segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Arte tumular - Cemitério de Bustos (1884)
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Arte
Refugiados de guerra em Portugal
A Europa vive o maior fluxo de refugiados desde a 2ª Grande Guerra
(1939/45).
O novo ciclo de guerra e destruição que afeta a Síria e outros países islâmicos
vítimas de movimentos extremistas conduziu a uma fuga sem precedentes das
populações afetadas, com destino aos países da União Europeia, em especial Alemanha. A história tem destas ironias…
Este novo fluxo de refugiados merece uma reflexão ponderada, humanista
e de matriz solidária, agora que, aqui e ali, se vão ouvindo algumas vozes
contra o seu acolhimento.
Já agora: se acolhermos os 4.593 refugiados previstos e tendo em conta
as 3.092 freguesias que sobraram depois da controversa reforma administrativa
de 2013, teremos qualquer coisa como 1,5 pessoas por freguesia.
Ora gaita! Bom grado o milagre económico que agora termina o seu ciclo,
não chega - nem para aí caminha - para reanimar o depauperado comércio de
Bustos.
Um pouco
de história
Como diria a grande poetisa Sophia de Mello Breyner
Andressen, “vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar”.
Daí fazer todo o sentido
lembrar o que aconteceu em Portugal antes e durante a II Grande Guerra com a
chegada do nazismo à Alemanha de Hitler.
A vaga de refugiados a Portugal,
então ferozmente dominado pelo ditador Salazar, decorreu entre 1933 e 1945 e
foi resultado da nazificação da Alemanha e da invasão e ocupação da maior parte
dos países europeus, sobretudo França e Países Baixos.
As estimativas apontam para cima de 100.000 refugiados que entraram nesse
período, a grande maioria de passagem para países de destino final, sobretudo
Estados Unidos. Só entre junho de 1940 e maio de 1941 foram cerca de 40.000.
Com Lisboa e a linha de Cascais congestionadas desses fugitivos em
busca de paz e liberdade, a partir de 1942 o regime passou a encaminha-los para
“residências fixas” em zonas termais ou de veraneio, nas Caldas da Rainha, Ericeira,
Curia e Figueira da Foz,
Claro que a imposição dum tal regime de residência se deveu ao receio
daquela estranha e variada gente poder subverter a moral e os bons costumes que
o tirano achava adequados ao país miserável que governava com punho de ferro.
Como nos conta o historiador João Serra, citado AQUI,
“Os refugiados fugiam de uma ditadura
para uma outra, em Portugal, que não cultivava o anti-semitismo”.
De forma a percebermos melhor o drama desses cidadãos, leia-se este texto de apresentação da obra de Irene Pimentel “Judeus em Portugal
durante a II Guerra”:
Havia gente de todas as
condições sociais e a grande maioria foi em situação de puro desespero que aqui
chegou: sem meios, sem roupa, com fome, depois de vencer dificuldades tremendas
para percorrer a distância que os separava da fronteira terrestre de Portugal.
Curiosamente e tal como parece ser o presente caso de grande número
dos refugiados sírios, os fugitivos de então pertenciam à classe média, alta e
até à aristocracia.
Ontem, como hoje, o acolhimento de refugiados não só revela a
solidariedade entre os povos, como atesta o seu grau de cidadania.
E já agora que se escreve e discursa tanto sobre ela, chamo à colação
o n.º 1 do seu art.º 7º:
Portugal rege-se nas relações
internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito dos
direitos do homem, dos direitos dos povos, da igualdade entre os Estados, da
solução pacífica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos
internos dos outros Estados e da cooperação com todos os outros povos para a
emancipação e o progresso da humanidade.
Reporto-me à Constituição da República, de que agora tanto se escreve e fala nas comunicações ao país.
Reporto-me à Constituição da República, de que agora tanto se escreve e fala nas comunicações ao país.
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Justiça
sábado, 31 de outubro de 2015
A demanda dos dinossauros
Imagine
que:
O
CDS não existe.
Bom grado ter governado em maioria absoluta e propalar aos sete ventos que as rigorosas metas orçamentais foram cumpridas, a coligação PS/PSD perde estrondosamente as eleições para a esquerda.
Bom grado ter governado em maioria absoluta e propalar aos sete ventos que as rigorosas metas orçamentais foram cumpridas, a coligação PS/PSD perde estrondosamente as eleições para a esquerda.
Exaurido e em coma profundo, resultado de 4 anos
de austeridade à bruta, o país votou pela mudança. Esquecida a escandaleira
dos desastrosos resultados duma tradição feita traição, os portugueses
recuperam a saúde física e mental.
Inevitavelmente, a despesa pública vem por
aí abaixo, para o que muito contribuiu a poupança no SNS.
Como por encanto, o país anima com a inusitada recuperação do investimento e o aumento dos postos
de trabalho. Afastados os velhos do Restelo, a receita dispara, bem alavancada
pelo aumento das exportações e por um bem controlado aumento do consumo interno,
que aforrar também é preciso.
Investidores
e banqueiros rejubilam. São rosas,
Senhor! – proclamam, enquanto a procissão regressa ao futuro.
Atordoado
pela reviravolta do processo histórico, o tio Karl Marx salta da campa e decide
ir acampar para os lados da Lourinhã, em busca dos dinossauros perdidos.
Com
ele, o inseparável amigo Frederich.
Sem
surpresa, dão de caras com a matriz da sua demanda.
Enquanto
o diabo esfrega um olho, o país vê erguido o maior museu do mundo de pegadas de dinossauros e outros
achados arqueológicos.
E
lá vamos todos depois da festa do Avante, a galopim, galopim.
Antes que se faça tarde e o comentador/candidato (que também veio de lá) chegue 1º.
___
- Desenho adaptado, com a devida vénia, daqui.
- Galopim de Carvalho, conhecido como o avô dos dinossauros.
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- Desenho adaptado, com a devida vénia, daqui.
- Galopim de Carvalho, conhecido como o avô dos dinossauros.
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Corporações
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É a economia estúpido
domingo, 25 de outubro de 2015
Outra vez a 1ª vez
É o que estou a viver, confesso e as razões são três:
1ª – Nunca estive tanto tempo em férias sabáticas do
meu jornalinho de parede. Sabia que tinha de voltar e aqui estou de novo, cerca
de ano e meio depois.
2ª – Porque “como
em quase todas as coisas da vida, a 1ª vez é muito saborosa. Alguma vez tinha
de acontecer”.
As palavras são dum treinador de futebol, em êxtase
por ter ido ganhar à Luz, desfecho que espero não se repita hoje. Citei-o aqui, já lá
vão 6 anos e meio.
3ª – Porque António Costa anuncia um acordo à esquerda,
fugindo à tradição de serem sempre os mesmos a governar.
Aquando da vitória dos partidos da direita em 2011, o
líder do partido mais votado anunciou que o acordo de governo com o CDS só
seria conhecido após a nomeação do mesmo.
Agora, exigem que o acordo PS/BE/PCP seja conhecido
já.
Contra a corrente da esquerda, sou dos que pensam
assim. Em 2011, como hoje, PSD e CDS eram “farinha do mesmo saco”. Em
contraponto, analisados os programas eleitorais dos 3 partidos da esquerda
representados na Assembleia da República, há muito a dividi-los e a campanha
eleitoral foi reflexo disso mesmo.
Venha de lá o raio do acordo pré-governativo, que eu
estou em pulgas!
Afinal, quem não desejaria viver outra vez a 1ª vez?
Ninguém vos está a pedir que se casem, basta que
juntem os trapinhos, com tudo preto no branco e que fechem os olhos à sacrossanta NATO, essa coisa que apoquenta tanto os portugueses, a ponto de não os deixar dormir. Pelo caminho, não
vinha mal ao mundo se engolissem alguns sapos vivos.
Entretanto, do acordo pouco ou nada se sabe.
Espera-se que a vontade do líder do PS vá além desta
imagem aqui repetida:
Espera-se, sobretudo, que nos livrem duma austeridade que
serviu para aumentar o índice da pobreza, à custa do enriquecimento dos grandes interesses económicos e financeiros.
Bem vistas as coisas é pouco o que o país real quer e deseja: justiça e
moralidade.
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Fintabolistas
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L'état c'est moi
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Contigo
Sou eu, sou eu que não durmo,
contigo nos
sentidos.
Sinto-me caminhar
sobre as águas
do meu corpo - não
sejas queimadura
nem boca do
deserto.
Nenhum amor é
estéril, um filho
pode ser uma estrela ou ser um verso.- Poema: Contigo / O outro nome da terra, Obras de Eugénio de Andrade/20, Edição Limiar, outubro, 1988.
- Quadro: La Vénus d´Addis Adèba, colagem de Nuno Aromidochu Aires, consultável aqui.
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POESIA
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Sons da terra
domingo, 6 de julho de 2014
Literatura de combate
Quando a 10 de Junho de 1972 embarquei no
boeing militar que me levou até Angola, seguiam numa mala do porão alguns
livros das minhas referências.
À mistura, ia uma garrafa da melhor
bagaceira que o meu saudoso pai produziu, num tempo eu que eu já o ajudava à
missa dos brancos e dos saborosos tintos de meia curtimenta ou bica quase
aberta.
A emalada mistura deu bronca:
Talvez por se ter tomado de amores pelos
livrinhos, o bagaço foi-se a eles, derramou-se em cima dos ditos (por debaixo é que
não ficou, senão o resultado seria diferente), possuiu-os à fartazana.
Tal orgasmo tinha de
dar nisto…
O Frederico, coitado, ficou neste estado...
O bagaço quis lá saber de "A Origem
da Família, da Propriedade e do Estado".
Nada fazia prever este derramado destino
quando comprei o perigoso livro em Setembro de 1971, na Livraria-Papelaria Elo,
sita à rua José Maria da Costa, 40, em Mafra, onde os oficiais milicianos aprendiam a matar.
Agora que vai sendo tempo de registar a verdade histórica, ficam estas perguntas para o Santos, Alferes
Miliciano de Operações Especiais:
1ª - Foi para isto que o regime investiu
na formação dum garboso e, por sinal, bem apessoado oficial miliciano de
infantaria, o qual – ainda por cima - foi a correr uns meses depois para
Lamego, tomado de amores pelas Operações Especiais?
2ª - Atão foi a partir deste barro que te
fabricaram no Centro de Instrução de Operações Especiais, ó ranger de meia tigela?
3ª - Que raio de explosiva paixoneta
ligaria a tua amada G3 e o erótico cinturão de granadas e cartucheiras de 80 munições
7,62mm (fora as que levavas no saco), por exemplo:
- às “Citações do presidente Mao
Tsé-tung”, que nunca leste e estavas cheio de razão, que o tipo não
prestava para nada, dava-se a luxos burgueses, tinha maus hábitos de consumo e,
ainda por cima, era um imoral: soube-se quando morreu que “comia” criancinhas
às escondidas do povo, em vez de o fazer à vista de todos e de forma regrada,
ao pequeno almoço, apanágio do verdadeiro comunista?
- e ao “Resumo”, do J.C. Ary dos
Santos, comprado em 2 de junho de 1972, por uns míseros 35$00, no distribuidor
Abegão, sito à Rua Gonçalves Zarco, 3 – Telef. 26624, em Coimbra?
- e ao “Provavelmente Alegria”, do
improvável poeta José Saramago, comprado por 40$00 algures em Lisboa, em Fevereiro
de 70?
- e à “antologia / poética I” do
Nicolas Guillen, comprado com desconto para os sócios que, como tu, aderiram à
antifascista UNITAS – Cooperativa Académica de Consumo, SCRL, com sede na subversiva livraria da Rua da Sofia, 73-2º, Telef. 27743, Coimbra?
- e aos “poemas” do Bertolt Brecht,
comprado no mesmo sítio e condições, mas em Março de 1972?
- o mesmo dizendo dos “poemas políticos”
do Paul Eluard, com prefácio do Louis Aragon, desta vez em 2 de Junho de 1972?
4ª - Que tara foi essa que te deu, ó meu,
estavas tu a 8 dias de embarcar na defesa da ditosa Pátria que tais filhos tem?
- Só para te lembrar, que a História não perdoa: até o teu sogro, alentejano da classe
média alta e que até gostava muito de ti, não se continha e chamava-te
“bolchevista”!
Não contente:
Não contente:
5ª - Mal puseste os pés no sagrado chão africano e os olhos numa reluzente e fogosa funcionária do Casão Militar
de Luanda [sim, nesse vulcão sempre em chamas, ou já te esqueceste!] e
logo te arrimaste…
- aos “Poemas” do MAIAKOVSKI/Маяко́вский, comprados em Maio
de 73, nas indústrias ABC, SARL, Telef. 23543, na linda e sedutora Luanda?
Parece que deixaste por Bustos outros livros, a quem disseste adeus até ao meu regresso. Por cá ficaram, à espera da tua retoma.
6ª – Retoma que te levou até ao anarco-sindicalismo, ao Trotsky e à Rosa Luxemburgo!
6ª – Retoma que te levou até ao anarco-sindicalismo, ao Trotsky e à Rosa Luxemburgo!
7ª – Como se não bastasse, estragaste tudo
quando te apaixonaste pela Alexandra Kollontai (A oposição operária 1920 –
1921) e, por fim, te perdeste de amores pela "História do Movimento Macknovista
(A insurreição dos camponeses da Ucrânia)", do Archinov, movimentos supostamente contra-revolucionários que acabaram esmagados, sem dó nem piedade, pelo regime soviético.
Valha-nos uma coisa:
8ª - Extinto o vulcão revolucionário do pós 25 de Abril, acabaste por descobrir que, afinal, o
único sol que alumia é aquele que teima em se esconder neste alvorecer do
princípio de verão.
Como tudo tem um fim,
a desilusão morreu uns anos depois do “che guevara”, livro de bolso em inglês, que o amigo Hilário Costa (filho), trouxe dos USA em Setembro de 72, quando vieste de férias ao Puto ver a filhota de 6 meses e a demais família.
a desilusão morreu uns anos depois do “che guevara”, livro de bolso em inglês, que o amigo Hilário Costa (filho), trouxe dos USA em Setembro de 72, quando vieste de férias ao Puto ver a filhota de 6 meses e a demais família.
Afinal, o herói maior, o quase deus da nossa juventude, fartou-se de limpar
o cebo a camaradas que ousavam fazer-lhe frente!
Rais parta a revolução e a libertação dos povos que nunca chegam a ser verdadeiramente livres!
Rais parta a revolução e a libertação dos povos que nunca chegam a ser verdadeiramente livres!
Para responder a
tanta mágoa a ensombrar a história das nossas vidas, só mesmo uns
blues da morte de amor
já ninguém morre de
amor, eu uma vez
andei lá perto,
estive mesmo quase,
era um tempo de
humores bem sacudidos,
depressões
sincopadas, bem graves, minha querida.
mas afinal não morri,
como se vê, ah, não,
passava o tempo a
ouvir deus e música de jazz,
emagreci bastante mas
safei-me à justa, oh yes,
ah, sim, pela noite
dentro, minha querida.
…
[ler o resto do
poema, AQUI]
*
______
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segunda-feira, 16 de junho de 2014
O QUE ME VALE
O que me vale aos fins de semana
é o teu amor provinciano e bom
para ele compro bombons
para ele compro bananas
para o teu amor teu amon
tu tankamon meu amor
para o teu amor tu te flamas
tu te frutti tu te inflamas
oh o teu amor não tem com
plicações viva aragon
morram as repartições
*
- Manuel
António Pina / Poesia Reunida / As Pessoas e
Outros Poemas de Clóvis da Silva / pág. 46 / Ed. da Assírio & Alvim.
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POESIA
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Quando os netos ainda nos pertencem - I
Nem de propósito: ontem recebi um convite fantástico, ademais na
auspiciosa e invicta cidade do Porto, onde tinha estado na véspera a viver
outra não menos auspiciosa noite:
Fui convidado pela filhota Ana Luísa que já não me pertence, para
assistir à consagração do meu neto mais velho, Romeu Lourenço, que ainda me
pertence, mas que por este andar vai
voar cedo com as aves.
Nem mais: o Romeu foi laureado com o 1º Prémio, Categoria C (menores de 13 anos), de viola clássica, no
16º
Concurso Internacional Santa Cecília.
[O Romeu Velez de Rodrigues Aires Lourenço é o 1º da lista da direita]
Embora mantendo aquele low profile com que disfarço as emoções fortes - e cuja técnica aprendi num sítio que agora não digo, mas nunca se esquece até morrer longe da praia - foi cheio de orgulho que assisti durante a tarde de ontem ao Concerto dos Laureados, cujo evento teve lugar na Fundação Eng.º António de Almeida.
Não se apressem a pensar que o prémio foi obra do acaso. É o 5º
concurso a que o meu neto se apresenta e, em todos, conquistou o 1º lugar do escalão, o que até
aconteceu no concurso do Fundão, supostamente o de mais nomeada. E já pensa em concorrer
no estrangeiro.
Está na cara: o meu neto mais
velho é um excelente músico, um grande artista!
Sai ao avô materno, também ele um músico e verdadeiro artista.
Já o irmão Vicente, o Vi, pode gostar muito deste avô, mas a veia que deixa transparecer não bebeu das berças do meu ADN.
Vejam só:
Num ápice, assim como quem não quer a coisa, impingiu-me duas pulseirecas feitas de pequenas anilhas de plástico, pela módica quantia de 20€. A custo, lá me deu + uma de bónus.
E fez o mesmo ao avô Lourenço, matando logo dois coelhos com a mesma cajadada. Tudo sem descontos prá família, vendendo ao mesmo preço que pratica nos cafés ali ao redor.
Num ápice, assim como quem não quer a coisa, impingiu-me duas pulseirecas feitas de pequenas anilhas de plástico, pela módica quantia de 20€. A custo, lá me deu + uma de bónus.
E fez o mesmo ao avô Lourenço, matando logo dois coelhos com a mesma cajadada. Tudo sem descontos prá família, vendendo ao mesmo preço que pratica nos cafés ali ao redor.
Que despudor!
Ainda chega a
ministro da economia, este simpático mas mercantilista neto.
O que também me
deixará muito feliz.
Desde que não seja
dum governo como este!
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Arte
segunda-feira, 9 de junho de 2014
A excepção à regra
Pela madrugada, após uma noite bem
dormida, acordei na paz do Senhor.
Eis senão
quando,
(caso nunca visto!)
sem que
tivesse de sair da amostra que mantenho no quarto
da minha
modesta livraria,
ali mesmo,
bem à mão de semear,
descubro
esta pérola da poesia portuguesa!
Respigo,
muito à pressa, este
Agora é
Agora é
diferente
Tenho o
teu nome o teu cheiro
A minha
roupa de repente
ficou com
o teu cheiro
Agora
estamos misturados
No meio de
nós já não cabe o amor
Já não
arranjamos
lugar para
o amor
Já não
arranjamos vagar
para o
amor agora
isto vai
devagar
isto agora
demora
______
- Caso excepcionalmente raro [daí a excepção do título], o livro não está datado. Quase de certeza, foi-me oferecido por meu irmão ou cunhada num qualquer dia de anos ou de Natal.
Já sei que
destino lhe vou dar.
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POESIA
Quando os filhos nos pertenciam - III
Claro que o meu filhote (da 3ª
cama, a bem dizer) também tinha destas coisas de miúdo...
Como diria o meu Eugénio de
Andrade [Os amantes sem dinheiro, 1947/49: Poema à mãe]:
"No
mais fundo de ti,
Eu
sei que traí, mãe.
Tudo
porque já não sou
O
retrato adormecido
No
fundo dos teus olhos.
…
Tudo
porque perdi as rosas brancas
Que
apertava junto ao coração
No
retrato da moldura.
…
Olha
- queres ouvir-me? -
às
vezes ainda sou o menino
que
adormeceu nos teus olhos;
ainda
aperto contra o coração
rosas
tão brancas
como
as que tens na moldura;
ainda
oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal!...
Mas
- tu sabes - a noite é enorme,
e
todo o meu corpo cresceu.
Eu
sai da moldura,
dei
às aves os meus olhos a beber.
Não
me esqueci de nada, mãe.
Guardo
a tua voz dentro de mim.
E
deixo-te as rosas.
Boa
noite. Eu vou com as aves."
____
- O Eugénio de Andrade
faz parte dos bibelots da minha mesinha de cabeceira desde que comprei, na Feira
do Livro em Aveiro, a sua coletânea de Poesia e Prosa [1940 – 1980], Edição
Limiar.
Foi no dia 27/5/84 e era Dia da Mãe. Lembram-se?
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POESIA
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Quando os filhos nos pertenciam - II
Com muitos beijinhos da tua Né...[em 19/3/1991]
...
Entretanto,
Em 16/12/1990,
o pai Óscar dedicava-se
à pesca de barco,
aos cabeçudos
[robalos de 3/4 ou mais kilos],
na boca da barra...
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segunda-feira, 2 de junho de 2014
Quando os filhos nos pertenciam
Antes de vir
para este paraíso em Unhais da Serra (H2Otel), revolvi milhares de papéis à
procura não sei bem de quê.
Grande imaginação, esta a da filhota mais nova, a Né, então com 11 anos iniciados há pouco.
Encontrei
preciosidades como esta, que espero conseguir publicar, agora que o portátil
parece estar a encarreirar
Grande imaginação, esta a da filhota mais nova, a Né, então com 11 anos iniciados há pouco.
Claro que o filhote ainda não estava nos planos de pormenor.
Só um pai
empedernido resistiria à mensagem, a qual, parecendo muito linear, entra no
domínio do subliminar: a filhota quis ali dizer muito mais do que aquilo que
disse.
Por falar em
filhos, ide até AQUI, se
faz favor, enquanto queimo os últimos cartuchos, neste paraíso onde parece que
ainda há druídas celtas.
Pena minha:
feiticeiras que curam males é que não vi nenhuma.
Também não admira.
Fica para a
próxima.
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segunda-feira, 26 de maio de 2014
A vida é uma chachada quando eles não enfrentam a verdade
Há duas coisas de que me reclamo, seja como o eu daqui, seja como o alterego rangerfurão, seja como o outro alterego oscardoface:
1ª - Não sou mentiroso, apesar de ser advogado, por sinal muito popular;
2ª - Não sou a voz do dono, antes sou como o cão que não conhece dono, como o atesta a 1ª referência da barra superior direita deste jornalito de parede.
Ainda por cima, fartei-me de avisar, aqui e na porra do facebook.
Resultado: toma que já almoçaste!
Desculpem lá qualquer coisinha, mas o que tem que ser tem muita força, como se desculpou o Grande O'Neill, que até - quem diria! - foi casado com uma Grande Senhora, mas que teve o azar de ser ministra do ambiente dum governo dessa nódoa que é o atual Presidente da República, o qual ainda consegue ser pior do que muitos ou alguns de vocês, não sei; só sei que não estou, nunca estive, nem irei aí ao Largo do Rato para vos contar, mesmo que tenha cartão de sócio, uma espécie de senha de entrada no céu a que falta a password.
Em vez de se armarem em vencedores pour épater le bourgeois [enquanto andam a chorar baba e ranho pelos corredores e retretes do partido], aproveitem mas é para digitar o nome O'Neill, na barra superior esquerda ali em cima, a qual é dedicada às buscas, que são uma espécie de "busca, rex, busca, que está ali um coelho inseguro debaixo daquela moiteira!".
E, já agora, enquanto elas estão quentes, aproveitem também para digitar o nome Marinho Pinto na dita busca patusca e vão ver que ela (a busca) é mais do que segura, mesmo que seja o (in)Seguro a digitar!
E digitem também no meu face!!
Digitem cães, digitem, que a busca está cheia de ossos difíceis de roer!
Madraços é no que vocês se tornaram!
Sim, madraços, que nem vagar tiveram para consultar as várias frentes de batalha onde este vosso humilde servo (o tanas, que eu sou cão que não conhece o dono!) derrama a sua juventude. Derramei no passado e continuo a derramar, que um Ranger nunca se rende e muito menos se deixa morrer na praia!
Sim, madraços, que nem vagar tiveram para consultar as várias frentes de batalha onde este vosso humilde servo (o tanas, que eu sou cão que não conhece o dono!) derrama a sua juventude. Derramei no passado e continuo a derramar, que um Ranger nunca se rende e muito menos se deixa morrer na praia!
Para terminar:
- Embora goste muito da história muito bonita da Rainha Santa Isabel, relatada na minha 2ª campanha alegre, prefiro dizer-vos...
...Adeus, que se faz tarde e Inês é morta!
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- P.S. (salvo seja!): eu bem que procurei pelo meu cartão de sócio para o exibir aqui, mas não dei com ele. Deve estar metido para um canto qualquer dos meus milhares de documentos e outros recuerdos.
Se calhar está no meio dos papéis onde o meu gato anda a mijar, o sacana.
Que se lixe! Cartões há muitos e o único que me falta é o do Benfica, que é mais importante que os da merda da política partidária!
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- P.S. (salvo seja!): eu bem que procurei pelo meu cartão de sócio para o exibir aqui, mas não dei com ele. Deve estar metido para um canto qualquer dos meus milhares de documentos e outros recuerdos.
Se calhar está no meio dos papéis onde o meu gato anda a mijar, o sacana.
Que se lixe! Cartões há muitos e o único que me falta é o do Benfica, que é mais importante que os da merda da política partidária!
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quarta-feira, 21 de maio de 2014
A vida é uma charada: a verdade (mal) revelada
O
prometido é de vidro.
Já sabia que vocês se iam estar nas tintas para o enigma profusamente distribuído no texto de domingo, o que só revela que são tão fingidores como o poeta do Fernando Pessoa: um fingidor/que finge tão completamente/que chega a fingir que é dor/a dor que deveras sente.
Deu para perceber que vocês, mais do que fingidores, são é uns grandes masoquistas: gritaram ao morto contra todos os cortes do Passos/Portas/Troika, excepto um: os cortes na área da educação e da cultura.
Já sabia que vocês se iam estar nas tintas para o enigma profusamente distribuído no texto de domingo, o que só revela que são tão fingidores como o poeta do Fernando Pessoa: um fingidor/que finge tão completamente/que chega a fingir que é dor/a dor que deveras sente.
Deu para perceber que vocês, mais do que fingidores, são é uns grandes masoquistas: gritaram ao morto contra todos os cortes do Passos/Portas/Troika, excepto um: os cortes na área da educação e da cultura.
Quanto
mais burros, melhor, é o vosso lema. Desde que haja dinheiro para umas bejecas, acompanhadas dumas bifanas aporcalhadas e o IVA da restauração desça para os 2,5%!
Façam
como eu: cozinhem em casa e bebam água do poço do aido, em vez duns tintos do
Douro que eu cá sei e que são o que de melhor se produz neste vale de lágrimas.
A
este propósito:
Eu e o Carlos do Pompeu dos Frangos temos várias divergências insanáveis que nos
unem, uma das quais se prende com a obsessão dele sobre o vinho da casta
(bairradina) baga: acha-o o melhor do mundo e arredores.
1º
- O excelente baga, incluindo em versão espumante, sobretudo a produzida
pelas Caves Primavera e a que tenho acesso privilegiado por razões profissionais.
Enquanto ele só gosta de vinhos velhos; eu, prefiro-os mais novos.

2º
- O Sócrates, a que tive acesso privilegiado num célebre dia de 1994, ainda ele
não passava dum obscuro Secretário de Estado do Ambiente.
Ele continua a gostar muito dele; a mim, essa febre já me passou há muito, quando tomei a vacina. Remédio santo.
Ele continua a gostar muito dele; a mim, essa febre já me passou há muito, quando tomei a vacina. Remédio santo.
Esse meu acesso/assédio ao apaixonado pela educação do povo aconteceu quando eu ainda usava o cartão de sócio do clube e assistia a algumas sessões de catequese, trauma que superei sem ter de recorrer a um dos dois psicanalistas da minha eleição:
A
Joana Amaral Dias e o Pedro Aleixo, irmão do meu colega e parceiro de
escritório, José Manuel Aleixo, os quais até nem são da família do famoso poeta
popular António Aleixo, referido na parte final do post de domingo.
*
Seja
como for, manda a bondade democrática aceitar que cada um come, bebe e cheira
do que gosta.
E
se vocês acham que cultura e alta-costura são uma e a mesma coisa, então o
problema é mesmo vosso.
A
minha solução é ficarmos mesmo por aqui.
Boa noite. Eu vou com as
aves. ____
- A imagem do vinho velho está reportada aqui, até porque tem direitos de autor.
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Na mesa com...
terça-feira, 20 de maio de 2014
Joaninha boa, boa
A minha Joana resolveu sair de vez do BE e dar
um saltito até ao PS,
se calhar por pensar que é mais seguro.


Joana,
boa Joana, faça como eu: vá saindo, vá mas é
saindo.
E se esse seu estado de alma persistir, aconselho-a a sentar-se no divã dum reputado psicanalista lisboeta que a Ana, por razões profissionais, deve certamente conhecer e que eu também conheço, não por razões profissionais, mas por ser irmão do meu colega de escritório, Morais Aleixo.
*
Li há pouco que nasceu em Angola, terra onde não morri porque era proibido morrer.
E se esse seu estado de alma persistir, aconselho-a a sentar-se no divã dum reputado psicanalista lisboeta que a Ana, por razões profissionais, deve certamente conhecer e que eu também conheço, não por razões profissionais, mas por ser irmão do meu colega de escritório, Morais Aleixo.
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Li há pouco que nasceu em Angola, terra onde não morri porque era proibido morrer.
O mundo é mesmo pequeno.
E eu com tantas histórias para lhe contar...
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- P.S. (salvo seja) sobre o título: cá na terra trocamos os "bês" pelos "vês" .
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- P.S. (salvo seja) sobre o título: cá na terra trocamos os "bês" pelos "vês" .
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