domingo, 15 de março de 2009

pescador de sonhos

Poema para esquecer:
*
Lembras-te daquelas palavras doces
que não cheguei a dizer-te nunca?
Lembras-te daquele dia triste
em que não te dei aquelas flores?
Lembras-te, por acaso, daquela praia
ou daquela areia dourada, banhada pelo sol,
onde nunca nos banhámos juntos?
Lembras-te daquelas conversas longas
sentados no banco de um jardim
onde nunca estivemos?
Lembras-te daquele beijo tão suave
que nunca cheguei a dar-te?
Ou daquele dia chuvoso
em que não corremos de mãos dadas,
naquela praia em que não existia
aquele mar verde, sonhado?
Lembras-te daquela casita amarela
com campos de relva que nunca foi semeada?
Chamava-se “yellow fin”,
lembras-te?
Lembras-te daquela cama
onde nunca nos deitámos juntos?
Não nos lembramos de nada
e o tempo passa…
Já nem as recordações do que nunca existiu ficam…
Prometemos esquecer-nos de tudo e de todos…
Lembras-te?
*
CARLOS LUZIO
Inhambane, Moçambique, 15/12/1972
Praia do Tofo


**
- Do you remember, título dum poema de O Pescador de Sonhos, livro de poemas do Carlos Luzio, em edição póstuma dos Amigos de sempre; o óleo da capa é do Joãozito dos Barrocos; a coordenação e análise, da Michele Mota.
- Ver post publicado em 6/10/2004 no saudoso blogue Bustos - do passado e do presente.
- A homenagem partiu do Notícias de Bustos, algures por aqui.
- O Carlitos confidenciou-me que compôs o poema na praia do Tofo. A "yelloy fin" era uma casa de praia existente no local e que pertencia ao pai da moça que ele namoriscou num intervalo da dura guerra na fronteira norte; mais me disse que ali foram colhidas imagens de exteriores da novela Jóia de África.

sábado, 14 de março de 2009

o raio 10 ou as ganas de os defenestrar

Antes de conhecer a náusea provocada pela diarreia legislativa, estagiei no terreno um pouco por todo o norte de Angola, incluindo Cabinda.
Como isto anda tudo ligado, estou convencido de que os altos comandos militares sofriam dos mesmos distúrbios que o legislador dos tempos que correm; ele há-de haver um ADN comum aos burocratas todos, ou então é vírus que se alapa a quem nos trata como marionetas.
Em princípios de Fev. de 73 foi-me atribuída uma operação especial numa zona de 2 grandes lagoas; fomos largados em 2 vagas de 3 helicópteros, como procura retratar a pequena foto entranhada na barra lateral (da alma?); no canto superior direito ainda se vê parte do heli-canhão que nos dava protecção.
Antes de partirmos, num briefing com um major vindo do comando operacional de Luanda, fartei-me de o avisar de que a zona de largada era então um imenso mar de água; mas o cão não tirava os olhos da carta militar onde delineara a operação a partir do conforto do seu gabinete no comando-chefe em Luanda. Era do que percebia e quem manda sabe.
Carregados e armados até aos dentes, andámos 4 dias e 3 noites entranhados na água e lama, no odor a podre; a malta do émpêlá, essa, puzera-se ao fresco, que aquilo era prós tolos do “puto”, aquela terra lá longe onde havia castelos em que não acreditavam. Mal pusemos os desgraçados pés no execrando buraco que servia de aquartelamento, chega célere a mensagem: “Peço transmita a pessoal dessa que executou Acção Raio 10 a apreciação deste Comando pelo espírito sacrifício demonstrado mesma”. Só a tiro, meu alferes, gritava o destroçado grupo de combate, só a tiro!!!
Nos tempos que correm as armas não fazem qualquer sentido, mas hão-de existir meios adequados a pôr em sentido esta ignóbil casta. Que tal entrar pelos gabinetes dos burocratas adentro e defenestrá-los um a um?
Será crime?
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Vou-me prá beira do mar,
onde há robalos, pregados e

sexta-feira, 13 de março de 2009

abaixo o velhaco Iznogoud! chefe dos crentes refastela-se com lampreia!

Depois da incursão na Assembleia Municipal de ontem à noite...

...só mesmo um soberbo almoço de arroz de lampreia no Pompeu dos Frangos do Carlitos para esquecer um dia de cão.
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Lampreia às sextas é a nova receita de sucesso do Pompeu, cujas raízes bustuenses são o nosso orgulho.
Bibliografia consultada: "As aventuras do Grão Vizir Iznogoud", II volume / "O conto de fadas d'Iznogoud", de René Goscinny e Jean Tabary; edição original da Dargaud Editeur, traduzida para português pela Meribérica - Editorial e Comercialização de Direitos, Lda. (Feira do Livro de Lisboa/13 de Junho de 1988).

quinta-feira, 12 de março de 2009

distribuição de funções

Por delegação de poderes, este jornal de parede do séc. XXI far-se-á representar logo à noite na Assembleia Municipal de Oliveira do Bairro pelo deputado municipal Oscar Santos, por sua vez no exercício de funções em regime de substituição do Pai Tomás
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- Cfr. art.º 69º da Lei n.º 169/99, de 18/9.
- Imagem extraída de "A verdadeira história de Leo Roa", de Juan Gimenez, Meribérica Liber (comprado em Lisboa em 7/3/1991).

quarta-feira, 11 de março de 2009

reuniões municipais: leve 2 e pague 1

Amanhã acontecem duas importantes reuniões de dois orgãos distintos do Poder Local cá do burgo: às 14H30, a Câmara Municipal de Oliveira do Bairro reune na terra mais linda e melhor do mundo, que é a minha e se chama Bustos; às 19H30 é a Assembleia Municipal que se junta no salão nobre dos Paços do Concelho.
Mal dá para respirar, quanto mais para analisar e/ou preparar a sério os assuntos em discussão.
Ele há coincidências do caraças e com uma agravante: os poucos cães que não conhecem dono [os que eu conheço] mal têm tempo para alçar a perna e fazer o seu xixi em dois (2) sítios diferentes da mesma rua, que por acaso se chama EM 596.
O chão de Bustos será a razão de ciência da 1ª reunião; o "Freeport de Oliveira do Bairro" o pretexto da 2ª. Tudo no mesmo dia, duma assentada.
Diz o bom povo que à dúzia é mais barato. Será? Ou será que o barato sai caro? E quem corre por gosto, cansa-se ou não?
Num comentário de há pouco no Notícias de Bustos disse que os eleitos locais não nasceram para andar a passear pelos corredores do poder local nem para guerrinhas de faca e alguidar, espírito de vingança ou para extravasar ódios pessoais.
Foram eleitos para trabalhar, ou seja,  para fazer trabalho de casa em nome do cidadão votante.
Já agora: não ficaria mal a uns quantos ler com atenção o Regimento da Assembleia Municipal, disponível no site da Câmara em "autarquia\assembleia municipal\regimento".
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Sobre o tema, posts de 27 (Fintabolistas II) e de 28/2 (Fintabolistas III), ambos neste jornalzinho de parede. Pode ser lido mais do mesmo no NB, aqui 

domingo, 8 de março de 2009

quem tem magalhães tem tudo

No editorial da revista Exame Informática deste mês o seu director fala da eficácia do projecto e-escolas, apontando números que comprovam o excelente resultado da aposta deste governo nos computadores portáteis:
Em 2008 a mercado nacional de portáteis cresceu 58,8%, o que constituiu a maior subida na Europa Ocidental, cuja média foi de 16,8%. Imaginem: em 2008 os portugueses compraram 1,33 milhões de portáteis, mais 85,6% do que no ano anterior.
São três as explicações que Pedro Miguel Oliveira encontra para este salto de gigante: o projecto e-escolas - que permitiu distribuir mais de 350.000 portáteis -, a vulgarização dos netbooks e a baixa verificada no preço dos portáteis, esta como reflexo das regras da concorrência ditadas pela aposta do governo e pelo receio da massificação dos netbooks, esses pequenos portáteis de torna-viagem.
São números que não deixam margem para dúvidas. No entanto, a oposição perde o seu precioso tempo a desancar no magalhães, ora porque ainda não chegou a todo o lado, ora porque tem erros ortográficos e vá de chamar a ministra ao parlamento para uma sessão de reguadas.
Entretanto e no seguimento do espírito de tolerância demonstrado perante as diatribes do Manuel Alegre, o meu padrinho abriu outra excepção para as críticas: tenho carta branca para desancar no magalhães, desde que jure a pés juntos que irei alinhar na campanha alegre que se aproxima.
Prefiro jurar que nunca mais digo mal do magalhães...

sábado, 7 de março de 2009

andam guerrilheiros no buçaco

O Bairrada Digital noticiou que a mata do Buçaco viu aprovados os estatutos duma fundação destinada à preservação daquele espaço idílico, o que se aplaude.
Datando de princípios do séc. XVII, a extensa mata possui espécies vegetais do mundo inteiro, incluindo o famoso cedro do Buçaco.
Durante as invasões francesas em 1810 as tropas aliadas (mais inglesas que portuguesas) derrotaram o general Massena na conhecida batalha do Buçaco.
Contava a minha avó que os franceses andaram perto de Bustos a saquear gado, cereais e vinho aos pobres camponeses da bairrada e que a artilharia napoleónica bombardeou à distância a altaneira torre da igreja da Mamarrosa. Armados de foices e varapaus, os camponeses usavam técnicas de guerrilha, assaltando e matando os soldados retardatários que se dedicavam à rapinagem.
Se tivesse de ser guerrilheiro acoitava-me com os meus bravos na mata do Buçaco.
A fazer fé na conversa dos políticos, que só falam em ditadura e terrorismo de estado, o dia não deve estar longe; o pior é que o camuflado que guardo no sotão já não me deve servir.
Para ter a certeza, vou lá num pulinho e já volto...
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Gravura da batalha do Buçaco existente no Arquivo Histórico Militar/Lisboa, da autoria do major escocês Thomas Saint-Clair, que participou na batalha como comandante das companhias de granadeiros portugueses.

sei de um mar


...onde há druidas de foice de oiro na mão
e duendes,
fadas
e feiticeiras que curam males.
Sei dum mar em que a própria mentira tem o sabor da verdade.
Sei dum mar 
onde agora apetecia estar.

sexta-feira, 6 de março de 2009

o regresso do major

Não, não se trata do major valentim, também conhecido por capitão batata por negociar com os civis os tubérculos que deviam matar a fome da malta.
Falo-vos, sim, é do major Alvega, o herói luso-britânico da banda desenhada dos anos 60 e 70. Numa altura em que o regime obrigava a aportuguesar os nomes dos personagens estrangeiros da BD, este nosso herói da aviação inglesa da 2ª grande guerra deixou de chamar-se Battler Briton e foi por cá baptizado como Jaime Eduardo de Cook e Alvega, filho de pai ribatejano e mãe inglesa.A fama do major Alvega começou na revista Falcão em 1961 e valeu-lhe uma divertida série da RTP (1998-99) que incluia pitorescas cenas de animação.Para comemorar os 50 anos do major, a editora BDmania lançou em Outubro passado uma história ainda inédita do nosso major.Embora tenha más recordações dos majores, a ver se hoje enriqueço a minha colecção de BD.
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Imagem de última hora: o major de Cook e Cavaco antes de partir para a recente missão de bombardeamento da Alemanha. 
Morte aos hunos!, foi o grito de guerra lançado pelo nosso major.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Nino de morte matada

Nenhum dos grandes líderes dos movimentos de libertação das nossas ex-colónias teve uma morte pacífica: Amílcar Cabral e Eduardo Mondlane morreram em atentados preparados pela Pide; para o povo angolano, Agostinho Neto foi assassinado pelos soviéticos a pretexto dum operação a que se submeteu em Moscovo; quando viajava de Lusaka para Maputo, o avião cedido pelos soviéticos a Samora Machel despenhou-se em território sul-africano.
Deles não resta senão a mais desbragada corrupção, um acumular infindável de fortunas ganhas à custa da fome e miséria do povo.
Quanto a Nino Vieira (27/2/1939 - 2/3/2009), prefiro pensar que morreu a combater quando militares seus assaltaram o palácio presidencial num acto de vingança pelo assassinato na véspera do chefe do estado maior.
Foi a combater pela independência da Guiné-Bissau que o corajoso Nino se tornou lendário, transformando num inferno o dia a dia das forças militares portuguesas aquarteladas em Guileje, Gadamael, Gandembel, Cacine, Catió e tantos outros locais de morte da zona sul da Guiné.
Nino não resistiu à selva urbana. Que descanse em paz, de mãos dadas com aqueles de nós que morreram a lutar por uma causa que não era nossa._
Imagens extraídas de Guerra Colonial, de Aniceto Afonso e Carlos de Matos Gomes, Edição Notícias Editorial/2000.

quarta-feira, 4 de março de 2009

a bolsa de estudo

O nosso 1º terminou em beleza o XVI congresso nacional do partido pedindo a renovação da maioria absoluta e anunciando o alargamento do ensino obrigatório para os 12 anos e a criação de uma bolsa de estudo para apoiar os jovens entre os 15 e os 18 anos, com dificuldades financeiras.
É por estas e por outras que eu gosto muito do meu padrinho.
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Agradeço ao colega e amigo Paulo Figueiredo a montagem do canguru. PRF é autor do ritmo do caracol e do nosso conhecido OliveiraDoBairro.Net, linkado na barra lateral/blogues da bairrada. Aquele abraço de amizade e agradecimento pelos muitos ensinamentos sobre a linguagem HTML

terça-feira, 3 de março de 2009

também sei de um rio

censura

Aos que gostam de subtrair aos outros o prazer que a si incomoda, apetece dizer que não metam o nariz na vida alheia, que deixem em paz os que não pensam como eles, e que a grande virtude não consiste em suprimir as tentações, mas em saber resistir-lhes...
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Carlos Braga, em Palhaça Cívica

segunda-feira, 2 de março de 2009

Fintabolistas IV


No seguimento dos posts sobre os fintabolistas II e III, mais do mesmo no noticias de bustos

vinho velho

Acordei agora...
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Reprodução autorizada pela Câmara Municipal de Anadia, titular dos direitos de autor da colecção de postais dedicados ao vinho sob o tema "Rir C'o Vinho". O seu brilhante autor é o Fernando Jorge, meu contemporâneo dos tempos do então Colégio Nacional de Anadia.
Sobre o Museu do Vinho Bairrada, em Anadia, ver texto no NOTÍCIAS DE BUSTOS.