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terça-feira, 8 de março de 2016

Violência doméstica: é preciso castigar, custe o que custar

Faço questão de ser aquilo que a barra lateral direita deste bloguinho procura retratar: cão que não conhece dono, combatente de guerras perdidas, de costela anarquista e acérrimo defensor do chão que piso e dos seus símbolos.
Vem isto a propósito da premência em denunciar tudo o que seja desrespeitar o 1º dos dez mandamentos que Deus terá entregue a Moisés no monte Sinai: adorar a Mulher e amá-la sobre todas as coisas. 
Há quem não pense assim e mereça o inferno. Há, em Bustos, quem maltrate desalmadamente a mulher, a que devia ser companheira, mãe dos filhos e avó dos netos, balanço e aconchego do lar.
Como se não bastasse, essa estirpe de cães tinhosos ainda vai passando impune, que o medo ainda está instalado nas mentes acomodadas de muitas mães e avós.
Que fazer? Como reagir à continuação da barbárie?
Alvitro um de dois métodos:
a) Seguir os ensinamentos da lei penal, a qual manda que qualquer cidadão tem a obrigação de denunciar a prática de crimes públicos de que seja testemunha; e sendo público o crime de violência doméstica qualquer pessoa o pode denunciar, como vai melhor explicado AQUI.
b) Fazer justiça pelas próprias mãos, o que, por sua vez, também constitui ilícito penal.
A encomenda às escondidas deste método obriga a não deixar vestígios do ilícito à vista das autoridades. Em defesa do método até que não desanconselho outro método radical: chamar os ciganos pela calada da noite. Eu, pecador, me confesso: para mim, eles trabalham de graça, como uma vez me garantiram aquando dum mediático julgamento bem sucedido ali para os lados do Porto.
Já agora: os meus amigos ciganos são a melhor alternativa ao espalhafatoso "lobo mau", que lembrei AQUI.

Sobre o método, é só dizer, que sou todo ouvidos e até fui alferes miliciano de operações especiais, ranger dos puros e duros.

Em contraponto, há métodos violentos que não podemos evitar quando estão em causa fins nobres, como sejam os de alimentar as bocas da família e dos amigos, que são sempre os mais necessitados.
Foi o que fiz mal rompia o dia de ontem: dirigi-me ao galinheiro onde, subtilmente, com a ajuda duns enganadores grãos de milho, chamei à colação um dos três garbosos galos. Como já denunciei no facebook, em vez de contribuir para a continuação da espécie, o que tinha o ar mais gingão entretinha-se a dar bicadas nas infelizes galinhas e até num pato que se vai despedir deste mundo no próximo fim de semana.
Apesar dos protestos, submeti-o ao algoz do tradicional funil de alumínio e, zás, num golpe perfeito, esvai-lhe o sangue que aproveitei mal: com a pressa, esquececera-me do anticoagulante vinagre, o que me obrigou a comprar o dito num dos talhos locais.
Acreditem, não custou nada, que os fins justificam os meios, logo agora que caminho a passos largos para a defesa da tese de doutoramento em gourmet.
E que fins! Ao jantar, saiu-me um arroz de galo de se lhe tirar o chapéu.
Que o digam a Marina Ratola, marido Rui Capão e filho Tomás, convidados de honra, em geito de prémio pelo labor da Marina em cuidar da sempre jovem mãe Benilde (que lembro em retrato de família) e da limpeza e melhor arrumo da casa.

Sou todo ouvidos se conhecerem melhor método para dar sumiço aos galos de poleiro que não respeitam as regras do jogo, os tais que andam por aí a dar violentas bicadas nas maltratadas galinhas do nosso contentamento.
Cacarejar noite e dia, a gente até desculpa, sobretudo aos depenados galos em idade de reforma. Agora andar para aí a dar infrutíferas bicadas no mulherio do galinheiro, isso é que não se admite. Cá por mim, fazem-no para disfarçar a falta de jeito, escasseia-lhes a ternura, o trato fino, para não dizer que de tanto picarem perderam a pica, matéria que só o divã duma boa psicanalista como esta pode sarar.
Panela com eles e se for daquelas "hok", melhor: aprendi que a carne sai mais saborosa que na panela de pressão.
Aprendam, que eu não duro sempre!

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Filme luso-francês rodou cena em Bustos

Em princípios de 2011 escrevi no Notícias de Bustos um texto em que trouxe à baila a interessante história dum filme luso-francês com o título DÉDÉ, filmado em 1990 e em que aparece uma cena de baile dos anos 50 filmada no salão de baile de Bustos.
Não faltaram jovens raparigas e rapazes, a par de algumas mulheres e homens adultos de Bustos, a entrar na fita. 
Todos contratados como figurantes, a troco duns escudos.
O texto animou as hostes e deu-se o caso da discussão ter gerado luz.
Leiam-no no Notícias de Bustos, que vale a pena. Se faz favor, dêm um clic com o ratinho aqui mesmo. Vão ver que vale a pena.

(as atrizes Diana Rodelo, Gladys del Carmen e Anita Luzio)
*
Tempos depois, entreguei uma estafada cópia da cassete do filme ao sempre prestável Telmo Domingues, a fim de a tentar adaptar para CD. Sem sucesso.
Obtive a cópia por indicação do bom amigo Cipriano Nunes, que continua por terras de França. 
O Cipriano anda um pouco calado, se calhar porque Bustos tem sido tratado abaixo de cão, embora não faltem promessas de voltarmos a ser o paraíso do concelho, uma espécie de nirvana ou Changri-Lá.
A talhe de foice:
Tenho ganho algum tempo a vasculhar textos publicados no NB e aquilo é um fartote de rir quando se aproximam as eleições locais.
A razão da minha busca é simples: já se sente no ar a preparação dos exércitos partidários locais, pelo que não tarda muito e lá regressará mais uma vez a diarreia das promessas, essa espécie de "período" ou cio que ataca de 4 em 4 anos.
Não tardarão as juras de amor e outras tretas, que ficam bem, sim senhor, mas é quando nos apaixonamos assolapadamente, perdidos de amor.
Até para quem está perto das 68 bonitas primaveras (com alguns invernos de permeio) deve ter a sua graça e estou tentado em voltar a experimentar.
É certo que não será a 1ª vez, a tal que é muito saborosa, como lembrei aqui
Quanto a esta matéria, que é tabu para muitos mas de lana caprina para mim, estou com ganas de voltar a experimentar.
Ando a fazer trabalho de casa e sinto-me quase preparado para saltar para a espinha do 1º político ou política local que aparecer a prometer mundos e fundos para Bustos.
Escusam de me pedir para ser mais educado: vai ser logo ali, à frente de todos, como terá feito o cão cá de casa, de seu nome gatuso, que andou uma semana a alambazar-se com uma linda cadelita que apareceu cá na rua e que o levou com ela durante uma semana inteirinha. o sacaninha regressou ontem de manhã, escanzelado como um cão, com a dita na esteira, submissa mas com ares de quem curtiu à tripa fôrra.


Também estou em fazê-lo, a arrimar-me a eles e a elas, a não ser que os mais educados me peçam para utilizar métodos mais expeditos e civilizados, como, por exemplo, mandá-los para um sítio que eu cá sei mas que agora não digo.
Aceitam-se sugestões alternativas, como aquela de 1994, aquando dos boicotes locais às eleições para o parlamento europeu: não votámos e fizemos do boicote uma festa verdadeiramente popular.
Como se aceitam interessados na ninhada que também não tarda aí, decorridos que sejam os dois meses de gravidez canina.
A propósito, pergunto ao parisiense Cipriano: porque Paris em França e não paris em vossas casas?
Enquanto a resposta vem e não vem, vou ali e já venho...

domingo, 31 de janeiro de 2016

Regressar às origens

A mal conhecida e envergonhadamente escondida história do movimento macknovista continua a perseguir-me, sempre pela positiva.
Vale a pena, vale mesmo a pena, lembrar um pouco da sua fantástica história:

Nestor Ivanovich Mackno nasceu na Ucrânia em 1888. Azar dele, tendo em conta que no decorrer a 2ª grande guerra (1939/45) muitos ucranianos - demasiados ucranianos - traíram a pátria soviética na justa luta contra Hitler, pondo-se ao lado dessa nojeira que foi o nazismo.
A partir de julho de 1918, Mackno passou a liderar um poderoso exército de matriz anarquista que se opôs ferozmente ao bolchevismo vermelho dos primeiros anos da revolução russa. 
Não fica mal lembrar que, antes, Mackno começou por se opor ao anticomunista exército branco que defendia o regresso ao czarismo. 
Nem branco, nem vermelho, o numeroso exército macknovista adoptou o preto, cor de eleição de qualquer anarquista que se preze.

Em maio de 1923, o anarquista russo Voline prefaciou este fantástico livro da autoria de Piotr Archinov.
O movimento macknovista foi - e passo a citar o autor do prefácio deste livro que guardo religiosamente desde 1976 - “produzido pura e unicamente pelas camadas mais baixas das massas populares, estranhas a toda a pretensão de esplendor, de dominação e de glória…
Desenrolando-se, quase sem intervalos, em condições de luta armada incrivelmente tenazes e penosas; rodeado de todas as partes de inimigos; com poucos adeptos fora das esferas não trabalhadoras; combatido sem quartel pelo partido dominante…tendo perdido, pelo menos, 90 por cento dos seus melhores participantes…o movimento deixou poucos documentos vivos.

Ao slogan bolchevista “a terra a quem a trabalha”, Mackno contrapunha um slogan muito do meu gosto: a terra é de quem a trabalha!
Se não for assim, com que alma vamos buscar forças para defender as nossas raízes?
Sem raízes nossas, plantadas por nós nas terras que nos viram nascer, sem essa matéria-prima, donde vamos alimentar a seiva que nos fortalece?
*
Em 1976, regressado da puta da guerra colonial há um par de anos, abracei de alma e coração o anarquismo puro e duro.
- É dele que guardo os restos que ilustram este blogue, aqui ao lado, na barra direita.
- Herdei dele o “cão que não conhece dono”, que o maldito vírus pirateou e agora não está lá mas há-de voltar.
- Dele herdei o contra senso da minha 1ª grande guerra, onde fiz tudo o que um verdadeiro anarquista odeia: a guerra, sem medo, por sinal armado em herói estúpido, de peito feito às balas, que a morte não era com o alferes miliciano ranger que eu exercitei, nem com os meus bravos, que um dia jurei trazer a todos, bons do corpo, mas abalados da alma.
- Por excelência, dele herdei o contraponto do Léo Ferré: "dans le coktail molotov il faut metre du martini, mom petit".
- No meio desta caldeirada de senso e de falta dele, também dele herdei uma certa imagem do torreão da ABC de Bustos, imagem retratada AQUI.

O Serginho, de sua graça Sérgio Micaelo Ferreira, bustuense de gema e agora a modos que retirado (atirado?) lá para os confins da serra interior, foi dos que acertou na mouche, me cheirou à distância e me tirou a preceito as medidas do fato que o Ti Adriano alfaiate da nossa juventude me fazia da raíz do tecido, quando anunciei pomposamente a criação do meu blogue pessoal e intimista. À data (6/8/2008), o Serginho saiu-se com esta posta.

Vê lá mas é se apareces, ó trânsfuga, que está por fazer a verdadeira revolução, a tal que ficou na gaveta quando o 25 de Abril saiu à rua!
Ou pensas que mudou o que de mais importante havia para mudar?
A mim parece-me que faz falta mudar as mentes e tantos usos e costumes do reino. 
Feita a mudança, é fácil acabar ou reduzir ao mínimo a podridão dos interesses instalados, do poder da manjedoura, dos compadrios, dos favores e da corrupção à fartazana?
Pensarás tu que tendo mudado de burro mudaste de moleiro?
Se pensas, estou como diz o povo: estás muito mal enganado!
_____
P.S. (salvo seja): do meu anarco-sindicalismo, até acabar no Mackno, disse muito AQUI.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Quando os filhos nos pertenciam - IV

Antes de voltar um dia destes para o paraíso em Unhais da Serra (H2Otel), voltei a revolver milhares de papéis, à procura eu sei bem de quê.

Voltei a encontrar preciosidades como esta, que irei publicando – cá, lá e pelo caminho – agora que o novo portátil parece estar a encarreirar, graças a um russo chamado Kaspersky. Benditos comunistas, apetece dizer.

No âmago das nossas vidas interiores, a tradição ainda é o que era:


Em contraponto, nas vidas do mundo geopolítico contemporâneo, a tradição deixou há muito de ser o que era.

Por cá, como quem assobia para o lado, os velhos do Restelo continuam a conduzir em contramão.
E não há meio de se irem embora!
É por causa deles que os nossos filhos emigram, não é filhota?
Até tu foste debandada para uma outra batalha em Waterloo, onde agora vives uma nova vida!

Se ainda estivesse na puta da guerra, desta vez (quem sabe?) não faria centenas de prisioneiros.

A ver se me percebem, embora eu seja muito de entrelinhas, subliminar
Isto anda tudo ligado.
Até as memórias da meninice dos meus filhotes, que são três, que foi a conta que Deus fez…

Fim de citações.

domingo, 8 de novembro de 2015

Guardiões dos Sabores: a tradição ainda é o que era

Como vem sendo dos usos, os Guardiões dos Sabores voltaram a reunir em Assembleia Geral, cuja ordem de trabalhos foi a degustação dos sabores dos nossos avós e aproveitar para fazer o ponto da situação da gastronomia que defendemos e cultivamos, tudo enquanto íamos degustando ou alambazando-nos à grande e à portuguesa com a cozinha tradicional.
Desta vez, o local do creme foi a acolhedora moradia da Zélia Canão/Carlos Leite, ali na Picada de Bustos. Presentes os guardiãos/guardiões: Fernando Silva, Joãozito Oliveira, Manuel Nunes, Carlos Leite, Adélio Reis, Milton Costa, Manuel Agostinho (secretário e redator das atas e futuro 1º ministro do reino dos sabores) e este vosso humilde escriba, Óscar Santos.
Faltaram, por motivos alheios à sua vontade - como usam dizer os políticos quando fazem borrada e saem de cena - os guardiãos António Romão, Rui Barata e João Libório.
Como vem sendo hábito naquele poiso, fomos recebidos principescamente.
A Zélia e o Carlos levam o esmero ao extremo, com recurso a uma equipa de verdadeiros gourmets: o cunhado do Carlos, Fernando Pinto e a sua consorte e irmã do Carlos, Conceição Leite, vindos expressamente de Oliveira de Azeméis, tal como de lá veio a deliciosa vitela, sacrificada no forno a lenha existente no bonito anexo dedicado aos bons comeres e beberes em grupo.
A Alexandra, que vive em Bustos, veio dar uma mãozinha, porque nunca somos demais para continuar o Portugal gastronómico.Tudo sob a batuta e interação da Zélia.
A Conceição (ao centro, na foto) é uma exímia cozinheira. As suas batatas salteadas, enriquecidas com alho, orégãos e o azeite dos usos, bem como os pipis estufados, caíram no céu daquelas bocas já de si esmeradas e exigentes. Até um bom queijo da serra a desfazer-se no palato ajudou ao preâmbulo do festim.
Não pensem que as delícias da terra (as do mar não fazem cá falta) se ficaram por aqui:
O mulherio, com a ajuda e permanente atenção do Fernando Pinto, submeteu ao lento crivo do forno a lenha 3 travessas de barro (houve uma 4ª, que não identifiquei), com a compositura que passo a factualizar:

- Uma, de robalo médio (300/400gr, diz o escriba, que já foi rei na matéria), recheado com pimentos vermelhos e verdes [a variedade é essencial, confidenciou-me a Conceição do alto do seu saber], a que acresceu bacon, orégãos e, desconfio, outros ingredientes que ficaram no segredo da deusa.
Para evitar o derrame do recheio, os robalos foram esventrados pelo dorso lateral, após o que foram fechados com palitos, tudo para evitar escorrências.
Na travessa de barro, os famosos e injustiçados robalos assentaram numa “cama” de vinho branco, azeite, cebola, tomate e salsa, cama essa que não se quer muito gorda, frisou a mestra.
Uma delícia! - rejubilaram os confrades, enquanto iam falando mal da política e bem das mulheres.

- As outras duas, deram guarida à tenra vitela trazida de Vale de Cambra, dos pastos dos lavradores locais que lá vão resistindo à crise, bom grado os esforços da ministra Cristas, agora em fim de ciclo.
Chegados aqui, avancemos para o esmerado tempero com que o jovem bovino foi regado.
Tudo vos relatarei até ao ínfimo pormenor, ó crentes e incréus, salvo aqueles segredinhos que os experts e chefs não gostam de revelar, seja aos crentes, seja aos ateus, agnósticos, ou mesmo aos da opus dei ou da maçonaria, seja qual for a loja em que aventalam:
Ele é alho, cebola, louro, sal, pimenta, uma malagueta de piri-piri, vinho branco e até um poucochinho de água, não vá a carne morrer à sede.
Outra delícia! - voltaram a rejubilar os confrades, enquanto se iam repetindo a falar mal da política e bem das mulheres.
Não registei o pedigree dos excelentes tintos e espumantes, que o tempo não deu para tudo, pois tive de me dividir entre a heurística da cozinha e a hermenêutica da farta mesa. E ainda tive de fazer de fotógrafo de serviço.

Mas dei nota das sobremesas, ainda que não sejam o meu forte:
Pudim caseiro (nada de fudim plan), pão-de-ló de Ovar, bolo de chocolate com café e ainda natas do céu regadas com ovos moles. Tudo matéria prima confecionada pelas mãos de fada da nossa Senhora da Conceição.
Mas que delícia! – rejubilaram de novo os confrades, enquanto insistiam em falar mal da política e bem das mulheres.

Para fechar o repasto, só faltou a Ana Sofia, filha da casa, brindar os convivas com uns acordes de flauta transversal em que é exímia, ela que integra a Banda da Mamarrosa. Fica para a próxima, se e quando a timidez se for embora.
Entretanto e como é da praxe, o secretário Agostinho lavrou a acta, que divulgarei na página do facebook dos GS, pois, ao contrário dos políticos e outros beneficiários da manjedoura, a malta não tem nada a esconder aos portugueses.
Como mandam os códigos, depois de lida e achada conforme, foi a acta assinada por todos.

São encontros destes que nos fazem esquecer que o país está de tanga para tantos e generoso demais para uns poucos.
Bem vistas as coisas, trata-se de contribuir para a recuperação, preservação e divulgação da cozinha tradicional portuguesa.
O governo - este e o que vem aí - podem cair. Os Guardiãos dos Sabores manter-se-ão de pedra e cal, que é como quem diz, de carne e peixe! 

Óscar Santos

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A minha campanha alegre

Amanhã de manhã vou passar com o meu trator pela casa do amigo Narciso Cardoso, a ver se trago a capinadeira dele, por empréstimo de fim de semana.
Ficam a saber: a minha campanha eleitoral vai ser à moda do Dr. Paulo Portas, mais conhecido por Paulinho das feiras.
Enquanto aguardo pela próxima Feira do Sobreiro - que é mensal, aos 9 e 22, como muito bem sabe PP - neste fim de semana vou dedicar-me sozinho  à reforma agrária, que sou contra a coletivização dos meios de produção.
Deste modo, quando voltar a reencontrar o Dr. PP na Feira do Sobreiro do próximo dia 22, já lhe posso levar um regaço de tomates fresquinhos do meu quintal, como passo a antever:
...
Vestido de Princesa Santa Isabel, apareço ao caminho do Rei.
O que levais na abada, Isabel? - Ele Me interpela.
E Eu digo: são tomates, Senhor.
E então Ele diz: - Tomates em Maio, mês da Virgem Maria? Não, não pode ser!
E Eu digo: São tomates, meu Senhor.
- Então se são tomates, mostra! [diz o Rei].
E então Eu estendo a abada e o que tinha ali era tudo tomates, que logo rolaram para o chão em direção ao Rei, pela força sobrenatural que o faz atrair tudo.
E então o Rei grita, exultante: - Milagre, milagre!!
Portanto, Ele fica Santo, é o Rei Santo Portas.
E há-de ser canonizado.
...
É uma história muito bonita e que há-de ser muito contada logo que sejam conhecidos os resultados eleitorais das Europeias /2014.
____
- Texto adaptado DAQUI.
- Fonte: BiblioAA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas), Faro, n/a.
- Também guardo muito boas recordações da minha anterior Campanha Alegre, em 2008. Se querem saber, até para comparar, vão AQUI.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sanjo: as sapatilhas reinventadas

Quem não se lembra das sapatilhas Sanjo, fabricadas em S. João da Madeira e que foram a coqueluche da malta nova até há uns 30 anos atrás?
Inicialmente produzidas em branco e preto, tinham 2 pequenas rodelas de borracha para proteger os tornozelos, um rebordo protector em borracha e biqueira protectora.
A marca existia desde os anos 20, mas as sapatilhas aparecem apenas nos anos 40. Em meados de 80 a concorrência estrangeira acabou com elas.
Voltaram há cerca de um ano, made in China.
As TV's e os jornais vêm falando delas, que as crises são propícias ao revivalismo.
Não faltam notícias das Sanjo,como aqui, ali, ou no no grupo de fãs do facebook.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Lampreia na Bairrada

Ensinam os livros que a lampreia (petromyzon marinus, linnaeus - 1758) é um membro primitivo da classe dos ciclóstomos, semelhante aos peixes da família dos agnatas, isto é, sem maxilas.
É sobretudo a partir deste mês que o bichinho, vindo do mar para desovar, se aventura a entrar nas barras dos rios a norte do Mondego, onde é mais apreciada.
Apesar de não ser alta, loura, nem ter olhos azuis, esta imigrante feiísssima e de ar untuoso tem uma fiel legião de fãs, entre os quais me encontro.
Tal como outras e menos higiénicas louras, é fácil encontrá-la à beira da estrada. Os sítios e pose que preferimos ficam ao longo dos rios Vouga (Paradela, Pessegueiro e Sever do Vouga) e Mondego (Montemor, Ereira, Porto da Raiva), sendo várias as formas de a servir à mesa. Cá por mim, fico-me pelo célebre arroz de lampreia, apresentado como a imagem mostra.
A novidade está na feliz circunstância do muito nosso Pompeu dos Frangos ter passado a servi-la ao almoço de 6ª feira. Para gáudio dos fãs, o Carlitos Aires introduziu o petisco na época passada. Basta dar um saltinho ao restaurante nascido em Bustos, mas instalado na Malaposta - Anadia desde 20 de Novembro de 1963.
A viagem até à antiga malaposta vale mesmo a pena.
___
A imagem foi extraída da Wikimedia.
Quem quiser conhecer um pouco da vida e obra da saborosa migrante pode ir até ao Aquário Vasco da Gama, aqui.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Enfim, casados!

A Proposta de Lei do Governo sobre os casamentos entre pessoas do mesmo sexo foi aprovada pelo plenário da Assembleia da República (proposta n.º 7/XI) no passado dia 8. Pronunciei-me sobre a matéria AQUI.
Entretanto e em vez de "casamento", a proposta do PSD falava em “união civil registada” de pessoas do mesmo sexo, não alterando o regime de casamento previsto no Código Civil. Foi chumbada, como se esperava.
Ficam por responder muitas questões:
1ª - Ao afirmar no seu artigo 3º que a aprovação do casamento homossexual não implica a admissibilidade legal da adopção, a proposta fica-se entre a carne e o peixe, uma espécie de “nim”.
A inconstitucionalidade da norma parece óbvia, como desde logo ressalta da interpretação do n.º 1 do art.º 26º da Constituição.
2ª - Quem votou PS só porque a matéria fazia parte do seu programa eleitoral?
3ª – Se fosse referendado, o casamento entre pessoas do mesmo sexo levava sopa da grossa.
4ª – Pouco vai mudar no país real: a medida é impopular; porque somos conservadores e pouco dados a mudanças de fundo.
5ª – Os destinatários da proposta de lei serão uma minoria ínfima.
6ª – A homossexualidade continuará a viver escondida, envergonhada.

Donde, concluo: deveria ter-se começado por vencer a barreira da incompreensão.
A medida vai custar caro ao PS e ao contrário dos que pensam que as coisas vão melhorar, tudo acabará por piorar.


Como retrata a imagem.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

TACHO DEU SARRABULHO

De 4 em 4 anos, as promessas de tachos repetem-se.
E de 4 em 4 anos, ficam promessas de tachos por cumprir.
Como os tachos são menos do que as promessas, de 4 em 4 anos há sarrabulho: os que foram enganados pelas promessas eleitorais denunciam a vigarice.
Aconteceu isso há pouco mais de 4 anos com o Dr. Fernando Vieira, então presidente da União Desportiva de Bustos, que em 2001 aceitou integrar a lista do CDS para a Assembleia Municipal apenas por lhe terem prometido um sintético para o campo de futebol da UDB.
O nosso presidente da UDB sacrificou a sua condição de militante do PS pela condição de bustuense e amante maior do clube de Bustos.
Como eu era dirigente concelhio do PS, o dótô teve o cuidado e a ombridade de, previamente, falar comigo. Apoiei-o, porque também eu, antes de ser militante dum partido político, sou militante de Bustos.
A promessa não só não foi cumprida, como o sintético foi para outro lado: o Oliveira do Bairro Sport Clube.
E não foi cumprida porquê, perguntarão?
Não foi cumprida, porque quando o CDS organizou em 2005 a lista para a Câmara convidou um prestigiado oliveirense e dirigente do OBSC para fazer parte dessa lista. O convidado aceitou, na condição da Câmara pagar imediatamente o sintético do clube sediado na capital do concelho.
A Câmara cumpriu com o dirigente oliveirense e deixou no fundo da gaveta a promessa que fizera 4 anos antes ao Dr. Fernando Vieira.
O caso deu um grande sarrabulho, com comunicados na rua e protesto do vigarizado na Assembleia Municipal (julgo que, em final de mandato, o Dr. Fernando renunciou mesmo ao cargo de membro da Assembleia). 
O sintético veio para Bustos, pois veio, mas foi pela mão do actual executivo.
Gosto muito de sarrabulho, sobretudo se for feito num tacho grande, ao lume.
Este que aqui apresento foi feito pelas mãos de ouro do Licínio da Mamarrosa e foi comido na adega do Jó, ali no Sobreiro.
A saboreá-lo havia lambões para todos os gostos e paladares: do PS, do PSD, do CDS, do Bloco de Esquerda, da CDU, do Benfica, do Sporting, do Porto, do Beira-Mar e até do Belenenses, por sinal um clube do coração de muitos bustuenses nascidos nos anos 20, 30 e 40.
Bustuenses que não esquecem.
É bom não esquecer. É bom lembrar.
Porque um Povo sem memória é um Povo sem história.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

SANTA MARIA MANUELA!

Desde miúdo que o mar me seduz, no que julgo ser um delicioso recalcamento dos tempos em que o mar de Agosto na Costa Nova era de Bustos.
Nos finais dos anos 50 e durante os anos 60, a colónia bustuense naquela praia formava quase um império. 
"É malta! Hoje o mar é de Bustos" - dei por mim um dia a gritar durante o banho das 11.
Era para a Costa Nova que muitos de nós íamos, fosse no mês de Agosto (para as famílias mais abonadas), ou fosse logo a seguir ao S. Miguel das principais colheitas, em finais de Setembro, princípios de Outubro (para os corpos doridos de tanta labuta e meia dúzia de cobres aforrados no magro bolso). 
Durante uma ou mais semanas e a troco de poucos escudos, os lavradores menos abonados  encontravam na outonal e chuvosa Costa Nova descanso para a dureza dum ano  de campo. Os calos das mãos e os gretados pés de tanto pisar o chão durante o amanhadio das terras, dali regressavam amaciados, prontinhos para retomar o trabalho de cão. 
Se chovia, era ver os homens a jogar às cartas, às vezes dias seguidos. As "patroas", essas, entretinham-se no crochet ou nos bordados. Ou na má-língua.
Ligado a este mar andou sempre o bacalhau-nosso-de-cada-dia.

A Epopeia dos Bacalhaus é outro tema que me seduz. Para o mar das campanhas fugiram jovens como eu, assim procurando livrar-se da mobilização para a guerra no querido ultramar do regime salazarista [curioso: nunca encontrei um único filho do regime a bater com os costados no mato].
Há momentos atrás, enquanto viajava meio perdido pela net à procura de porto de abrigo, encontrei uma preciosidade: um vídeo do famoso National Film Board of Canada sobre uma viagem do "Santa Maria Manuela", em plena 2ª metade dos anos 60.
O vídeo é longo em demasia para incorporar aqui.
Em 15 minutos de vídeo, o realizador canadiano retratou o Portugal de meados dos anos 60: a dureza do trabalho, a igreja do regime e o regime da igreja, os rostos sem esperança. De forma explícita, implícita ou mais subliminar, está lá o nosso retrato. 
Ou o retrato que andaram a tirar-nos à força durante anos a fio.
Por favor, não percam este THE WHITE SHIP!
Boa viagem!
__
- Não conheço a "Patricio Family", que me parece originária dos Açores dos princípios do séc. XIX. Mas Gente com Raízes destas merece o nosso carinho. Merece que se lhe diga: Bem Hajam, Patrícios!
- Imagem extraída de "A Epopeia dos Bacalhaus", de Francisco Manso e Óscar Cruz, Distri Editora, 1984, pág. 25: "saudações às altas individualidades do Estado e da Igreja presentes à cerimónia de despedida de mais uma campanha."
- Consultar ainda: "História da Pesca do Bacalhau - por uma antropologia do fiel amigo", de Mário Moutinho, Imprensa Universitária, Editorial Estampa, 1985.

domingo, 30 de agosto de 2009

O disco volta a tocar do mesmo…

O post antecedente criou alguns engulhos, perturbações de espírito. Se calhar, medos, muitos medos.

Tarde e a más horas, foram vários os amigos que se queixaram:


a) Ou de que me esqueci de identificar no texto os homens e mulheres. Era fácil: bastava escrevinhar 36 nomes…

Como se o objectivo do texto não fosse apenas o de expor o princípio, a regra, que levou a que pouco ou nada mudasse na filosofia dos partidos concorrentes!

A ver se nos entendemos: para o efeito, que importa quem é quem? Para publicitar nomes, existem as listas expostas no Tribunal. É só ir lá, que a Lei não o proíbe, pelo contrário: até incentiva o cidadão comum a tomar conhecimento do processo eleitoral.

É um direito, mas também um dever, sobretudo de quem tem responsabilidades político-partidárias. Foi por tal razão legal que as listas estiveram expostas em edital, como manda o formalismo processual.

Esqueceram-se dos deveres, do trabalho de casa? Lamento, mas não choro sobre leite derramado por descuido ou negligência grosseira.

Como se não bastasse, pelo menos as listas completas dum dos partidos também foram divulgadas num blogue bem conhecido no concelho – o Bairrada Digital. É só clicar no endereço aqui ao lado direito. Para facilitar, aqui vai uma ajudinha, direitinha ao sítio, que é mesmo AQUI. (*)

Como é de exigir a um blogue generalista e aberto, também o Notícias de Bustos publicou uma outra lista. E desde a 1ª hora que se afirmou disponível para colocar lá as restantes. Estão à espera que vamos lá a casa pedi-las?


b) Ou então queixam-se de que o bloguedooscar deveria ser uma porta aberta ao universo dos partidos concorrentes às autárquicas.

Repita lá? Então um blogue pessoal e intimista (por mais transmissível que se queira), o espelho do pulsar, do sentir, do modo pessoal de alguém ver e olhar para o mundo, é balde comum? É albergue espanhol?

E que tal se dormissem menos e fizessem mais trabalho de casa?

Do céu, que eu saiba, pode cair chuva e tempestade, sol e bonança. Até milagre pode cair, como o de S. Lourenço de Bustos, em quem piamente acredito e de que sou devoto confesso e assumido.

O que certamente não cai do céu é a solução para a cegueira e o tanto dormir duns quantos!

Não foi por acaso que me recusei a integrar as listas do partido de que guardo o cartão de sócio num sítio que agora não me lembro.

Não é por acaso que odeio a ditadura dos aparelhos partidários: vou perdendo dentes desde os meus 17 anos. Já me faltam uns 6 ou 7. Mas nem a querida dentista, ali da Póvoa, me convence a pôr o malfadado aparelho.

Sou contra. Por isso, daqui vos grito bem alto e de punho erguido:


ABAIXO O APARELHO!

MORTE À DENTADURA DO PROLETARIADO!

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(*) Tomando como referência a mãozinha do rato, não o partido da mãozinha, que também não se livra de alguns resquícios do mesmo mal de que os outros estão contaminados.

- Imagem extraída de Asterix e o regresso dos gauleses / 14 histórias completas / O regresso às aulas, de René Goscinny e Albert Uderzo, Edições ASA, 1ª edição / Novembro de 2004.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Viró disco e toca o mesmo…

Dediquei ontem uns minutos a consultar o processo eleitoral entrado no agora chamado Juízo de Média e Pequena Instância Cível de Oliveira do Bairro, anteriormente designado por Tribunal Judicial. Desde Abril passado, passámos a pertencer à Comarca do Baixo Vouga, assunto que abordei AQUI, aproveitando para elogiar o resultado e desancar no processo. Para quem queira conhecer o mapa da nova comarca-piloto, é só ir ALI.
Claro que a minha consulta tinha um objectivo óbvio: sempre com o primo Freud na mente, analisar o apenso onde constam as listas apresentadas pelos 4 partidos concorrentes à Assembleia de Freguesia de Bustos.

Velho do Restelo.
Imagem extraída do BLOG DO INSURRECTO, com a vénia devida.

O resultado é mais do que óbvio:
Os velhadas e o pessoal do “aparelho” continuam agarrados ao poder local como lapa ou mexilhão aos pedregulhos dos molhes da Barra. Náusea (eu disse náusea, ainda que em sentido figurado) foi aquilo que senti. Vontade de vomitar a política que tenho mastigado e engolido durante uma vida toda. A modos de quem acaba de comer marisco esquecido durante 40 anos na despensa da cozinha.
Não acreditam?
Vamos à prova dos nove, já que são 9 (nove) os candidatos efectivos à Assembleia da minha freguesia:
- Enumeração, por sexo e idade, dos nove (9) candidatos efectivos, pela ordem do sorteio nos boletins de voto (brancos, como é costume):
- PS: 1º: mulher, 47 anos; 2º: mulher, 24 anos; 3º: homem, 19 anos; 4º: mulher, 25 anos; 5º: mulher, 21 anos; 6º homem, 28 anos; 7º: mulher, 42 anos; 8º: mulher, 22 anos e 9º: homem, 25 anos.

São 6 mulheres e 3 homens
Média das idades: 28 anos

- CDS: 1º: homem, 32 anos; 2º: homem, 57 anos; 3º: mulher, 74 anos; 4º: homem, 63 anos; 5º: homem, 71 anos; 6º: mulher, 43 anos; 7º: homem, 66 anos; 8º: homem, 34 anos e 9º: mulher, 41 anos.

São 6 homens e 3 mulheres (à justa!)
Média das idades: 53 anos

- CDU: (não registei a distribuição por sexo, mas não fugirá à da lista antecedente e à procedente).
Média das idades: 51 anos

- PSD: 1º: homem, 41 anos; 2º mulher, 39 anos; 3º homem, 68 anos; 4º mulher, 53 anos; 5º: homem, 35 anos; 6º: homem, 60 anos; 7º: mulher, 47 anos; 8º: homem, 31 anos; 9º: homem, 55 anos.

São 6 homens e 3 mulheres (à justa!)

Média das idades: 48 anos
...
E mais não digo.
Por agora, que a alma pede descanso. E dieta, muita dieta.
Vou fugir para longe disto tudo.
Amanhã, a gente conversa.
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Post scriptum:
- A lista completa dos candidatos do PS à As. de Freguesia está nos TEXTOS DISPERSOS do NB, no seguinte endereço: http://bustosblog.blogspot.com/
- Já comuniquei informalmente aos outros concorrentes que o sítio está à disposição, bastando enviar-me, ou ao BC ou ao Altino, o suporte digital.

domingo, 19 de julho de 2009

A lei da paridade: mulheres ao poder!

Não se trata de atribuir mais quotas leiteiras, que essas levou-as a União Europeia.
Falo da lei da paridade, que obriga à inclusão de 1/3 de mulheres nas listas eleitorais.
Vai ser do bom e do bonito por esse Portugal profundo!
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Imagem extraída de "Lucky Luke: Calamity Jane", da autoria de Morris & Goscinny, Edição da Meribérica/Liber, pág. 8.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Futuro passado

Em finais dos anos 50/princípios de 60, Bustos era uma terra virada para o futuro.
A embalar o progresso, em 1936 um "brasileiro" da terra apostou num Centro Recreativo de Instrução e Beneficência, com salão de festas e cinema (o famoso Bustos Sonoro Cine, a que não faltou um então inédito sistema de assinaturas, precursor dos cineclubes dos anos 60). Teatro de revista, bandas de música, jornais, farmácia, estação telegráfica e postal, 2 equipas de futebol federado, clube de natação (com uma pequena piscina, onde participámos em tantas provas e brincadeiras), cafés com salas de bilhares, 2 restaurantes, talho, peixaria.

Cartão nadador_JamesUm sem fim de sinais duma terra de gente de progresso; e de ideias progressistas, de que foi exemplo a perseguida União Liberal de Bustos.
Nada parecia faltar nesses anos de ouro. Salvo a Liberdade.
Em princípios de 60, um grupo de bustuenses avança com uma Comissão de Melhoramentos, à qual se deve, nomeadamente, a criação duma sala de leitura da Biblioteca Calouste Gulbenkian, um colégio (então Externato Gil Vicente, hoje IPSB, com cerca de 1.000 alunos), posto da GNR e agência bancária.
Não nos faltaram dias, tardes e noites quentes, em especial as tardes quentes do Piri-Piri de que o saudoso Carlos Luzio falava.
Com o 25 de Abril chegaram os inevitáveis movimentos associativos de matriz social, personificados em duas instituições de solidariedade social - a ABC de Bustos e a SOBUSTOS. Não tardou a surgir o Orfeão de Bustos com o seu Grupo de Cantares.
E pouco mais.
Bustos foi morrendo, morrendo; mais de morte matada do que de morte morrida.

Diapositivo64

Tal como confessei AQUI, por nossa culpa, Bustos já foi.
Até renascer das cinzas do passado.
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- Bibliografia consultada: Arsénio Mota, Bustos - elementos para a sua história, edição da Associação de Beneficência e Cultura de Bustos, 1983; e, do mesmo autor, Bustos do Passado, em edição da Junta de Freguesia de Bustos, 2000. Busca nos blogues hiperligados.
- Fotos do Jaime e do Milton Costa (slide da conferência sobre a origem da vida).