sábado, 22 de agosto de 2009

Afrodisíacos...

Rebuscando nas memórias dum tempo cada vez mais longínquo e antes que a morte me pregue uma qualquer partida, vou-me apressando a devorar notas e apontamentos que o meu saudoso pai (1.8.1917 - 6.1.2005) ia registando num dos livrinhos que o acompanhou nas suas lides de ferrador e castrador diplomado.
A capa em cabedal castanho faz lembrar o clássico e lendário bloco "moleskine".
A páginas tantas, encontro esta preciosidade: o receituário de "Afrodisíacos Para o Cio".
Com indicação das doses para cavalo, boi e cão.
Já agora: quantos cc (centímetros cúbicos) seriam necessários para o bicho homem?
Afinal, hás uns 50 anos atrás a própria bicharada já tinha ao alcance da pata o seu viagrazito...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Abaixo o regime! Viva o gordo!


A partir de hoje, o BO está ao serviço da Revolução Cultural.
Contra os maus costumes e hábitos instalados.
Contra o poder pelo poder.
Contra o quero, mando e posso.
Contra a falta de ética, o vale tudo.
Contra os pneus recauchutados, causa de tantas mortes nas estradas municipais.
Contra as pilhas "duracell", porque o boneco repete sempre os mesmos gestos.
Contra o compadrio e os afilhados.
Contra a política dos favores.
Contra a treta da experiência,
que só serve para se agarrarem ao tacho.
Contra as promessas por cumprir.

Contra a falta de pinta e de imaginação!

Estamos CONTRA,
porque estamos fartos de os conhecer!
E de comer sempre farinha maizena!

QUEREMOS A MALTA NO PODER!

Porque sabe o que quer, tem ideias.
E uma visão diferente do mundo.
Porque o passado foi ontem
e o futuro começou hoje.
Porque o futuro é deles!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Porque defendo os meninos não sendo menino?

Porque me sinto como eles, sem esperança no destino...
Nada acontece por acaso. (*)
O excerto do poema do Carlitos Luzio que publiquei no NB, aqui, explica tudo.
Ou preferem este, sobre os velhos do Restelo, que representam o conservadorismo, as vãs promessas a que se referia Camões no Canto IV dos imortais Lusíadas?
Farto de ideias gastas e de gente carcomida pelo caruncho da política que promete tudo (do género: "adere à nossa lista, que temos aqui um tacho para ti"), resolvi aprender com a malta nova.
Como não sou sábio e acredito que o mundo não acabará quando eu morrer, atirei-me de alma e coração à causa dos meus netos. Porque o futuro é deles.
Porque a única geração rasca que conheço é a dos políticos que insistem em continuar até à náusea.

Sabem porque odeio as pilhas "duracell"?
- Porque o boneco não se cansa de repetir os mesmos gestos.

Não sei se sabem, mas eles - os jovens na casa dos 20 - são melhores do que nós, os velhadas.
E têm ideias, planos para o futuro da minha terra, que é a mais linda de todas. Tal como cada uma das outras é a terra mais linda de todas.
Eles têm ideias para Bustos. Para o concelho.
Até para o país merdoso e carunchoso que herdaram dos pais e dos avós.
Os velhadas (incluindo os corpos jovens em mentes enrugadas) deviam é ter vergonha na cara!
E não se pode defenestrá-los?
Claro que pode!
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(*) Não foi por acaso que o meu S. Lourenço morreu na grelha: estava destinado a ser padroeiro de Bustos, das suas raízes (durante muito tempo mantive um endereço electrónico a que dei o nome de "raizesdebustos@...").
- A foto do manguito foi editada por AQUI algures.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Mulheres de Bustos arrasam lei da paridade!

O post antecedente a modos que foi premonitório.
A notícia que aqui vos deixo é avassaladora, telúrica. É mais uma pedrada no charco dos costumes e vícios instalados.
Acabo de saber que um grupo de mulheres de Bustos se prepara para virar do avesso as próximas eleições autárquicas.
Juro que é verdade: Bustos vai ter uma lista concorrente, composta exclusivamente de mulheres!

O que nos espera nos próximos 4 anos

Como se não bastasse, consta-me que vai ser liderada pela 3ª cara metade, estacionada aqui ao lado, nos blogues linkados na barra lateral direita...
Parecendo certo e seguro que o farão sob a almofada do partido do meu padrinho, apressei-me a dar-lhe o que penso ser uma notícia tonificante, por entre o mar de desgraças que lhe têm batido à porta [durante a conversa, foram várias as vezes que citou, diga-se que em mau latim, o "annus horribilis" que teima em acossá-lo].
Exultante, confessou-me do outro lado da linha:
- Tu podes ser um madraço, um infiel, um incorrigível anarco-facho. Mas desta vez - que é a primeira, que eu saiba - tiro-te o chapéu!
Julgava-te perdido para a causa! O clube jamais se esquecerá do teu empenhamento! Vou já ali assinar um decreto a propor-te para a medalha de mérito da Ordem dos Arrependidos!
A promessa soube-me a pouco e até estive tentado a desligar o telemóvel.
Farto de dar o corpo ao manifesto e levar pancada da grossa como prémio, disparei:
- Ó meu primeiro! Então eu abri as portas para esta acção revolucionária do mulherio, uma verdadeira bofetada na hipocrisia da lei da paridade, e tu vens-me com as medalhas!
Não sabes que eu não sou de salamaleques, de doutorices bafientas?
E se em vez disso me garantisses um tacho na administração da Empresa de Águas do Baixo Vouga?
Após um curto silêncio, dispara-me:
- Olha lá, ó guevarista pretensioso! Então não sabes que os lugares já estão prometidos e que vão ser partilhados com a malta do PSD? E admitindo que te dizia que sim, que garantias me davas de que te ias portar bem?
Contenta-te mas é com a medalha e põe-te na bicha!
Quem sabe: pode ser que entres na leva seguinte...

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- Imagem de "A noiva de Lucky Luke", de Morris & Guy Vidal, Edição Meriberica/Liber, 1986

domingo, 19 de julho de 2009

A lei da paridade: mulheres ao poder!

Não se trata de atribuir mais quotas leiteiras, que essas levou-as a União Europeia.
Falo da lei da paridade, que obriga à inclusão de 1/3 de mulheres nas listas eleitorais.
Vai ser do bom e do bonito por esse Portugal profundo!
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Imagem extraída de "Lucky Luke: Calamity Jane", da autoria de Morris & Goscinny, Edição da Meribérica/Liber, pág. 8.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Vasco Granja: morreu o pai da banda desenhada

Faleceu o mais conhecido divulgador da banda desenhada em Portugal.
O termo "banda desenhada" foi mesmo introduzido por ele.
O seu nome aparece ligado à versão portuguesa da "Tintin" e, mais tarde, da "Spirou". Deve-se a Vasco Granja o conhecimento entre nós da BD de Hugo Pratt e do seu Corto Maltese.
Militante activo do PCP desde os tempos da clandestinidade, Vasco Granja soube ser um bom comunicador. A partir do 25 de Abril passou a dirigir um programa de meia hora na RTP com o título de "Cinema de Animação", onde predominavam os desenhos animados canadianos, americanos e, sobretudo, oriundos dos países do bloco soviético, preferência que levou até à exaustão durante os 16 anos em que durou o programa.
Ainda lembro os filmes checoslovacos, búlgaros, polacos e jugoslavos, cujos títulos e autores reproduzia como se nos fossem familiares, num esforço para alterar o gosto pelo estilo mais (para nós) inteligível e imediatista de Walt Disney.
O vídeo supra lembra o famoso Lápis Mágico, de origem polaca, que VG tanto divulgou.

sábado, 2 de maio de 2009

PINTURA NA AREIA

Para curar-me, o feiticeiro
pintou a tua imagem
no deserto:
areia de oiro - teus olhos,
areia vermelha - a tua boca,
areia azul para os cabelos,
e branca, branca areia, para as minhas lágrimas.

Pintou durante o dia, e tu
crescias como uma deusa
sobre a imensa tela amarela.
E pela tarde o vento dispersou
tua sombra colorida.
E, como sempre, na areia
nada ficou senão o símbolo das minhas lágrimas:
areia prateada.
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Imagem: contracapa de Fort Wheeling, tomo 2, de Hugo Pratt.
Poema dos Índios da América do Norte, tradução de Herberto Helder; extraído do livro "Rosa do Mundo - 2001 poemas para o futuro" \ 3ª edição \ Assírio & Alvim (págs. 198/199).

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Abril de vida, Abril de memória

As comemorações oficiais do 25 de Abril na sede do concelho tiveram dois momentos particularmente brilhantes: a cerimónia evocativa junto do monumento aos combatentes da guerra colonial e o lançamento do livro “Arlindo Vicente e a Oposição – As eleições Presidenciais de 1958”.
Da primeira importa registar a leitura de poemas de Abril, da autoria de Sophia de Mello Breyner, Manuel Alegre e do nosso Armor Pires Mota. A poesia da paz que Abril trouxe falou mais alto que a canção da guerra que Manuel Alegre chorou no seu 2º livro de poemas, O Canto e as Armas (Editora Nova Realidade, 1967 e Ed. Poesia Nosso Tempo, 1970).

No salão nobre da sede do município e após as usuais intervenções dos representantes dos partidos com assento na Assembleia Municipal e do Presidente desta, teve lugar a apresentação do livro de Arlindo Vicente, pintor, advogado e antifascista, nado e criado no Troviscal e que aceitou o desafio de enfrentar a ditadura salazarista no “simulacro cuidadosamente montado” das eleições presidenciais de 1958, para usar as palavras do também troviscalense Silas Granjo, coordenador e prefaciador do livro agora trazido a público sob a égide da Câmara Municipal.
Confirma-se o que ousei afirmar repetidas vezes em público e privado: o pelouro da Cultura do nosso município tem sabido cumprir o seu desígnio: são constantes as acções de promoção da cultura, da arte e do entretenimento.
Da autoria de Miguel Dias Santos, professor, investigador e autor de vários estudos sobre a nossa história contemporânea, o livro foi apresentado por um dos filhos de Arlindo Vicente, o prof. dr. António Pedro Vicente, que entre muitos recordares nos lembrou que

É através da memória que se constrói o futuro

- Título: Arlindo Vicente e a Oposição; autor: Miguel Dias Santos; Edição: Câmara Municipal de Oliveira do Bairro; tiragem: 1.000 exemplares; data da 1ª edição: 25 de Abril 2009.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

ABRIL COM R

Trinta anos depois querem tirar o r.
se puderem vai a cedilha e o til
trinta anos depois alguém que berre
r
de revolução r de Abril
r
até de porra r vezes dois
r
de renascer trinta anos depois
Trinta anos depois ainda nos resta
da liberdade o l mas qualquer dia
democracia fica sem o d.
Alguém que faça um f para a festa
alguém que venha perguntar porquê
e traga um grande p de poesia.
Trinta anos depois a vida é tua
agarra as letras todas e com elas
escreve a palavra amor (onde somos sempre dois)
escreve a palavra amor em cada rua
e então verás de novo as caravelas
a passar por aqui: trinta anos depois.
_
Manuel Alegre.
poema publicado na edição portuguesa de Le Monde Diplomatique, Abril 2004.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Futuro passado

Em finais dos anos 50/princípios de 60, Bustos era uma terra virada para o futuro.
A embalar o progresso, em 1936 um "brasileiro" da terra apostou num Centro Recreativo de Instrução e Beneficência, com salão de festas e cinema (o famoso Bustos Sonoro Cine, a que não faltou um então inédito sistema de assinaturas, precursor dos cineclubes dos anos 60). Teatro de revista, bandas de música, jornais, farmácia, estação telegráfica e postal, 2 equipas de futebol federado, clube de natação (com uma pequena piscina, onde participámos em tantas provas e brincadeiras), cafés com salas de bilhares, 2 restaurantes, talho, peixaria.

Cartão nadador_JamesUm sem fim de sinais duma terra de gente de progresso; e de ideias progressistas, de que foi exemplo a perseguida União Liberal de Bustos.
Nada parecia faltar nesses anos de ouro. Salvo a Liberdade.
Em princípios de 60, um grupo de bustuenses avança com uma Comissão de Melhoramentos, à qual se deve, nomeadamente, a criação duma sala de leitura da Biblioteca Calouste Gulbenkian, um colégio (então Externato Gil Vicente, hoje IPSB, com cerca de 1.000 alunos), posto da GNR e agência bancária.
Não nos faltaram dias, tardes e noites quentes, em especial as tardes quentes do Piri-Piri de que o saudoso Carlos Luzio falava.
Com o 25 de Abril chegaram os inevitáveis movimentos associativos de matriz social, personificados em duas instituições de solidariedade social - a ABC de Bustos e a SOBUSTOS. Não tardou a surgir o Orfeão de Bustos com o seu Grupo de Cantares.
E pouco mais.
Bustos foi morrendo, morrendo; mais de morte matada do que de morte morrida.

Diapositivo64

Tal como confessei AQUI, por nossa culpa, Bustos já foi.
Até renascer das cinzas do passado.
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- Bibliografia consultada: Arsénio Mota, Bustos - elementos para a sua história, edição da Associação de Beneficência e Cultura de Bustos, 1983; e, do mesmo autor, Bustos do Passado, em edição da Junta de Freguesia de Bustos, 2000. Busca nos blogues hiperligados.
- Fotos do Jaime e do Milton Costa (slide da conferência sobre a origem da vida).

terça-feira, 21 de abril de 2009

A Política

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Imagem extraída de "Rafael Bordalo Pinheiro", de José-Augusto França, Livraria Bertrand, 1982.
Foi dada à estampa no 1º número do jornal "A Paródia - Comédia Portugueza", fundado por Bordalo Pinheiro em 17 de Janeiro de 1900 e cujo último número data de 29 de Dezembro de 1906, cerca de um ano depois da morte do grande ceramista e caricaturista.

domingo, 19 de abril de 2009

HAH !...grande O'NEILL !

Há a mulher que me ama e eu não amo.
Há as mulheres que me acamam e eu acamo.
Há a mulher que eu amo e não me ama nem acama.
Ah essa mulher!

Tu eras feliz, Appolinaire:
montado num obus, voavas à mulher.
Tu foste mais feliz, meu artilheiro:
tiveste amor e guerra.

Eu andei para marinheiro,
mas pus óculos e fiquei em terra.

Upa garupa na mulher que me acama,

que a outra é contigo, coração que bem queres
sofrer pelas mulheres...
_
Poema Hah !, a fls. 50/51 do caderno à margem, publicado pela D. Quixote em Março de 69.
Alexandre O'Neill nasceu em Lisboa a 19 de Dezembro de 1924 e faleceu a 21 de Agosto de 1986. Casou em 1971 com Teresa Patrício Gouveia e dela se divorciou em 81.
Teresa P. Gouveia teve a pouca sorte de ser ministra do ambiente de Cavaco numa altura (1994) em que lançámos um extraordinário movimento de luta contra a aprovação dum aterro de resíduos industriais no Cardal (Vagos). Foi penoso ver uma mulher com tão grande nível intelectual e humano envolvida na fogueira duma luta popular imparável e pouco dada a gestos cívicos.
O poder desgasta e, sobretudo, desilude gente que merecia melhor destino.
A ver se não me vou embora sem dar à estampa o vasto espólio que detenho sobre a matéria.

sábado, 18 de abril de 2009

outras músicas, d'outras margens

O borda d'água e o seringador

Prefiro o primeiro e já aqui o trouxe por alturas dos calores de verão.
Não sou cliente do 2º, mas foram de seringador as supostas declarações do recém eleito Presidente da Direcção Nacional da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, desembargador António Martins.
É que me pareceu ouvi-lo dizer após a cerimónia de tomada de posse que as maiorias absolutas são perigosas.
Importa-se de repetir?
E de explicar melhor se aludia à maioria absoluta que o elegeu ou à que elegeu o actual governo?
E se aludia a ambas, são perigosas porquê?