muito antes de mim, fazia-se o "bota-abaixo": o corpo de quem morria a bordo dos veleiros era colocado em cima duma tábua e seguro por pesos para afundar. Deixado à água, o bota-abaixo só acabava quando se largava uma lamparina a boiar no local, a assinalar a morte.
[Tás parvo ou quê? Claro que a lamparina boiava à solta! Era uma cerimónia, a fazer de conta! Como o teu enterro e o meu, quando formos viver para a casa grande que fica em frente do Zé Valério!  Ou estás à espera de missa cantada e santa no enterro?
- Calei-me antes que ele me excomungasse...]

Não aguentei os 7 anos que a lei mandava para se livrar da guerra. Embarquei para Angola em 71, com o Batalhão 3855, 4ª Companhia, a 3437.
E a tua, que eras dessa merda da intervenção, sempre a saltar para onde elas escaldavam?
- Era a 3564, Necas - respondi-lhe eu - uma companhia independente, sob as  ordens directas do Comando-Chefe de Luanda.

Já agora, Necas: quando nos encontrámos no Tôto ia para uma intervenção na serra da Mucaba, a subir  de gatas, a pique, à espera das ameixas cairem. Fomos a seguir aos páras, que vieram de lá corridos. Aquilo era um santuário da Fenelá, uma espécie de cu de Judas.
Sabes, no percurso passei por uma pequena fazenda que se chamava Mamarrosa.
Lembrou-me a terra. 
A terra para onde tinha de voltar, Necas, nem que fosse cão!"

A nossa terra é o nosso chão. 
É aqui que estão as nossas raízes.
Todos os dias as rego com água.
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A net está cheia de blogues e sítios que nos transportam para o mundo perdido das frotas bacalhoeiras.
Bem hajam pela ajudinha!