Mostrar mensagens com a etiqueta Na mesa com.... Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Na mesa com.... Mostrar todas as mensagens

domingo, 8 de novembro de 2015

Guardiões dos Sabores: a tradição ainda é o que era

Como vem sendo dos usos, os Guardiões dos Sabores voltaram a reunir em Assembleia Geral, cuja ordem de trabalhos foi a degustação dos sabores dos nossos avós e aproveitar para fazer o ponto da situação da gastronomia que defendemos e cultivamos, tudo enquanto íamos degustando ou alambazando-nos à grande e à portuguesa com a cozinha tradicional.
Desta vez, o local do creme foi a acolhedora moradia da Zélia Canão/Carlos Leite, ali na Picada de Bustos. Presentes os guardiãos/guardiões: Fernando Silva, Joãozito Oliveira, Manuel Nunes, Carlos Leite, Adélio Reis, Milton Costa, Manuel Agostinho (secretário e redator das atas e futuro 1º ministro do reino dos sabores) e este vosso humilde escriba, Óscar Santos.
Faltaram, por motivos alheios à sua vontade - como usam dizer os políticos quando fazem borrada e saem de cena - os guardiãos António Romão, Rui Barata e João Libório.
Como vem sendo hábito naquele poiso, fomos recebidos principescamente.
A Zélia e o Carlos levam o esmero ao extremo, com recurso a uma equipa de verdadeiros gourmets: o cunhado do Carlos, Fernando Pinto e a sua consorte e irmã do Carlos, Conceição Leite, vindos expressamente de Oliveira de Azeméis, tal como de lá veio a deliciosa vitela, sacrificada no forno a lenha existente no bonito anexo dedicado aos bons comeres e beberes em grupo.
A Alexandra, que vive em Bustos, veio dar uma mãozinha, porque nunca somos demais para continuar o Portugal gastronómico.Tudo sob a batuta e interação da Zélia.
A Conceição (ao centro, na foto) é uma exímia cozinheira. As suas batatas salteadas, enriquecidas com alho, orégãos e o azeite dos usos, bem como os pipis estufados, caíram no céu daquelas bocas já de si esmeradas e exigentes. Até um bom queijo da serra a desfazer-se no palato ajudou ao preâmbulo do festim.
Não pensem que as delícias da terra (as do mar não fazem cá falta) se ficaram por aqui:
O mulherio, com a ajuda e permanente atenção do Fernando Pinto, submeteu ao lento crivo do forno a lenha 3 travessas de barro (houve uma 4ª, que não identifiquei), com a compositura que passo a factualizar:

- Uma, de robalo médio (300/400gr, diz o escriba, que já foi rei na matéria), recheado com pimentos vermelhos e verdes [a variedade é essencial, confidenciou-me a Conceição do alto do seu saber], a que acresceu bacon, orégãos e, desconfio, outros ingredientes que ficaram no segredo da deusa.
Para evitar o derrame do recheio, os robalos foram esventrados pelo dorso lateral, após o que foram fechados com palitos, tudo para evitar escorrências.
Na travessa de barro, os famosos e injustiçados robalos assentaram numa “cama” de vinho branco, azeite, cebola, tomate e salsa, cama essa que não se quer muito gorda, frisou a mestra.
Uma delícia! - rejubilaram os confrades, enquanto iam falando mal da política e bem das mulheres.

- As outras duas, deram guarida à tenra vitela trazida de Vale de Cambra, dos pastos dos lavradores locais que lá vão resistindo à crise, bom grado os esforços da ministra Cristas, agora em fim de ciclo.
Chegados aqui, avancemos para o esmerado tempero com que o jovem bovino foi regado.
Tudo vos relatarei até ao ínfimo pormenor, ó crentes e incréus, salvo aqueles segredinhos que os experts e chefs não gostam de revelar, seja aos crentes, seja aos ateus, agnósticos, ou mesmo aos da opus dei ou da maçonaria, seja qual for a loja em que aventalam:
Ele é alho, cebola, louro, sal, pimenta, uma malagueta de piri-piri, vinho branco e até um poucochinho de água, não vá a carne morrer à sede.
Outra delícia! - voltaram a rejubilar os confrades, enquanto se iam repetindo a falar mal da política e bem das mulheres.
Não registei o pedigree dos excelentes tintos e espumantes, que o tempo não deu para tudo, pois tive de me dividir entre a heurística da cozinha e a hermenêutica da farta mesa. E ainda tive de fazer de fotógrafo de serviço.

Mas dei nota das sobremesas, ainda que não sejam o meu forte:
Pudim caseiro (nada de fudim plan), pão-de-ló de Ovar, bolo de chocolate com café e ainda natas do céu regadas com ovos moles. Tudo matéria prima confecionada pelas mãos de fada da nossa Senhora da Conceição.
Mas que delícia! – rejubilaram de novo os confrades, enquanto insistiam em falar mal da política e bem das mulheres.

Para fechar o repasto, só faltou a Ana Sofia, filha da casa, brindar os convivas com uns acordes de flauta transversal em que é exímia, ela que integra a Banda da Mamarrosa. Fica para a próxima, se e quando a timidez se for embora.
Entretanto e como é da praxe, o secretário Agostinho lavrou a acta, que divulgarei na página do facebook dos GS, pois, ao contrário dos políticos e outros beneficiários da manjedoura, a malta não tem nada a esconder aos portugueses.
Como mandam os códigos, depois de lida e achada conforme, foi a acta assinada por todos.

São encontros destes que nos fazem esquecer que o país está de tanga para tantos e generoso demais para uns poucos.
Bem vistas as coisas, trata-se de contribuir para a recuperação, preservação e divulgação da cozinha tradicional portuguesa.
O governo - este e o que vem aí - podem cair. Os Guardiãos dos Sabores manter-se-ão de pedra e cal, que é como quem diz, de carne e peixe! 

Óscar Santos

quarta-feira, 21 de maio de 2014

A vida é uma charada: a verdade (mal) revelada

O prometido é de vidro.
Já sabia que vocês se iam estar nas tintas para o enigma profusamente distribuído no texto de domingo, o que só revela que são tão fingidores como o poeta do Fernando Pessoa: um fingidor/que finge tão completamente/que chega a fingir que é dor/a dor que deveras sente.
Deu para perceber que vocês, mais do que fingidores, são é uns grandes masoquistas: gritaram ao morto contra todos os cortes do Passos/Portas/Troika, excepto um: os cortes na área da educação e da cultura.

Quanto mais burros, melhor, é o vosso lema. Desde que haja dinheiro para umas bejecas, acompanhadas dumas bifanas aporcalhadas e o IVA da restauração desça para os 2,5%!
Façam como eu: cozinhem em casa e bebam água do poço do aido, em vez duns tintos do Douro que eu cá sei e que são o que de melhor se produz neste vale de lágrimas.
A este propósito:
Eu e o Carlos do Pompeu dos Frangos temos várias divergências insanáveis que nos unem, uma das quais se prende com a obsessão dele sobre o vinho da casta (bairradina) baga: acha-o o melhor do mundo e arredores.
O Carlitos tem dois amores:
1º - O excelente baga,  incluindo em versão espumante, sobretudo a produzida pelas Caves Primavera e a que tenho acesso privilegiado por razões profissionais. Enquanto ele só gosta de vinhos velhos; eu, prefiro-os mais novos.

2º - O Sócrates, a que tive acesso privilegiado num célebre dia de 1994, ainda ele não passava dum obscuro Secretário de Estado do Ambiente.
Ele continua a gostar muito dele; a mim, essa febre já me passou há muito, quando tomei a vacina. Remédio santo.
Esse meu acesso/assédio ao apaixonado pela educação do povo aconteceu quando eu ainda usava o cartão de sócio do clube e assistia a algumas sessões de catequese, trauma que superei sem ter de recorrer a um dos dois psicanalistas da minha eleição:
A Joana Amaral Dias e o Pedro Aleixo, irmão do meu colega e parceiro de escritório, José Manuel Aleixo, os quais até nem são da família do famoso poeta popular António Aleixo, referido na parte final do post de domingo.
*
Seja como for, manda a bondade democrática aceitar que cada um come, bebe e cheira do que gosta.
E se vocês acham que cultura e alta-costura são uma e a mesma coisa, então o problema é mesmo vosso.
A minha solução é ficarmos mesmo por aqui.
Boa noite. Eu vou com as aves. 
____
- A imagem do vinho velho está reportada aqui, até porque tem direitos de autor.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Joaninha boa, boa

A minha Joana resolveu sair de vez do BE e dar um saltito até ao PS, se calhar por pensar que é mais seguro.

Joana, boa Joana, faça como eu: vá saindo, vá mas é saindo.
E se esse seu estado de alma persistir, aconselho-a a sentar-se no divã dum reputado psicanalista lisboeta que a Ana, por razões profissionais, deve certamente conhecer e que eu também conheço, não por razões profissionais, mas por ser irmão do meu colega de escritório, Morais Aleixo.
*
Li há pouco que nasceu em Angola, terra onde não morri porque era proibido morrer.
O mundo é mesmo pequeno. 
E eu com tantas histórias para lhe contar...
___
- P.S. (salvo seja) sobre o título: cá na terra trocamos os "bês" pelos "vês" .

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Os dióspiros e a crise

As recentes chuvas vão acabar de vez com eles. Os que não racharem com o excesso de água irão perder aquele sabor adocicado e envolvente. Estão nas oitavas da festa, a modos de quem se despede até para o ano se Deus quiser. 
Decidi o que fazer aos dióspiros que ainda restam na garbosa árvore do quintal: os que não tiverem préstimo para comer ofereço-os às galinhas, petisco que adoram, tal a ferocidade com que disputam os que lhes lanço às patas.
Os quintais das aldeias bairradinas são um alforge de fartura e riqueza frutícola: ele são as laranjas, os figos, as peras, os quivis, as ameixas das mais variadas qualidades, os limões e até as maçãs por quem passo como cão que não conhece dono.
As galinhas que ajudo a alimentar adoram a fruta que quase diariamente lhes ofereço. Ainda por cima não são esquisitas: comem do que lhes damos, não reclamam e, invariavelmente, são sacrificadas para satisfazer a nossa gula.
Bem vistas as coisas, há uma espécie de luta de classes entre os humanos e as aves de capoeira: a troco dum mísero salário vendem-nos a sua única força de trabalho, a carne gostosa e até os ovos cuja fartura vai minguando à medida que o frio aumenta.
Tanta riqueza gerada a troco de tão baixos custos de produção!
Como não me incluo no grupo dos capitalistas e exploradores, pago-lhes muito acima do salário mínimo nacional e não lhes reduzo nem corto os benefícios sociais.
Se alguém tem que pagar a crise que sejam os ricos e poderosos.
As galinhas é que não!
__
- Falei dos dióspiros AQUI.
- Recomendo vivamente a crónica do Belino Costa sobre os quivis da nossa aldeia, no NOTÍCIAS DE BUSTOS.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Andam dióspiros no meu quintal

Aí estão eles de novo, à consideração da passarada.
A ver se sobram para mim e para quem mais lhes chegue.
Trouxe-os aqui à colação.
Mas ficam a saber que, ao contrário do que determina o art.º 2.104º do Código Civil. os que eu comer não serão restituídos para efeitos de igualação.
Como os que me dá na real gana e, pronto, as contas estão feitas.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Eles comem tudo

Não, não falo da famosa canção do Zeca Afonso. Nem dos boys em fim de ciclo, fatalmente à espera de serem reciclados por nova fornada, que as sondagens não costumam enganar-se.
Falo do oriolus oriolus, que todos conhecemos por papa-figos.
Podem dizer-me que são atraentes e tardios: queixa-se o avesdeportugal.info de que é um visitante estival que chega bastante tarde ao nosso país.
Detesto queixinhas. Por mim, passava bem sem eles. Longe da vista, longe do coração dos preciosos figos, que mal chegam para o meu apetite voraz.
Lembro-os porque me chegou às mãos uma boa pratada deles. São um regalo, da nobre casta pingo de mel e está na cara que não chegam para as encomendas.
Vai sendo tempo de ir a eles ao quintal do vizinho.
Lembrei-os, aos figos, AQUI.
__
- Diz-se que a 1ª peça de vestuário foram folhas de figueira, mas o Adão e a Eva já não estão cá para o testemunhar.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

VIDA E MORTES DE FERNANDO H

Depois do acto solene do sorteio das listas concorrentes às Autárquicas de Oliveira do Bairro fui almoçar ao imenso Papatudo, ali na Alagoa de Águeda.
Ademais, o amigo Fernando precisava dos serviços do escritório. Aproveitei para me fazer acompanhar das 2 (duas) candidatas da lista de Bustos, a tal nascida para a pedrada no charco da politiquice...
Às tantas, o sofá do 1º andar virou divã de psicanalista. Mal a longa conversa começou, comentei que o Fernando não precisava de mim nem do colega Aleixo, mas do irmão deste, psicanalista de renome em Lisboa.
Perceberão porquê.
A história do Fernando trouxe-me à memória um texto que me saiu dos caboucos da alma e que aqui postei em 16/9/2008: morrer de morte matada. Dêm um salto AQUI, que o caso não é para menos.
Mas ouçamos o Fernando H:
" A minha vida começou aos 16 anos: um dia pedi ao meu pai dinheiro para cortar o cabelo. Quando cheguei a casa para lhe entregar o troco, encontrei o meu pai enforcado.
Comecei aqui a minha luta pela vida. Fui logo trabalhar num matadouro: esquartejava por dia 100 bois, 400 a 500 porcos e umas 300 ovelhas.
Cerca de um ano depois fui para a construção civil, como ajudante de carpinteiro, mas só uns meses. Entretanto, acabei o curso de desenho técnico na Escola Ratton, em Tomar.
A seguir veio a Suiça. Até que resolvi apanhar (em Sierre) um autocarro que vinha para Águeda. Porquê Águeda? - Porque sim, ele estava ali, como que à minha espera e, lembro-me tão bem, parou mesmo em frente à Escola Marques de Castilho. Trazia uma mala na mão e dinheiro para alugar uma casa.
Trabalhei numa fábrica de fibras (3 meses) e depois 5 anos na Metalcértima (Oliv.ª do Bairro).
Depois veio o Zip Zip e o casamento com a filha do dono (1); depois, o restaurante Artur, no Silveiro, a pensão Parreira em Aguada de Cima, o Artur 2/Espeto do Boi.
E agora o PapaTudo.
Mas não sou de me ficar por aqui."
*
A restauração passou a ser a caçadeira de canos serrados do Fernando H/Faustino C.
Ao contrário do anti-herói que me arrebatou uma noite inteira para toda a vida, o Fernando merece a nossa piedade e o nosso respeito.(2)
E muita amizade.
Para toda a vida.
__
(1) Antes dum divórcio, há sempre um casamento ao virar da esquina. E disso percebemos nós, não é, Fernando?
(2) In, NOTA EXPLICATIVA de "VIDA E MORTES DE FAUSTINO CAVACO", da autoria de ROGÉRIO RODRIGUES.
- VIDA E MORTES DE FAUSTINO CAVACO: Organização de Rogério Rodrigues / Editora ER Heptágono, por subcedência de direitos de Euroclube, SA / Capa de Vitorino Martins / Composição: M. Esther - Gab. de Fotocomposição / Impressão e acabamento: Printer Portuguesa / Depósito legal n.º 27 480/89.
Com a devida vénia, que é muita e mais do que merecida.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Bonança

É o que vem depois da tempestade.
Depois de meses a dividir-me entre o trabalho e a realização das Festas em Honra de S. Lourenço de Bustos (um sucesso) e duma curta mas intensa incursão na preparação e apresentação duma lista para a Assembleia de Freguesia (uma pedrada no charco da política local)...
...só mesmo um dia de bonança.
E logo ontem que a minha mãezinha se lembrou outra vez de desfazer anos.
Presenteei-a com uma caldeirada de peixe divinal, que fiz acompanhar dum excelente espumante da Adega Cooperativa de Cantanhede.
A restante família estava de férias para o Cartaxo, como se usa dizer. Excepto a Bia e a nova e turbulenta aquisição.
Nem a propósito: quanto mais conheço os homens mais gosto das minhas cadelas.
...
Fui lá fora e não vi o céu estrelado.
Hum! Vem aí novo temporal!
__
- O retrato é de Junho de 1943, ainda eu não lhe estava nos planos.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O fiel amigo

A par do cão, é conhecido por ser o único amigo que nunca é infiel.
Conhecemo-lo por bacalhau e haverá mil maneiras de o cozinhar.
Os cientistas dão-lhe o nome de Gadus morhua e afiançam que a sua taxonomia é muito complexa, existindo várias espécies e subespécies.
Cá por mim, de complexo não tem nada, pois nem sequer é difícil de grelhar, cozer, fritar ou assar.
Já pesquei parentes próximos, como o badejo, mas a fisionomia do verdadeiro bacalhau é inconfundível.
Há uns anos atrás, outro amigo fiel - o Helder Luzio, conseguia-me uns exemplares frescos, a que eu dava o destino preferido: cozido em água, cebola e sal. Então as cabeças acompanhadas de couve e umas batatitas eram um verdadeiro regalo.
Ao que parece, são tempos que já não voltam.
A não ser que emigre para a Noruega ou a Islândia.
Sempre juntava o útil ao agradável...
_
Bibliografia e foto: A EPOPEIA DOS BACALHAUS, de Francisco Manso e Óscar Cruz \ Distri Editora, 1984 [comprado na Bertrand, em Aveiro, aos 19.12.1984]

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Ração de combate: os dias da fome

Era uma ou mais caixas destas que levávamos para as operações de 2, 3 e até 4 dias, mato adentro.
Safavam-me as latas sul-africanas de fruta em calda que comprava na cantina do buraco chamado "aquartelamento"; a maior parte do conteúdo das rações distribuía-o democraticamente pelos bravos do grupo de combate.
Tudo gente do melhor que havia ao cimo da terra, verdadeiros camaradas a quem tratava por "Sr. Silva", "Sr. Santiago" ou "Sr. Adão".

Gente a quem ensinei o que era a liberdade, a democracia e até a Convenção de Genebra (foram centenas os prisioneiros que fizemos em 26 meses de comissão). Mas também gente que decidiu não estar ali para morrer.
O stress das operações constantes e uma ementa destinada a quem não passava de carne para canhão tiveram o efeito desejado: uma úlcera duodenal atirou-me para o Hospital Militar de Luanda durante 40 dias.
Parece que a úlcera continua, que a guerra está para durar, durar...

sexta-feira, 13 de março de 2009

abaixo o velhaco Iznogoud! chefe dos crentes refastela-se com lampreia!

Depois da incursão na Assembleia Municipal de ontem à noite...

...só mesmo um soberbo almoço de arroz de lampreia no Pompeu dos Frangos do Carlitos para esquecer um dia de cão.
_
Lampreia às sextas é a nova receita de sucesso do Pompeu, cujas raízes bustuenses são o nosso orgulho.
Bibliografia consultada: "As aventuras do Grão Vizir Iznogoud", II volume / "O conto de fadas d'Iznogoud", de René Goscinny e Jean Tabary; edição original da Dargaud Editeur, traduzida para português pela Meribérica - Editorial e Comercialização de Direitos, Lda. (Feira do Livro de Lisboa/13 de Junho de 1988).

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Casamentos homossexuais - II

O Jornal da Bairrada é dos semanários regionais com maior tiragem a nível nacional e todos sabemos o impacto que tem junto da vasta comunidade emigrante, da Europa às Américas, passando pela longínqua Austrália.
A pergunta da semana da edição do JB de ontem versou sobre o tema reproduzido acima [clicar na imagem para aumentar] e sobre ele responderam ainda um autarca de Anadia e outro de Águeda.
Lá que o meu discurso tivesse sido redondo, ainda vá que não vá, nem que fosse pela idade; como dizem os mais velhos, vou em 61. Agora um jovem como o Nuno Barata ter calcorreado os 500 caracteres que nos consentiram sem dizer absolutamente nada, isso já é preocupante.
Onde pára a irreverência, o espírito de vanguarda e rebeldia que sempre foi timbre da malta nova? Como fomos diferentes nos idos de 60! É o que dá ser a voz do dono.
E então a temática é fracturante? E eu que pensava que não, que já tínhamos subido esse degrau! Estava longe de imaginar que serias um dos destinatários da tirada do “tapar o sol com a peneira”…
Já agora: se há atitudes que elogio no Sócrates, esta é uma delas. A meio do desgaste que a crise provoca, o homem arrisca-se como nenhum político da praça faria; e mais: o eleitorado ficou a saber que o casamento entre pessoas do mesmo sexo será consagrado na lei civil se o meu padrinho ganhar as próximas legislativas.

Oremos para que não seja mais uma promessa por cumprir; senão, a largura do vosso cartaz não vai chegar para o nariz do Pinóquio..

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Isto não se faz - II: a prova dos 9

Congresso do BE: Francisco Louçã no momento da aprovação da sua lista para a direcção do partido.
Note-se a indecisão: viro-me prá esquerda ou prá direita?
A imagem, extraída com a devida vénia da última página do Público de ontem, não deixa margem para dúvidas: o Bloco voltou à linha dura e ínsipida dos tempos áureos do maoismo.
Tambéu eu, Joana Amaral Dias, não vejo qualquer razão para ter sido excluída da lista da direcção...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Isto não se faz - I

O Bloco de Esquerda excluiu a Joana Amaral Dias da lista do Francisco Louçã.
Logo agora, que estava a pensar em mudar-me, de G3 e bagagem, para o BE.
Depois deste crime, a fazer lembrar as purgas estalinistas, esqueçam-se.
Tal como Estaline, só falta eliminarem-na das fotos oficiais.
Lá que fizessem isso à Manuel Ferreira Leite...
__
A Joana participa no Bicho Carpinteiro, que encontrarão ao lado, na minha lista de blogues.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

tempo de ir aos dióspiros

Dizem que são provenientes da China; talvez por isso, os dióspiros têm um sabor diferente, estranho até para muitos de nós. Mas lá que são saborosos e matam a sede, disso não há dúvida.
Talvez atacados por um qualquer bichinho da fruta, este ano apareceram com umas manchas escuras, o que quer dizer que se os bichos gostam deles é porque são mesmo bons.
Aos dióspiros dou-lhes o mesmo rumo que aos figos: atiro-me a eles antes que a passarada se antecipe.
E se a árvore cá do quintal deu menos este ano, compenso a escassez com um saltinho ao aido do vizinho Jó, que o dióspireiro dele está carregadinho.
Se repararem, os nossos quintais produzem pelo menos um tipo de fruta em cada estação do ano: as ameixas de verão já se foram, no princípio do Outono vieram os figos e com eles as uvas; agora são os dióspiros e não tarda voltaremos ao ciclo das laranjas.
As árvores que vamos preservando nos nossos quintais são a melhor defesa contra a globalização do mercado. Até quando?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

casamentos entre homossexuais e um pouco mais

São conhecidas as posições do PS e do PSD sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo:
- Para o PS, o assunto “não está na agenda política, nem do governo nem do PS e o PS não anda a reboque de nenhum outro partido.” Estamos conversados.
- Para o PSD e apesar de dividido sobre a matéria, trata-se mais duma questão de consciência, do foro íntimo de cada um. Conversados estamos.
Como é bom de ver, nem o tema é uma mera questão de agenda e muito menos se resume a um assunto do foro íntimo: o casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma questão social, que põe em causa o conceito de família que sempre conhecemos.
Ao tratar do direito de família, o Código Civil define o casamento como um “contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente que pretendem constituir família mediante plena comunhão de vida, nos termos deste Código.”. Assim sempre rezou o artigo 1577º daquela lei.
Sou da opinião que o contrato/casamento possa ser celebrado entre pessoas, independentemente do sexo de cada um.
Mas fica a pergunta: porque é que este contrato não há-de ser celebrado entre 2, 3 ou até mais pessoas, como acontece com as demais relações contratuais?
Não me venham com o argumento de que somos herdeiros do direito romano e dos seus princípios monogâmicos. As tradições são como as agendas e os programas: só empatam o progresso.
Quem tem medo da poligamia? […a não ser o ministro das finanças, porque quantos mais forem os membros do agregado familiar mais aumentam as deduções fiscais].
É tempo de dizer não à tradição do matrimónio!
Votem aqui ao lado, que o voto é livre e secreto!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Tempo de ir aos figos

Os botânicos dizem que o figo não é um fruto, mas sim um sícone, que não é mais do que um falso fruto que começa por uma inflorescência e acaba numa deliciosa infrutescência, sobretudo quando bem madurinha.
Dito assim nem apetece ir aos figos, mas cá por mim vou-me a eles na mesma, deixando as explicações para o Milton Costa, que é cientista e quando se atira à figueira da casa dele fica indeciso entre comê-los e divagar sobre as razões de ciência do tal de sícone ou sicónio.
Gosto muito de figos, sobretudo das figueiras dos quintais dos meus afáveis vizinhos.
Aos figos chamo-lhes um figo.
Estão logo ali depois do meu quintal. E a fronteira que separa os dois aidos não tem muro de Berlim, arame farpado, campo de minas, nem me esperam as malditas emboscadas de má memória.
E também está fora de questão a prática do crime de introdução em lugar vedado ao público, porque - como diria o Sr. De La Palisse - não há vedação de espécie alguma. Os nossos aidos gostam de interagir, derramando-se uns nos outros como mares iguaizinhos a que os homens deram nomes diferentes.
Não digam nada ao meu vizinho, mas, de 2 em 2 dias para dar tempo de amadurecerem, vou-me a eles como cão à cata de bom osso. E não lhe digam porque ele é uma jóia de rapaz, bom amigo de ontem e de hoje (e espero que de amanhã...), faz uns petiscos de morrer e produz vinho de boa qualidade.
Em abono da verdade, ou me vou a eles ou a passarada passa-me a perna. Tertio non datur, como se diz nos direitos; em bom português, significa que não existe uma 3ª alternativa visto que o tertio não vive cá.
É tempo dos figos. E antes que os pássaros os dizimem ou a chuva os estrague...
Vamo-nos a eles!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Cultura da vinha: na Galiza é a sério. E nós por cá?

Os técnicos chamam-lhe vitivinicultura e foi uma das minhas especialidades até ao ano passado. Ainda me está no sangue e até o corpo me diz que quer continuar; só que a realidade é outra: a vinha do Portinho que o meu pai tanto valorizou nos últimos 30 anos já foi chão que deu uvas. Já acamado, dizia-me:

- Deixa-te disso. Arranca mas é o que ainda está de pé, que isto não tem futuro.

Tinha razão, pois tinha; mas o que deixou de valer para nós, continua a valer para os nossos irmãos galegos, que souberam casar a produção de vinhos com o turismo; para ser mais preciso: vivem de paredes meias.

A prova provada do que afirmo está nesta imagem tirada dum hotel de Sanxenxo há precisamente um ano.

E nós por cá? – Perguntarão.

Há um ano atrás, ainda influenciado pelo galego, escrevia mais ou menos isto no Noticias de Bustos:

...

“ Chão que deu uvas

Depois duma curta mas frutuosa viagem à região vinhateira galega, um conhecido vitivinicultor bairradino nas horas vagas retoma produção do famoso Bical e Maria Gomes!

Fruto dessa viagem e das influências movidas, o vinhedo da família, sito no Portiño - Mama Rosa, está em vias de ser recuperado com o apoio do FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional), da Xunta de Bustos e do Axuntamento de Olivera do Barrio!

Este feliz desenlace só foi possível porque o Departamento de Turismo Rural e da Defesa do Património Agrícola e Cultural do Ejecutivo Municipal fez questão em cumprir - conferindo-lhe prioridade máxima - uma promessa eleitoral que vinha sendo mantida no mais absoluto sigilo.

Na realidade, o Departamento faz questão em pôr a região vinhateira da Bairrada Norte no mapa turístico e promocional do Pais, da Europa e arredores.

O novo ejecutivo contratou já uma poderosa e cativante campanha promocional, que ocupará tudo o que é outdoors nacionais e circunvizinhos, sob o lema “ALLBAIRRO”.

Segundo as próprias palavras da responsável pelo pelouro, “o nosso objectivo é articular de forma bem oportuna o sequioso mercado inglês com as nossas RAÍZES, neste caso as reportadas à presença árabe na região, presença essa que, infelizmente e para mal dos nossos pecados, foi desbaratada pelo conhecido etarra que dá pelo nome de Afonso Henriques, de alcunha “O Conquistador”.

A população concelhia promete festa da rija na inauguração da FIACOBA, que este ano irá decorrer nas moderníssimas instalações do Pavilhão das Feiras e Congressos, na Zona Industrial de Vila Verde, desde logo pela mais-valia que representa uma promoção forte e aguerrida do melhor fruto da nossa terra - os vinhos brancos, sobretudo os da matriz Bical e Maria Gomes.

Poderemos já adiantar que, com a promoção de tão auspicioso evento, a rentabilização dos custos de investimento do gigantesco pavilhão das feiras (e também dos muitos congressos que se adivinham) fica garantida a curto prazo, pois passarão a realizar-se anualmente e com efeitos a partir do próximo ano, as I Xornadas Gastronómicas do Viño, do Lechon, do Rojon da Tripa e do Pao, as quais irão ter lugar na Zona Industrial de Villa Verde, de 27 do Xullo ó 31 de Agosto de 2008.

Vai ser uma festa!

É o muito que vos conta o oscardebustos “

...

À pergunta lá de cima, respondo eu:

- Nós por cá vamos bem, muito obrigado.

A prova provada do que afirmo está neste cartaz que vos deixo…



domingo, 17 de agosto de 2008

Cultura de bivalves: na Galiza é a sério. E nós por cá?

Em Agosto de 2007 passei uns dias na Galiza, que é já ali. E como queria ver de perto a cultura dos bivalves, fui ao Grove (em rigor, O Grove ou Ogrove) dar uma volta nos barcos de casco panorâmico.
A ria de Arouca está infestada de plataformas flutuantes, chamadas "bateas de mexillón", que ali foram introduzidas a partir de 1946 por empresários catalães.
Cada batea leva cerca de 500 cordas, que podem ir até aos 12m de profundidade, cordas essas onde o mexilhão pequeno - a par doutros bivalves - começa por ser preso depois de metido numa rede biodegradável. Ao fim de 7/8 dias o mexilhão larga aquele pêlo que lhe conhecemos e com o qual se agarra à corda. Em média, é recolhido para consumo ao fim de quase 2 anos tal como acontece com a ostra; as vieiras são mais precoces, bastando um ano para acabarem à nossa mesa.
Durante o passeio de barco são-nos servidos os famosos mexillóns, de fácil receita: cozem-se em vinho branco, com louro. O petisco é acompanhado com o Loureiro branco da região de Orense.
Os nossos irmãos galegos não brincam em serviço e sabem promover os seus produtos nativos. Chegaram ao ponto de criar para o mexilhão local uma "Denominatión de Orixe Mexillón de Galicia". Aliás, são pelo menos 27 os produtos da Galiza classificados com denominação de origem protegida. Eu disse 27, só na Galiza!
E nós por cá?
Em 1946, o ditador bafiento que foi Salazar impunha-nos uma vida de miséria franciscana. Para ele, enclausurados é que estávamos bem: nada de estrangeirices e muito menos progresso, não fosse o diabo tecê-las. De Espanha, nem bom vento nem bom casamento...
E se a Revolução de Abril acabou com a clausura, já os fundos da então CEE foram mais úteis na compra de Mercedes e de casa nova, tudo ao estilo novo-rico.
Já agora, ela que fica aqui tão perto: a ria de Aveiro, serve para quê?
Para dar uns passeios de mercantel ou moliceiro e para alguma piscicultura a viver momentos de amargura, deixando o vasto potencial da ria entregue aos mosquitos.
E de quem é a culpa?
Dos sucessivos governos, pois claro; mas também dos nossos autarcas.
E tudo porquê?
Porque, bem lá no fundo, continuamos enclausurados por dentro.
É por estas e por outras que continuamos a anos-luz dos nossos irmãos galegos.
*
- Editei alguns textos sobre a Galiza no NB, que podem ler
AQUI, ALI e ACOLÁLEM.
- E já fui pescador semi-profissional de robalo na boca da barra; de barquito, pois claro.