A mal conhecida e envergonhadamente escondida história do
movimento macknovista continua a perseguir-me, sempre pela positiva. Vale a pena, vale mesmo a pena, lembrar um pouco da sua fantástica história:
Nestor Ivanovich Mackno nasceu na Ucrânia em 1888. Azar
dele, tendo em conta que no decorrer a 2ª grande guerra (1939/45) muitos ucranianos - demasiados ucranianos - traíram a pátria soviética na justa luta contra Hitler, pondo-se ao lado dessa nojeira
que foi o nazismo.
A partir de julho de 1918, Mackno passou a liderar um poderoso
exército de matriz anarquista que se opôs ferozmente ao bolchevismo vermelho dos
primeiros anos da revolução russa. Não fica mal lembrar que, antes, Mackno começou por se opor ao anticomunista exército branco que defendia o regresso ao czarismo. Nem branco, nem vermelho, o numeroso exército macknovista adoptou o preto, cor de eleição de qualquer anarquista que se preze.
Em maio de 1923, o anarquista russo Voline prefaciou este fantástico livro da
autoria de Piotr Archinov.
O movimento macknovista foi - e passo a citar o autor do
prefácio deste livro que guardo religiosamente desde 1976 - “produzido pura e unicamente pelas camadas
mais baixas das massas populares, estranhas a toda a pretensão de esplendor, de
dominação e de glória…
Desenrolando-se, quase
sem intervalos, em condições de luta armada incrivelmente tenazes e penosas;
rodeado de todas as partes de inimigos; com poucos adeptos fora das esferas não
trabalhadoras; combatido sem quartel pelo partido dominante…tendo perdido, pelo
menos, 90 por cento dos seus melhores participantes…o movimento deixou poucos
documentos vivos.”
Ao slogan bolchevista “a
terra a quem a trabalha”, Mackno contrapunha um slogan muito do meu gosto: a
terra é de quem a trabalha!
Se não for assim, com que alma vamos buscar forças para defender as
nossas raízes?
Sem raízes nossas, plantadas por nós nas terras que nos
viram nascer, sem essa matéria-prima, donde vamos alimentar a seiva que nos
fortalece?
*
Em 1976, regressado da puta da guerra colonial há um par de
anos, abracei de alma e coração o anarquismo puro e duro.
- É dele que guardo os restos que ilustram este blogue, aqui ao lado, na barra direita.
- Herdei dele o “cão que não conhece dono”, que o maldito vírus pirateou e agora não está lá mas há-de voltar.
- Dele herdei o contra senso da minha 1ª grande guerra, onde fiz tudo o que um verdadeiro anarquista odeia: a guerra, sem medo, por sinal armado em herói estúpido, de peito feito às balas, que a morte não era com o alferes miliciano ranger que eu exercitei, nem com os meus bravos, que um dia jurei trazer a todos, bons do corpo, mas abalados da alma.
- Por excelência, dele herdei o contraponto do Léo Ferré: "dans le coktail molotov il faut metre du martini, mom petit". - No meio desta caldeirada de senso e de falta dele, também dele herdei uma certa imagem do torreão da ABC de Bustos, imagem retratada AQUI.
O Serginho, de sua graça Sérgio Micaelo Ferreira, bustuense de
gema e agora a modos que retirado (atirado?) lá para os confins da serra
interior, foi dos que acertou na mouche, me cheirou à distância e me tirou a preceito as medidas do fato que o Ti Adriano alfaiate da nossa juventude me fazia da raíz do tecido, quando
anunciei pomposamente a criação do meu blogue pessoal e intimista. À data
(6/8/2008), o Serginho saiu-se com esta posta.
Vê lá mas é se apareces, ó trânsfuga, que está por fazer a
verdadeira revolução, a tal que ficou na gaveta quando o 25 de Abril saiu à rua!
Ou pensas que mudou o que de mais importante havia para
mudar?
A mim parece-me que faz falta mudar as mentes e tantos usos e costumes do reino.
Feita a mudança, é fácil acabar ou reduzir ao mínimo a podridão dos
interesses instalados, do poder da manjedoura, dos compadrios, dos favores e da
corrupção à fartazana?
Pensarás tu que tendo mudado de burro mudaste de moleiro?
Se pensas, estou como diz o povo: estás muito mal enganado! _____ P.S. (salvo seja): do meu anarco-sindicalismo, até acabar no Mackno, disse muito AQUI.
Antes de voltar um dia destes para o paraíso em Unhais da
Serra (H2Otel), voltei a revolver milhares de papéis, à
procura eu sei bem de quê.
Voltei
a encontrar preciosidades como esta, que irei publicando – cá, lá e pelo
caminho – agora que o novo portátil parece estar a encarreirar, graças a um russo chamado Kaspersky. Benditos comunistas, apetece dizer.
O
CDS não existe. Bom grado ter governado em maioria absoluta e propalar aos sete ventos que as rigorosas metas orçamentais foram cumpridas, a coligação PS/PSD
perde estrondosamente as eleições para a esquerda.
Exaurido e em coma profundo, resultado de 4 anos
de austeridade à bruta, o país votou pela mudança. Esquecida a escandaleira
dos desastrosos resultados duma tradição feita traição, os portugueses
recuperam a saúde física e mental.
Inevitavelmente, a despesa pública vem por
aí abaixo, para o que muito contribuiu a poupança no SNS.
Como por encanto, o país anima com a inusitada recuperação do investimento e o aumento dos postos
de trabalho. Afastados os velhos do Restelo, a receita dispara, bem alavancada
pelo aumento das exportações e por um bem controlado aumento do consumo interno,
que aforrar também é preciso.
Investidores
e banqueiros rejubilam. São rosas,
Senhor! – proclamam, enquanto a procissão regressa ao futuro.
Atordoado
pela reviravolta do processo histórico, o tio Karl Marx salta da campa e decide
ir acampar para os lados da Lourinhã, em busca dos dinossauros perdidos.
Com
ele, o inseparável amigo Frederich.
Sem
surpresa, dão de caras com a matriz da sua demanda.
Enquanto
o diabo esfrega um olho, o país vê erguido o maior museu do mundo de pegadas de dinossauros e outros
achados arqueológicos.
E
lá vamos todos depois da festa do Avante, a galopim, galopim.
Antes que se faça tarde e o comentador/candidato (que também veio de lá) chegue 1º. ___ - Desenho adaptado, com a devida vénia, daqui. - Galopim de Carvalho, conhecido como o avô dos dinossauros.
Há duas coisas de que me reclamo, seja como o eu daqui, seja como o alterego rangerfurão, seja como o outro alterego oscardoface:
1ª - Não sou mentiroso, apesar de ser advogado, por sinal muito popular;
2ª - Não sou a voz do dono, antes sou como o cão que não conhece dono, como o atesta a 1ª referência da barra superior direita deste jornalito de parede.
Ainda por cima, fartei-me de avisar, aqui e na porra do facebook.
Resultado: toma que já almoçaste!
Desculpem lá qualquer coisinha, mas o que tem que ser tem muita força, como se desculpou o Grande O'Neill, que até - quem diria! - foi casado com uma Grande Senhora, mas que teve o azar de ser ministra do ambiente dum governo dessa nódoa que é o atual Presidente da República, o qual ainda consegue ser pior do que muitos ou alguns de vocês, não sei; só sei que não estou, nunca estive, nem irei aí ao Largo do Rato para vos contar, mesmo que tenha cartão de sócio, uma espécie de senha de entrada no céu a que falta a password.
Em vez de se armarem em vencedores pour épater le bourgeois [enquanto andam a chorar baba e ranho pelos corredores e retretes do partido], aproveitem mas é para digitar o nome O'Neill, na barra superior esquerda ali em cima, a qual é dedicada às buscas, que são uma espécie de "busca, rex, busca, que está ali um coelho inseguro debaixo daquela moiteira!".
E, já agora, enquanto elas estão quentes, aproveitem também para digitar o nome Marinho Pinto na dita busca patusca e vão ver que ela (a busca) é mais do que segura, mesmo que seja o (in)Seguro a digitar!
E digitem também no meu face!!
Digitem cães, digitem, que a busca está cheia de ossos difíceis de roer!
Madraços é no que vocês se tornaram!
Sim, madraços, que nem vagar tiveram para consultar as várias frentes de batalha onde este vosso humilde servo (o tanas, que eu sou cão que não conhece o dono!) derrama a sua juventude. Derramei no passado e continuo a derramar, que um Ranger nunca se rende e muito menos se deixa morrer na praia!
Para terminar:
- Embora goste muito da história muito bonita da Rainha Santa Isabel, relatada na minha 2ª campanha alegre, prefiro dizer-vos...
...Adeus, que se faz tarde e Inês é morta!
_____
- P.S. (salvo seja!): eu bem que procurei pelo meu cartão de sócio para o exibir aqui, mas não dei com ele. Deve estar metido para um canto qualquer dos meus milhares de documentos e outros recuerdos. Se calhar está no meio dos papéis onde o meu gato anda a mijar, o sacana. Que se lixe! Cartões há muitos e o único que me falta é o do Benfica, que é mais importante que os da merda da política partidária!
São de Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, estas palavras para meditar:
A falta de bom-senso e humildade constitui uma das principais causas da degenerescência da justiça portuguesa. Tudo seria simples se houvesse uma coisa que falta cada vez mais aos nossos magistrados: bom senso.
Uma mulher com 88 anos de idade morreu no seu apartamento em Rio de Mouro, Sintra, mas o corpo só foi encontrado mais de oito anos depois, juntamente com os restos mortais de alguns animais de companhia (um cão e dois pássaros). Este caso...interpela-nos a todos não só pela sua desumanidade mas também pela chocante contradição entre os discursos públicos dominantes e a dura realidade da nossa vida social. Contradição entre promessas e garantias de bem-estar, de solidariedade e de confiança nas instituições públicas e uma realidade feita de solidão, de abandono e de impessoalidade nas relações das instituições com os cidadãos.
Apenas duas ou três pessoas se interessaram pelo desaparecimento daquela mulher, fazendo, aliás, o que lhes competia. Com efeito, uma vizinha e um familiar comunicaram o desaparecimento às autoridades policiais e judiciais mas ninguém na PSP, na GNR, na Polícia Judiciária e no tribunal de Sintra se incomodou o suficiente para ordenar as providências adequadas. Em face da participação do desaparecimento de uma idosa a diligência mais elementar que se impunha era ir à sua residência habitual recolher todos os indícios sobre o seu desaparecimento. É isto que num sistema judicial de um país minimamente civilizado se espera das autoridades policiais e judiciais, até porque o caso era susceptível de constituir um crime. O assalto e até assassínio de idosos nas suas residências não são, infelizmente, casos assim tão raros em Portugal. Mas, sintomaticamente, as autoridades judiciais não só não se deram ao trabalho de se deslocar à residência como, inclusivamente, recusaram-se a autorizar os familiares a procederem ao arrombamento da porta de entrada.
E tudo seria tão simples se houvesse uma coisa que falta cada vez mais aos nossos magistrados: bom senso. Mas não. Dava muito trabalho ir à uma residência procurar pistas sobre o desaparecimento de uma pessoa. Dava muito trabalho oficiar outras instituições para prestar informações sobre esse desaparecimento. Sublinhe-se que um primo da idosa se deslocou treze vezes ao tribunal de Sintra para que este autorizasse o arrombamento da porta da sua residência.
Mas, em vez disso, o tribunal, lá do alto da sua soberba, decretou que a desaparecida não estava morta em casa, pois, se estivesse, teria provocado mau cheiro no prédio. É esta falta de bom-senso e humildade perante a realidade que constitui uma das principais causas da degenerescência da justiça portuguesa. Os nossos investigadores (magistrados e polícias) não investigam para encontrar a verdade, mas sim para confirmarem as verdades que previamente decretam. E, como algumas dessas verdades são axiomáticas, não carecem de demonstração.
Mas há mais entidades cujo comportamento revela que a pessoa humana não constitui motivo suficientemente forte para as obrigar a alterar as rotinas burocráticas e impessoais.
A luz da cozinha daquele apartamento esteve permanentemente acesa durante um ano, ao fim do qual a EDP cortou o fornecimento de energia eléctrica, sem se interessar em averiguar o motivo pelo qual um consumidor deixou de cumprir o contrato celebrado entre ambos.
Os vales da pensão de reforma deixaram de ser levantados pela destinatária, mas a segurança social nada se preocupou com isso. Ninguém nessa instituição estranhou que a pensão de reforma deixasse de ser recebida, ou seja, que passasse a haver uma receita extraordinária sem uma causa. E isto é tanto mais insólito quanto os reformados são periodicamente obrigados a fazerem prova de vida. Mas isso é só quando estão vivos e recebem a pensão.
Os CTT atulharam a caixa de correio daquela habitação de correspondência que não era recebida sem que nenhum alerta alterasse as suas rotinas.
Finalmente, as finanças penhoraram uma casa e venderam-na sem que o respectivo proprietário fosse citado. Como é que é possível num país civilizado penhorar e vender a habitação de uma pessoa, aliás, por uma dívida insignificante, sem que essa pessoa seja citada para contestar? Sem que ninguém se certifique de que o visado tomou conhecimento desse processo? Como é possível comprar uma casa sem a avaliar, sem sequer a ver por dentro? Quem avaliou a casa? Quem fixou o seu preço? Claro que agora aparecem todos a dizer que cumpriram a lei e, portanto, ninguém poderá ser responsabilizado porque a culpa, na nossa justiça, é sempre das leis. É esta generalizada irresponsabilidade (ninguém responde por nada) que está a tornar este país cada vez mais insuportável.
__
Texto extraído da revista Advocatus, de 14.2.2011, por sua vez reproduzido dum artigo de opinião no Jornal de Notícias.
Segundo ele o País floresce, enriquece, e o Paraíso está ainda mais perto que a Outra Banda. É tentarmos um passo, um leve esforço, e entrarmos para sempre na tranquilidade augusta da perfeição...
Há só um ponto negro que assusta o discurso da coroa: é a questão da fazenda. No entanto, o discurso da coroa, cada vez que aparece em público, promete resolver a questão da fazenda.
...
E aí vem o discurso da coroa abrir de novo as cortes, rosnando com a mão no peito:
- Pois senhores, palavra de honra, agora a todo o custo, impreterivelmente, havemos de resolver a questão da fazenda, etc..
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- Eça de Queiroz, Uma Campanha Alegre, de «As Farpas», I Volume, Lello & Irmão - Editores, Porto, 1965, págs. 109 a 111.
A multidão em fúria passeia plàcidamente nas ruas da cidade, plácida mente, enquanto os homens que orientam plàcidamente a multidão em fúria que plàcidamente passeia nas ruas da cidade, procuram furiosamente as soluções plácidas que orientarão a multidão em fúria que, plàcidamente, passeia nas ruas da cidade, de mente plácida, plácida mente, e os sábios buscam furiosamente as fórmulas plácidas que, plàcidamente, resolverão as dificuldades da multidão em fúria que passeia nas ruas da cidade de mente plácida, plácida mente, e todos, em suma, plàcidamente, procuram furiosamente, de todas as formas plácidas, atender às inquietações e aos anseios plácidos da multidão em fúria que, plàcidamente, passeia nas ruas da cidade, e plàcidamente se assenta nos plácidos bancos das avenidas, bebendo o ar plácido da noite, e esperando, plàcidamente, as soluções plácidas para os seus anseios e inquietações furiosas.
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António Gedeão, Linhas de Força, 1967, Edição do autor [comprado em Coimbra, em Setembro de 1969].
O nosso 1º anunciou ontem a iniciativa "licenciamento zero", incluída no Programa Simplex 2010.
Sou testemunha de algumas louváveis medidas simplex: sem sair do escritório, sentado à mesa do pc onde tenho instalado o certificado digital que a profissão requer e enquanto o diabo esfrega um olho, promovo a criação de mais uma "empresa na hora". Para ajudar à festa, as certidões on line passaram a ser o pão nosso de cada dia, em geral à borla.
Diarreia legislativa à parte, não faltam bons exemplos de desburocratização administrativa.
No caso e embora a consulta da resolução do Conselho de Ministros não esclareça todas as dúvidas sobre o licenciamento zero, estou em crer que, finalmente, os portugueses vão poder atingir o estado supremo da libertação burocrática, o verdadeiro nirvana, ou, se preferirem, o céu dos cristãos.
Em verdade vos digo: tudo parece indicar que qualquer aspirante a dono dum estabelecimento de restauração, de bebidas, de comércio de bens, de prestação de serviços ou de armazenagem, passa a poder abrir o seu estaminé sem ter de se preocupar com os licenciamentos municipais mais básicos (licença de utilização, inspecções sanitárias e afins). As vistorias passam a ser uma minudência, coisa de pouca monta, pelo que bem podem ficar para mais tarde recordar.
É fácil imaginar o que nos espera: enquanto o pau vai e vem, folgam as costas dos xico-espertos.
A profusão e o conteúdo dos alvos eram de tal ordem que pareciam óbvios os fortes indícios da prática do crime de atentado contra o estado de direito. Porém e apesar de bom zelador da lei e dos ideais de Abril, o tribunal de Aveiro deixou-se levar pela velha e recalcada regra do acusatório: não está escrito em lado nenhum, mas, à cautela, há que indiciar pelo mais e depois logo se verá onde é que isto vai parar.
Percebe-se a regra desviante: ao contrário de que pensava Josef K. (1), a justiça não pode ficar quieta. Bem vistas as coisas, quaisquer tentativas ou meros fumos que apontam para a monopolização de orgãos de informação servem para bloquear o processo democrático. Logo, há que agir rapidamente e derrotar a todo o custo esse estádio supremo do capitalismo que é o imperialismo. O "sistema de participações" de que falava Lenin (2) não só serve o aumento de poderio dos monopolistas, como permite levar a cabo as piores traficâncias e roubar o povo impunemente. Vistas assim as coisas, só havia um caminho a seguir: apunhalar o novo César!
As forças de bloqueio
Esqueceu a instância aveirense que o ordenamento jurídico vive enredado numa teia demasiado peganhenta, ainda por cima agravada pela diarreia legislativa que vem assolando o país. Vá lá a gente entender-se no emaranhado de leis codificadas e avulsas. Pior que tudo isso: como se não chegasse o enredo das supostas infiltrações maçónicas e jesuíticas no aparelho judiciário, sobretudo ao nível das instâncias superiores (3), a nódoa acabou por cair no melhor pano:
As escutas do novo César eram, afinal, nulas. Pois é: os melhores também se enganam e falham onde era suposto acertar no alvo. Mas nem tudo estava perdido: se a comunicação social chega aos segredos de Estado, porque é que não há-de chegar às meras escutas dum processo judicial? Afinal, sempre lá chegou e, convenhamos, é para isso mesmo que servem
as forças de desbloqueio
No meio duma crise que ameaçava a ruína, as escutas caíram como sopa no mel ou lagosta à mesa dos haitianos da comunicação social. Com a vantagem de que não há regras processuais a respeitar: os suspeitos presumem-se culpados e quem tem escutas tem condenação pela certa. Basta divulgar o que interessa e ocultar os sinais contrários.
O endes (4)
Muito por culpa dos agentes judiciários (magistrados, advogados, funcionários judiciais e outros que tais) a Justiça, essa, entretanto, vai derrapando até chegar à total descrença pública.
Cá por mim, que deixei de ir ao circo há dezenas de anos, vou-me ficando pela feira quinzenal da minha terra, logo ali no Sobreiro e pelas iniciativas locais. Prefiro os sabores e o pulsar das gentes da terra. Porque é aí que encontro as minhas raízes.
__ Referências bibliográficas e notas finais:
(1) O Processo, de Franz Kafka, Colecção Dois Mundos/Ed. Livros do Brasil, pág. 152.
(2) Imperialismo, estado supremo do capitalismo, de V. I. Lenin, Ed. Centelha, Coimbra/1974, pág. 64.
(3) Acordão do Supremo Tribunal Administrativo de 14/1/2010, Proc.º n.º 043845, consultável AQUI.
(4) Na minha terra, chama-se endes ao ovo das galinhas poedeiras que deixamos no ninho depois de retirados os demais, de modo a servir como chamariz. Estou em crer que a palavra vem do inglês "end".
- As imagens foram extraídas do site presentermedia.com e do post encontrável na etiqueta "Justiça" (A palavra e a mão). - P.S. (salvo seja): chama-se "alvo" à referência onde as escutas estão contidas no processo através dum n.º identificador, de modo a facilitar o acesso ao suporte digital contido num CD ou no próprio disco duro do computador.
O episódio do procedimento cautelar destinado a impedir a publicação dum texto no semanário Sol constitui mais uma machadada na deliberada descredibilização da Justiça.
Os jornalistas julgam-se acima da lei, usam e abusam de meios proibidos ao comum dos cidadãos e, não tarda, serão eles a decidir quem, mal ou bem, deve ou não deve governar o país.
No que ao 1º ministro diz respeito, o conteúdo das escutas feitas no âmbito do processo "face oculta" não tem relevância criminal. Foi o que decidiram o Procurador Geral da República e o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça.
Como desde logo defendeu o Bloco de Esquerda, os indícios (aparentemente evidentes) de que pessoas do círculo do 1º ministro (com ou sem a cumplicidade ou co-autoria deste) tencionavam ou ambicionavam controlar orgãos da comunicação social "incómodos" justificam uma investigação séria por parte da Assembleia da República.
Provavelmente e de acordo com as regras democráticas, conduziriam à mais do que justificada demissão deste governo minoritário.
Como as coisas se estão a passar, o verdadeiro poder saltou para as mãos da comunicação social.
Pela 2ª semana consecutiva, o semanário Sol publica notícias obtidas por meios ilícitos, criminosos, meios que ao longo de 31 anos de advocacia desaconselhei aos meus clientes. Sob pena da justiça penal lhes cair em cima com unhas e dentes, para além dos limites das suas capacidades de defesa.
Se um cidadão anónimo, sem poder financeiro, social ou político, se furtasse a uma citação como a que uma agente de execução repetidamente pretendeu cumprir durante a tarde de ontem na sede do semanário, certamente estaria hoje a sentar-se no banco dos réus sob a acusação de obstrução da justiça.
Se o mesmo cidadão fizesse uso dum meio ilegítimo, criminoso, para atingir um objectivo (ainda que lícito), já teria sido detido e, com alguma probabilidade, seria rapidamente julgado e severamente condenado.
Quanto às escutas, quando legítimas, não passam de mais um meio de prova que, corroborado por outras diligências probatórias, poderá levar à condenação dum suspeito da prática dum determinado crime.
Por curiosa coincidência, ontem mesmo, vários colegas defendemos essa tese em sede de alegações finais num conturbado e longo processo-crime.
Mas para a toda poderosa corporação da comunicação social a justiça é diferente. Confirma-se que quem tem poder manda como quer.
Também se confirma o que sempre me pareceu desde os tempos de jovem rebelde: o sol, quando nasceu, não é para todos.
George Orwell tinha razão no seu romance de 1949: o big brother vem aí!
Já se percebeu que o ministro Teixeira dos Santos não aceita que a Madeira veja aumentadas as transferências do Orçamento do Estado. Por uma questão de justiça e equidade entre os portugueses, é o que diz e bem.
Se bem me recordo, enquanto 1º ministro, Cavaco Silva também não embarcou nos desmandos de Alberto João Jardim, o que valeu a Cavaco o epíteto de "Sr. Silva".
O dirigente madeirense anda demasiado calado para o gosto dele.
Não tarda, o ministro das Finanças não passará do "Sr. Teixeira".
Entretanto, vamos esperar sentados pela justiça e equidade que muitos pregam e poucos aplicam...
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Foto tirada no Museu do Vinho da Bairrada, em Anadia.
A viver nos nosso dias Leopold Franz Johann Ferdinand Maria Sacher-Masoch não teria, com toda a certeza, idealizado algo mais perverso para concretizar a sua pulsão favorita: obter prazer com a sua própria dor e sofrimento.
Sui generis expressão do mais puro masoquismo, a aceitação por parte do cidadão comum do reiterado incumprimento das promessas eleitorais por parte da "classe política" que governa este Planeta, é algo que prefigura, à escala da Humanidade, um comportamento a tocar as raias do patológico.
Que, vindas de todos os quadrantes do espectro político, democraticamente presentes à esquerda, à direita e ao centro, as promessas eleitorais ganham as eleições que de outra forma os seus autores se arriscariam a perder, é algo que não sofre a menor contestação.
Que, não sendo regra, é "normal" que a esmagadora maioria dessas promessas não sejam cumpridas no período pós eleitoral, e que quem as promete saiba de antemão que as não irá cumprir, faz já quase parte do senso comum, mas é no mínimo dos mínimos ignominioso.
Agora o que é mesmo, mesmo, ultrajante é que ou intuindo ou mesmo percepcionando tudo isto, o comum dos cidadãos ainda continue impávido e sereno a depositar na urna o penhor da sua esperança de dias melhores, eternamente prometidos e eternamente esquecidos, sem um único queixume que não seja o de em futura oportunidade mudar de moleiro...mas não de ladrão.
De promessa em promessa, de esperança em esperança, cíclica e passivamente assistimos a mais uma reinvenção deste provérbio, imbuídos de algo que fica algures entre a estupidez humana, que como todos sabemos é incomensurável, e a completa ausência de consciência política.
Mas por quanto tempo mais conseguirá o cidadão comum suportar as promessas que, está careca de saber, jamais se cumprirão?
Por quanto tempo mais conseguirá conviver pacificamente com o concubinato de casa, cama e pucarinho entre o poder e o capital, que a cada momento se reinventam para perpetuarem a quase apática submissão da horda de explorados da qual é parte integrante?
Por quanto tempo mais poderá complacentemente pactuar com a farsa imoral da distribuição de migalhas a quem realmente produz a refeição inteira, e sucessivamente fazer vista grossa a promessas de equidade financeira e social que se fazem para nunca ser cumpridas?
Por quanto tempo mais poderá o cidadão comum assistir à delapidação do planeta onde temporariamente habita, e onde por este andar não habitarão os filhos dos seus filhos?
Por quanto tempo mais poderemos nós, comuns cidadãos, fazer de conta que perdemos a capacidade de tomarmos em mãos o nosso próprio destino?
Será que não vem chegando a altura de começarmos a equacionar a possibilidade de não necessitarmos de moleiro e muito menos de ladrão?
jr
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O bloguedooscar abriu-se à colaboração deste misterioso "jr", um blogger com provas dadas, sempre a coberto do mais extremoso anonimato. Anonimato que jurei preservar (eu seja ceguinho!, tal foi a garantia que lhe dei).
De 4 em 4 anos, as promessas de tachos repetem-se.
E de 4 em 4 anos, ficam promessas de tachos por cumprir.
Como os tachos são menos do que as promessas, de 4 em 4 anos há sarrabulho: os que foram enganados pelas promessas eleitorais denunciam a vigarice.
Aconteceu isso há pouco mais de 4 anos com o Dr. Fernando Vieira, então presidente da União Desportiva de Bustos, que em 2001 aceitou integrar a lista do CDS para a Assembleia Municipal apenas por lhe terem prometido um sintético para o campo de futebol da UDB.
O nosso presidente da UDB sacrificou a sua condição de militante do PS pela condição de bustuense e amante maior do clube de Bustos.
Como eu era dirigente concelhio do PS, o dótô teve o cuidado e a ombridade de, previamente, falar comigo. Apoiei-o, porque também eu, antes de ser militante dum partido político, sou militante de Bustos.
A promessa não só não foi cumprida, como o sintético foi para outro lado: o Oliveira do Bairro Sport Clube.
E não foi cumprida porquê, perguntarão?
Não foi cumprida, porque quando o CDS organizou em 2005 a lista para a Câmara convidou um prestigiado oliveirense e dirigente do OBSC para fazer parte dessa lista. O convidado aceitou, na condição da Câmara pagar imediatamente o sintético do clube sediado na capital do concelho.
A Câmara cumpriu com o dirigente oliveirense e deixou no fundo da gaveta a promessa que fizera 4 anos antes ao Dr. Fernando Vieira.
O caso deu um grande sarrabulho, com comunicados na rua e protesto do vigarizado na Assembleia Municipal (julgo que, em final de mandato, o Dr. Fernando renunciou mesmo ao cargo de membro da Assembleia).
O sintético veio para Bustos, pois veio, mas foi pela mão do actual executivo.
Gosto muito de sarrabulho, sobretudo se for feito num tacho grande, ao lume.
Este que aqui apresento foi feito pelas mãos de ouro do Licínio da Mamarrosa e foi comido na adega do Jó, ali no Sobreiro.
A saboreá-lo havia lambões para todos os gostos e paladares: do PS, do PSD, do CDS, do Bloco de Esquerda, da CDU, do Benfica, do Sporting, do Porto, do Beira-Mar e até do Belenenses, por sinal um clube do coração de muitos bustuenses nascidos nos anos 20, 30 e 40.
Bustuenses que não esquecem.
É bom não esquecer. É bom lembrar.
Porque um Povo sem memória é um Povo sem história.
Não vou dizer que sou mais conhecido do que a Sé de Braga. Deixo isso para o candidato do CDS à Câmara Municipal, ele sim, pelo menos tão conhecido como a vetusta sé da cidade dos arcebispos. O que não admira, porque ambos existem e se mantém de pé há centos e centos de anos. (1)
E também não vos vou pedir que confiem, seja em mim, seja no candidato. Explico porquê:
Quanto ao candidato e entre outras razões de que agora me reservo não falar, porque se trata dum verdadeiro "animal político", velho rato sabido, cheio de truques na manga, especialista na arte de prometer que os políticos tão bem cultivam, que diz que fez o que não fez (ou só fez em parte), ou que agora vai fazer o que há muito deveria ter feito.
E se vos peço para também não confiarem em mim, lá tenho as minhas razões.
Entre outras de que agora me reservo não falar, sou meio anarca, um rebelde, cão que não conhece dono, porta bandeira de causas que defendo até à exaustão.
Causas que às vezes ganho, às vezes perco. Mesmo quando ganho.
Confesso também que sou visceralmente anti-estalinista, menos num aspecto. Como Estaline, seria capaz de restaurar os ícones religiosos para incentivar o povo a resistir à invasão nazi(2).
Porque digo isto, perguntarão. Também explico porquê:
Vamos supor que a lista BUSTOS EM 1º, concorrente à eleição para a Assembleia de Freguesia de Bustos, ganha as eleições de 11 de Outubro...
Em tal caso, alguém me imagina a ter de tratar a vencedora por "Senhora Presidenta" prá qui, "Senhora Presidenta" prá li?
Que reacção esperariam dum homem que já casou 3 vezes e outras tantas se amigou?
Suportaria tal vexame?
Ou tentaria um 4 casamento?
E se a história voltasse a repetir-se? Tentaria um 5º?
Não! Jamais (ler jamais com sotaque afrancesado)!
A história não vai repetir-se!
Nem a lista da minha 3ªcarametade vai ganhar as eleições...
...nem eu acredito em 5 casamentos, ainda que interpolados!
Cinco casamentos são cinco mandatos. São mandatos a mais!
Deus me livre!
__
(1)A Sé de Braga terá começado a ser construída no séc. XI, entre 1070 e 1093.
Desde miúdo que o mar me seduz, no que julgo ser um delicioso recalcamento dos tempos em que o mar de Agosto na Costa Nova era de Bustos.
Nos finais dos anos 50 e durante os anos 60, a colónia bustuense naquela praia formava quase um império.
"É malta! Hoje o mar é de Bustos" - dei por mim um dia a gritar durante o banho das 11.
Era para a Costa Nova que muitos de nós íamos, fosse no mês de Agosto (para as famílias mais abonadas), ou fosse logo a seguir ao S. Miguel das principais colheitas, em finais de Setembro, princípios de Outubro (para os corpos doridos de tanta labuta e meia dúzia de cobres aforrados no magro bolso).
Durante uma ou mais semanas e a troco de poucos escudos, os lavradores menos abonados encontravam na outonal e chuvosa Costa Nova descanso para a dureza dum ano de campo. Os calos das mãos e os gretados pés de tanto pisar o chão durante o amanhadio das terras, dali regressavam amaciados, prontinhos para retomar o trabalho de cão.
Se chovia, era ver os homens a jogar às cartas, às vezes dias seguidos. As "patroas", essas, entretinham-se no crochet ou nos bordados. Ou na má-língua.
Ligado a este mar andou sempre o bacalhau-nosso-de-cada-dia.
A Epopeia dos Bacalhaus é outro tema que me seduz. Para o mar das campanhas fugiram jovens como eu, assim procurando livrar-se da mobilização para a guerra no querido ultramar do regime salazarista [curioso: nunca encontrei um único filho do regime a bater com os costados no mato].
Há momentos atrás, enquanto viajava meio perdido pela net à procura de porto de abrigo, encontrei uma preciosidade: um vídeo do famoso National Film Board of Canada sobre uma viagem do "Santa Maria Manuela", em plena 2ª metade dos anos 60.
O vídeo é longo em demasia para incorporar aqui.
Em 15 minutos de vídeo, o realizador canadiano retratou o Portugal de meados dos anos 60: a dureza do trabalho, a igreja do regime e o regime da igreja, os rostos sem esperança. De forma explícita, implícita ou mais subliminar, está lá o nosso retrato.
Ou o retrato que andaram a tirar-nos à força durante anos a fio.
- Não conheço a "Patricio Family", que me parece originária dos Açores dos princípios do séc. XIX. Mas Gente com Raízes destas merece o nosso carinho. Merece que se lhe diga: Bem Hajam, Patrícios!
- Imagem extraída de "A Epopeia dos Bacalhaus", de Francisco Manso e Óscar Cruz, Distri Editora, 1984, pág. 25: "saudações às altas individualidades do Estado e da Igreja presentes à cerimónia de despedida de mais uma campanha."
- Consultar ainda: "História da Pesca do Bacalhau - por uma antropologia do fiel amigo", de Mário Moutinho, Imprensa Universitária, Editorial Estampa, 1985.
O post antecedente criou alguns engulhos, perturbações de espírito. Se calhar, medos, muitos medos.
Tarde e a más horas, foram vários os amigos que se queixaram:
a) Ou de que me esqueci de identificar no texto os homens e mulheres. Era fácil: bastava escrevinhar 36 nomes…
Como se o objectivo do texto não fosse apenas o de expor o princípio, a regra, que levou a que pouco ou nada mudasse na filosofia dos partidos concorrentes!
A ver se nos entendemos: para o efeito, que importa quem é quem? Para publicitar nomes, existem as listas expostas no Tribunal. É só ir lá, que a Lei não o proíbe, pelo contrário: até incentiva o cidadão comum a tomar conhecimento do processo eleitoral.
É um direito, mas também um dever, sobretudo de quem tem responsabilidades político-partidárias. Foi por tal razão legal que as listas estiveram expostas em edital, como manda o formalismo processual.
Esqueceram-se dos deveres, do trabalho de casa? Lamento, mas não choro sobre leite derramado por descuido ou negligência grosseira.
Como se não bastasse, pelo menos as listas completas dum dos partidos também foram divulgadas num blogue bem conhecido no concelho – o Bairrada Digital. É só clicar no endereço aqui ao lado direito. Para facilitar, aqui vai uma ajudinha, direitinha ao sítio, que é mesmo AQUI. (*)
Como é de exigir a um blogue generalista e aberto, também o Notícias de Bustos publicou uma outra lista. E desde a 1ª hora que se afirmou disponível para colocar lá as restantes. Estão à espera que vamos lá a casa pedi-las?
b) Ou então queixam-se de que o bloguedooscar deveria ser uma porta aberta ao universo dos partidos concorrentes às autárquicas.
Repita lá? Então um blogue pessoal e intimista (por mais transmissível que se queira), o espelho do pulsar, do sentir, do modo pessoal de alguém ver e olhar para o mundo, é balde comum? É albergue espanhol?
E que tal se dormissem menos e fizessem mais trabalho de casa?
Do céu, que eu saiba, pode cair chuva e tempestade, sol e bonança. Até milagre pode cair, como o de S. Lourenço de Bustos, em quem piamente acredito e de que sou devoto confesso e assumido.
O que certamente não cai do céu é a solução para a cegueira e o tanto dormir duns quantos!
Não foi por acaso que me recusei a integrar as listas do partido de que guardo o cartão de sócio num sítio que agora não me lembro.
Não é por acaso que odeio a ditadura dos aparelhos partidários: vou perdendo dentes desde os meus 17 anos. Já me faltam uns 6 ou 7. Mas nem a querida dentista, ali da Póvoa, me convence a pôr o malfadado aparelho.
Sou contra. Por isso, daqui vos grito bem alto e de punho erguido:
ABAIXO O APARELHO!
MORTE À DENTADURA DO PROLETARIADO!
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(*) Tomando como referência a mãozinha do rato, não o partido da mãozinha, que também não se livra de alguns resquícios do mesmo mal de que os outros estão contaminados.
- Imagem extraída de Asterix e o regresso dos gauleses / 14 histórias completas / O regresso às aulas, de René Goscinny e Albert Uderzo, Edições ASA, 1ª edição / Novembro de 2004.
Dediquei ontem uns minutos a consultar o processo eleitoral entrado no agora chamado Juízo de Média e Pequena Instância Cível de Oliveira do Bairro, anteriormente designado por Tribunal Judicial. Desde Abril passado, passámos a pertencer à Comarca do Baixo Vouga, assunto que abordei AQUI, aproveitando para elogiar o resultado e desancar no processo. Para quem queira conhecer o mapa da nova comarca-piloto, é só ir ALI. Claro que a minha consulta tinha um objectivo óbvio: sempre com o primo Freud na mente, analisar o apenso onde constam as listas apresentadas pelos 4 partidos concorrentes à Assembleia de Freguesia de Bustos.
Velho do Restelo. Imagem extraída do BLOG DO INSURRECTO, com a vénia devida.
O resultado é mais do que óbvio: Os velhadas e o pessoal do “aparelho” continuam agarrados ao poder local como lapa ou mexilhão aos pedregulhos dos molhes da Barra. Náusea (eu disse náusea, ainda que em sentido figurado) foi aquilo que senti. Vontade de vomitar a política que tenho mastigado e engolido durante uma vida toda. A modos de quem acaba de comer marisco esquecido durante 40 anos na despensa da cozinha. Não acreditam? Vamos à prova dos nove, já que são 9 (nove) os candidatos efectivos à Assembleia da minha freguesia: - Enumeração, por sexo e idade, dos nove (9) candidatos efectivos, pela ordem do sorteio nos boletins de voto (brancos, como é costume): - PS: 1º: mulher, 47 anos; 2º: mulher, 24 anos; 3º: homem, 19 anos; 4º: mulher, 25 anos; 5º: mulher, 21 anos; 6º homem, 28 anos; 7º: mulher, 42 anos; 8º: mulher, 22 anos e 9º: homem, 25 anos.
São 6 mulheres e 3 homens Média das idades: 28 anos
Porque me sinto como eles, sem esperança no destino...
Nada acontece por acaso. (*)
O excerto do poema do Carlitos Luzio que publiquei no NB, aqui, explica tudo.
Ou preferem este, sobre os velhos do Restelo, que representam o conservadorismo, as vãs promessas a que se referia Camões no Canto IV dos imortais Lusíadas?
Farto de ideias gastas e de gente carcomida pelo caruncho da política que promete tudo (do género: "adere à nossa lista, que temos aqui um tacho para ti"), resolvi aprender com a malta nova. Como não sou sábio e acredito que o mundo não acabará quando eu morrer, atirei-me de alma e coração à causa dos meus netos. Porque o futuro é deles. Porque a única geração rasca que conheço é a dos políticos que insistem em continuar até à náusea.
Sabem porque odeio as pilhas "duracell"?
- Porque o boneco não se cansa de repetir os mesmos gestos.
Não sei se sabem, mas eles - os jovens na casa dos 20 - são melhores do que nós, os velhadas.
E têm ideias, planos para o futuro da minha terra, que é a mais linda de todas. Tal como cada uma das outras é a terra mais linda de todas.
Eles têm ideias para Bustos. Para o concelho.
Até para o país merdoso e carunchoso que herdaram dos pais e dos avós.
Os velhadas (incluindo os corpos jovens em mentes enrugadas) deviam é ter vergonha na cara!
E não se pode defenestrá-los?
Claro que pode! __ (*) Não foi por acaso que o meu S. Lourenço morreu na grelha: estava destinado a ser padroeiro de Bustos, das suas raízes (durante muito tempo mantive um endereço electrónico a que dei o nome de "raizesdebustos@...").
- A foto do manguito foi editada por AQUI algures.