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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Regresso, agora com canção índia

Além desabrochava uma flor.
E essa flor, quando aqui a vejo, essa flor,
agora, ai, tão longe, faz-me chorar.
Essa flor, sempre que a vejo, essa flor,
desabrochava tão fresca:
desabrochava
bela, fresca, amarela.

 

- Poema dos índios de Tewas, América do Norte, extraído de "Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro" /  Edição Porto 2001, Assírio & Alvim / 3ª edição, de Agosto de 2001 / Versão de Herberto Helder /pág. 172.
- Imagem extraída da contracapa de "Fort Whelling", de Hugo Pratt,Tomo 2, Edições ASA, 1ª edição, de Nov. de 2002.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O rio, o vento e a vida

O rio passa, passa
e nunca cessa.
O vento passa, passa
e nunca cessa.
A vida passa:
nunca regressa
*

Faz hoje 15 anos que morreu Hugo Pratt, o celebrado autor de Corto Maltese. Lembrei-o AQUI.
- O poema é dos índios Aztecas, América do Norte, em tradução de Herberto Helder. Publicação: "Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro", Assírio & Alvim, 3ª edição /Abril de 2001, pág. 140.
- A imagem ao lado foi extraída da contracapa de "Fort Whelling", de Hugo Pratt,Tomo 2, Edições ASA, 1ª edição, de Nov. de 2002.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A TERRA

Pinta a terra no meu corpo.
Pinta a terra no meu corpo.
Pinta, pai, a terra no meu corpo.
Eu próprio vou transformar todo um povo,
vou tornar sagrado todo um povo.
Pinta, pai, a terra no meu corpo.
__
- Poema dos Índios Sioux, América do Norte. Tradução de Herberto Helder. Publicação: "Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro", Assírio & Alvim, 3ª edição /Abril de 2001, pág. 216
- Imagem extraída da capa de "Fort Whelling, de Hugo Pratt,Tomo 1, Edições ASA, 1ª edição, de Nov. de 2002.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Vasco Granja: morreu o pai da banda desenhada

Faleceu o mais conhecido divulgador da banda desenhada em Portugal.
O termo "banda desenhada" foi mesmo introduzido por ele.
O seu nome aparece ligado à versão portuguesa da "Tintin" e, mais tarde, da "Spirou". Deve-se a Vasco Granja o conhecimento entre nós da BD de Hugo Pratt e do seu Corto Maltese.
Militante activo do PCP desde os tempos da clandestinidade, Vasco Granja soube ser um bom comunicador. A partir do 25 de Abril passou a dirigir um programa de meia hora na RTP com o título de "Cinema de Animação", onde predominavam os desenhos animados canadianos, americanos e, sobretudo, oriundos dos países do bloco soviético, preferência que levou até à exaustão durante os 16 anos em que durou o programa.
Ainda lembro os filmes checoslovacos, búlgaros, polacos e jugoslavos, cujos títulos e autores reproduzia como se nos fossem familiares, num esforço para alterar o gosto pelo estilo mais (para nós) inteligível e imediatista de Walt Disney.
O vídeo supra lembra o famoso Lápis Mágico, de origem polaca, que VG tanto divulgou.

sábado, 2 de maio de 2009

PINTURA NA AREIA

Para curar-me, o feiticeiro
pintou a tua imagem
no deserto:
areia de oiro - teus olhos,
areia vermelha - a tua boca,
areia azul para os cabelos,
e branca, branca areia, para as minhas lágrimas.

Pintou durante o dia, e tu
crescias como uma deusa
sobre a imensa tela amarela.
E pela tarde o vento dispersou
tua sombra colorida.
E, como sempre, na areia
nada ficou senão o símbolo das minhas lágrimas:
areia prateada.
_
Imagem: contracapa de Fort Wheeling, tomo 2, de Hugo Pratt.
Poema dos Índios da América do Norte, tradução de Herberto Helder; extraído do livro "Rosa do Mundo - 2001 poemas para o futuro" \ 3ª edição \ Assírio & Alvim (págs. 198/199).

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Hugo Pratt:1927/1995

Tal como prometi no post do dia 6, aqui estou a homenagear aquele que terá sido o autor de banda desenhada mais premiado e sobretudo o mais apreciado entre os amantes da BD.
Hugo Pratt criou um personagem lendário - Corto Maltese, marinheiro errante e sonhador dos princípios do séc. XX e cujas aventuras começaram a ser publicadas em Portugal em 1981 na revista “Tintin” (em fascículos, que jazem algures no meu sótão). O seu traço era diferente, fugia aos cânones do desenho em voga na BD, razão porque os leitores e assinantes da Tintin de então se dividiram muito na aceitação daquelas sedutoras vinhetas. Por pouco tempo...Claro que o Corto me enchia as medidas, quer pelo personagem em si, quer pela forma sedutora, mas profundamente realista, como o autor traçava os personagens e o mundo que os envolvia.
Hugo Pratt faleceu na sua casa da Suíça, com vista para o lago Léman. O serviço religioso foi acompanhado por temas de jazz do seu amigo Dizzy Gillespie e o padre leu passagens do livro “O desejo de ser inútil”. Faz hoje 13 anos.
Hugo Pratt visitou várias vezes Portugal, uma das quais nos negros anos 50 e gostava muito do nosso cantinho; se calhar, pelas razões que o poema abaixo tão bem exprime.

- Nota final: Textos e imagens sobre Hugo Pratt e Corto Maltese é coisa que não falta na web, por exemplo AQUI. Viagem até lá, porque o sonho

…é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

- António Gedeão, Movimento Perpétuo, 1956

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

HUGO PRATT - o desejo de ser inútil

Hugo Pratt criou a lenda de Corto Maltese, um marinheiro errante e sonhador. Hugo Pratt é um dos meus preferidos autores de banda desenhada (BD), cuja colecção de livros guardo religiosamente.
A imagem é de "Saint-Exupéry: o último voo", obra publicada em Portugal em 1995.
Hugo Pratt faleceu a 20 de Agosto de 1995, depois de partilhar o seu tempo entre a BD, as viagens e os amigos.
Como gosto muito dos amigos, voltarei a lembrá-lo nesse dia.
*
O título deste post foi retirado do título homónimo do livro oferecido pelo meu amigo Milton Costa no natal de 2005: Hugo Pratt - O desejo de ser inútil - Memórias e Reflexões - Entrevistas com Dominique Petitfaux / Relógio D'Água Editores, Novembro de 2005.