sábado, 13 de setembro de 2008
Canção
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Andam druidas na costa
S. Paio de Labruge é um daqueles sítios onde a natureza parece ser dona do espaço e do tempo.
Há ruínas dum povoado piscatório pré-romano (por sinal bem protegidas e assinaladas), penedos (chamados “amoladoiros” porque os pescadores amolavam os seus utensílios nos rochedos), gravuras nas rochas e – tinha de ser - uma ermida sobranceira ao mar, dedicada ao jovem mártir S. Pelayo ou S. Paio e certamente ali erigida para cristianizar um local onde não faltam vestígios de cultos pagãos.
E depois sabe bem passar por tantos terrenos inundados de milho que por pouco não beijam o mar. Parece que mais a norte o povo das aldeias resiste ainda e sempre ao invasor.
S. Paio é como um navio de pedra, capaz de resistir àquilo que muitos insistem em chamar progresso.
Estou em regressar lá um dia destes, numa manhã de nevoeiro e mar agreste. Quero encontrar druidas de foice de oiro na mão a cortar o visco que há-de servir de poção mágica.
E duendes,
Fadas
E feiticeiras que curam males.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Fintabolistas

domingo, 7 de setembro de 2008
Há gostos que não se discutem
Aparências...

sábado, 6 de setembro de 2008
"Bando dos quatro" apanhado ao jantar
O "Bando dos quatro", como foi denominado, preocupava as autoridades, por se enquadrarem no perfil de delinquentes que passam rapidamente para um patamar superior de violência.Segundo fontes geralmente bem informadas, terá sido a pronta acção do corajoso Lucky Luke que permitiu que o bando acabasse atrás das grades.
Mal soube da notícia, o 1º ministro interrompeu o seu jogging matinal e reuniu o governo de emergência com o propósito único de propor uma homenagem ao nosso herói.
É sabido que ambos têm dois pontos em comum: ainda que por razões diferentes, deixaram de fumar e adoram prender os Dalton.
PS 1 - fora de brincadeiras: a notícia pode ser lida no JN on line de hoje; é só ir lá.PS 2 - fora de brincadeiras: no seguimento da campanha antitabágica que percorreu a Europa há uns anos, o Lucky Luke passou a andar de palhita nos beiços em vez do tradicional cigarro feito à mão.
PS 3 - fora de brincadeiras: o 1º ministro foi apanhado a fumar no avião que o levava de visita ao Chavez e prometeu deixar de fumar.
PS 4 – fora de confusões: como qualquer letrado saberá, PS é a abreviatura de post scriptum, i.é., o que se escreve depois.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Tempo de ir aos figos
Dito assim nem apetece ir aos figos, mas cá por mim vou-me a eles na mesma, deixando as explicações para o Milton Costa, que é cientista e quando se atira à figueira da casa dele fica indeciso entre comê-los e divagar sobre as razões de ciência do tal de sícone ou sicónio.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Blogue do Rui Luzio: hecho en Venezuela

terça-feira, 2 de setembro de 2008
Tardes do Piri-Piri
Fosse nas férias escolares, fosse aos fins de semana, a esplanada do café Piri-Piri dessa aldeia pujante e contestatária que foi Bustos era o ponto de encontro dum número apreciável de jovens e libidinosos bustuenses. Ali vivemos as famosas tardes do Piri-Piri, entre finos, pratinhos de tremoços e alguns pires de pequenos búzios da ria que a Ti Cremilde ia pachorrentamente servindo à medida que contávamos as escassas moedas de escudo.

Regressados do que já apelidei de "Agosto bustuense da Costa Nova" e a partir da sede instalada na esplanada do Piri-Piri, ajudámos a organizar em Setembro de 1970 um Encontro de Estudantes da Bairrada, cuja iniciativa partira do pároco local. O Padre Vidal era um indefectível da ditadura salazarista e tinha fé de que acabaríamos por lhe cair no regaço; só que a malta tinha outras ideias e, mal ele sonhava, aproveitámos mas foi para ir sacudindo as consciências que o regime reprimia ferozmente.
Estranhamente, o pároco tinha uma empatia muito especial por mim: eu era rebelde mas franco e isso atraía-o. Uns bons anos antes, aí pelos meus 10/12 anos, era uso na missa de domingo o sacristão mandar perfilar meia dúzia de miúdos traquinas no 1º degrau logo a seguir ao altar. Calhava-nos sempre a triste sina...até que um dia engendrámos a mais rebelde das conspirações:
Aproveitando um dos solenes momentos em que o pároco ajoelhou de costas para os fiéis, um de nós atou-lhe os dois atacadores dos sapatos; ao querer levantar-se após a sentida oração, o Padre Vidal estatelou-se no chão ante o altar. A risota foi geral, mas o par de tabefes com que o bondoso sacristão brindou cada um dos atrevidotes caiu que nem raio castigador.
A missa continuou a pedido do Senhor, que lembrou aos crentes o miúdo traquinas que um dia também Ele fora.
Quem sabe se o irrreverente episódio não fez de nós melhores filhos desse deus que está no coração dos homens e das mulheres de bem.
Bem haja a mulher de bem que foi a Ti Cremilda!
domingo, 31 de agosto de 2008
Às armas!

Quem lida diariamente com os tribunais, sobretudo no patrocínio dos arguidos, percebe facilmente que os delinquentes se vinham convencendo cada vez mais da sua impunidade: numa Justiça feita por tansos, aqui no sentido de gente com excesso de boa fé que acredita cegamente na bondade dos seus concidadãos e nos ideiais regenerativos, o crime compensa mesmo. Se não compensasse, não estaríamos a assistir ao actual aumento da criminalidade violenta, sobretudo a que incide sobre os chamados crimes contra o património.sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Regresso às corridas
Vila Real foi durante muitos anos a catedral do desporto automóvel. A partir de 1931 e até 1991 realizou-se no perímetro urbano da cidade o famoso Circuito de Vila Real. Era uma festa para a malta, que tinha a oportunidade de observar de perto as máquinas que só conhecíamos das imagens da tv a preto e branco ou dos jornais e revistas.Claro que a credencial dele nos deu acesso total à pista e às boxes; e, evidentemente, aos pópós...
Daí a foto com ares de figurão junto dum dos melhores bólides da época: o Ford GT40.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Ordenações do Reino
Extraído da Collecçaõ da Legislação Antiga e Moderna do Reino de Portugal / Parte II. /Da Legislaçaõ Moderna. /Tomo III. / Coimbra: /Na Real Imprensa da Universidade. / anno de MDCCCVII / Por Resolução de S. Magestade de 2 de Setembro de 1786 / Ordenações e Leis do Reino de Portugal / Publicadas em 1603 /Livro Primeiro/. Antes de adoptarmos o sistema de codificação napoleónico [de que é exemplo o Código Civil de 1867, conhecido por Código de Seabra por ter sido seu autor o Visconde de Seabra, com palacete ali em Mogofores], as leis e determinações régias estavam dispersas por textos avulsos.
Um dia, duma assentada, adquiri não só os 3 volumes das Ordenações Filipinas, mas também a Collecçaõ Cronologica dos Assentos das Casas da Supplicaçaõ e do Cível (impressa em 1791) e a obra mais rara, as D. JUSTINIANI IMPERATORIS P.P. AUGUSTI / INSTITUTIONUM JURIS CIVILIS / EXPOSITIO METHODICA/, impressas em Parisis (Paris) em 1757 e conhecidas por Instituições Justinianas. Nos meus tempos de faculdade tive de aprender esta gaita toda e citar de cor excertos da história do direito português e do próprio direito romano.
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terça-feira, 26 de agosto de 2008
A balança da justiça
"- É a Justiça - disse por fim.- Agora já reconheço a figura - retorquiu K. - cá está a venda a tapar os olhos e aqui a balança. Mas ela não tem asas nos pés? Não está a correr?
- Está - respondeu o pintor. - Tive que a pintar assim por encomenda; na verdade trata-se da representação da Justiça e da Vitória numa só figura.
- Acho que não ligam bem uma com a outra - comentou K., sorrindo - a Justiça tem de estar quieta, de contrário faz oscilar a balança, o que torna impossível qualquer sentença justa."
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Retrato com sombras
Foto da família materna.
Resta a menina da direita, para nos lembrar o chão que pisamos. Foi essa menina que o meu pai levou à igreja. (*)
E faz hoje 86 anos.
O retrato é do tempo de fotógrafos que marcaram Aveiro e foi tirada na Foto Moderna (Electrica) de João Ramos / Rua Coimbra / em frente à estátua de José Estêvão / Aveiro / JUN 1943.
(*) Do poema Mãezinha, de António Gedeão / Linhas de Força / Edição do autor de 1967, impressa na Tipografia da Atlântida Editora, de Coimbra.

