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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Quando os filhos nos pertenciam - IV

Antes de voltar um dia destes para o paraíso em Unhais da Serra (H2Otel), voltei a revolver milhares de papéis, à procura eu sei bem de quê.

Voltei a encontrar preciosidades como esta, que irei publicando – cá, lá e pelo caminho – agora que o novo portátil parece estar a encarreirar, graças a um russo chamado Kaspersky. Benditos comunistas, apetece dizer.

No âmago das nossas vidas interiores, a tradição ainda é o que era:


Em contraponto, nas vidas do mundo geopolítico contemporâneo, a tradição deixou há muito de ser o que era.

Por cá, como quem assobia para o lado, os velhos do Restelo continuam a conduzir em contramão.
E não há meio de se irem embora!
É por causa deles que os nossos filhos emigram, não é filhota?
Até tu foste debandada para uma outra batalha em Waterloo, onde agora vives uma nova vida!

Se ainda estivesse na puta da guerra, desta vez (quem sabe?) não faria centenas de prisioneiros.

A ver se me percebem, embora eu seja muito de entrelinhas, subliminar
Isto anda tudo ligado.
Até as memórias da meninice dos meus filhotes, que são três, que foi a conta que Deus fez…

Fim de citações.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Os pontos nos is

Defendo com unhas e dentes a formação dum governo do PS com o apoio parlamentar do BE e do PC. A grande maioria dos cidadãos e cidadãs está farta de perceber que têm sido sempre os mesmos a pagar a crise.
Salta à vista que a solução tradicional tem sido a de depauperar a classe média e baixa, cortando nos salários e pensões e na prestação de serviços públicos essenciais. Sem dinheiro nas mãos da maioria e a sua concentração nas dos especuladores e grandes bancos ou sindicatos bancários, tutelados pelas agências de rating, o crescimento da economia nunca passará da cepa torta.
Lá no fundo, toda a gente aspira por uma mudança radical, nem que seja pela novidade. Bem no nosso íntimo, todos reconhecemos que a 1ª vez é muito saborosa. Alguma vez tinha de acontecer.
Posto isto, 
Impõe-se dar nota de alguns constrangimentos que importa não escamotear:
1º - O António Costa tomou de assalto o PS. A sua eleição como líder do partido assentou na novidade de eleições primárias, às quais foram admitidos a votar não só os militantes, mas também essa massa informe dos putativos simpatizantes.
O desafiante A. Costa cilindrou António José Seguro pela simples razão de que os seus apoiantes e apaniguados correram seca e meca para arrebanhar o voto de muita gente espúria (incluindo do PSD e CDS), a quem foi sugerido o voto no pretendente ao trono. Sem precisar de sair do nosso concelho, posso afiançar que se contam por muitas dezenas os exemplos de votos assim arrebanhados. Se isto não tresandou a chapelada, vou ali e já venho...
2º - Para as expectativas que criou, A. Costa levou pouco menos que uma banhada nas eleições legislativas de 4/10.
Se o anterior líder – o muito íntegro Tozé Seguro – foi apeado por ter ganho as europeias de 2014 por “poucochinho” (o PS obteve 31,6% e o PSD/CDS 27,71%, ou seja + 3,89%), certo é que Costa não só não obteve a almejada maioria absoluta, com ainda perdeu perante a coligação do PSD/CDS (38,36% contra 32,31%, ou seja, menos 6,05%).
3º - Provavelmente, A. Costa não arriscaria um governo à esquerda se o pior Presidente da República que o país já conheceu não estivesse em final de mandato. 
A razão é simples: o art.º 72º, n.º 1, da Constituição (CR), impede o Presidente de dissolver a Assembleia da República no último semestre do seu mandato, o qual termina a 9/3/2016.
4º - Para brigada do reumático, já nos chega a que se perfilou aos pés da ditadura em fim se ciclo quando faltavam escassos 2 meses para a ditadura cair às mãos dos Capitães de Abril.
[Os brigadeiros, certamente a entoar o hino da Maria da Fonte, que vale a pena ouvir AQUI]

Constrangimentos à parte, é incontornável a legitimidade do PS para formar governo “tendo em conta os resultados eleitorais”, como reza o art.º 187º, n.º 1, da CR.
Legitimidade acrescida porque o país precisa de mais atenção e respeito pelos valores constitucionalmente consagrados da segurança social e da solidariedade, da saúde, da educação, da cultura e ciência e do ensino.
  Valores que, com raras exceções, foram tratados pela coligação de direita como quem faz contas de merceeiro, sem ofensa para os ditos.
 
[extraído, com a devida vénia, de http://campus-cartoons.blogspot.pt/]

Venha de lá mas é o governo de esquerda, na esperança de nos trazer mais equidade e moralidade do que a apregoada nos discursos pré e pós eleitorais.
  Ele alguma vez tinha de acontecer!

domingo, 25 de outubro de 2015

Outra vez a 1ª vez

É o que estou a viver, confesso e as razões são três:
1ª – Nunca estive tanto tempo em férias sabáticas do meu jornalinho de parede. Sabia que tinha de voltar e aqui estou de novo, cerca de ano e meio depois.
2ª – Porque “como em quase todas as coisas da vida, a 1ª vez é muito saborosa. Alguma vez tinha de acontecer”.
As palavras são dum treinador de futebol, em êxtase por ter ido ganhar à Luz, desfecho que espero não se repita hoje. Citei-o aqui, já lá vão 6 anos e meio.
3ª – Porque António Costa anuncia um acordo à esquerda, fugindo à tradição de serem sempre os mesmos a governar.
Aquando da vitória dos partidos da direita em 2011, o líder do partido mais votado anunciou que o acordo de governo com o CDS só seria conhecido após a nomeação do mesmo.
Agora, exigem que o acordo PS/BE/PCP seja conhecido já.
Contra a corrente da esquerda, sou dos que pensam assim. Em 2011, como hoje, PSD e CDS eram “farinha do mesmo saco”. Em contraponto, analisados os programas eleitorais dos 3 partidos da esquerda representados na Assembleia da República, há muito a dividi-los e a campanha eleitoral foi reflexo disso mesmo.
Venha de lá o raio do acordo pré-governativo, que eu estou em pulgas! 
Afinal, quem não desejaria viver outra vez a 1ª vez?
Ninguém vos está a pedir que se casem, basta que juntem os trapinhos, com tudo preto no branco e que fechem os olhos à sacrossanta NATO, essa coisa que apoquenta tanto os portugueses, a ponto de não os deixar dormir. Pelo caminho, não vinha mal ao mundo se engolissem alguns sapos vivos.
Entretanto, do acordo pouco ou nada se sabe.
Espera-se que a vontade do líder do PS vá além desta imagem aqui repetida:

Espera-se, sobretudo, que nos livrem duma austeridade que serviu para aumentar o índice da pobreza, à custa do enriquecimento dos grandes interesses económicos e financeiros.
Bem vistas as coisas é pouco o que o país real quer e deseja: justiça e moralidade.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

A vida é uma chachada quando eles não enfrentam a verdade

Há duas coisas de que me reclamo, seja como o eu daqui, seja como o alterego rangerfurão, seja como o outro alterego oscardoface:
1ª - Não sou mentiroso, apesar de ser advogado, por sinal muito popular;
2ª - Não sou a voz do dono, antes sou como o cão que não conhece dono, como o atesta a 1ª referência da barra superior direita deste jornalito de parede.

Ainda por cima, fartei-me de avisar, aqui e na porra do facebook.
Resultado: toma que já almoçaste!

Desculpem lá qualquer coisinha, mas o que tem que ser tem muita força, como se desculpou o Grande O'Neill, que até - quem diria! - foi casado com uma Grande Senhora, mas que teve o azar de ser ministra do ambiente dum governo dessa nódoa que é o atual Presidente da República, o qual ainda consegue ser pior do que muitos ou alguns de vocês, não sei; só sei que não estou, nunca estive, nem irei aí ao Largo do Rato para vos contar, mesmo que tenha cartão de sócio, uma espécie de senha de entrada no céu a que falta a password.
Em vez de se armarem em vencedores pour épater le bourgeois [enquanto andam a chorar baba e ranho pelos corredores e retretes do partido], aproveitem mas é para digitar o nome O'Neill, na barra superior esquerda ali em cima, a qual é dedicada às buscas, que são uma espécie de "busca, rex, busca, que está ali um coelho inseguro debaixo daquela moiteira!".

E, já agora, enquanto elas estão quentes, aproveitem também para digitar o nome Marinho Pinto na dita busca patusca e vão ver que ela (a busca) é mais do que segura, mesmo que seja o (in)Seguro a digitar!
E digitem também no meu face!!
Digitem cães, digitem, que a busca está cheia de ossos difíceis de roer!
Madraços é no que vocês se tornaram!
Sim, madraços, que nem vagar tiveram para consultar as várias frentes de batalha onde este vosso humilde servo (o tanas, que eu sou cão que não conhece o dono!) derrama a sua juventude. Derramei no passado e continuo a derramar, que um Ranger nunca se rende e muito menos se deixa morrer na praia!

Para terminar:
- Embora goste muito da história muito bonita da Rainha Santa Isabel, relatada na minha 2ª campanha alegre, prefiro dizer-vos...
...Adeus, que se faz tarde e Inês é morta!
_____
- P.S. (salvo seja!): eu bem que procurei pelo meu cartão de sócio para o exibir aqui, mas não dei com ele. Deve estar metido para um canto qualquer dos meus milhares de documentos e outros recuerdos.
Se calhar está no meio dos papéis onde o meu gato anda a mijar, o sacana.
Que se lixe! Cartões há muitos e o único que me falta é o do Benfica, que é mais importante que os da merda da política partidária! 

domingo, 11 de maio de 2014

A minha saída limpa esteve por um triz

Parece que foi ontem que a Troika entrou aqui.
Decorridos 3 anos, a malvada foi-se embora e por isso aqui estou de novo, ainda que esmifradinho até ao tutano.
Digo isto só cá para nós que ninguém nos houve, porque, para dar nas vistas, anunciei ao mundo uma saída limpa, à Jorge Jesus na época passada.
Claro que continuo a depender do pãozinho deles para a boca, mas o que é que se espera de quem não tem poços de petróleo no quintal?
Por falar nele: 
(Lândana- norte de Cabinda)

Durante as generosas férias pelas matas de Cabinda (28/12/1973 a 14/2/1974) a malta da minha unidade de intervenção fartou-se de ver petróleo a sair das plataformas offshore. Azar dos azares, aquilo era do amigo americano. 
A nós, militarzitos de capitão para baixo, sobravam os olhos para o deslumbre noturno saído das labaredas libertadas pelos muitos tubos virados ao céu, logo ali a 1/2 milha da costa.
Dizia-se que a fartura era tanta que a Gulf Oil se dava ao luxo de libertar o precioso gás para a camada do ozono.
Na parte da responsabilidade que me cabe pela vinda da Troika, quero-me penitenciar por não ter patrocinado um golpe militar em Cabinda, até porque aquilo não era - nem continua a ser - Angola, quer pela alma das gentes, quer pelo código genético dum povo que até era amigo do Reino.
- No plano militar, teria sido canja para os meus bravos; 
- Economicamente, nos dias de hoje Portugal regurgitaria petrodólares, o que significa que a canzoada da Troika nunca teria cá posto os pés e que Miguéis de Vasconcelos só o de 1640 e mais nenhum; 
- Social e politicamente, seríamos um país sem taxas, mas com muitos tachos; inundado de banqueiros ricos e doutros "ricos"; de mil e uma PPP's e agências para isto e aquilo; de burocracia kafkiana para justificar o pleno emprego; 95% da população viveria de tachos e prebendas e os restantes 5% seriam emigrantes, importados para construir estádios, pistas de fórmula 1, centros comerciais gigantescos, rotundas e milhares, muitos milhares de quilómetros de autoestradas, a última das quais passaria aqui à minha porta, noblesse oblige.
- Eticamente, não haveria culpados, até porque a palavra "CRISE" teria deixado de fazer parte do léxico no novo acordo ortográfico;
- Politicamente, é certo que seríamos mais uma república das bananas, mas daí nunca veio mal ao mundo, que a ética e a honra são conceitos que, esses sim, foram abolidos do tal novo acordo ortográfico.

Infelizmente, 
a realidade foi outra 
e é por isso que 
o Cap. Salgueiro Maia está ali 
à minha porta 
a clamar por mim: 
- Anda mas é daí, 
ó Alferes Santos! 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

UM PAÍS INSUPORTÁVEL

São de Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, estas palavras para meditar: 
A falta de bom-senso e humildade constitui uma das principais causas da degenerescência da justiça portuguesa. Tudo seria simples se houvesse uma coisa que falta cada vez mais aos nossos magistrados: bom senso.
Uma mulher com 88 anos de idade morreu no seu apartamento em Rio de Mouro, Sintra, mas o corpo só foi encontrado mais de oito anos depois, juntamente com os restos mortais de alguns animais de companhia (um cão e dois pássaros).
Este caso...interpela-nos a todos não só pela sua desumanidade mas também pela chocante contradição entre os discursos públicos dominantes e a dura realidade da nossa vida social. Contradição entre promessas e garantias de bem-estar, de solidariedade e de confiança nas instituições públicas e uma realidade feita de solidão, de abandono e de impessoalidade nas relações das instituições com os cidadãos. 

Apenas duas ou três pessoas se interessaram pelo desaparecimento daquela mulher, fazendo, aliás, o que lhes competia. Com efeito, uma vizinha e um familiar comunicaram o desaparecimento às autoridades policiais e judiciais mas ninguém na PSP, na GNR, na Polícia Judiciária e no tribunal de Sintra se incomodou o suficiente para ordenar as providências adequadas. Em face da participação do desaparecimento de uma idosa a diligência mais elementar que se impunha era ir à sua residência habitual recolher todos os indícios sobre o seu desaparecimento. 
É isto que num sistema judicial de um país minimamente civilizado se espera das autoridades policiais e judiciais, até porque o caso era susceptível de constituir um crime. O assalto e até assassínio de idosos nas suas residências não são, infelizmente, casos assim tão raros em Portugal. Mas, sintomaticamente, as autoridades judiciais não só não se deram ao trabalho de se deslocar à residência como, inclusivamente, recusaram-se a autorizar os familiares a procederem ao arrombamento da porta de entrada. 
E tudo seria tão simples se houvesse uma coisa que falta cada vez mais aos nossos magistrados: bom senso. Mas não. Dava muito trabalho ir à uma residência procurar pistas sobre o desaparecimento de uma pessoa. Dava muito trabalho oficiar outras instituições para prestar informações sobre esse desaparecimento. Sublinhe-se que um primo da idosa se deslocou treze vezes ao tribunal de Sintra para que este autorizasse o arrombamento da porta da sua residência. 
Mas, em vez disso, o tribunal, lá do alto da sua soberba, decretou que a desaparecida não estava morta em casa, pois, se estivesse, teria provocado mau cheiro no prédio. 
É esta falta de bom-senso e humildade perante a realidade que constitui uma das principais causas da degenerescência da justiça portuguesa. Os nossos investigadores (magistrados e polícias) não investigam para encontrar a verdade, mas sim para confirmarem as verdades que previamente decretam. E, como algumas dessas verdades são axiomáticas, não carecem de demonstração.

Mas há mais entidades cujo comportamento revela que a pessoa humana não constitui motivo suficientemente forte para as obrigar a alterar as rotinas burocráticas e impessoais. 
A luz da cozinha daquele apartamento esteve permanentemente acesa durante um ano, ao fim do qual a EDP cortou o fornecimento de energia eléctrica, sem se interessar em averiguar o motivo pelo qual um consumidor deixou de cumprir o contrato celebrado entre ambos.
Os vales da pensão de reforma deixaram de ser levantados pela destinatária, mas a segurança social nada se preocupou com isso. Ninguém nessa instituição estranhou que a pensão de reforma deixasse de ser recebida, ou seja, que passasse a haver uma receita extraordinária sem uma causa. E isto é tanto mais insólito quanto os reformados são periodicamente obrigados a fazerem prova de vida. Mas isso é só quando estão vivos e recebem a pensão. 
Os CTT atulharam a caixa de correio daquela habitação de correspondência que não era recebida sem que nenhum alerta alterasse as suas rotinas. 
Finalmente, as finanças penhoraram uma casa e venderam-na sem que o respectivo proprietário fosse citado. Como é que é possível num país civilizado penhorar e vender a habitação de uma pessoa, aliás, por uma dívida insignificante, sem que essa pessoa seja citada para contestar? Sem que ninguém se certifique de que o visado tomou conhecimento desse processo? Como é possível comprar uma casa sem a avaliar, sem sequer a ver por dentro? Quem avaliou a casa? Quem fixou o seu preço? 

Claro que agora aparecem todos a dizer que cumpriram a lei e, portanto, ninguém poderá ser responsabilizado porque a culpa, na nossa justiça, é sempre das leis. É esta generalizada irresponsabilidade (ninguém responde por nada) que está a tornar este país cada vez mais insuportável.
__
Texto extraído da revista Advocatus, de 14.2.2011, por sua vez reproduzido dum artigo de opinião no Jornal de Notícias.

sábado, 21 de agosto de 2010

Caviar de sangue

Fui há dias convidado para comer caviar acabadinho de chegar do Daguestão, uma república autónoma russa que faz fronteira com a Rússia, a Tetchénia, a Geórgia e o Azerbeijão e é banhada a nascente pelo mar Cáspio, exactamente onde é pescado o esturjão das famosas ovas [ikra, em russo].
Os povos do Daguestão são maioritariamente muçulmanos sunitas, de hábitos moderados e tradições milenares. Com o desaparecimento da URSS, os radicais islâmicos vêm-se infiltrando no país a partir da Tetchénia, tentando implantar ali uma república islâmica, que designam como Emirato do Cáucaso.
Não olham a meios e a violência instalou-se no Daguestão. Os assassinatos, atentados suicidas e confrontos armados passaram a ser o pão nosso de cada dia.
Ao que me disse a cliente, natural do Daguestão e casada em Portugal, os millitantes islâmicos aliciam as pessoas oferecendo 7.000 dólares a quem seguir a sharia. Como consequência, o Daguestão passou a viver em estado de sítio, com tanques diariamente na rua e militares armados com a velha kalash.
Tudo isto me faz pensar se o mundo não estaria melhor nos tempos da URSS e da Jugoslávia do Tito.
Estalinismos à parte...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Haiti: cenário de guerra

A dimensão da tragédia no Haiti levou os governos do México e do Brasil a enviarem navios-hospital em socorro das vítimas do terramoto.
Sem ignorar o empenhamento dos EUA na ajuda e a adaptação de meios militares a fins civis e humanitários, certo é que Obama não resistiu ao envio duma brigada de soldados e um porta-aviões (USS Carl Vinson, na imagem ao lado), num total superior a 5.000 militares, muitos dos quais fuzileiros. (ver notícia AQUI)
Os Césares podem ser magnânimos, mas até em momentos destes adoram mostrar o seu poderio militar.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Vocês conhecem-me

Não vou dizer que sou mais conhecido do que a Sé de Braga. Deixo isso para o candidato do CDS à Câmara Municipal, ele sim, pelo menos tão conhecido como a vetusta sé da cidade dos arcebispos. O que não admira, porque ambos existem e se mantém de pé há centos e centos de anos. (1)
E também não vos vou pedir que confiem, seja em mim, seja no candidato. Explico porquê:
Quanto ao candidato e entre outras razões de que agora me reservo não falar, porque se trata dum verdadeiro "animal político", velho rato sabido, cheio de truques na manga, especialista na arte de prometer que os políticos tão bem cultivam, que diz que fez o que não fez (ou só fez em parte), ou que agora vai fazer o que há muito deveria ter feito.
E se vos peço para também não confiarem em mim, lá tenho as minhas razões.
Entre outras de que agora me reservo não falar, sou meio anarca, um rebelde, cão que não conhece dono, porta bandeira de causas que defendo até à exaustão. 
Causas que às vezes ganho, às vezes perco. Mesmo quando ganho.
Confesso também que sou visceralmente anti-estalinista, menos num aspecto. Como Estaline, seria capaz de restaurar os ícones religiosos para incentivar o povo a resistir à invasão nazi (2).
Porque digo isto, perguntarão. Também explico porquê:
Vamos supor que a lista BUSTOS EM 1º, concorrente à eleição para a Assembleia de Freguesia de Bustos, ganha as eleições de 11 de Outubro...
Em tal caso, alguém me imagina a ter de tratar a vencedora por "Senhora Presidenta" prá qui, "Senhora Presidenta" prá li?
Que reacção esperariam dum homem que já casou 3 vezes e outras tantas se amigou?
Suportaria tal vexame?
Ou tentaria um 4 casamento?
E se a história voltasse a repetir-se? Tentaria um 5º?
Não! Jamais (ler jamais com sotaque afrancesado)!
A história não vai repetir-se! 
Nem a lista da minha 3ªcarametade vai ganhar as eleições...
...nem eu acredito em 5 casamentos, ainda que interpolados!
Cinco casamentos são cinco mandatos.
São mandatos a mais!
Deus me livre!
__
(1) A Sé de Braga terá começado a ser construída no séc. XI, entre 1070 e 1093.
(2) As tropas soviéticas chegaram a marchar contra os exércitos de Hitler com bandeiras de santos ortodoxos como porta-estandartes.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

De como o mar está cheio de peixes que sabem nadar

Eles não precisam da canção do Zeca Afonso (O que é preciso é animar a malta!).
Eles sentem-se como peixe jovem que sabe nadar, e bem. Mas foi proibido de o fazer pelo avô-peixe.
Como ando atento ao mundo aquático que me rodeia e apesar das últimas pescarias em branco, foi meio escondido por entre pedras, navios afundados e sargaços mil que ouvi o interessante diálogo familiar. Oiçamos, pois.
Do alto do seu saber de experiência feita, anos e anos a nadar, a nadar, a nadar, (1)  assim falava o avô-peixe ao agitado cardume dos peixes-crianças:
- Vocês ainda são muitos novos! Ainda têm muito que aprender! Nós, os velhadas, é que sabemos o que é a vida!
E lá continuou, do cume do seu enegrecido rochedo:
- Com que então já querem atirar-se ao mesmo prato das saborosas minhocas do mar de que nos vimos alimentando há séculos e seculorum? 
Têm muito que esperar! Fiquem-se pela farinha maizena, pela papinha! 
Era o que nos faltava! Bem podem esperar sentados nas pedritas do mar!
A quererem ser livres neste mar que é nosso, ó fedelhos dum raio!
- Este mar que há-de ser nosso até eu cair da cadeira! [como o outro, o peixe-salazar]

Com um ar cada vez mais sério e teatral, prosseguiu: 
"Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu..."
[etc., etc., etc. e tal] (2)

Quanto mais o avô-peixe - qual D. Sebastião - se perdia por entre o nevoeiro e continuava a falar d' El-Rei D. João Segundo, da roda da nau que voou três vezes (voou três vezes a chiar), das cavernas e tectos negros do fim do fundo, do homem do leme que tremeu e disse «El-Rei D. João Segundo», mais o  numeroso cardume dos peixes-arraia-miúda se ia afastando, afastando. 
Afastando.
Até que perderam de vista o avô-peixe, o pai-peixe, a mãe-peixe,  a peixeirada.
Finalmente, pararam. 
Um deles, que me pareceu o líder, dirigiu-se aos demais. Em tom apaixonado, mas firme, começou assim:
No lugar dos palácios desertos e em ruínas
À beira do mar,
Leiamos, sorrindo, os segredos das sinas
De quem sabe amar.
...
... 
Gosto muito de robalos, douradas, sargos e pargos. Desde que sejam "quileiros".
Os juvenis, esses, devolvo-os ao mar.
Que o futuro a eles pertence.
__
(1) Tal como o boneco das pilhas duracell, o avô-peixe nadou durante 160 anos e teima em voltar a nadar mais outros 160. O autor destas linhas, esclarece que, na morfologia peixeira, esta idade corresponde a 10 vezes a idade do homem-peixe-que-teima-em-voltar-a-nadar.
(2) Era óbvio que o avô-peixe citava "O Mostrengo", celebrado poema da "Mensagem", da autoria de Fernando Pessoa-Ele-Próprio.
Deixei de ter dúvidas: o avô-peixe continua agarrado aos fantamas do passado, à poesia do antigo regime, à vertente épica e passadista do Poeta dos grandes heterónimos.
O avô-peixe continuava a desprezar os Álvaros de Campos, os Ricardos Reis, os Albertos Caeiro.
E andei eu, guevarista de meia tijela, a ler poemas de Abril na Assembleia Municipal...
*
CITAÇÕES: 
- Mensagem, de Fernando Pessoa, Colecção Poesia * Edições Ática, 13ª edição, págs. 62 e 63;
- Poesias, de Álvaro de Campos, mesma editora, 1ª edição, pág. 19.
- Imagem da capa: Exigir o Impossível, de Herbert Marcuse / Ed. Lobo Mau / Editorial Teorema /25 de Junho de 1974.

domingo, 30 de agosto de 2009

O disco volta a tocar do mesmo…

O post antecedente criou alguns engulhos, perturbações de espírito. Se calhar, medos, muitos medos.

Tarde e a más horas, foram vários os amigos que se queixaram:


a) Ou de que me esqueci de identificar no texto os homens e mulheres. Era fácil: bastava escrevinhar 36 nomes…

Como se o objectivo do texto não fosse apenas o de expor o princípio, a regra, que levou a que pouco ou nada mudasse na filosofia dos partidos concorrentes!

A ver se nos entendemos: para o efeito, que importa quem é quem? Para publicitar nomes, existem as listas expostas no Tribunal. É só ir lá, que a Lei não o proíbe, pelo contrário: até incentiva o cidadão comum a tomar conhecimento do processo eleitoral.

É um direito, mas também um dever, sobretudo de quem tem responsabilidades político-partidárias. Foi por tal razão legal que as listas estiveram expostas em edital, como manda o formalismo processual.

Esqueceram-se dos deveres, do trabalho de casa? Lamento, mas não choro sobre leite derramado por descuido ou negligência grosseira.

Como se não bastasse, pelo menos as listas completas dum dos partidos também foram divulgadas num blogue bem conhecido no concelho – o Bairrada Digital. É só clicar no endereço aqui ao lado direito. Para facilitar, aqui vai uma ajudinha, direitinha ao sítio, que é mesmo AQUI. (*)

Como é de exigir a um blogue generalista e aberto, também o Notícias de Bustos publicou uma outra lista. E desde a 1ª hora que se afirmou disponível para colocar lá as restantes. Estão à espera que vamos lá a casa pedi-las?


b) Ou então queixam-se de que o bloguedooscar deveria ser uma porta aberta ao universo dos partidos concorrentes às autárquicas.

Repita lá? Então um blogue pessoal e intimista (por mais transmissível que se queira), o espelho do pulsar, do sentir, do modo pessoal de alguém ver e olhar para o mundo, é balde comum? É albergue espanhol?

E que tal se dormissem menos e fizessem mais trabalho de casa?

Do céu, que eu saiba, pode cair chuva e tempestade, sol e bonança. Até milagre pode cair, como o de S. Lourenço de Bustos, em quem piamente acredito e de que sou devoto confesso e assumido.

O que certamente não cai do céu é a solução para a cegueira e o tanto dormir duns quantos!

Não foi por acaso que me recusei a integrar as listas do partido de que guardo o cartão de sócio num sítio que agora não me lembro.

Não é por acaso que odeio a ditadura dos aparelhos partidários: vou perdendo dentes desde os meus 17 anos. Já me faltam uns 6 ou 7. Mas nem a querida dentista, ali da Póvoa, me convence a pôr o malfadado aparelho.

Sou contra. Por isso, daqui vos grito bem alto e de punho erguido:


ABAIXO O APARELHO!

MORTE À DENTADURA DO PROLETARIADO!

__


(*) Tomando como referência a mãozinha do rato, não o partido da mãozinha, que também não se livra de alguns resquícios do mesmo mal de que os outros estão contaminados.

- Imagem extraída de Asterix e o regresso dos gauleses / 14 histórias completas / O regresso às aulas, de René Goscinny e Albert Uderzo, Edições ASA, 1ª edição / Novembro de 2004.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Viró disco e toca o mesmo…

Dediquei ontem uns minutos a consultar o processo eleitoral entrado no agora chamado Juízo de Média e Pequena Instância Cível de Oliveira do Bairro, anteriormente designado por Tribunal Judicial. Desde Abril passado, passámos a pertencer à Comarca do Baixo Vouga, assunto que abordei AQUI, aproveitando para elogiar o resultado e desancar no processo. Para quem queira conhecer o mapa da nova comarca-piloto, é só ir ALI.
Claro que a minha consulta tinha um objectivo óbvio: sempre com o primo Freud na mente, analisar o apenso onde constam as listas apresentadas pelos 4 partidos concorrentes à Assembleia de Freguesia de Bustos.

Velho do Restelo.
Imagem extraída do BLOG DO INSURRECTO, com a vénia devida.

O resultado é mais do que óbvio:
Os velhadas e o pessoal do “aparelho” continuam agarrados ao poder local como lapa ou mexilhão aos pedregulhos dos molhes da Barra. Náusea (eu disse náusea, ainda que em sentido figurado) foi aquilo que senti. Vontade de vomitar a política que tenho mastigado e engolido durante uma vida toda. A modos de quem acaba de comer marisco esquecido durante 40 anos na despensa da cozinha.
Não acreditam?
Vamos à prova dos nove, já que são 9 (nove) os candidatos efectivos à Assembleia da minha freguesia:
- Enumeração, por sexo e idade, dos nove (9) candidatos efectivos, pela ordem do sorteio nos boletins de voto (brancos, como é costume):
- PS: 1º: mulher, 47 anos; 2º: mulher, 24 anos; 3º: homem, 19 anos; 4º: mulher, 25 anos; 5º: mulher, 21 anos; 6º homem, 28 anos; 7º: mulher, 42 anos; 8º: mulher, 22 anos e 9º: homem, 25 anos.

São 6 mulheres e 3 homens
Média das idades: 28 anos

- CDS: 1º: homem, 32 anos; 2º: homem, 57 anos; 3º: mulher, 74 anos; 4º: homem, 63 anos; 5º: homem, 71 anos; 6º: mulher, 43 anos; 7º: homem, 66 anos; 8º: homem, 34 anos e 9º: mulher, 41 anos.

São 6 homens e 3 mulheres (à justa!)
Média das idades: 53 anos

- CDU: (não registei a distribuição por sexo, mas não fugirá à da lista antecedente e à procedente).
Média das idades: 51 anos

- PSD: 1º: homem, 41 anos; 2º mulher, 39 anos; 3º homem, 68 anos; 4º mulher, 53 anos; 5º: homem, 35 anos; 6º: homem, 60 anos; 7º: mulher, 47 anos; 8º: homem, 31 anos; 9º: homem, 55 anos.

São 6 homens e 3 mulheres (à justa!)

Média das idades: 48 anos
...
E mais não digo.
Por agora, que a alma pede descanso. E dieta, muita dieta.
Vou fugir para longe disto tudo.
Amanhã, a gente conversa.
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Post scriptum:
- A lista completa dos candidatos do PS à As. de Freguesia está nos TEXTOS DISPERSOS do NB, no seguinte endereço: http://bustosblog.blogspot.com/
- Já comuniquei informalmente aos outros concorrentes que o sítio está à disposição, bastando enviar-me, ou ao BC ou ao Altino, o suporte digital.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Abaixo o regime! Viva o gordo!


A partir de hoje, o BO está ao serviço da Revolução Cultural.
Contra os maus costumes e hábitos instalados.
Contra o poder pelo poder.
Contra o quero, mando e posso.
Contra a falta de ética, o vale tudo.
Contra os pneus recauchutados, causa de tantas mortes nas estradas municipais.
Contra as pilhas "duracell", porque o boneco repete sempre os mesmos gestos.
Contra o compadrio e os afilhados.
Contra a política dos favores.
Contra a treta da experiência,
que só serve para se agarrarem ao tacho.
Contra as promessas por cumprir.

Contra a falta de pinta e de imaginação!

Estamos CONTRA,
porque estamos fartos de os conhecer!
E de comer sempre farinha maizena!

QUEREMOS A MALTA NO PODER!

Porque sabe o que quer, tem ideias.
E uma visão diferente do mundo.
Porque o passado foi ontem
e o futuro começou hoje.
Porque o futuro é deles!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Porque defendo os meninos não sendo menino?

Porque me sinto como eles, sem esperança no destino...
Nada acontece por acaso. (*)
O excerto do poema do Carlitos Luzio que publiquei no NB, aqui, explica tudo.
Ou preferem este, sobre os velhos do Restelo, que representam o conservadorismo, as vãs promessas a que se referia Camões no Canto IV dos imortais Lusíadas?
Farto de ideias gastas e de gente carcomida pelo caruncho da política que promete tudo (do género: "adere à nossa lista, que temos aqui um tacho para ti"), resolvi aprender com a malta nova.
Como não sou sábio e acredito que o mundo não acabará quando eu morrer, atirei-me de alma e coração à causa dos meus netos. Porque o futuro é deles.
Porque a única geração rasca que conheço é a dos políticos que insistem em continuar até à náusea.

Sabem porque odeio as pilhas "duracell"?
- Porque o boneco não se cansa de repetir os mesmos gestos.

Não sei se sabem, mas eles - os jovens na casa dos 20 - são melhores do que nós, os velhadas.
E têm ideias, planos para o futuro da minha terra, que é a mais linda de todas. Tal como cada uma das outras é a terra mais linda de todas.
Eles têm ideias para Bustos. Para o concelho.
Até para o país merdoso e carunchoso que herdaram dos pais e dos avós.
Os velhadas (incluindo os corpos jovens em mentes enrugadas) deviam é ter vergonha na cara!
E não se pode defenestrá-los?
Claro que pode!
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(*) Não foi por acaso que o meu S. Lourenço morreu na grelha: estava destinado a ser padroeiro de Bustos, das suas raízes (durante muito tempo mantive um endereço electrónico a que dei o nome de "raizesdebustos@...").
- A foto do manguito foi editada por AQUI algures.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Mulheres de Bustos arrasam lei da paridade!

O post antecedente a modos que foi premonitório.
A notícia que aqui vos deixo é avassaladora, telúrica. É mais uma pedrada no charco dos costumes e vícios instalados.
Acabo de saber que um grupo de mulheres de Bustos se prepara para virar do avesso as próximas eleições autárquicas.
Juro que é verdade: Bustos vai ter uma lista concorrente, composta exclusivamente de mulheres!

O que nos espera nos próximos 4 anos

Como se não bastasse, consta-me que vai ser liderada pela 3ª cara metade, estacionada aqui ao lado, nos blogues linkados na barra lateral direita...
Parecendo certo e seguro que o farão sob a almofada do partido do meu padrinho, apressei-me a dar-lhe o que penso ser uma notícia tonificante, por entre o mar de desgraças que lhe têm batido à porta [durante a conversa, foram várias as vezes que citou, diga-se que em mau latim, o "annus horribilis" que teima em acossá-lo].
Exultante, confessou-me do outro lado da linha:
- Tu podes ser um madraço, um infiel, um incorrigível anarco-facho. Mas desta vez - que é a primeira, que eu saiba - tiro-te o chapéu!
Julgava-te perdido para a causa! O clube jamais se esquecerá do teu empenhamento! Vou já ali assinar um decreto a propor-te para a medalha de mérito da Ordem dos Arrependidos!
A promessa soube-me a pouco e até estive tentado a desligar o telemóvel.
Farto de dar o corpo ao manifesto e levar pancada da grossa como prémio, disparei:
- Ó meu primeiro! Então eu abri as portas para esta acção revolucionária do mulherio, uma verdadeira bofetada na hipocrisia da lei da paridade, e tu vens-me com as medalhas!
Não sabes que eu não sou de salamaleques, de doutorices bafientas?
E se em vez disso me garantisses um tacho na administração da Empresa de Águas do Baixo Vouga?
Após um curto silêncio, dispara-me:
- Olha lá, ó guevarista pretensioso! Então não sabes que os lugares já estão prometidos e que vão ser partilhados com a malta do PSD? E admitindo que te dizia que sim, que garantias me davas de que te ias portar bem?
Contenta-te mas é com a medalha e põe-te na bicha!
Quem sabe: pode ser que entres na leva seguinte...

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- Imagem de "A noiva de Lucky Luke", de Morris & Guy Vidal, Edição Meriberica/Liber, 1986

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Ontem foi dia das novas comarcas-piloto

Nos estudos de 2004 chamavam-se NUT's (Nomenclatura de Unidade Territorial), nome que soava a algo de impessoal e fazia lembrar os universos de Kafka ou de George Orwell.
Após muitos acertos e um percurso mais do que sinuoso, o novo mapa judiciário foi publicado em Diário da República a 26 de Janeiro, logo ali se prevendo a sua aplicação a partir de 14 de Abril em três comarcas-piloto: Baixo Vouga, Grande Lisboa Noroeste e Alentejo Litoral.
Bem à portuguesa, o caos dominou o dia de ontem nas antigas comarcas abrangidas pelas 3 novas grandes comarcas-piloto. Com a publicação em Agosto de 2008 da Lei de Organização e Funcionamento dos Tribunais Judiciais (Lei n.º 52/2008, de 28 de Agosto), a entrada em funcionamento dos novos tribunais já tinha sofrido o adiamento do costume. Na minha imodesta opinião, ao atraso não serão estranhos três factores:1º - O governo fala muito em investimento público, mas o meu padrinho só deve sonhar com grandes e modernos comboios e aviões; recalcamentos duma infância onde certamente abundaram brinquedos de menino rico. Entretanto e talvez com a excepção do novo e bem bonito Tribunal de Família de Oliveira do Bairro, as obras de contrução dos novos tribunais ou de adaptação e modernização dos existentes iam ficando para as calendas. Para nosso desespero e desencanto o concurso público de adjudicação das obras de construção do novo Tribunal de Oliveira do Bairro (uma referência a nível nacional, com a criação do chamado Tribunal Multiportas ou multifunções) foi adiado umas 4 vezes. É obra!
2º - O 25 de Abril pode ter chegado a muito lado mas as castas agarradas ao velho estado das coisas não se extinguiram: apenas mudaram de mãos e multiplicaram generosamente o seu número como ratos em celeiro cheio. Esta democracia modernaça dos Sócrates, Durões, Portas, Guterres e Cavacos é muito generosa, gosta muito de dar, de distribuir, de multiplicar (entre os seus e à vez, claro) os pães pelos pobres que agora são novos ricos. Uma espécie de Robins dos Bosques em circuito fechado que ilustrei AQUI.
3º - Os portugueses adoram o lufa-lufa das compras e do tratar das suas obrigações no último dia do prazo, assim a modos que in articulo mortis, à hora da morte.

Apesar de tantas vicissitudes, ontem fui um homem feliz: com a criação dum novo conceito territorial e de novos modelos de gestão, de atribuição de mais e melhores recursos técnicos e humanos e da especialização por comarca, finalmente algo de estruturalmente diferente e revolucionário acontece na complicada, tradicionalmente emperrada e muito conservadora máquina da Justiça.
A qualidade do serviço público prestado aos cidadãos salta à vista a quem entra nos tribunais: segurança e novas tecnologias é coisa que não falta. E mal precisamos de sair do nosso local de trabalho: a justiça está à distância dum clique nos nossos computadores.
Diga-se o que se disser e mau grado a diarreia legislativa, a Justiça é o patinho bonito deste governo.
O meu padrinho esqueceu-se do folar, mas mesmo assim,
Parabéns!

terça-feira, 24 de março de 2009

Devagar se vai ao citius

O CITIUS (do latim, mais rápido, mais célere) é uma plataforma que se encontra disponível na internet para uso dos diversos operadores judiciais: advogados, magistrados (CITIUS - Magistrados Judiciais) e funcionários judiciais (Habilus).
Esta nova ferramenta informática veio substituir o anterior Habilus.net e representa uma fase mais avançada da chamada desmaterialização dos processos nos tribunais judiciais. Em vez do uso do papel e do correio electrónico (1) os advogados passaram a beneficiar das seguintes funcionalidades do Citius:
- proceder à entrega electrónica das peças processuais (petições, contestações, requerimentos avulsos, apresentação de meios de prova, etc.) e seus documentos acompanhantes, bem como dos requerimentos de execução e de injunção;
- consultar os processos e as injunções, bem como a sua distribuição e andamento;
- consultar numa agenda electrónica as diligências que lhes foram marcadas nos vários processos em que intervêm;
- consultarem as notas de honorários a que têm direito.
A página do Citius contém ainda ligações úteis, como sejam os endereços dos tribunais e um calendário judicial com indicação das férias judiciais e feriados nacionais e municipais.
Para quem domina bem o uso dos computadores e os seus meandros, o CITIUS é uma verdadeira mina de ouro.
Como é dos usos e costumes, a página contém ainda os indispensáveis links destinados aos menos conhecedores dos segredos da net, com respostas às perguntas mais frequentes e ainda a costumeira barra de ajuda, o que tudo abre em separador próprio e sem dificuldade que se veja.
Não sobram razões de crítica em relação a muitas medidas tomadas pelo Sócrates [o meu padrinho, como tenho lembrado em tantos posts], sobretudo porque se mostram inócuas e/ou de aplicação enviesada.
Mas na área da Justiça [como na da Saúde, embora com a discordância de muita da classe ou casta, como queiram] este governo tem reformado como nenhum outro fez. Com duas excepções:
1ª - a diarreia legislativa, que não mostra sinais de abrandar e revela que o legislador pouco sabe da poda: são os boys, as girls, o aparelho - o raio do aparelho (2) e os engomadinhos ou pézinhos-moles que citei no post do passado dia 18 - apetece-me mais Shakespeare;
2ª - o limite de 3Mb de capacidade nas entregas electrónicas. Sobre este tema, já tinha alertado o meu padrinho, que confunde Mb com MB. Ainda há 2 dias me confrontei com a idiotice: bastam meia dúzia de anexos em formato pdf e lá temos de ir ou remeter para o tribunal em suporte de papel os documentos que deviam acompanhar o articulado.
Então não há outros formatos seguros? Só conhecem o pdf? Ou alguém teve comissão na escolha, como há muito acontece ou aconteceu com o hardware e o próprio software? E não dá para aumentar até aos 5Mb, pelo menos?

Adoro o CITIUS e todo o meu trabalho passa por lá. E só encaixo as críticas de quem continua a sobreviver a leste do paraíso que é a internet. As demais, não passam de interesses corporativos, próprios de quem não quer prestar contas ao Povo que lhes paga e exige eficiência, destreza e empenhamento pela coisa pública (a res publica das citações ocas).
Sim! Tal como disse em Oliveira do Bairro uma jovem, competente e trabalhadora Juíza na sua tomada de posse: A JUSTIÇA É DO POVO E PARA O POVO!!
E mais não digo, que se faz tarde.
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1) Antes da actual plataforma era facultativo o envio de peças processuais através do correio electrónico desde que o advogado tivesse certificado digital fornecido pela Ordem dos Advogados. Foi o que sempre fiz durante os anos em que vigorou esse regime.
2) Quando era rapaz novo quiseram impingir-me uma placa no sítio de alguns dentes em falta; resultado: passei a odiar o aparelho.
- ABAIXO O APARELHO!
- VIVA A DENTADURA DO PROLETARIADO!
*
O Citius tem linhas telefónicas, de fax e email, para apoio aos menos avisados.
* Links sobre o Citius: http://www.tribunaisnet.mj.pt/ e portal do governo, este em PDF [toma que já almoçaste!]