Desapareceu do pátio da casa que habitava enquanto os donos jantavam despreocupadamente num restaurante a cerca de 50m. O governo pôs todas as polícias e meios ao seu alcance à procura do infeliz desaparecido. Entrevistado pela nossa redacção, confessou entristecido o director da PJ: - É uma pena, sabe. Tratava-se dum exemplar quase único ainda no activo. Era um ex libris que os turistas - sobretudo os queridos ingleses – adoravam registar nas suas máquinas digitais. Ainda por cima, os poucos que se conhecem ou jazem mortos a decorar os jardins fronteiros dalgumas casas da região ou estão atravancados no meio de tudo quanto é tralha, inacessíveis à nossa investigação. Que raio de coincidência! Este caso faz-me lembrar o daquela menina inglesa que desapareceu, sabe a Madalena, aquela…
*
Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada. E que para de onde veio volta depois Quase à noitinha pela mesma estrada.
Eu não tinha que ter esperanças — tinha só que ter rodas... A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco... Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.
Os técnicos chamam-lhe vitivinicultura e foi uma das minhas especialidades até ao ano passado. Ainda me está no sangue e até o corpo me diz que quer continuar; só que a realidade é outra: a vinha do Portinho que o meu pai tanto valorizou nos últimos 30 anos já foi chão que deu uvas. Já acamado, dizia-me:
- Deixa-te disso. Arranca mas é o que ainda está de pé, que isto não tem futuro.
Tinha razão, pois tinha; mas o que deixou de valer para nós, continua a valer para os nossos irmãos galegos, que souberam casar a produção de vinhos com o turismo; para ser mais preciso: vivem de paredes meias.
A prova provada do que afirmo está nesta imagem tirada dum hotel de Sanxenxo há precisamente um ano.
E nós por cá? – Perguntarão.
Há um ano atrás, ainda influenciado pelo galego, escrevia mais ou menos isto no Noticias de Bustos:
...
“ Chão que deu uvas
Depois duma curta mas frutuosa viagem à região vinhateira galega, um conhecido vitivinicultor bairradino nas horas vagas retoma produção do famoso Bical e Maria Gomes!
Fruto dessa viagem e das influências movidas, o vinhedo da família, sito no Portiño - Mama Rosa, está em vias de ser recuperado com o apoio do FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional), da Xunta de Bustos e do Axuntamento de Olivera do Barrio!
Este feliz desenlace só foi possível porque o Departamento de Turismo Rural e da Defesa do Património Agrícola e Cultural do Ejecutivo Municipal fez questão em cumprir - conferindo-lhe prioridade máxima - uma promessa eleitoral que vinha sendo mantida no mais absoluto sigilo.
Na realidade, o Departamento faz questão em pôr a região vinhateira da Bairrada Norte no mapa turístico e promocional do Pais, da Europa e arredores.
O novo ejecutivo contratou já uma poderosa e cativante campanha promocional, que ocupará tudo o que é outdoors nacionais e circunvizinhos, sob o lema “ALLBAIRRO”.
Segundo as próprias palavras da responsável pelo pelouro, “o nosso objectivo é articular de forma bem oportuna o sequioso mercado inglês com as nossas RAÍZES, neste caso as reportadas à presença árabe na região, presença essa que, infelizmente e para mal dos nossos pecados, foi desbaratada pelo conhecido etarra que dá pelo nome de Afonso Henriques, de alcunha “O Conquistador”.
A população concelhia promete festa da rija na inauguração da FIACOBA, que este ano irá decorrer nas moderníssimas instalações do Pavilhão das Feiras e Congressos, na Zona Industrial de Vila Verde, desde logo pela mais-valia que representa uma promoção forte e aguerrida do melhor fruto da nossa terra - os vinhos brancos, sobretudo os da matriz Bical e Maria Gomes.
Poderemos já adiantar que, com a promoção de tão auspicioso evento, a rentabilização dos custos de investimento do gigantesco pavilhão das feiras (e também dos muitos congressos que se adivinham) fica garantida a curto prazo, pois passarão a realizar-se anualmente e com efeitos a partir do próximo ano, as I Xornadas Gastronómicas do Viño, do Lechon, do Rojon da Tripa e do Pao, as quais irão ter lugar na Zona Industrial de Villa Verde, de 27 do Xullo ó 31 de Agosto de 2008.
Vai ser uma festa!
É o muito que vos conta o oscardebustos“
...
À pergunta lá de cima, respondo eu:
- Nós por cá vamos bem, muito obrigado.
A prova provada do que afirmo está neste cartaz que vos deixo…
Em Agosto de 2007 passei uns dias na Galiza, que é já ali. E como queria ver de perto a cultura dos bivalves, fui ao Grove (em rigor, O Grove ou Ogrove) dar uma volta nos barcos de casco panorâmico. A ria de Arouca está infestada de plataformas flutuantes, chamadas "bateas de mexillón", que ali foram introduzidas a partir de 1946 por empresários catalães. Cada batea leva cerca de 500 cordas, que podem ir até aos 12m de profundidade, cordas essas onde o mexilhão pequeno - a par doutros bivalves - começa por ser preso depois de metido numa rede biodegradável. Ao fim de 7/8 dias o mexilhão larga aquele pêlo que lhe conhecemos e com o qual se agarra à corda. Em média, é recolhido para consumo ao fim de quase 2 anos tal como acontece com a ostra; as vieiras são mais precoces, bastando um ano para acabarem à nossa mesa. Durante o passeio de barco são-nos servidos os famosos mexillóns, de fácil receita: cozem-se em vinho branco, com louro. O petisco é acompanhado com o Loureiro branco da região de Orense. Os nossos irmãos galegos não brincam em serviço e sabem promover os seus produtos nativos. Chegaram ao ponto de criar para o mexilhão local uma "Denominatión de Orixe Mexillón de Galicia". Aliás, são pelo menos 27 os produtos da Galiza classificados com denominação de origem protegida. Eu disse 27, só na Galiza! E nós por cá? Em 1946, o ditador bafiento que foi Salazar impunha-nos uma vida de miséria franciscana. Para ele, enclausurados é que estávamos bem: nada de estrangeirices e muito menos progresso, não fosse o diabo tecê-las. De Espanha, nem bom vento nem bom casamento... E se a Revolução de Abril acabou com a clausura, já os fundos da então CEE foram mais úteis na compra de Mercedes e de casa nova, tudo ao estilo novo-rico. Já agora, ela que fica aqui tão perto: a ria de Aveiro, serve para quê? Para dar uns passeios de mercantel ou moliceiro e para alguma piscicultura a viver momentos de amargura, deixando o vasto potencial da ria entregue aos mosquitos. E de quem é a culpa? Dos sucessivos governos, pois claro; mas também dos nossos autarcas. E tudo porquê? Porque, bem lá no fundo, continuamos enclausurados por dentro. É por estas e por outras que continuamos a anos-luz dos nossos irmãos galegos. * - Editei alguns textos sobre a Galiza no NB, que podem ler AQUI, ALI e ACOLÁLEM.
- E já fui pescador semi-profissional de robalo na boca da barra; de barquito, pois claro.
Apressei-me a fugir do escritório. Percorrida a A25 até Mangualde, dirigi-me para sul pela EN232 e depois pela EN645 até Cunha Baixa, daí seguindo até ao desejado destino:
Preparadas as mochilas com os apetrechos que a caminhada e o objectivo exigiam, iniciámos a jornada até ao rio Mondego. Éramos 7 como os magníficos: o anfitrião Ernesto Almeida, o irmão Abel (casado na minha terra), o jovem filho deste – Carlos, o Manuel António e o Paulo Amaral, todos com três elos em comum a uni-los: são nativos de Abrunhosa, familiares entre si e emigrados nas europas: os primeiros quatro em França e o último na Suíça. Os 2 restantes caminheiros eram também migrantes à sua maneira: o covilhanense Fernando Fazenda, ensina nos Açores há 15 anos com a mulher e filha do Ernesto. Eu, migrante sou, em busca sei lá de quantas raízes das terras e das gentes. O resto de tarde, a mal dormida noite ao relento junto às fragas e canadas (pequenos açudes) do Mondego e os rituais do acordar e do voltar a caminhar fizeram-me lembrar o misticismo desse deus desconhecido que John Steinbeck tão bem descreveu. Em cada Agosto que passa os meus companheiros de ocasião aproveitam as férias para cumprir uma única vez o mesmo místico ritual: mal atingem o estreito Mondego e sem esperar por recuperar do esforço da íngreme caminhada, 7 vezes se ajoelham em 7 sítios diferentes da borda do rio, como quem lhe beija as límpidas águas; e assim que a luz ténue da madrugada o permite, outras tantas 7 vezes se ajoelham nos mesmíssimos sítios percorridos no fim da tarde da véspera. Só depois o regresso à terra-mãe. O Ernesto, esse, viveu aqueles momentos com uma devoção e um fervor únicos. De poucas falas, várias vezes me apercebi que sussurrava às águas, quase as beijando. Percebi depois que muito do pai dele - o Ti Manel Almeida - impregnava aqueles ermos. Contou-me que o pai tinha com o Mondego uma relação mística, lhe conhecia de cor o desfiar sussurrante das águas, as voltas que estas davam a contornar os rochedos de granito e até os hábitos dos peixes que então abundavam naquelas águas mansas e que ele era exímio e único nos métodos que usava para os capturar. Mas o que me contou quando regressávamos a Abrunhosa do Mato deixou-me ainda mais deslumbrado. De propósito, fez com que parássemos num sítio designado por Vale Figueira, ali onde jazia abandonado um casebre de granito que o Ernesto apelidou de palheiro do Cetra. Disse-me baixinho: - Foi aqui que o Cetra viveu até meados dos anos 60, longe de tudo e de todos, sozinho, tendo por companhia apenas uma grande cobra que diariamente alimentava com leite das suas ovelhas; punha o leite numa púcara da resina e a cobra vinha à púcara beber. E, sabe, ele andava metido com as bruxas do monte. Assim me relatou e os demais companheiros se apressaram a confirmar, não fosse o Ernesto um vivido serrano de 64 anos. A estranha narrativa trouxe-me à memória uma misteriosa personagem da banda desenhada que parecia falar com as cobras e se chamava simplesmente Silêncio. (*)
Esta noite apeteceu-me regressar sozinho àquele local mágico. Quem sabe se não encontraria ali esse desconhecido deus da terra por quem todos um dia daremos a vida. _______ (*) “Châmume silêncio i sô bontipu”
Extraído de “silêncio”, obra de Didier Comès editada em Portugal pela Livraria Bertrand em 1983.
O velho da cartola era o homem que fazia as previsões do tempo, sempre com o pequeno jornal do reportório sobre a agricultura, as festas religiosas e informações úteis. A cartola, o casaco à séc. XIX e o guarda chuva debaixo do braço completam a indumentária. Sempre conheci o velho da cartola como a imagem de marca d' O Verdadeiro Almanaque Borda d'Água. A edição de 2005 vendeu 320.000 exemplares e a de 2009 começou nos 100.000; comprei-a a uns miúdos romenos, que agora são a mão de obra da Editorial Minerva, cuja directora é uma mulher. E vocês, estão à espera que termine o S. Miguel das colheitas para comprar o livrinho mais vendido em Portugal?
No minguante de Janeiro corta o madeiro. Quando não poda até Março, vindima no regaço. Em Maio verás a água com que regarás. Quem em Agosto ara, riquezas prepara... Outubro chuvoso faz ano venturoso. Tudo se quer a seu tempo e os nabos pelo Advento
O 1º Grupo de Combate da CART 3564 - Comando Operacional de Tropas de Intervenção (COTI 1), em descanso no campo militar do Grafanil, Luanda, entre tantas operações de combate por todo o norte de norte de Angola e Cabinda - Janeiro de 1974 (a 8 meses do ansiado regresso).
Entretanto...
- Extraído de "O Problema Colonial", de J. Pedro Capitão, Ed. Assírio & Alvim, 1974 (comprado em Set. do mesmo ano, já regressado ao Puto)
A experiência foi esgotante mas gratificante, apesar de ter a consciência de que o S. Lourenço de Bustos se dá mal com as brasas. Pudera! Lourenço de Huesca, que viria a ser um dos mais venerados santos da igreja católica, morreu na grelha durante a perseguição dos cristãos no ano de 259.
Aproveitei a comemoração do seu dia para acender o forno. Manhã cedo foi a vez da chanfana de carneiro; duas horas depois deu-se a entrada solene de S. Majestade, o Rei Leitão. O mestre de cerimónias foi o Romão da Póvoa.
Foi então que aproveitei para revisitar a escudela, a pá da broa, a pá dos folares da Páscoa, o rodo e o mexedor, também dito
surriscador. (*)
Hoje são peças de museu atiradas para um canto das nossas casas de aldeia. Os tempos de agora são outros: a globalização e as padarias made in Venezuela acabaram com o pão caseiro. Os fornos a lenha e os molhos de vides têm os dias contados. Por arrastamento, o leitão virá a seguir. É pena, porque a comida tem outros sabores. ______
(*) corruptela de “chorriscar”, que significa grelhar, torrar, abrasar?
Sempre fui um devoto do S. LOURENÇO, não morasse ele à minha porta. Sou dos tempos em que a festa era só dele, mas a globalização acabou por juntar no mesmo saco o padroeiro da freguesia e o confrade Santo António, tantos são os santos adoptados pelo povo do lugar de Bustos. Se falo aqui dele é porque também sou Santos. E ainda porque o martirizado S. Lourenço marcou a parte festiva da minha infância, como fez a tantos de nós. É ver a preocupação da malta emigrante em estar presente, participar na festa e acompanhar a procissão. Domingo não faltarei a mais um registo, do que darei notícia no "Notícias de Bustos", esse outro blogue de Bustos onde também está muito de mim, desde os tempos "Do passado e do presente" (2004/2005). Deixo-vos umas ligações às notícias que fui dando no NB sobre o meu querido S. Lourenço: A do ano passado pode ser lida aqui mesmo. E a de 2005, um pouco mais ali.
Seriam umas 3 da manhã quando o telefone tocou. Deixei o teclado do portátil onde preparava mais um post e cliquei na tecla de atendimento do dito. Era o meu padrinho, a verberar-me em tom algo irritado: - “Ouve lá! Então agora andas armado em bloguista independente e verrinoso! Ainda por cima botaste no blogue uma imagem do Che com ar decadente e meio cóboi! Ouve lá ó meu merdas! Andas a portar-te mal, a modos que a mijar fora da carroça, como dizem aí na tua terreola!” - “Oiça, padrinho, mas eu sou um homem livre como os passarinhos. Afinal vivemos em democracia” – balbuciei. - “Qual padrinho, qual quê! Ainda acabas por te virar é contra mim! É o teu próximo passo, meu madraço, que eu bem te conheço o estilo!”, interrompe ele num tom de voz que me começava a preocupar. - “Mas oiça, padrinho, você sabe bem que nunca fui muito de ir à missa, quanto mais à catequese. E, gaita, também só o padrinho e os seus outros afilhados é que botavam faladura nas reuniões e eu ali para um canto como se fosse uma peça do mobiliário estilo art nouveau ou coisa assim...” - "Você?! Mas agora é assim que me tratas?" O homem tinha razão: estava a ser indelicado e rude. Engoli em seco e atalhei: - “Desculpe, Sr. Eng.º, foi sem querer, enervei-me… “ - “Agora tratas-me por engenheiro? Estás-me a gozar, ou quê! Até parece que não sabes que o canudo foi uma prenda que eu recebi e que tive de pagar com outro favor!", retorquiu-me ele, cada vez mais agreste e irritadiço. A conversa ia de mal a pior e não havia maneira de eu atinar com um final feliz para o raio do telefonema a meio da madrugada. Só tinha uma saída: confessar o meu delito. - “Sabe, Sr. 1º ministro, isto são os calores do verão a atacar-me. Já leu o que o BC disse sobre esta minha fase, no Notícias de Bustos? - Senti que sossegou; tanto que me respondeu prontamente: “Assim está melhor. Já começas a entrar nos eixos. Olha, por falar em calores: vou uma semanita de banhos pró Cartaxo curar-me de tanta canseira. Mas ficas a saber: quando regressar, vais alinhar em grande na Campanha Alegre!!"(*) ___________________
(*)Pressinto que as coisas vão mesmo melhorar entre nós. O meu padrinho não se referia ao Manel Alegre. Estava na cara que ele também andava a ler o Eça de Queiroz, mais precisamente “UMA CAMPANHA ALEGRE - De “As Farpas”, em 2 volumes, editado pela Lello & Irmão, Porto, 1965.
Hugo Pratt criou a lenda de Corto Maltese, um marinheiro errante e sonhador. Hugo Pratt é um dos meus preferidos autores de banda desenhada (BD), cuja colecção de livros guardo religiosamente.
A imagem é de "Saint-Exupéry: o último voo", obra publicada em Portugal em 1995.
Hugo Pratt faleceu a 20 de Agosto de 1995, depois de partilhar o seu tempo entre a BD, as viagens e os amigos.
Como gosto muito dos amigos, voltarei a lembrá-lo nesse dia.
*
O título deste post foi retirado do título homónimo do livro oferecido pelo meu amigo Milton Costa no natal de 2005: Hugo Pratt - O desejo de ser inútil - Memórias e Reflexões - Entrevistas com Dominique Petitfaux / Relógio D'Água Editores, Novembro de 2005.
Tornou-se um hábito os governos aproveitarem o verão para despejar no Diário da República um sem fim de leis. Mal nos apanham pelas costas, dá-lhes para legislar a torto e a direito. Devem detestar que a malta vá de férias; ou então é vírus ou bactéria que lhes ataca a flora intestinal. Ainda a procissão vai no adro e – no que importa a quem anda metido no mundo do direito – já foi publicada legislação sobre: - Novos Julgados de Paz (agrupamento de concelhos de Palmela e Setúbal); - Subsídios de maternidade e paternidade (percebe-se porquê: se não somos pais ou mães, somos avós ou avôs); - Investimento em redes de nova geração, que passa pela instalação dum novo sistema de gravação digital nos tribunais de 1ª instância, em substituição dos velhinhos gravadores de cassetes; - Regulamentação das derrogações previstas nos regulamentos comunitários sobre regras de higiene dos géneros alimentícios. (*) Mais uma vez, Setembro irá encontrar os advogados, magistrados e funcionários judiciais completamente atarantados, sem saberem ao certo que lei se aplica a este ou aquele processo. Mas descansem que tudo se há compor, ou não fossemos os melhores em desenrascanço. * Apresento-vos um exemplo do absurdo a que chegou a ferocidade do legislador, a lembrar o universo de Franz Kafka no seu livro “O Processo”: Apenas sobre as formalidades da apresentação em tribunal das peças processuais, temos em carteira no escritório para cima de 30 Diários da República. A vertigem legislativa recebeu o seu baptismo de fogo em 1999 e o último diploma sobre a matéria foi parido em 4 de Março deste ano da graça de 2008. Só um dos diplomas (o Decreto Lei n.º 269/98, de 1/9, que versa sobre os processos destinados ao cumprimento de obrigações emergentes de contratos) já sofreu 15 versões! O Ministério da Justiça chama e este circo “desmaterialização, eliminação e simplificação de actos e processos na justiça”, alegando que o projecto resulta “de um processo evolutivo e de um conjunto concertado de acções diversas….”. Eu cá chamava-lhe outra coisa… Se isto não é diarreia, vou ali e já venho.
* (*)Finalmente! Os regulamentos comunitários estabelecem regras gerais destinadas aos operadores das empresas do sector alimentar, regras essas que pressupõem o estabelecimento de normas orientadoras por parte de cada um dos estados-membros, tendo em conta os seus métodos tradicionais e a própria dimensão dos operadores industrias e comerciais. Só agora tais normas começaram a ser implementadas pelo Estado Português. Até eu chamei a atenção para o desajustamento da legislação num processo instaurado pela ASAE. Como também o fiz na parte final dum texto que publiquei no NB, onde aludia às novas Pides e que podem consultar AQUI mesmo.
...quando aprendi a ser vitivinicultor na defunta Estação Vitivinícola da Bairrada, pelas mãos de mestre do Eng.º Dias Cardoso (1981), mas tarimbado por meu Pai desde quando era puto.