Mostrar mensagens com a etiqueta Fintabolistas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fintabolistas. Mostrar todas as mensagens

domingo, 25 de outubro de 2015

Outra vez a 1ª vez

É o que estou a viver, confesso e as razões são três:
1ª – Nunca estive tanto tempo em férias sabáticas do meu jornalinho de parede. Sabia que tinha de voltar e aqui estou de novo, cerca de ano e meio depois.
2ª – Porque “como em quase todas as coisas da vida, a 1ª vez é muito saborosa. Alguma vez tinha de acontecer”.
As palavras são dum treinador de futebol, em êxtase por ter ido ganhar à Luz, desfecho que espero não se repita hoje. Citei-o aqui, já lá vão 6 anos e meio.
3ª – Porque António Costa anuncia um acordo à esquerda, fugindo à tradição de serem sempre os mesmos a governar.
Aquando da vitória dos partidos da direita em 2011, o líder do partido mais votado anunciou que o acordo de governo com o CDS só seria conhecido após a nomeação do mesmo.
Agora, exigem que o acordo PS/BE/PCP seja conhecido já.
Contra a corrente da esquerda, sou dos que pensam assim. Em 2011, como hoje, PSD e CDS eram “farinha do mesmo saco”. Em contraponto, analisados os programas eleitorais dos 3 partidos da esquerda representados na Assembleia da República, há muito a dividi-los e a campanha eleitoral foi reflexo disso mesmo.
Venha de lá o raio do acordo pré-governativo, que eu estou em pulgas! 
Afinal, quem não desejaria viver outra vez a 1ª vez?
Ninguém vos está a pedir que se casem, basta que juntem os trapinhos, com tudo preto no branco e que fechem os olhos à sacrossanta NATO, essa coisa que apoquenta tanto os portugueses, a ponto de não os deixar dormir. Pelo caminho, não vinha mal ao mundo se engolissem alguns sapos vivos.
Entretanto, do acordo pouco ou nada se sabe.
Espera-se que a vontade do líder do PS vá além desta imagem aqui repetida:

Espera-se, sobretudo, que nos livrem duma austeridade que serviu para aumentar o índice da pobreza, à custa do enriquecimento dos grandes interesses económicos e financeiros.
Bem vistas as coisas é pouco o que o país real quer e deseja: justiça e moralidade.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Joaninha boa, boa

A minha Joana resolveu sair de vez do BE e dar um saltito até ao PS, se calhar por pensar que é mais seguro.

Joana, boa Joana, faça como eu: vá saindo, vá mas é saindo.
E se esse seu estado de alma persistir, aconselho-a a sentar-se no divã dum reputado psicanalista lisboeta que a Ana, por razões profissionais, deve certamente conhecer e que eu também conheço, não por razões profissionais, mas por ser irmão do meu colega de escritório, Morais Aleixo.
*
Li há pouco que nasceu em Angola, terra onde não morri porque era proibido morrer.
O mundo é mesmo pequeno. 
E eu com tantas histórias para lhe contar...
___
- P.S. (salvo seja) sobre o título: cá na terra trocamos os "bês" pelos "vês" .

domingo, 18 de maio de 2014

A vida é uma charada

Só nos prega partidas, a vida.
Pior que tudo: quando as partidas se sucedem sucessivamente sem cessar, mais vale Nosso Senhor levar-nos.
Sim, Esse Senhor, mil vezes preferível aos medíocres senhores que querem ser califas no lugar do califa. 

Preferível até a uma qualquer senhora com "s" pequeno, que as Grandes, essas, são vestais do Templo Sagrado e já estão no Olimpo à minha espera.
Se for o tal Grande Senhor, dou por garantido o céu e alguns prémios extra pelo desempenho. Noblesse oblige.
Antevendo a chegada às portas do céu:


Ao ver que sou eu quem ali se apresenta, o guardião Pedro corre, célere voa, entra na tenda da alfândega e anuncia:
- Benvindo, meu bom malandro das crónicas tão conhecidas!
Continuou o Santo Pedro, deixando perceber um sorriso cúmplice e malicioso:
- Deus ordena seres contemplado com as 200 virgens que pediste um dia destes no facebook, porque, no mais fundo de ti, Ele sabe que estás mortinho por te alambazares!



- E podes sentar-te à Sua direita, mas porta-se com juizinho e deixa-te mas é de te armares em cão que não conhece dono!
Cheio daquela coragem à Ranger, mas todo aos tremeliques por dentro e dominado por aquele nervoso miudinho que nos invade e inibe quando é a 1ª vez, respondi:
- Estou farto de comer ração de combate!
- A minha alma está desejosa, o meu coração e a minha carne clamam pelo almejado prémio, porque vale mais um dia neste céu do que em outra parte mil!
- Mas olha que faço questão de me sentar à esquerda Dele, que a direita tem outros donos!



Chegados aqui, perguntarão como é que eu consegui chegar tão alto? 
Às vezes a correr desenfreadamente, a modos que stressado da puta da guerra. 
Outras, devagar, porque devagar se vai ao Citius. 
Bem vistas as coisas, devo tudo à força do hálito, que é como o que tem que ser. E o que tem que ser tem muita força.
..
Em jeito de epílogo


Neste livro que vos deixo, fica a charada:
A quem pertencem ou a que aludem as citações escritas a cinzento?
Têm 24 horas para responder, sem direito à dilação ou justo impedimento que o Citius prevê.
Se o não fizerem no prazo aludido, ou é porque não sabem - logo, são uns ignorantes, ou porque têm andado distraídos.
O que me levará a concluir que, afinal, vocês não gostam mesmo nada de mim! 
E se for assim, são como um fingidor que eu cá sei!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A minha campanha alegre

Amanhã de manhã vou passar com o meu trator pela casa do amigo Narciso Cardoso, a ver se trago a capinadeira dele, por empréstimo de fim de semana.
Ficam a saber: a minha campanha eleitoral vai ser à moda do Dr. Paulo Portas, mais conhecido por Paulinho das feiras.
Enquanto aguardo pela próxima Feira do Sobreiro - que é mensal, aos 9 e 22, como muito bem sabe PP - neste fim de semana vou dedicar-me sozinho  à reforma agrária, que sou contra a coletivização dos meios de produção.
Deste modo, quando voltar a reencontrar o Dr. PP na Feira do Sobreiro do próximo dia 22, já lhe posso levar um regaço de tomates fresquinhos do meu quintal, como passo a antever:
...
Vestido de Princesa Santa Isabel, apareço ao caminho do Rei.
O que levais na abada, Isabel? - Ele Me interpela.
E Eu digo: são tomates, Senhor.
E então Ele diz: - Tomates em Maio, mês da Virgem Maria? Não, não pode ser!
E Eu digo: São tomates, meu Senhor.
- Então se são tomates, mostra! [diz o Rei].
E então Eu estendo a abada e o que tinha ali era tudo tomates, que logo rolaram para o chão em direção ao Rei, pela força sobrenatural que o faz atrair tudo.
E então o Rei grita, exultante: - Milagre, milagre!!
Portanto, Ele fica Santo, é o Rei Santo Portas.
E há-de ser canonizado.
...
É uma história muito bonita e que há-de ser muito contada logo que sejam conhecidos os resultados eleitorais das Europeias /2014.
____
- Texto adaptado DAQUI.
- Fonte: BiblioAA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas), Faro, n/a.
- Também guardo muito boas recordações da minha anterior Campanha Alegre, em 2008. Se querem saber, até para comparar, vão AQUI.

terça-feira, 13 de maio de 2014

O trombone

Vocês já não se lembram do meu encontro com o Necas Caldeira.
Nunca me esqueço: foi numa 2ª feira, 7 de setembro, corria o ano de 2009, como podem conferir AQUI.
Pois não é que ontem voltámos a encontrar-nos? 
- Não para celebrar as 4 viagens dele ao mar dos bacalhaus, para fugir à guerra a que acabou por não resistir, tal foi o cansaço da faina.


- Muito menos para recordar a puta da guerra onde nos cruzámos, algures no norte de Angola, ia eu com os meus bravos ao assalto dum santuário da FNLA na serra da Mucaba, donde regressei de mãos vazias mas com os tomates no sítio.

- O objetivo era outro: tinha que ver com a campanha para as Europeias e o lufa-lufa dos suspeitos do costume.

Para quem não é do Sobreiro ou tem a memória curta, passadas as primeiras desilusões do pós 25 de Abril, o Necas, desiludido com as trapaceirices dos políticos do arco do poder, virou apoiante do Acácio Barreiros, em vias de ser eleito deputado da UDP na Assembleia da República, donde passou a disparar a torto e a direito "contra os ricos e fascistas". 

Está na cara que o meu fito era sondar o Necas, saber o que lhe vai na alma, se ainda tem ganas de voltar a pegar em armas, ou seja e em linguagem  de magarefe (retórica, pois claro), sacar do facalhão e partir para a matança dos porcos.

- É Necas! Ainda te alembras de colares um grande cartaz da UDP na parede nascente da tua casa? Coragem, foi preciso ter coragem, pá! - arrimei-lhe eu, para lhe tirar nabos da púcara.
Resposta pronta:
- Vai-te mas é coçar, ó cão sem dono!
-Tomaras tu que o Acácio que eu conheci ainda pertencesse ao mundo dos vivos!
- Não o Acácio que saltou prós braços do poder, mas o outro, que não calava a voz!

- Ouve lá, retorqui-lhe eu: o Acácio foi mas é um grande músico!
- Pois foi, pois foi! E o que faz falta não é um músico como o teu colega Marinho Pinto, que ponha a boca no trombone e varra esta merda toda? - saiu-se o Necas, enquanto fazia o gesto de quem pega no letal instrumento e o aponta ao inimigo.


- Sorri para mim, exultante pela emboscada perfeita: tinha acabado de apanhar o Necas em plena zona de morte. 
Sem hesitar um segundo, atirei-lhe a matar, bala direitinha ao coração:
- Não me digas que também vais votar nesse franco atirador?

Palavras para quê:
- Corremos para os braços um do outro, de lágrima ao canto do olho, como velhos companheiros que se reencontram no 40º jantar de confraternização de antigos combatentes!

A guerra é assim: faz de nós camaradas de armas para uma vida inteira, malgré tout.

domingo, 11 de maio de 2014

A minha saída limpa esteve por um triz

Parece que foi ontem que a Troika entrou aqui.
Decorridos 3 anos, a malvada foi-se embora e por isso aqui estou de novo, ainda que esmifradinho até ao tutano.
Digo isto só cá para nós que ninguém nos houve, porque, para dar nas vistas, anunciei ao mundo uma saída limpa, à Jorge Jesus na época passada.
Claro que continuo a depender do pãozinho deles para a boca, mas o que é que se espera de quem não tem poços de petróleo no quintal?
Por falar nele: 
(Lândana- norte de Cabinda)

Durante as generosas férias pelas matas de Cabinda (28/12/1973 a 14/2/1974) a malta da minha unidade de intervenção fartou-se de ver petróleo a sair das plataformas offshore. Azar dos azares, aquilo era do amigo americano. 
A nós, militarzitos de capitão para baixo, sobravam os olhos para o deslumbre noturno saído das labaredas libertadas pelos muitos tubos virados ao céu, logo ali a 1/2 milha da costa.
Dizia-se que a fartura era tanta que a Gulf Oil se dava ao luxo de libertar o precioso gás para a camada do ozono.
Na parte da responsabilidade que me cabe pela vinda da Troika, quero-me penitenciar por não ter patrocinado um golpe militar em Cabinda, até porque aquilo não era - nem continua a ser - Angola, quer pela alma das gentes, quer pelo código genético dum povo que até era amigo do Reino.
- No plano militar, teria sido canja para os meus bravos; 
- Economicamente, nos dias de hoje Portugal regurgitaria petrodólares, o que significa que a canzoada da Troika nunca teria cá posto os pés e que Miguéis de Vasconcelos só o de 1640 e mais nenhum; 
- Social e politicamente, seríamos um país sem taxas, mas com muitos tachos; inundado de banqueiros ricos e doutros "ricos"; de mil e uma PPP's e agências para isto e aquilo; de burocracia kafkiana para justificar o pleno emprego; 95% da população viveria de tachos e prebendas e os restantes 5% seriam emigrantes, importados para construir estádios, pistas de fórmula 1, centros comerciais gigantescos, rotundas e milhares, muitos milhares de quilómetros de autoestradas, a última das quais passaria aqui à minha porta, noblesse oblige.
- Eticamente, não haveria culpados, até porque a palavra "CRISE" teria deixado de fazer parte do léxico no novo acordo ortográfico;
- Politicamente, é certo que seríamos mais uma república das bananas, mas daí nunca veio mal ao mundo, que a ética e a honra são conceitos que, esses sim, foram abolidos do tal novo acordo ortográfico.

Infelizmente, 
a realidade foi outra 
e é por isso que 
o Cap. Salgueiro Maia está ali 
à minha porta 
a clamar por mim: 
- Anda mas é daí, 
ó Alferes Santos! 

sábado, 2 de outubro de 2010

Sempre os mesmos a pagar a crise

Para quem tem memória curta, convém lembrar que as políticas capitalistas e neo-liberais começaram, pelo menos, com Cavaco 1º ministro, até atingirem o despautério dos dias que correm.
Desde a 1ª hora, o acesso aos fundos comunitários serviu essencialmente para desbaratar dinheiro, inventar bancos vocacionados para lavar dinheiro e para investir ao deus-dará antes que a mama acabe. Em suma e sem ser exaustivo, encher a bolsa de empresários, políticos, formadores e até distribuir umas migalhas por alguns agricultores cá do burgo que faziam de conta que semeavam milho para receber subsídios. Uma verdadeira cadeia alimentar feita regabofe, com ou sem submarinos pelo meio para defender a pátria e honrar o império.
Só nos falta outra vez o FMI que tudo prevê e cura, mas que assobiou para o lado aquando da previsível bancarrota trazida em 2008 com a especulação bolsista e as habilidades com os créditos de risco (subprimes) e os fundos de pensões.

Resultado: ontem como hoje,  a crise vai ser paga por quem não lhe deu causa. 
Como não chegará, vai a ajudinha de mais habilidades com fundos de pensões e com as compras transversais de carros blindados para a cimeira da NATO enquanto às polícias falta gasolina para policiar.
O FMI e os mercados financeiros podem dormir descansados: se as coisas piorarem, há sempre um califa para o lugar do califa.
__
Imagem:  contracapa d' “As conspirações do Grão-Vizir Iznogoud”, de Goscinny e Uderzo, Edição Meribérica.

sábado, 18 de setembro de 2010

Tem um parafuso a menos?

Se lhe falta um, não hesite.
SOPARAFUSO tem o que precisa.
E fica aqui tão perto, no Vale do Grou, Águeda.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O acord(e)ão

O Carlitos é um mestre de acordeão, disso ninguém tem dúvidas.
Terá começado por aprender de ouvido, em concertinas  emprestadas ou alugadas, exibindo os seus dotes em casas de amigos e pelos parques e avenidas da cidade grande.
Faltava-lhe, porém, o grande passo para a fama: conseguir o diploma de acordeonista, com direito a 460 sessões e um acordeão de bónus, ainda por cima um reputado fratelli.
Raio do acordeão, que tarda em chegar-lhe às mãos!
Mil vezes prometido, outras tantas adiado (agora sine die), vai valendo ao Carlitos a solidariedade dos colegas do mundo artístico.
Não há dia em que o Carlitos não apareça nas tv's e nos jornais a queixar-se do acordeão que não há meio de chegar.
E assim vai dando asas ao que de melhor sabe fazer:
- Dar-nos música!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A inocência perdida

Vai ser conhecido hoje o acordão do processo Casa Pia, fazendo o CSM questão de o divulgar no seu site. Mais um festim, com a decisão a passar pelo crivo dos especialistas, dos chico-espertos e dos treinadores de bancada.
O regabofe começou mal a investigação foi conhecida, sobretudo por via da divulgação na comunicação social de supostos factos incriminadores, cirurgicamente deixados escapar por uma qualquer garganta funda do processo.
A técnica é tão conhecida como os seus contra-venenos.
Ao arremedo de súmula da decisão (*) lida no passado dia 3 pelo colectivo de juízes, a defesa respondeu com conferências de imprensa, debates (deboches?) televisivos, entrevistas, vídeos, cartas de amor e/ou de recomendação e até ameaças de divulgação de mais nomes supostamente implicados no abuso de menores.
Já agora: se no entender dos arguidos a sentença constitui uma ignomínia, uma aberração, o regresso ao reino das trevas, o que dizer da divulgação de nomes referidos no processo mas que não chegaram a ser investigados?
Que objectivos se escondem por detrás dessa divulgação? Desespero? Espírito de vingança? Mais uma manobra de diversão?
Ou um aviso à navegação, do género, "quem te avisa teu amigo é"? Um recado à Justiça e aos julgadores que reapreciarão o processo em sede dos muitos recursos que hão-de vir, também eles cidadãos falíveis e pecadores como os demais?
A mediatização deste processo já mete nojo aos cães.
__
(*) Art.º 372º, n.º 3, do Cód. de Processo Penal: ...a leitura do relatório [da sentença] pode ser omitida. A leitura da fundamentação, ou, se esta for muito extensa, de uma sua súmula, bem como do dispositivo,é obrigatória, sob pena de nulidade.
- Imagem extraída daqui.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Chover no molhado

Então Deus disse a Noé: «o fim de todos (os homens) chegou diante de Mim, pois encheram a terra de iniquidades. Vou exterminá-los, assim como à terra. Constrói uma arca de madeiras resinosas.
...
De tudo o que tem vida, de todos os animais, levarás para a arca dois de cada espécie, para os conservares vivos junto de ti: um macho e uma fêmea.
Depois .... 
...romperam-se as fontes do grande abismo e abriram-se cataratas do céu. A chuva caiu sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites.

Comentário: chove tanto e de tanto lado, que é melhor ir pensando no pós-dilúvio.
__
- Citações da Bíblia Sagrada / Génesis, 6 e 7, Edição do Instituto Bíblico de Roma, Stampley Publicações Ltda., São Paulo, Brasil].
- Imagem extraída de www.risadageral.com

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A face oculta das escutas ou de como as coisas se terão passado

O processo
A profusão e o conteúdo dos alvos eram de tal ordem que pareciam óbvios os fortes indícios da prática do crime de atentado contra o estado de direito. Porém e apesar de bom zelador da lei e dos ideais de Abril, o tribunal de Aveiro deixou-se levar pela velha e recalcada regra do acusatório: não está escrito em lado nenhum, mas, à cautela, há que indiciar pelo mais e depois logo se verá onde é que isto vai parar.
Percebe-se a regra desviante: ao contrário de que pensava Josef K. (1), a justiça não pode ficar quieta. Bem vistas as coisas, quaisquer tentativas ou meros fumos que apontam para a monopolização de orgãos de informação servem para bloquear o processo democrático. Logo, há que agir rapidamente e derrotar a todo o custo esse estádio supremo do capitalismo que é o imperialismo.
O "sistema de participações" de que falava Lenin (2) não só serve o aumento de poderio dos monopolistas, como permite levar a cabo as piores traficâncias e roubar o povo impunemente.
Vistas assim as coisas, só havia um caminho a seguir: apunhalar o novo César!

As forças de bloqueio
Esqueceu a instância aveirense que o ordenamento jurídico vive enredado numa teia demasiado peganhenta, ainda por cima agravada pela diarreia legislativa que vem assolando o país. Vá lá a gente entender-se no emaranhado de leis codificadas e avulsas.
Pior que tudo isso: como se não chegasse o enredo das supostas infiltrações maçónicas e jesuíticas no aparelho judiciário, sobretudo ao nível das instâncias superiores (3), a nódoa acabou por cair no melhor pano:
As escutas do novo César eram, afinal, nulas. Pois é: os melhores também se enganam e falham onde era suposto acertar no alvo.
Mas nem tudo estava perdido: se a comunicação social chega aos segredos de Estado, porque é que não há-de chegar às meras escutas dum processo judicial? Afinal, sempre lá chegou e, convenhamos, é para isso mesmo que servem 
as forças de desbloqueio
No meio duma crise que ameaçava a ruína, as escutas caíram como sopa no mel ou lagosta à mesa dos haitianos da comunicação social. Com a vantagem de que não há regras processuais a respeitar: os suspeitos presumem-se culpados e quem tem escutas tem condenação pela certa. Basta divulgar o que interessa e ocultar os sinais contrários.
O endes (4)
Muito por culpa dos agentes judiciários (magistrados, advogados, funcionários judiciais e outros que tais) a Justiça, essa, entretanto, vai derrapando até chegar à total descrença pública.


Cá por mim, que deixei de ir ao circo há dezenas de anos, vou-me ficando pela feira quinzenal da minha terra, logo ali no Sobreiro e pelas iniciativas locais. Prefiro os sabores e o pulsar das gentes da terra. Porque é aí que encontro as minhas raízes.
__
Referências bibliográficas e notas finais:
(1) O Processo, de Franz Kafka, Colecção Dois Mundos/Ed. Livros do Brasil, pág. 152.
(2) Imperialismo, estado supremo do capitalismo, de V. I. Lenin, Ed. Centelha, Coimbra/1974, pág. 64.
(3) Acordão do Supremo Tribunal Administrativo de 14/1/2010, Proc.º n.º 043845, consultável
AQUI.
(4) Na minha terra, chama-se endes ao ovo das galinhas poedeiras que deixamos no ninho depois de retirados os demais, de modo a servir como chamariz. Estou em crer que a palavra vem do inglês "end".
 - As imagens foram extraídas do site presentermedia.com e do post encontrável na etiqueta "Justiça" (A palavra e a mão).
- P.S. (salvo seja): chama-se "alvo" à referência onde as escutas estão contidas no processo através dum n.º identificador, de modo a facilitar o acesso ao suporte digital contido num CD ou no próprio disco duro do computador.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O Sr. Teixeira

Já se percebeu que o ministro Teixeira dos Santos não aceita que a Madeira veja aumentadas as transferências do Orçamento do Estado. Por uma questão de justiça e equidade entre os portugueses, é o que diz e bem.
Se bem me recordo, enquanto 1º ministro, Cavaco Silva também não embarcou nos desmandos de Alberto João Jardim, o que valeu a Cavaco o epíteto de "Sr. Silva".
O dirigente madeirense anda demasiado calado para o gosto dele.
Não tarda, o ministro das Finanças não passará do "Sr. Teixeira".
Entretanto, vamos esperar sentados pela justiça e equidade que muitos pregam e poucos aplicam...
__
Foto tirada no Museu do Vinho da Bairrada, em Anadia.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

PROMESSAS LEVA-AS A URNA...

A viver nos nosso dias Leopold Franz Johann Ferdinand Maria Sacher-Masoch não teria, com toda a certeza, idealizado algo mais perverso para concretizar a sua pulsão favorita: obter prazer com a sua própria dor e sofrimento.

Sui generis expressão do mais puro masoquismo, a aceitação por parte do cidadão comum do reiterado incumprimento das promessas eleitorais por parte da "classe política" que governa este Planeta, é algo que prefigura, à escala da Humanidade, um comportamento a tocar as raias do patológico.
Que, vindas de todos os quadrantes do espectro político, democraticamente presentes à esquerda, à direita e ao centro, as promessas eleitorais ganham as eleições que de outra forma os seus autores se arriscariam a perder, é algo que não sofre a menor contestação.

Que, não sendo regra, é "normal" que a esmagadora maioria dessas promessas não sejam cumpridas no período pós eleitoral, e que quem as promete saiba de antemão que as não irá cumprir, faz já quase parte do senso comum, mas é no mínimo dos mínimos ignominioso.
Agora o que é mesmo, mesmo, ultrajante é que ou intuindo ou mesmo percepcionando tudo isto, o comum dos cidadãos ainda continue impávido e sereno a depositar na urna o penhor da sua esperança de dias melhores, eternamente prometidos e eternamente esquecidos, sem um único queixume que não seja o de em futura oportunidade mudar de moleiro...mas não de ladrão.
De promessa em promessa, de esperança em esperança, cíclica e passivamente assistimos a mais uma reinvenção deste provérbio, imbuídos de algo que fica algures entre a estupidez humana, que como todos sabemos é incomensurável, e a completa ausência de consciência política.
Mas por quanto tempo mais conseguirá o cidadão comum suportar as promessas que, está careca de saber, jamais se cumprirão?
Por quanto tempo mais conseguirá conviver pacificamente com o concubinato de casa, cama e pucarinho entre o poder e o capital, que a cada momento se reinventam para perpetuarem a quase apática submissão da horda de explorados da qual é parte integrante?

Por quanto tempo mais poderá complacentemente pactuar com a farsa imoral da distribuição de migalhas a quem realmente produz a refeição inteira, e sucessivamente fazer vista grossa a promessas de equidade financeira e social que se fazem para nunca ser cumpridas?
Por quanto tempo mais poderá o cidadão comum assistir à delapidação do planeta onde temporariamente habita, e onde por este andar não habitarão os filhos dos seus filhos?
Por quanto tempo mais poderemos nós, comuns cidadãos, fazer de conta que perdemos a capacidade de tomarmos em mãos o nosso próprio destino?


Será que não vem chegando a altura de começarmos a equacionar a possibilidade de não necessitarmos de moleiro e muito menos de ladrão?
jr
_
O bloguedooscar abriu-se à colaboração deste misterioso "jr", um blogger com provas dadas, sempre a coberto do mais extremoso anonimato. Anonimato que jurei preservar (eu seja ceguinho!, tal foi a garantia que lhe dei).

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

TACHO DEU SARRABULHO

De 4 em 4 anos, as promessas de tachos repetem-se.
E de 4 em 4 anos, ficam promessas de tachos por cumprir.
Como os tachos são menos do que as promessas, de 4 em 4 anos há sarrabulho: os que foram enganados pelas promessas eleitorais denunciam a vigarice.
Aconteceu isso há pouco mais de 4 anos com o Dr. Fernando Vieira, então presidente da União Desportiva de Bustos, que em 2001 aceitou integrar a lista do CDS para a Assembleia Municipal apenas por lhe terem prometido um sintético para o campo de futebol da UDB.
O nosso presidente da UDB sacrificou a sua condição de militante do PS pela condição de bustuense e amante maior do clube de Bustos.
Como eu era dirigente concelhio do PS, o dótô teve o cuidado e a ombridade de, previamente, falar comigo. Apoiei-o, porque também eu, antes de ser militante dum partido político, sou militante de Bustos.
A promessa não só não foi cumprida, como o sintético foi para outro lado: o Oliveira do Bairro Sport Clube.
E não foi cumprida porquê, perguntarão?
Não foi cumprida, porque quando o CDS organizou em 2005 a lista para a Câmara convidou um prestigiado oliveirense e dirigente do OBSC para fazer parte dessa lista. O convidado aceitou, na condição da Câmara pagar imediatamente o sintético do clube sediado na capital do concelho.
A Câmara cumpriu com o dirigente oliveirense e deixou no fundo da gaveta a promessa que fizera 4 anos antes ao Dr. Fernando Vieira.
O caso deu um grande sarrabulho, com comunicados na rua e protesto do vigarizado na Assembleia Municipal (julgo que, em final de mandato, o Dr. Fernando renunciou mesmo ao cargo de membro da Assembleia). 
O sintético veio para Bustos, pois veio, mas foi pela mão do actual executivo.
Gosto muito de sarrabulho, sobretudo se for feito num tacho grande, ao lume.
Este que aqui apresento foi feito pelas mãos de ouro do Licínio da Mamarrosa e foi comido na adega do Jó, ali no Sobreiro.
A saboreá-lo havia lambões para todos os gostos e paladares: do PS, do PSD, do CDS, do Bloco de Esquerda, da CDU, do Benfica, do Sporting, do Porto, do Beira-Mar e até do Belenenses, por sinal um clube do coração de muitos bustuenses nascidos nos anos 20, 30 e 40.
Bustuenses que não esquecem.
É bom não esquecer. É bom lembrar.
Porque um Povo sem memória é um Povo sem história.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Vocês conhecem-me

Não vou dizer que sou mais conhecido do que a Sé de Braga. Deixo isso para o candidato do CDS à Câmara Municipal, ele sim, pelo menos tão conhecido como a vetusta sé da cidade dos arcebispos. O que não admira, porque ambos existem e se mantém de pé há centos e centos de anos. (1)
E também não vos vou pedir que confiem, seja em mim, seja no candidato. Explico porquê:
Quanto ao candidato e entre outras razões de que agora me reservo não falar, porque se trata dum verdadeiro "animal político", velho rato sabido, cheio de truques na manga, especialista na arte de prometer que os políticos tão bem cultivam, que diz que fez o que não fez (ou só fez em parte), ou que agora vai fazer o que há muito deveria ter feito.
E se vos peço para também não confiarem em mim, lá tenho as minhas razões.
Entre outras de que agora me reservo não falar, sou meio anarca, um rebelde, cão que não conhece dono, porta bandeira de causas que defendo até à exaustão. 
Causas que às vezes ganho, às vezes perco. Mesmo quando ganho.
Confesso também que sou visceralmente anti-estalinista, menos num aspecto. Como Estaline, seria capaz de restaurar os ícones religiosos para incentivar o povo a resistir à invasão nazi (2).
Porque digo isto, perguntarão. Também explico porquê:
Vamos supor que a lista BUSTOS EM 1º, concorrente à eleição para a Assembleia de Freguesia de Bustos, ganha as eleições de 11 de Outubro...
Em tal caso, alguém me imagina a ter de tratar a vencedora por "Senhora Presidenta" prá qui, "Senhora Presidenta" prá li?
Que reacção esperariam dum homem que já casou 3 vezes e outras tantas se amigou?
Suportaria tal vexame?
Ou tentaria um 4 casamento?
E se a história voltasse a repetir-se? Tentaria um 5º?
Não! Jamais (ler jamais com sotaque afrancesado)!
A história não vai repetir-se! 
Nem a lista da minha 3ªcarametade vai ganhar as eleições...
...nem eu acredito em 5 casamentos, ainda que interpolados!
Cinco casamentos são cinco mandatos.
São mandatos a mais!
Deus me livre!
__
(1) A Sé de Braga terá começado a ser construída no séc. XI, entre 1070 e 1093.
(2) As tropas soviéticas chegaram a marchar contra os exércitos de Hitler com bandeiras de santos ortodoxos como porta-estandartes.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Há mar e mar. Há ir e ficar

A descoberta do vídeo antecedente trouxe-me à lembrança um bom amigo e companheiro de Bustos: o Necas Caldeira, magarefe reformado. Mas também embarcadiço, para fugir à guerra a que acabou por não fugir.
Naquela madrugada, apeteceu-me bater-lhe à porta e perguntar-lhe: 
- Então, Necas e o teu mar? 
- E a guerra, Necas, a puta da guerra ali no Tôto, aonde nos encontrámos ia eu para para mais uma intervenção a pedido dos senhores da guerra de Luanda?
- E as campanhas no bacalhau, Necas? Conta-me, conta-me lá, que quero ouvi-las outra vez?

Acabei por encontrá-lo ontem, no sítio do costume, andava aqui o padrinho, mai'la madrinha e o afilhado, a colocar a 3ª tela do "Bustos em 1º". Foi na Barreira, à beira da casa do Altino.
Acabada a safra e umas atramoçadas minis de permeio na loja da Maria do Altino, viémos até casa lembrar tempos que marcaram a nossa juventude. 
E viajar pela net. Mar adentro. Até St. Jones, na Terra-Nova, Labrador.
Chegados lá, dispara-me o Necas:
"O Santa Maria Manuela era da pesca à linha. Saíam em Fevereiro/Março e regressavam antes dos temporais. Os primeiras linhas eram a alma da pesca à linha. Iam nos dóris para sotavento, zagaiando de vez em quando, a ver se ferravam peixe. Se viam que dava, largavam os tróleis de 10, 26, 28 linhas, na zona testada pela zagaia. Era um fartote!
 Carregados os dóris e deixadas as linhas assinaladas com bóias, vinham descarregar o bacalhau para bordo, que garfeavam para dentro da embarcação sem sair do dóris [tás a ver aqui, no filme? Cala-te mas é, e aprende!]
Arrastão Santa Princesa

Fui em 66 para o bacalhau, no Santa Princesa, um navio de guerra francês adaptado. Também andei no Santa Mafalda
Arrastão Santa Mafalda

Foram 4 viagens ao todo, entre 66 e 69.
Uma vez, o Ti Jacinto Merendeiro, da Gafanha do Carmo, morreu dum ataque quando íamos para St. Johns. Enterrámo-lo lá, mas o filho, emigrante no Canadá, trouxe-o para o chão da terra dele. Era gente de raízes!
Mas antes da malta ser enterrada em terra, muito antes de mim, fazia-se o "bota-abaixo": o corpo de quem morria a bordo dos veleiros era colocado em cima duma tábua e seguro por pesos para afundar. Deixado à água, o bota-abaixo só acabava quando se largava uma lamparina a boiar no local, a assinalar a morte.
[Tás parvo ou quê? Claro que a lamparina boiava à solta! Era uma cerimónia, a fazer de conta! Como o teu enterro e o meu, quando formos viver para a casa grande que fica em frente do Zé Valério!  Ou estás à espera de missa cantada e santa no enterro?
- Calei-me antes que ele me excomungasse...]

Não aguentei os 7 anos que a lei mandava para se livrar da guerra. Embarquei para Angola em 71, com o Batalhão 3855, 4ª Companhia, a 3437.
E a tua, que eras dessa merda da intervenção, sempre a saltar para onde elas escaldavam?
- Era a 3564, Necas - respondi-lhe eu - uma companhia independente, sob as  ordens directas do Comando-Chefe de Luanda.

Já agora, Necas: quando nos encontrámos no Tôto ia para uma intervenção na serra da Mucaba, a subir  de gatas, a pique, à espera das ameixas cairem. Fomos a seguir aos páras, que vieram de lá corridos. Aquilo era um santuário da Fenelá, uma espécie de cu de Judas.
Sabes, no percurso passei por uma pequena fazenda que se chamava Mamarrosa.
Lembrou-me a terra. 
A terra para onde tinha de voltar, Necas, nem que fosse cão!"

A nossa terra é o nosso chão. 
É aqui que estão as nossas raízes.
Todos os dias as rego com água.
__
A net está cheia de blogues e sítios que nos transportam para o mundo perdido das frotas bacalhoeiras.
Bem hajam pela ajudinha!

domingo, 30 de agosto de 2009

O disco volta a tocar do mesmo…

O post antecedente criou alguns engulhos, perturbações de espírito. Se calhar, medos, muitos medos.

Tarde e a más horas, foram vários os amigos que se queixaram:


a) Ou de que me esqueci de identificar no texto os homens e mulheres. Era fácil: bastava escrevinhar 36 nomes…

Como se o objectivo do texto não fosse apenas o de expor o princípio, a regra, que levou a que pouco ou nada mudasse na filosofia dos partidos concorrentes!

A ver se nos entendemos: para o efeito, que importa quem é quem? Para publicitar nomes, existem as listas expostas no Tribunal. É só ir lá, que a Lei não o proíbe, pelo contrário: até incentiva o cidadão comum a tomar conhecimento do processo eleitoral.

É um direito, mas também um dever, sobretudo de quem tem responsabilidades político-partidárias. Foi por tal razão legal que as listas estiveram expostas em edital, como manda o formalismo processual.

Esqueceram-se dos deveres, do trabalho de casa? Lamento, mas não choro sobre leite derramado por descuido ou negligência grosseira.

Como se não bastasse, pelo menos as listas completas dum dos partidos também foram divulgadas num blogue bem conhecido no concelho – o Bairrada Digital. É só clicar no endereço aqui ao lado direito. Para facilitar, aqui vai uma ajudinha, direitinha ao sítio, que é mesmo AQUI. (*)

Como é de exigir a um blogue generalista e aberto, também o Notícias de Bustos publicou uma outra lista. E desde a 1ª hora que se afirmou disponível para colocar lá as restantes. Estão à espera que vamos lá a casa pedi-las?


b) Ou então queixam-se de que o bloguedooscar deveria ser uma porta aberta ao universo dos partidos concorrentes às autárquicas.

Repita lá? Então um blogue pessoal e intimista (por mais transmissível que se queira), o espelho do pulsar, do sentir, do modo pessoal de alguém ver e olhar para o mundo, é balde comum? É albergue espanhol?

E que tal se dormissem menos e fizessem mais trabalho de casa?

Do céu, que eu saiba, pode cair chuva e tempestade, sol e bonança. Até milagre pode cair, como o de S. Lourenço de Bustos, em quem piamente acredito e de que sou devoto confesso e assumido.

O que certamente não cai do céu é a solução para a cegueira e o tanto dormir duns quantos!

Não foi por acaso que me recusei a integrar as listas do partido de que guardo o cartão de sócio num sítio que agora não me lembro.

Não é por acaso que odeio a ditadura dos aparelhos partidários: vou perdendo dentes desde os meus 17 anos. Já me faltam uns 6 ou 7. Mas nem a querida dentista, ali da Póvoa, me convence a pôr o malfadado aparelho.

Sou contra. Por isso, daqui vos grito bem alto e de punho erguido:


ABAIXO O APARELHO!

MORTE À DENTADURA DO PROLETARIADO!

__


(*) Tomando como referência a mãozinha do rato, não o partido da mãozinha, que também não se livra de alguns resquícios do mesmo mal de que os outros estão contaminados.

- Imagem extraída de Asterix e o regresso dos gauleses / 14 histórias completas / O regresso às aulas, de René Goscinny e Albert Uderzo, Edições ASA, 1ª edição / Novembro de 2004.