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sábado, 28 de fevereiro de 2009

fintabolistas - III

Adorei o jogo da noite passada: afinal e apesar de sermos só dois, a equipa provou que sabe jogar como nenhuma outra.

Entretanto, a equipa que quer ser califa no lugar do califa propôs a criação duma comissão de análise do processo de construção da nova alameda da cidade, proposta que foi aprovada graças à ajuda dos dois.

Tal proposta continha um ponto que gerou acesas dúvidas: a câmara deverá disponibilizar à comissão os meios de que esta careça para levar a bom porto a sua ingente missão.

- Que meios, logo inquiriu uma desconfiada voz da equipa situacionista?

Da 1ª fila onde estava postado, respondi de pronto:

- Um automóvel! eu quero um automóvel!

Como compreenderão, era o mínimo que me cumpria exigir; era o que faltava ter de percorrer a pé (ou mesmo de burrico) os quase 3km da futura gloriosa alameda!

Mostrando que queria ir "citius, altius, fortius", subi à bancada e li aos crentes os balões da imagem incluída no post do passado dia 7 sob o título "a mulher de césar".

Desçam e compreenderão as razões de ciência que sustentam a alusão...

Noutro registo temporal, cito o anarca Oskar Bakunine:

A SALVAÇÃO PÚBLICA NÃO DEPENDE JÁ DO ESTADO MAS DA REVOLUÇÃO!

Disse.

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Imagens extraídas de "A Febre de Urbicanda"/autores: François Schuiten e Benoit Peeters/Edições 70

- Cfr. ainda "Les Cités Obscures"

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

museu dos clássicos - I

Depois dum dia de
fui
...enquanto a malta foi

O superhomem já era!
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A imagem do superhomem em fim de carreira foi extraída da contracapa do 1º número da Visão, lembrada aqui

domingo, 22 de fevereiro de 2009

salvem o manguito!

A crise não perdoa: até a Fábrica de Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro ameaça fechar.
A fábrica detém os moldes originais de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) e mantém um museu dedicado a uma arte cerâmica conhecida e procurada em todo o mundo.
Os jornais alvitram nomes de empresas e cidadãos interessados na aquisição das famosas faianças das Caldas; só que nesta área sou a modos que céptico.
Se a famosa fábrica fechar, acabam-se os manguitos para o Sócrates, a Manuela Ferreira Leite, o Jerónimo de Sousa, o Paulo Portas das feiras cá da terra e até o Francisco Louçã! (1)
Ou seja e bem vistas as coisas: os do poder e os do contrapoder que quer ser poder no lugar do poder (2) estão mortinhos por ver escaqueirada a loiça das Caldas.
Unamo-nos, pois, em defesa da Fábrica de Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro!
Pode parecer que não, mas o PCP já propôs um abaixo-assinado.
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(1)Também tu, meu filho Brutus!” – frase atribuída a Júlio César no momento em que foi apunhalado de morte por um parceiro da coligação que queria o poder.
(2) Ver por todos “As conspirações do Grão-Vizir Iznogoud”, de Goscinny e Uderzo, Edição Meribérica. O grão-vizir é um obcecado pelo poder, sendo célebre a sua frase: EU QUERO SER CALIFA NO LUGAR DO CALIFA!!
- Foto tirada na visita a uma exposição ao Museu do Vinho e da Vinha, em Anadia e cujo post pode ser lido no Notícias de Bustos.
- Aconselho a leitura da bem documentada obra de José Augusto França "Rafael Bordalo Pinheiro", Ed. da Livraria Bertrand.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

emboscada


A revista Visão foi uma lufada de ar fresco no período de grande explosão da BD portuguesa pós-25 de Abril.
Caiu-nos do céu entre Abril de 1975 e Maio de 76 (12 números); o que é bom dura pouco. Vitor Mesquita e Machado da Graça foram os autores de "matei-o a 24", história (*) dum ex-soldado traumatizado pela guerra colonial. Eduardo vai relatando a um colega de trabalho da oficina de automóveis um episódio vivido em Moçambique com um guerrilheiro depois de ter sido ferido numa emboscada...
Na vinheta seguinte à da estranha reacção de Eduardo em pleno Rossio (imagem), a namorada aconselha-o a ir a um médico.
Ir a um médico?! para quê?! que pode um médico fazer por mim?
Sabem lá eles dos diabinhos que nos martelam a cabeça, camarada Eduardo!!
Partir pedra, precisamos é de partir pedra: no quintal, na vinha, no local de trabalho, no raio que a parta!
E, em vez de virar costas, dá jeito ir dando aos diabitos algum espaço de manobra, deixá-los uma vez por outra ir mata adentro; pode ser que lhes calhe a eles pisar uma das minas que infestam os trilhos das nossas memórias.
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(*) A história não teve continuidade; quando sai o n.º 6, Vitor Mesquita já não dirige nem publica na Visão.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O congresso do povo

Tal como a irredutível aldeia gaulesa de Asterix e Obelix, a lusitana Espinho resiste ainda e sempre à campanha negra do inimigo, como o comprova o facto do 16º congresso do partido do meu padrinho ter lugar por um destes dias na cidade mais a norte do nosso distrito.
Desconfio que a poção mágica foi preparada pelo Panoramix local, o sempiterno presidente da câmara. O Zé Mota é uma das pilhas duracel do PS, um verdadeiro resistente, adorado pela classe piscatória local e pela 3ª idade, que se farta de ir com ele de férias ao Brasil.
Conheci-o há muitos anos, durante o pouco tempo em que frequentei a catequese. Até fui a uma missa nacional em finais dos anos 80, no pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa; gostei muito porque só lá estive no 1º dia, findo o qual um amigo do peito me levou para outros e mais apetecíveis caminhos. Adeus congresso, adeus carreira política, que me falta o jeito para ser a voz do dono.
Como o José Mota cumpre o último mandado, fico à espera que a tradição seja mais uma vez cumprida e arranjem um confortável poiso para um homem que subiu a pulso as escadinhas do partido. Sempre assim foi com os partidos no poder: basta lembrar os bons exemplos dos governos PSD e os resultados à vista no caso BPN.
Como diziam os romanos, quousque tandem?
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Quousque tandem (até quando?): começo do célebre discurso de Cícero no senado de Roma (anos 60 a.C.)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

domingo, 5 de outubro de 2008

Dinis Machado

Lembro-me do Dinis Machado como redactor de 2 revistas de BD de que fui assinante nos anos 70/80: Tintin e Spirou.
Mas o país ficou a conhecê-lo melhor quando em 1977 publicou um romance que fez furor: O que diz Molero. Em finais dos anos 60, Dinis Machado escreveu 3 policiais sob o pseudónimo de Dennis McShade, habilidade para escapar aos tacanhos sensores da ditadura salazarista e atrair melhor os leitores habituados a nomes famosos da literatura policial anglo-saxónica. Como quem junta a fome à vontade de comer, explicou um dia que escrevera esses romances para pagar o leite da filha.
Dinis Machado sempre esteve muito ligado a Roussado Pinto (1926/1985), o famoso Ross Pynn dos policiais (o caso da mulher cega, o caso da mulher sádica e outros).
Passaram-me pelas mãos exemplares desses cobiçados policiais, sobretudo da “Colecção Rififi”, ao estilo muito em voga na literatura policial americana. Eram um sucesso e os raros exemplares que iam aparecendo corriam de mão em mão.
Não tarda, as livrarias estarão cheias de reedições de títulos de Dinis Machado e do seu heterónimo Dennis McShade. A morte tem o condão de reavivar a memória, mas depois, como disse o poeta dos heterónimos…
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes por ano pensam em ti.
Duas vezes por ano suspiram por ti os que te amaram.
e uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala de ti.

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Poesias de Álvaro de Campos, Edições Ática, 1980

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

divórcio: novas regras

Depois da 1ª versão da nova lei do divórcio ter sido chumbada pelo veto do Presidente da República, o PS voltou à carga e acabou por conseguir a aprovação, por larga maioria, dum novo texto legal. Em traços muito gerais, o novo decreto agora aprovado na Assembleia da República assenta no princípio de que ninguém pode continuar casado contra a sua vontade.
Acabou o divórcio baseado na "culpa" e com ele a humilhação que era a exposição pública das desavenças conjugais. Com a nova lei (se desta vez for aprovada pelo PR), para o tribunal decretar o divórcio litigioso basta ficar provada a ruptura definitiva da vida conjugal "por causas objectivas".
Em 1980, a percentagem dos divórcios litigiosos era de 38%, em 2000 era de 14% e em 2008 de 6%; ou seja: a regra vem sendo a do recurso ao divórcio por acordo do casal (mútuo consentimento) e não pela via do lavar da roupa suja.
Quem anda pelos tribunais está farto de saber que os escassos processos judiciais de divórcio litigioso têm por detrás razões de mera lógica patrimonial, na medida em que o cônjuge que fosse declarado único ou principal culpado do divórcio seria punido no momento da partilha. É bom que se diga que a lógica dos actuais divórcios litigiosos vem sendo a dos cifrões e nada mais.
Mas há uma outra alteração importante: a nova lei passa a atribuir "créditos de compensação" sempre que se verificar desigualdade na contribuição de cada um para os encargos da vida familiar; se, por exemplo, um dos cônjuges tiver renunciado à sua vida profissional e daí tiverem resultado para si prejuízos patrimoniais importantes, no momento da partilha fica com o direito de exigir do outro a correspondente compensação.
A actual lei apenas prevê o direito do cônjuge não culpado pedir uma indemnização ao outro por danos não patrimoniais.
Daí a pergunta: com a nova lei acaba a guerra dos cifrões?
Cá por mim, não só não acaba como irá aumentar a níveis nunca vistos.
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Imagem de "A noiva de Lucky Luke", de Morris & Guy Vidal, Edição Meriberica/Liber, 1986

domingo, 28 de setembro de 2008

O mercenário

É esse o nome do herói da banda desenhada criada pelo catalão Vicente Segrelles.
Nascido em 1980, O Mercenário tornou-se um sucesso graças à execução do desenho a óleo, aos cenários - um misto da pré-história dos grandes répteis e da misteriosa baixa idade média - e à liberdade criativa do autor. As sequências das vinhetas, esses sedutores quadradinhos, estão muito bem planificadas, a lembrar a linguagem do cinema.
São de Federico Felini estas palavras: "O Mercenário é uma obra de banda desenhada fenomenal, é um filme, um filme grandioso. Ao contemplar as suas páginas, eu imaginava o silvo do voo dos contendores, a música e os efeitos especiais..."
Da série de 13 episódios, apenas 9 foram publicados em Portugal, todos com a chancela da Meribérica.

domingo, 14 de setembro de 2008

Os portugueses são uns queixinhas

O 1º ministro inaugurou ontem o Hotel Casino de Chaves, um investimento que terá custado 50 milhões de euros.
José Sócrates classificou o projecto turístico como "um dos investimentos mais importantes do norte do país", decisivo para o desenvolvimento e crescimento da economia transmontana. O nosso 1º não esteve pelos ajustes e foi mais longe: “A minha principal missão em vir aqui a Chaves é elogiar o grupo Solverde, a vossa família [os irmãos Viola, que controlam uma molhada de casinos de norte a sul do país] e também deixar uma palavra de confiança à cidade de Chaves”.
Tudo porque a cidade de Chaves é terra que não se põe a "chorar sobre o leite derramado", nem se associou ao espírito queixinhas que grassa pelo país.
Entretanto, o casino abriu portas em Janeiro deste ano, com sala de máquinas com 322 slot-machines e sala mista com máquinas e jogos bancados, quatro bares e etc.
Depois do Chavez é Chaves a conquistar o coração do nosso 1º. Está na cara: isto só vai ao sítio com petróleo e jogos de azar.
E como continuamos os dois agarrados ao tabaquito, a melhor forma de lhe mostrar a minha devoção é convidá-lo a fumar o cachimbo da paz.
- Imagens extraídas de "Rantamplan - O Padrinho" e de "Lucky Lucke - O 20º de Cavalaria", ambas dos imorredouros Morris & Goscinny.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Andam druidas na costa

Há lugares assim, como que mágicos, ainda por cima à beirinha do mar.
S. Paio de Labruge é um daqueles sítios onde a natureza parece ser dona do espaço e do tempo.
Há ruínas dum povoado piscatório pré-romano (por sinal bem protegidas e assinaladas), penedos (chamados “amoladoiros” porque os pescadores amolavam os seus utensílios nos rochedos), gravuras nas rochas e – tinha de ser - uma ermida sobranceira ao mar, dedicada ao jovem mártir S. Pelayo ou S. Paio e certamente ali erigida para cristianizar um local onde não faltam vestígios de cultos pagãos.
E depois sabe bem passar por tantos terrenos inundados de milho que por pouco não beijam o mar. Parece que mais a norte o povo das aldeias resiste ainda e sempre ao invasor.
S. Paio é como um navio de pedra, capaz de resistir àquilo que muitos insistem em chamar progresso.
Estou em regressar lá um dia destes, numa manhã de nevoeiro e mar agreste. Quero encontrar druidas de foice de oiro na mão a cortar o visco que há-de servir de poção mágica.
E duendes,
Fadas
E feiticeiras que curam males.
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- Mais uma vez associo o tema à BD, trazendo à lembrança o
Panoramix e O Navio de Pedra.

sábado, 6 de setembro de 2008

"Bando dos quatro" apanhado ao jantar

Jovens suspeitos de mais de 20 assaltos a cafés e farmácias do Minho lançaram o terror nos últimos cinco meses, com roubos violentos. Foram apanhados num jantar de confraternização em Fafe. O "Bando dos quatro", como foi denominado, preocupava as autoridades, por se enquadrarem no perfil de delinquentes que passam rapidamente para um patamar superior de violência.
Segundo fontes geralmente bem informadas, terá sido a pronta acção do corajoso Lucky Luke que permitiu que o bando acabasse atrás das grades.
Mal soube da notícia, o 1º ministro interrompeu o seu jogging matinal e reuniu o governo de emergência com o propósito único de propor uma homenagem ao nosso herói.
É sabido que ambos têm dois pontos em comum: ainda que por razões diferentes, deixaram de fumar e adoram prender os Dalton.
PS 1 - fora de brincadeiras: a notícia pode ser lida no JN on line de hoje; é só ir lá.
PS 2
- fora de brincadeiras: no seguimento da campanha antitabágica que percorreu a Europa há uns anos, o Lucky Luke passou a andar de palhita nos beiços em vez do tradicional cigarro feito à mão.

PS 3
- fora de brincadeiras: o 1º ministro foi apanhado a fumar no avião que o levava de visita ao Chavez e prometeu deixar de fumar.

PS 4
– fora de confusões: como qualquer letrado saberá, PS é a abreviatura de post scriptum, i.é., o que se escreve depois.

domingo, 31 de agosto de 2008

Às armas!

Salta à vista que se acabaram para nós os tempos dos brandos costumes, pelo menos no que diz respeito à segurança dos cidadãos.
Em traços muito gerais julgo ser capaz de acertar em três ou quatro razões de fundo:
- actual crise económica e os elevados níveis de desemprego que arrastou (entre 8 e 8,5%, a taxa mais elevada da zona euro); - excesso de garantismo na defesa dos arguidos, acentuado com a reforma do Código de Processo Penal (Lei 48/07, de 29/8) e em especial com a branda Lei da Política Criminal (Lei 51/2007, de 31/8); - deficiente controlo das pessoas conotadas com o mundo do crime, que saíram das prisões na sequência das ditas reformas e de que resultou a redução em mais de 50% dos presos do país;
- impreparação e inadequação dos orgãos de polícia criminal para enfrentar tipos de criminalidade a que não estávamos habituados.

Quem lida diariamente com os tribunais, sobretudo no patrocínio dos arguidos, percebe facilmente que os delinquentes se vinham convencendo cada vez mais da sua impunidade: numa Justiça feita por tansos, aqui no sentido de gente com excesso de boa fé que acredita cegamente na bondade dos seus concidadãos e nos ideiais regenerativos, o crime compensa mesmo. Se não compensasse, não estaríamos a assistir ao actual aumento da criminalidade violenta, sobretudo a que incide sobre os chamados crimes contra o património.
O resultado foi o esperado, se calhar o desejado: o governo recuou e continuará a recuar, fazendo jus à fama de autoritário de que o 1º ministro granjeia e de que o povão tanto gosta. Depois do Salazar tivémos o Cavaco e depois deste temos o Sócrates, o qual - salvaguardadas as devidas distâncias temporais e ideológicas - me parece mais próximo do estilo do ditador que durante 40 anos marcou as nossas almas e, muito em especial, o nosso corpinho.
Está-nos no cerne: gostamos de quem manda, quer e pode mandar.
A criminalidade violenta tem os dias contados?
O tanas!
*
Se bem repararam, os diplomas que citei foram publicados no mês de Agosto, o que nos reconduz ao 2º texto editado no passado dia 6 (ir ao arquivo do blogue ou clicar na etiqueta abaixo, em Mais do mesmo / Corporações)
*
Imagens extraídas de "Lucky Luke - Os Dalton continuam à solta", pág. 4, com um piscar de olho à dupla imorredoura, MORRIS & GOSCINNY.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Relatos de Guerra


Em Fevereiro de 2007, o general designado pela NATO assumiu o comando das tropas no Afeganistão. Tinha sob a sua alçada 33.000 soldados. Mais de um ano depois, os contingentes da coligação internacional somam 53.000 operacionais de 40 países.
Segundo o comandante McNeill este número está muito abaixo das estimativas de contra-insurreição do Pentágono. Se estas fossem seguidas com escrúpulo cerca de 400.000 militares ocupariam hoje posições em território afegão. Quem manda, sabe.

Entretanto, regressou do Afeganistão o contingente português de 162 militares das forças
especiais da Brigada de Acção Rápida do Exército.
Embora seja conhecido o elevado nível de prontidão desta unidade, a rapaziada não se pode queixar da falta de sorte: apenas foram atacadas por forças taliban numa emboscada na perigosa zona de Kandahar, quando regressavam duma missão.
As emboscadas na altura do regresso de uma missão são típicas neste tipo de guerra. Foram 15 minutos debaixo de intenso fogo, o que foi uma sorte. Mais sorte foi não termos sofrido baixas. A mesma estrelinha da sorte que me acompanhou durante 26 meses, obviamente sem a ajuda dos apontamentos aqui do lado.
É tudo muito lindo quando pagam à malta uma pipa de massa para combater. Em Agosto de 1972 e já com um subsídio de zona de combate a 100%, ganhava eu 7.560$00, uma pequena fortuna para a época. Os soldados nem 10% disso recebiam, que era quanto valia a carne para canhão.

Quando as mortes em combate batem à porta, como aconteceu recentemente aos 10 militares do contingente francês, os responsáveis políticos e militares martelam na tecla da “causa justa” e da “honra”. Conheço o discurso de ginjeira.
É tudo muito lindo, pois é, mas a tecla da malta e da família que fica por cá a roer as unhas passa logo a tocar uma música diferente.

Há merdas que não há preço que as pague…

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Hugo Pratt:1927/1995

Tal como prometi no post do dia 6, aqui estou a homenagear aquele que terá sido o autor de banda desenhada mais premiado e sobretudo o mais apreciado entre os amantes da BD.
Hugo Pratt criou um personagem lendário - Corto Maltese, marinheiro errante e sonhador dos princípios do séc. XX e cujas aventuras começaram a ser publicadas em Portugal em 1981 na revista “Tintin” (em fascículos, que jazem algures no meu sótão). O seu traço era diferente, fugia aos cânones do desenho em voga na BD, razão porque os leitores e assinantes da Tintin de então se dividiram muito na aceitação daquelas sedutoras vinhetas. Por pouco tempo...Claro que o Corto me enchia as medidas, quer pelo personagem em si, quer pela forma sedutora, mas profundamente realista, como o autor traçava os personagens e o mundo que os envolvia.
Hugo Pratt faleceu na sua casa da Suíça, com vista para o lago Léman. O serviço religioso foi acompanhado por temas de jazz do seu amigo Dizzy Gillespie e o padre leu passagens do livro “O desejo de ser inútil”. Faz hoje 13 anos.
Hugo Pratt visitou várias vezes Portugal, uma das quais nos negros anos 50 e gostava muito do nosso cantinho; se calhar, pelas razões que o poema abaixo tão bem exprime.

- Nota final: Textos e imagens sobre Hugo Pratt e Corto Maltese é coisa que não falta na web, por exemplo AQUI. Viagem até lá, porque o sonho

…é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

- António Gedeão, Movimento Perpétuo, 1956

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

HUGO PRATT - o desejo de ser inútil

Hugo Pratt criou a lenda de Corto Maltese, um marinheiro errante e sonhador. Hugo Pratt é um dos meus preferidos autores de banda desenhada (BD), cuja colecção de livros guardo religiosamente.
A imagem é de "Saint-Exupéry: o último voo", obra publicada em Portugal em 1995.
Hugo Pratt faleceu a 20 de Agosto de 1995, depois de partilhar o seu tempo entre a BD, as viagens e os amigos.
Como gosto muito dos amigos, voltarei a lembrá-lo nesse dia.
*
O título deste post foi retirado do título homónimo do livro oferecido pelo meu amigo Milton Costa no natal de 2005: Hugo Pratt - O desejo de ser inútil - Memórias e Reflexões - Entrevistas com Dominique Petitfaux / Relógio D'Água Editores, Novembro de 2005.