quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Bonança
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
fui à pesca e não pesquei...
Uma só lua no céu,Muitas estrelas no céu,
só dois olhos no teu rosto.
- Imagem: Corto Maltese.
- Poema dos índios aztecas, versão de Herberto Helder. Extraído do livro "Rosa do Mundo - 2001 poemas para o futuro" \ 3ª edição \ Assírio & Alvim (pág. 157).
sábado, 22 de agosto de 2009
Afrodisíacos...
Rebuscando nas memórias dum tempo cada vez mais longínquo e antes que a morte me pregue uma qualquer partida, vou-me apressando a devorar notas e apontamentos que o meu saudoso pai (1.8.1917 - 6.1.2005) ia registando num dos livrinhos que o acompanhou nas suas lides de ferrador e castrador diplomado.A capa em cabedal castanho faz lembrar o clássico e lendário bloco "moleskine".
A páginas tantas, encontro esta preciosidade: o receituário de "Afrodisíacos Para o Cio".
Com indicação das doses para cavalo, boi e cão.
Já agora: quantos cc (centímetros cúbicos) seriam necessários para o bicho homem?
Afinal, hás uns 50 anos atrás a própria bicharada já tinha ao alcance da pata o seu viagrazito...
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Abaixo o regime! Viva o gordo!
Contra os maus costumes e hábitos instalados.
Contra o poder pelo poder.
Contra o quero, mando e posso.
Contra a falta de ética, o vale tudo.
Contra os pneus recauchutados, causa de tantas mortes nas estradas municipais.
Contra as pilhas "duracell", porque o boneco repete sempre os mesmos gestos.
Contra o compadrio e os afilhados.
Contra a política dos favores.
Contra a treta da experiência,
que só serve para se agarrarem ao tacho.
Contra as promessas por cumprir.
Contra a falta de pinta e de imaginação!
Estamos CONTRA,
porque estamos fartos de os conhecer!
E de comer sempre farinha maizena!
QUEREMOS A MALTA NO PODER!
Porque sabe o que quer, tem ideias.
E uma visão diferente do mundo.
Porque o passado foi ontem
e o futuro começou hoje.
Porque o futuro é deles!
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Porque defendo os meninos não sendo menino?

Como não sou sábio e acredito que o mundo não acabará quando eu morrer, atirei-me de alma e coração à causa dos meus netos. Porque o futuro é deles.
Porque a única geração rasca que conheço é a dos políticos que insistem em continuar até à náusea.
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(*) Não foi por acaso que o meu S. Lourenço morreu na grelha: estava destinado a ser padroeiro de Bustos, das suas raízes (durante muito tempo mantive um endereço electrónico a que dei o nome de "raizesdebustos@...").
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Mulheres de Bustos arrasam lei da paridade!
A notícia que aqui vos deixo é avassaladora, telúrica. É mais uma pedrada no charco dos costumes e vícios instalados.
Acabo de saber que um grupo de mulheres de Bustos se prepara para virar do avesso as próximas eleições autárquicas.
Juro que é verdade: Bustos vai ter uma lista concorrente, composta exclusivamente de mulheres!
O que nos espera nos próximos 4 anos
Como se não bastasse, consta-me que vai ser liderada pela 3ª cara metade, estacionada aqui ao lado, nos blogues linkados na barra lateral direita...
Parecendo certo e seguro que o farão sob a almofada do partido do meu padrinho, apressei-me a dar-lhe o que penso ser uma notícia tonificante, por entre o mar de desgraças que lhe têm batido à porta [durante a conversa, foram várias as vezes que citou, diga-se que em mau latim, o "annus horribilis" que teima em acossá-lo].
Exultante, confessou-me do outro lado da linha:
- Tu podes ser um madraço, um infiel, um incorrigível anarco-facho. Mas desta vez - que é a primeira, que eu saiba - tiro-te o chapéu!
Julgava-te perdido para a causa! O clube jamais se esquecerá do teu empenhamento! Vou já ali assinar um decreto a propor-te para a medalha de mérito da Ordem dos Arrependidos!
A promessa soube-me a pouco e até estive tentado a desligar o telemóvel.
Farto de dar o corpo ao manifesto e levar pancada da grossa como prémio, disparei:
- Ó meu primeiro! Então eu abri as portas para esta acção revolucionária do mulherio, uma verdadeira bofetada na hipocrisia da lei da paridade, e tu vens-me com as medalhas!
Não sabes que eu não sou de salamaleques, de doutorices bafientas?
E se em vez disso me garantisses um tacho na administração da Empresa de Águas do Baixo Vouga?
Após um curto silêncio, dispara-me:
- Olha lá, ó guevarista pretensioso! Então não sabes que os lugares já estão prometidos e que vão ser partilhados com a malta do PSD? E admitindo que te dizia que sim, que garantias me davas de que te ias portar bem?
Contenta-te mas é com a medalha e põe-te na bicha!
Quem sabe: pode ser que entres na leva seguinte...
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- Imagem de "A noiva de Lucky Luke", de Morris & Guy Vidal, Edição Meriberica/Liber, 1986
domingo, 19 de julho de 2009
A lei da paridade: mulheres ao poder!
Não se trata de atribuir mais quotas leiteiras, que essas levou-as a União Europeia.Falo da lei da paridade, que obriga à inclusão de 1/3 de mulheres nas listas eleitorais.
Vai ser do bom e do bonito por esse Portugal profundo!
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Imagem extraída de "Lucky Luke: Calamity Jane", da autoria de Morris & Goscinny, Edição da Meribérica/Liber, pág. 8.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Vasco Granja: morreu o pai da banda desenhada
O termo "banda desenhada" foi mesmo introduzido por ele.
O seu nome aparece ligado à versão portuguesa da "Tintin" e, mais tarde, da "Spirou". Deve-se a Vasco Granja o conhecimento entre nós da BD de Hugo Pratt e do seu Corto Maltese.
Militante activo do PCP desde os tempos da clandestinidade, Vasco Granja soube ser um bom comunicador. A partir do 25 de Abril passou a dirigir um programa de meia hora na RTP com o título de "Cinema de Animação", onde predominavam os desenhos animados canadianos, americanos e, sobretudo, oriundos dos países do bloco soviético, preferência que levou até à exaustão durante os 16 anos em que durou o programa.
Ainda lembro os filmes checoslovacos, búlgaros, polacos e jugoslavos, cujos títulos e autores reproduzia como se nos fossem familiares, num esforço para alterar o gosto pelo estilo mais (para nós) inteligível e imediatista de Walt Disney.
O vídeo supra lembra o famoso Lápis Mágico, de origem polaca, que VG tanto divulgou.
domingo, 3 de maio de 2009
Imagens em 3D a 360º - Mont Saint Michel, França
sábado, 2 de maio de 2009
PINTURA NA AREIA
Para curar-me, o feiticeirono deserto:
areia de oiro - teus olhos,
areia vermelha - a tua boca,
areia azul para os cabelos,
e branca, branca areia, para as minhas lágrimas.
Pintou durante o dia, e tu
crescias como uma deusa
sobre a imensa tela amarela.
E pela tarde o vento dispersou
tua sombra colorida.
E, como sempre, na areia
nada ficou senão o símbolo das minhas lágrimas:
areia prateada.
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Imagem: contracapa de Fort Wheeling, tomo 2, de Hugo Pratt.
Poema dos Índios da América do Norte, tradução de Herberto Helder; extraído do livro "Rosa do Mundo - 2001 poemas para o futuro" \ 3ª edição \ Assírio & Alvim (págs. 198/199).
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Abril de vida, Abril de memória
Da primeira importa registar a leitura de poemas de Abril, da autoria de Sophia de Mello Breyner, Manuel Alegre e do nosso Armor Pires Mota. A poesia da paz que Abril trouxe falou mais alto que a canção da guerra que Manuel Alegre chorou no seu 2º livro de poemas, O Canto e as Armas (Editora Nova Realidade, 1967 e Ed. Poesia Nosso Tempo, 1970).
No salão nobre da sede do município e após as usuais intervenções dos representantes dos partidos com assento na Assembleia Municipal e do Presidente desta, teve lugar a apresentação do livro de Arlindo Vicente, pintor, advogado e antifascista, nado e criado no Troviscal e que aceitou o desafio de enfrentar a ditadura salazarista no “simulacro cuidadosamente montado” das eleições presidenciais de 1958, para usar as palavras do também troviscalense Silas Granjo, coordenador e prefaciador do livro agora trazido a público sob a égide da Câmara Municipal.
Confirma-se o que ousei afirmar repetidas vezes em público e privado: o pelouro da Cultura do nosso município tem sabido cumprir o seu desígnio: são constantes as acções de promoção da cultura, da arte e do entretenimento.
Da autoria de Miguel Dias Santos, professor, investigador e autor de vários estudos sobre a nossa história contemporânea, o livro foi apresentado por um dos filhos de Arlindo Vicente, o prof. dr. António Pedro Vicente, que entre muitos recordares nos lembrou que
“É através da memória que se constrói o futuro”
- Título: Arlindo Vicente e a Oposição; autor: Miguel Dias Santos; Edição: Câmara Municipal de Oliveira do Bairro; tiragem: 1.000 exemplares; data da 1ª edição: 25 de Abril 2009.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
ABRIL COM R
Trinta anos depois querem tirar o r. se puderem vai a cedilha e o til
trinta anos depois alguém que berre
r de revolução r de Abril
r até de porra r vezes dois
r de renascer trinta anos depois
Trinta anos depois ainda nos resta
da liberdade o l mas qualquer dia
democracia fica sem o d.
Alguém que faça um f para a festa
alguém que venha perguntar porquê
e traga um grande p de poesia.
Trinta anos depois a vida é tua
agarra as letras todas e com elas
escreve a palavra amor (onde somos sempre dois)
escreve a palavra amor em cada rua
e então verás de novo as caravelas
a passar por aqui: trinta anos depois.
_
Manuel Alegre.
poema publicado na edição portuguesa de Le Monde Diplomatique, Abril 2004.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Futuro passado
Em finais dos anos 50/princípios de 60, Bustos era uma terra virada para o futuro.
A embalar o progresso, em 1936 um "brasileiro" da terra apostou num Centro Recreativo de Instrução e Beneficência, com salão de festas e cinema (o famoso Bustos Sonoro Cine, a que não faltou um então inédito sistema de assinaturas, precursor dos cineclubes dos anos 60). Teatro de revista, bandas de música, jornais, farmácia, estação telegráfica e postal, 2 equipas de futebol federado, clube de natação (com uma pequena piscina, onde participámos em tantas provas e brincadeiras), cafés com salas de bilhares, 2 restaurantes, talho, peixaria.
Um sem fim de sinais duma terra de gente de progresso; e de ideias progressistas, de que foi exemplo a perseguida União Liberal de Bustos.
Nada parecia faltar nesses anos de ouro. Salvo a Liberdade.
Em princípios de 60, um grupo de bustuenses avança com uma Comissão de Melhoramentos, à qual se deve, nomeadamente, a criação duma sala de leitura da Biblioteca Calouste Gulbenkian, um colégio (então Externato Gil Vicente, hoje IPSB, com cerca de 1.000 alunos), posto da GNR e agência bancária.
Não nos faltaram dias, tardes e noites quentes, em especial as tardes quentes do Piri-Piri de que o saudoso Carlos Luzio falava.
Com o 25 de Abril chegaram os inevitáveis movimentos associativos de matriz social, personificados em duas instituições de solidariedade social - a ABC de Bustos e a SOBUSTOS. Não tardou a surgir o Orfeão de Bustos com o seu Grupo de Cantares.
E pouco mais.
Bustos foi morrendo, morrendo; mais de morte matada do que de morte morrida.
Tal como confessei AQUI, por nossa culpa, Bustos já foi.
Até renascer das cinzas do passado.
_
- Bibliografia consultada: Arsénio Mota, Bustos - elementos para a sua história, edição da Associação de Beneficência e Cultura de Bustos, 1983; e, do mesmo autor, Bustos do Passado, em edição da Junta de Freguesia de Bustos, 2000. Busca nos blogues hiperligados.
- Fotos do Jaime e do Milton Costa (slide da conferência sobre a origem da vida).
terça-feira, 21 de abril de 2009
A Política
_Foi dada à estampa no 1º número do jornal "A Paródia - Comédia Portugueza", fundado por Bordalo Pinheiro em 17 de Janeiro de 1900 e cujo último número data de 29 de Dezembro de 1906, cerca de um ano depois da morte do grande ceramista e caricaturista.
domingo, 19 de abril de 2009
HAH !...grande O'NEILL !
Há a mulher que me ama e eu não amo.Há as mulheres que me acamam e eu acamo.
Há a mulher que eu amo e não me ama nem acama.
Ah essa mulher!
Tu eras feliz, Appolinaire:
montado num obus, voavas à mulher.
Tu foste mais feliz, meu artilheiro:
tiveste amor e guerra.
Eu andei para marinheiro,
mas pus óculos e fiquei em terra.
Upa garupa na mulher que me acama,
que a outra é contigo, coração que bem queres
sofrer pelas mulheres...
_
Poema Hah !, a fls. 50/51 do caderno à margem, publicado pela D. Quixote em Março de 69.
Alexandre O'Neill nasceu em Lisboa a 19 de Dezembro de 1924 e faleceu a 21 de Agosto de 1986. Casou em 1971 com Teresa Patrício Gouveia e dela se divorciou em 81.
Teresa P. Gouveia teve a pouca sorte de ser ministra do ambiente de Cavaco numa altura (1994) em que lançámos um extraordinário movimento de luta contra a aprovação dum aterro de resíduos industriais no Cardal (Vagos). Foi penoso ver uma mulher com tão grande nível intelectual e humano envolvida na fogueira duma luta popular imparável e pouco dada a gestos cívicos.
O poder desgasta e, sobretudo, desilude gente que merecia melhor destino.
A ver se não me vou embora sem dar à estampa o vasto espólio que detenho sobre a matéria.

