domingo, 22 de março de 2009

MUNDOS (IM)PERFEITOS

Pequeno cartaz de divulgação da Exposição Colectiva de Fotografia, em curso na vizinha Palhaça.
Descritores
- Título: MUNDOS PERFEITOS - Exposição colectiva de fotografia
- Local: Associação Desportiva e Recreativa da Palhaça (ADREP)
- Período: de 22 de Março a 5 de Abril de 2009
- Dia/hora: de sexta a domingo, das 10H00 às 21H00; restantes dias, sob marcação - 939324235
- Organização: Dilsa Dias (V.N. de Gaia) e Diana Cura (ADREP/Palhaça)
- Fotógrafos: Albano Soares (Porto), Alberto Maia (Trofa), Carlos Mexedo (Porto), Carlos Tavares (Alemanha), Dilsa Dias (V.N.Gaia), Humberto Machado (Porto), Marcos Oliveira (Porto), Maria Isabel G. Silva (Cacém), Paulo Penicheiro (Leiria) e Rui Soldado (Évora).
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Em Agosto próximo, as Festas de S. Lourenço de Bustos serão enriquecidas com um vasto programa de exposições, representações, conferências e o muito mais que a imaginação e o dever cívico impõem às nossas consciências de Cidadãos do Mundo e de Bustuenses com raízes.

sábado, 21 de março de 2009

Anda livre na rua e não conheças a tristeza

Poema das Águas
Entre tantos poemas
Este é feito de água apenas
Água benta
Para quando o diabo atormenta
Água potável
Para o corpo estar saudável
Água quente
Para um banho urgente
Água fria
Para começar bem o dia
Água de colónia
Para cheirar bem na cerimónia

Água do mar
Para lançar a rede e pescar
Água do rio
Para servir de caminho ao navio
Água salgada
Para aliviar os pés da longa caminhada
Água do Jordão
Para dar baptismo ao novo cristão
Água do Sena
Para inspirar este poema

Água canforada

Para que a dor seja ultrapassada
Aguarela
Para que o teu rosto fique pintado na tela
Gin com água tónica
Para uma viagem supersónica
Aguardente
Para bochechar quando dói o dente
Água mineral
Com bolachas de água e sal
Para quando o fígado andar mal
Água doce

Para matar a sede que o Verão trouxe

Água destilada
Para que a bateria não fique descarregada
Água oxigenada

para que a ferida fique sarada
Água inquinada
Que não serve mesmo para nada
Água da chuva
Que no Verão assenta como uma luva

Água pesada
Com uma força astronómica
Misturada com plutónio
Faz uma bomba infamemente atómica

Para nos queimar o último neurónio
Que nos reduz a nada
Pobre povo ancestral do Japão
Que ainda hoje não levanta os olhos do chão
Água do Tigre
Água do Eufrates
Onde se morre em estúpidos combates
E eu passeio-me triste e cabisbaixo
Vendo como o planeta vai por água abaixo...
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Carlos Luzio\Pescador de Sonhos\"Poema das Águas", escrito a 26-5-2004\Livro editado pelos Amigos em 2005.
Soube tão bem ler-te este poema, ali onde sentes o odor dos cravos vermelhos!

Hoje é Dia de Santo Eugénio de Andrade

É o dia também
da nova poetisa de Bustos,
Marineide Santos
E é sempre dia do Carlos Luzio,
sempre
sempre
até sempre
*

Despertar

É um pássaro, é uma rosa,
é o mar que me acorda?
Pássaro ou rosa ou mar,
tudo é ardor, tudo é amor.
Acordar é ser rosa na rosa,
canto na ave, água no mar
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EUGÉNIO DE ANDRADE\Coração do Dia [1956-1958]

felinos

Ele há escolhas difíceis...
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Custou-me 20€ e os olhos da cara, esta imagem.

quinta-feira, 19 de março de 2009

OS PAIS QUE PERDEMOS E A POESIA QUE NASCE

Perdi o Pai num Dia de Rei(s).
E um filho nos braços.
Só não perdi os meus filhos da guerra, porque os proibi de se irem de abalada sem ordens minhas: era proibido morrer.
Ironia: nenhum morreu (nunca mais esqueço: ó meu alferes, leve-me para a minha mãezinha, por amor de Deus!). E trazendo, levei, que o Ferreira era e é da terra do bom vinho.
Bem a propósito:
A minha conterrânea Marineide vai finalmente publicar o seu 1º livro de poemas. É já neste sábado - dia mundial da poesia, no Salão Nobre da Câmara de Oliveira do Bairro (e não na Biblioteca Municipal), pelas 10H00. Como é seu dever e propósito, o Notícias de Bustos vem lembrando o evento.
A Marineide perdeu o pai que tanto adorava, a maior razão de ser da sua vida.
O Mário ajudava-a estremosamente em tudo o que um filho carece quando as limitações físicas criam barreiras que parecem intransponíveis.
Há mortes que deviam ser proibidas por decreto divino. A do bom amigo Mário era uma delas.
Davam-me especial prazer os momentos de conversa, as mais das vezes à minha porta: tolerante ainda que empenhado política e religiosamente, o Mário era um cidadão duma postura, dignidade e abertura como pouco se vê.
Como admirava muito o meu Pai, hão-de estar juntos no sábado, a saborear lá de cima a concretização do sonho da Marineide.
Merecem ambos a melhor das tribunas, à mão esquerda de Deus como o meu Pai sempre quiz, que à direita os lugares têm outros donos.
Como escreveu o Carlitos Luzio, num dos muitos "bate-estradas" que me enviou de Moçambique, o que nos vale é ainda estarmos vivos
graças adeus.
E lúcidos.
_
Excerto dum dos poemas do livro da Marineide, Canto e Amanhece:
Espelhei nas palavras todo o meu Eu
Mesmo que as memórias me atormentassem
Viajei por Mundos cuja distância

Somente a Liberdade compreendeu
*
- NB (também pode ler-se noticiasdebustos), hora primeira do dia mundial da poesia:
Enquanto a malta anónima prefere ir desancando a torto e a direito nos comentários ao texto ali postado a 19 - Notas e desnotas duma reunião camarária, o altinod@poba persiste na causa mais do que nobre da POESIA/PÃO PARA A BOCA.
É Altino! E não é que somos uma espécie de combatentes da poesia!!
[e no teu Moçambique e do Carlitos, Altino, não se morria só de tédio, pois não?]
...
Já caminhei muita savana
Com uma espingarda na mão
Pesadas botas e a morrer de sede
Disparei contra ti com tanta gana
Metralha gasta em vão
Para acabar fuzilado contra a parede
Agora sou um guerrilheiro que já conheces
Desarmo minas com a ponta dos dedos...
Carlos Luzio, Pescador de Sonhos/Guerrilheiro, Ed. dos Amigos, Bustos 2005

hoje é o teu dia, pai



quarta-feira, 18 de março de 2009

adivinhem quem é uma flor?

_
1. Reprodução dum poema de Manuel Alegre, em O Canto e as Armas, Ed. Poesia Nosso Tempo, 1970, ano em que comprei o livro em Lisboa meio à sucapa, um ano depois da "operação flor" e da "operação balão", que fizeram as delícias da população de Coimbra.
Durante a crise académica de 1969 vieram de Lisboa colegas solidarizar-se com a nossa luta; defendiam formas de luta diferentes e violentas, em contraponto com a subtileza dos métodos da malta cá da província.
Exactamente em 1970 reencontrei-os em Lisboa; eram a cara chapada dos durões barrosos, saldanhas sanches, arnaldos de matos e outros radicais esquerdistóides que viriam a fazer furor 5/6 anos depois, a seguir ao 25 de Abril. Quem os viu e quem os vê...
2. Sobre 2 dos maiores líderes do movimento associativo de 1969, ver post de 20/9/2008 [a palavra e a mão] e ainda a interessante entrevista de Osvaldo de Castro ao jornal de parede do PS na Assembleia da República. Não levem a mal se vos mando para tais caminhos; um conselho amigo: ide fermosos e mui seguros.
3. Manuel Alegre terá ido beber o mote do poema ao também poeta Mao TseTung: "Deixem cem flores florir e cem escolas de pensamento lutar" [mao tse tung, Poemas, Editorial Futura, 1972].

apetece-me mais Shakespeare

Há mais coisas no céu e na terra, Horácio,
do que sonha a tua filosofia.
*
Hamlet,
de William Shakespeare, dramaturgo, poeta, autor e compositor inglês [1564-1616].
Ouvi dizer que os grandes autores de BD conhecem os clássicos como ninguém e aprenderam com eles a arte de fazer interagir imagens desenhadas e texto, tudo com um propósito: deleitar o público leitor com histórias (conteúdo) e métodos narrativos (forma) que às vezes são de sonho.
A 9ª Arte revela-se em cartoons, tiras diárias, revistas aos quadradinhos, novelas gráficas (graphic novels), ilustrações sequenciais (story boards), fanzines e, mais recentemente, webcomics ou on line comics.
A BD e o cinema andam muito ligados, disse-o em 28/9/2008 a propósito do fantástico O Mercenário.
Shakespeare foi tudo menos engomadinho, pézinho mole.

terça-feira, 17 de março de 2009

hoje apetece-me Shakespeare

Acabei de chegar a casa muito shakespeareano.
Apetece-me citá-lo, não pela célebre frase de Hamlet: to be or not to be, that's the question (ser ou não ser, eis a questão).
Como uma imagem vale por mil palavras, vou lembrá-lo, sim, por via dum bandido espertalhaço do faroeste americano de meados do séc. XIX (1).
Aqui vai:
E para que não restem dúvidas sobre o profundo conhecimento do universo shakespeareano por parte de Frank James, irmão do famoso Jesse James dos hold ups (2),
aqui o cito de novo:

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(1) Referência bibliográfica: Lucky Lyke - Jesse James, desenhos de Morris (aliás Maurice de Bevere, aliás Morris) e texto de René Goscinny; Liv. Bertrand, s/ data;
(2) hold up: assalto à mão armada em que o bando de Jesse James se especializou com grande sucesso e fartos proveitos.

mulher de rua

Às vendedeiras de primaveras

Joana é uma mulher de rua
Uma prostituta como outra qualquer
Um carro que pára
Uma entrevista breve à janela
Um chulo à espreita duma vida que é sua
Joana, apesar de tudo é mãe, é mulher
Joana vende o corpo a uma tarifa muito cara
Mas Joana vive uma vida que não é a dela
Joana agoniza no seu quarto arrendado
E maldiz tudo o que a rodeia
Especialmente a sociedade podre onde habita
Joana não está livre de pecado
Joana é apenas uma abelha mais na colmeia
Que faz amor e não se excita.
_
- Carlos Luzio, Pescador de Sonhos/Joana; edição dos Amigos/2005.
- Imagem extraída de "Imaginário", texto e desenhos de Horacio Altuna, Ed. Meribérica, 1990.
- Em 70 conheci na cantina da Universidade de Lisboa uma estudante japonês que me disse que a tradução literal para português da palavra prostituta era vendedeira de primaveras.

domingo, 15 de março de 2009

a 1ª vez


Manuel Cajuda, treinador do V. Guimarães, depois da 1ª vitória em casa do Benfica (via diário IOL): 
Como em quase todas as coisas da vida, 
a primeira vez é muito saborosa. 
Alguma vez tinha de acontecer... 

Ó Manel, importas-te de explicar com um exemplo prático?
É que já foi há tanto tempo!

pescador de micróbios


O Milton foi um grande, 
mas grande 
Amigo do Carlos Luzio. 
Como ninguém, 
percebeu o significado das famosas tardes do Piri-Piri  
de que o Carlitos tanto falava.


Sobre este outro pescador...
relatei de madrugada no 
noticiasdebustos uma soberba

pescador de sonhos

Poema para esquecer:
*
Lembras-te daquelas palavras doces
que não cheguei a dizer-te nunca?
Lembras-te daquele dia triste
em que não te dei aquelas flores?
Lembras-te, por acaso, daquela praia
ou daquela areia dourada, banhada pelo sol,
onde nunca nos banhámos juntos?
Lembras-te daquelas conversas longas
sentados no banco de um jardim
onde nunca estivemos?
Lembras-te daquele beijo tão suave
que nunca cheguei a dar-te?
Ou daquele dia chuvoso
em que não corremos de mãos dadas,
naquela praia em que não existia
aquele mar verde, sonhado?
Lembras-te daquela casita amarela
com campos de relva que nunca foi semeada?
Chamava-se “yellow fin”,
lembras-te?
Lembras-te daquela cama
onde nunca nos deitámos juntos?
Não nos lembramos de nada
e o tempo passa…
Já nem as recordações do que nunca existiu ficam…
Prometemos esquecer-nos de tudo e de todos…
Lembras-te?
*
CARLOS LUZIO
Inhambane, Moçambique, 15/12/1972
Praia do Tofo


**
- Do you remember, título dum poema de O Pescador de Sonhos, livro de poemas do Carlos Luzio, em edição póstuma dos Amigos de sempre; o óleo da capa é do Joãozito dos Barrocos; a coordenação e análise, da Michele Mota.
- Ver post publicado em 6/10/2004 no saudoso blogue Bustos - do passado e do presente.
- A homenagem partiu do Notícias de Bustos, algures por aqui.
- O Carlitos confidenciou-me que compôs o poema na praia do Tofo. A "yelloy fin" era uma casa de praia existente no local e que pertencia ao pai da moça que ele namoriscou num intervalo da dura guerra na fronteira norte; mais me disse que ali foram colhidas imagens de exteriores da novela Jóia de África.

sábado, 14 de março de 2009

o raio 10 ou as ganas de os defenestrar

Antes de conhecer a náusea provocada pela diarreia legislativa, estagiei no terreno um pouco por todo o norte de Angola, incluindo Cabinda.
Como isto anda tudo ligado, estou convencido de que os altos comandos militares sofriam dos mesmos distúrbios que o legislador dos tempos que correm; ele há-de haver um ADN comum aos burocratas todos, ou então é vírus que se alapa a quem nos trata como marionetas.
Em princípios de Fev. de 73 foi-me atribuída uma operação especial numa zona de 2 grandes lagoas; fomos largados em 2 vagas de 3 helicópteros, como procura retratar a pequena foto entranhada na barra lateral (da alma?); no canto superior direito ainda se vê parte do heli-canhão que nos dava protecção.
Antes de partirmos, num briefing com um major vindo do comando operacional de Luanda, fartei-me de o avisar de que a zona de largada era então um imenso mar de água; mas o cão não tirava os olhos da carta militar onde delineara a operação a partir do conforto do seu gabinete no comando-chefe em Luanda. Era do que percebia e quem manda sabe.
Carregados e armados até aos dentes, andámos 4 dias e 3 noites entranhados na água e lama, no odor a podre; a malta do émpêlá, essa, puzera-se ao fresco, que aquilo era prós tolos do “puto”, aquela terra lá longe onde havia castelos em que não acreditavam. Mal pusemos os desgraçados pés no execrando buraco que servia de aquartelamento, chega célere a mensagem: “Peço transmita a pessoal dessa que executou Acção Raio 10 a apreciação deste Comando pelo espírito sacrifício demonstrado mesma”. Só a tiro, meu alferes, gritava o destroçado grupo de combate, só a tiro!!!
Nos tempos que correm as armas não fazem qualquer sentido, mas hão-de existir meios adequados a pôr em sentido esta ignóbil casta. Que tal entrar pelos gabinetes dos burocratas adentro e defenestrá-los um a um?
Será crime?
_
Vou-me prá beira do mar,
onde há robalos, pregados e

sexta-feira, 13 de março de 2009

abaixo o velhaco Iznogoud! chefe dos crentes refastela-se com lampreia!

Depois da incursão na Assembleia Municipal de ontem à noite...

...só mesmo um soberbo almoço de arroz de lampreia no Pompeu dos Frangos do Carlitos para esquecer um dia de cão.
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Lampreia às sextas é a nova receita de sucesso do Pompeu, cujas raízes bustuenses são o nosso orgulho.
Bibliografia consultada: "As aventuras do Grão Vizir Iznogoud", II volume / "O conto de fadas d'Iznogoud", de René Goscinny e Jean Tabary; edição original da Dargaud Editeur, traduzida para português pela Meribérica - Editorial e Comercialização de Direitos, Lda. (Feira do Livro de Lisboa/13 de Junho de 1988).