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terça-feira, 8 de março de 2016

Violência doméstica: é preciso castigar, custe o que custar

Faço questão de ser aquilo que a barra lateral direita deste bloguinho procura retratar: cão que não conhece dono, combatente de guerras perdidas, de costela anarquista e acérrimo defensor do chão que piso e dos seus símbolos.
Vem isto a propósito da premência em denunciar tudo o que seja desrespeitar o 1º dos dez mandamentos que Deus terá entregue a Moisés no monte Sinai: adorar a Mulher e amá-la sobre todas as coisas. 
Há quem não pense assim e mereça o inferno. Há, em Bustos, quem maltrate desalmadamente a mulher, a que devia ser companheira, mãe dos filhos e avó dos netos, balanço e aconchego do lar.
Como se não bastasse, essa estirpe de cães tinhosos ainda vai passando impune, que o medo ainda está instalado nas mentes acomodadas de muitas mães e avós.
Que fazer? Como reagir à continuação da barbárie?
Alvitro um de dois métodos:
a) Seguir os ensinamentos da lei penal, a qual manda que qualquer cidadão tem a obrigação de denunciar a prática de crimes públicos de que seja testemunha; e sendo público o crime de violência doméstica qualquer pessoa o pode denunciar, como vai melhor explicado AQUI.
b) Fazer justiça pelas próprias mãos, o que, por sua vez, também constitui ilícito penal.
A encomenda às escondidas deste método obriga a não deixar vestígios do ilícito à vista das autoridades. Em defesa do método até que não desanconselho outro método radical: chamar os ciganos pela calada da noite. Eu, pecador, me confesso: para mim, eles trabalham de graça, como uma vez me garantiram aquando dum mediático julgamento bem sucedido ali para os lados do Porto.
Já agora: os meus amigos ciganos são a melhor alternativa ao espalhafatoso "lobo mau", que lembrei AQUI.

Sobre o método, é só dizer, que sou todo ouvidos e até fui alferes miliciano de operações especiais, ranger dos puros e duros.

Em contraponto, há métodos violentos que não podemos evitar quando estão em causa fins nobres, como sejam os de alimentar as bocas da família e dos amigos, que são sempre os mais necessitados.
Foi o que fiz mal rompia o dia de ontem: dirigi-me ao galinheiro onde, subtilmente, com a ajuda duns enganadores grãos de milho, chamei à colação um dos três garbosos galos. Como já denunciei no facebook, em vez de contribuir para a continuação da espécie, o que tinha o ar mais gingão entretinha-se a dar bicadas nas infelizes galinhas e até num pato que se vai despedir deste mundo no próximo fim de semana.
Apesar dos protestos, submeti-o ao algoz do tradicional funil de alumínio e, zás, num golpe perfeito, esvai-lhe o sangue que aproveitei mal: com a pressa, esquececera-me do anticoagulante vinagre, o que me obrigou a comprar o dito num dos talhos locais.
Acreditem, não custou nada, que os fins justificam os meios, logo agora que caminho a passos largos para a defesa da tese de doutoramento em gourmet.
E que fins! Ao jantar, saiu-me um arroz de galo de se lhe tirar o chapéu.
Que o digam a Marina Ratola, marido Rui Capão e filho Tomás, convidados de honra, em geito de prémio pelo labor da Marina em cuidar da sempre jovem mãe Benilde (que lembro em retrato de família) e da limpeza e melhor arrumo da casa.

Sou todo ouvidos se conhecerem melhor método para dar sumiço aos galos de poleiro que não respeitam as regras do jogo, os tais que andam por aí a dar violentas bicadas nas maltratadas galinhas do nosso contentamento.
Cacarejar noite e dia, a gente até desculpa, sobretudo aos depenados galos em idade de reforma. Agora andar para aí a dar infrutíferas bicadas no mulherio do galinheiro, isso é que não se admite. Cá por mim, fazem-no para disfarçar a falta de jeito, escasseia-lhes a ternura, o trato fino, para não dizer que de tanto picarem perderam a pica, matéria que só o divã duma boa psicanalista como esta pode sarar.
Panela com eles e se for daquelas "hok", melhor: aprendi que a carne sai mais saborosa que na panela de pressão.
Aprendam, que eu não duro sempre!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Carlos Luzio: poesia de guerra/poesia de paz

No inesquecível almoço/espectáculo de encerramento das comemorações do Dia de Bustos, emocionado e envolvido, li o seu poema das águas, que podem reler no Notícias de Bustos.
A meu ver, mais do que a poesia do seu dia a dia de encontros felizes e infelizes, de encontros com a morte que sabia estar à sua espera de gadanha em punho, pronta para o ceifar no momento final...
...até mais do que a poesia do amor, que tão bem retratou a partir do próprio teatro da guerra colonial que viveu na fronteira norte de Moçambique no fantástico e inebriante Poema para esquecer...
...ou em Mulher da rua...
...o Carlitos deixou-nos poemas de guerra carregados de dor e raiva.
Por razões à vista, o que mais me marcou arrastei-o para o blogue que criei sobre a minha gloriosa unidade militar de intervenção em terras angolanas, a CART 3564, onde a palavra camarada fez verdadeiro sentido.
Esta companhia de criados para todo o serviço da ditadura salazarenta dependia dum tal Comando Operacional de Tropas de Intervenção (COTI 1) sediado com todas as comodidades em Luanda e que estava sob as ordens duns oficiais superiores com quem lidei diretamente durante 4 meses e que não passavam dumas grandessíssimas bestas, tudo gente tão convencida e oportunista como os nossos políticos de hoje, não fossem o ar condicionado e os demais luxos de Luanda ou de Lisboa altamente inspiradores.
O texto onde chamo o Carlos à minha guerra pode ser lido AQUI e recomenda-se.
*
Lembrar o Carlos Manuel dos Santos Luzio, o Carlitos Luzio, poeta de Bustos/de Bustos poeta...
...é lembrar que estamos vivos, mas mortinhos por viver e agir.
É lembrar que nada acontece por acaso...

...mesmo nada!
Até o futuro parece estar logo ali ao virar da esquina, a anunciar o caminho da primavera. 
___
- Fotos do autor e do sempre presente e envolvido Sérgio Pato, em Bustosgrafias.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Linhas de força

 
 
*
- António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho, foi professor de físico-químicas.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

O QUE ME VALE


O que me vale aos fins de semana
é o teu amor provinciano e bom
para ele compro bombons
para ele compro bananas
para o teu amor teu amon 
tu tankamon meu amor
para o teu amor tu te flamas
tu te frutti tu te inflamas
oh o teu amor não tem com 
plicações viva aragon
morram as repartições
*
- Manuel António Pina / Poesia Reunida / As Pessoas e Outros Poemas de Clóvis da Silva / pág. 46 / Ed. da Assírio & Alvim.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Quando os filhos nos pertenciam - III

Claro que o meu filhote (da 3ª cama, a bem dizer) também tinha destas coisas de miúdo...

Como diria o meu Eugénio de Andrade [Os amantes sem dinheiro, 1947/49: Poema à mãe]:

"No mais fundo de ti,
Eu sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O retrato adormecido
No fundo dos teus olhos.
Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.
Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
  Era uma vez uma princesa 
  no meio de um laranjal!...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu sai da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves."


____
- O Eugénio de Andrade faz parte dos bibelots da minha mesinha de cabeceira desde que comprei, na Feira do Livro em Aveiro, a sua coletânea de Poesia e Prosa [1940 – 1980], Edição Limiar.
Foi no dia 27/5/84 e era Dia da Mãe. Lembram-se?

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Quando os filhos nos pertenciam - II

Com muitos beijinhos da tua Né...[em 19/3/1991]
...

Entretanto,
Em 16/12/1990,
o pai Óscar dedicava-se
à pesca de barco, 
aos cabeçudos 
[robalos de 3/4 ou mais kilos], 
na boca da barra...

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Quando os filhos nos pertenciam

Antes de vir para este paraíso em Unhais da Serra (H2Otel), revolvi milhares de papéis à procura não sei bem de quê.

Encontrei preciosidades como esta, que espero conseguir publicar, agora que o portátil parece estar a encarreirar

Grande imaginação, esta a da filhota mais nova, a Né, então com 11 anos iniciados há pouco.

Claro que o filhote ainda não estava nos planos de pormenor.

Só um pai empedernido resistiria à mensagem, a qual, parecendo muito linear, entra no domínio do subliminar: a filhota quis ali dizer muito mais do que aquilo que disse.

Por falar em filhos, ide até AQUI, se faz favor, enquanto queimo os últimos cartuchos, neste paraíso onde parece que ainda há druídas celtas.
Pena minha: feiticeiras que curam males é que não vi nenhuma.
Também não admira.

Fica para a próxima.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Joaninha boa, boa

A minha Joana resolveu sair de vez do BE e dar um saltito até ao PS, se calhar por pensar que é mais seguro.

Joana, boa Joana, faça como eu: vá saindo, vá mas é saindo.
E se esse seu estado de alma persistir, aconselho-a a sentar-se no divã dum reputado psicanalista lisboeta que a Ana, por razões profissionais, deve certamente conhecer e que eu também conheço, não por razões profissionais, mas por ser irmão do meu colega de escritório, Morais Aleixo.
*
Li há pouco que nasceu em Angola, terra onde não morri porque era proibido morrer.
O mundo é mesmo pequeno. 
E eu com tantas histórias para lhe contar...
___
- P.S. (salvo seja) sobre o título: cá na terra trocamos os "bês" pelos "vês" .

domingo, 18 de maio de 2014

A vida é uma charada

Só nos prega partidas, a vida.
Pior que tudo: quando as partidas se sucedem sucessivamente sem cessar, mais vale Nosso Senhor levar-nos.
Sim, Esse Senhor, mil vezes preferível aos medíocres senhores que querem ser califas no lugar do califa. 

Preferível até a uma qualquer senhora com "s" pequeno, que as Grandes, essas, são vestais do Templo Sagrado e já estão no Olimpo à minha espera.
Se for o tal Grande Senhor, dou por garantido o céu e alguns prémios extra pelo desempenho. Noblesse oblige.
Antevendo a chegada às portas do céu:


Ao ver que sou eu quem ali se apresenta, o guardião Pedro corre, célere voa, entra na tenda da alfândega e anuncia:
- Benvindo, meu bom malandro das crónicas tão conhecidas!
Continuou o Santo Pedro, deixando perceber um sorriso cúmplice e malicioso:
- Deus ordena seres contemplado com as 200 virgens que pediste um dia destes no facebook, porque, no mais fundo de ti, Ele sabe que estás mortinho por te alambazares!



- E podes sentar-te à Sua direita, mas porta-se com juizinho e deixa-te mas é de te armares em cão que não conhece dono!
Cheio daquela coragem à Ranger, mas todo aos tremeliques por dentro e dominado por aquele nervoso miudinho que nos invade e inibe quando é a 1ª vez, respondi:
- Estou farto de comer ração de combate!
- A minha alma está desejosa, o meu coração e a minha carne clamam pelo almejado prémio, porque vale mais um dia neste céu do que em outra parte mil!
- Mas olha que faço questão de me sentar à esquerda Dele, que a direita tem outros donos!



Chegados aqui, perguntarão como é que eu consegui chegar tão alto? 
Às vezes a correr desenfreadamente, a modos que stressado da puta da guerra. 
Outras, devagar, porque devagar se vai ao Citius. 
Bem vistas as coisas, devo tudo à força do hálito, que é como o que tem que ser. E o que tem que ser tem muita força.
..
Em jeito de epílogo


Neste livro que vos deixo, fica a charada:
A quem pertencem ou a que aludem as citações escritas a cinzento?
Têm 24 horas para responder, sem direito à dilação ou justo impedimento que o Citius prevê.
Se o não fizerem no prazo aludido, ou é porque não sabem - logo, são uns ignorantes, ou porque têm andado distraídos.
O que me levará a concluir que, afinal, vocês não gostam mesmo nada de mim! 
E se for assim, são como um fingidor que eu cá sei!

sábado, 17 de maio de 2014

Gosto muito de deco

- Art Deco: estilo virado para a aplicação decorativa de objetos, misturando a modernidade dos anos 20 e a arte de povos até então mal conhecidos (África, América do Sul).
Foi uma arte aplicada a edifícios, móveis, vidro, joalharia, etc.
É fácil gostar de art deco e todos partilhamos dum sentimento comum: Deco foi uma expressão de verdadeira arte.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Vidas de muitas guerras e paz tão pouca

Gosto de leituras "entre linhas". De mensagens subliminares.
E assim respondo às interrogações de alguns/algumas amigos(as) sobre o post antecedente.
E gosto muito de poesia, sobretudo do meu Eugénio de Andrade, velho companheiro da mesa de cabeceira, como gosto de vaguear pela "Rosa do Mundo / 2001 Poemas para o futuro", um extenso e abrangente (no tempo e no espaço) trabalho de recolha de poesia feito para o "Porto 2001", Edição Assírio & Alvim.
Este gosto vem-me dos tempos da Coimbra de 1966/69, gosto que procurava conjugar (conciliar?) com a luta contra a ditadura, ali desde a rua estreita onde há cerca de 70 anos vive a Real República Bota Abaixo.

Claro que o poema "Despedida" nada teve ou tem a ver com a porca da política. Porca, por mor dos políticos de manjedoura, sejam eles peixes de águas profundas ou cá mais da beira-água.
Valha a verdade: o meu "padrinho" Sócrates - de quem tanto falei e com quem tanto brinquei e gozei neste blogue - despediu-se do poder com dignidade.
O rapazola que agora lhe tomou o poiso precisa de muito mais coragem para dar a volta ao regabofe em que o país se atolou do que aquela que aparenta revelar.
Desde logo, precisa de se livrar do padrinho de baptismo político. Como precisa de se livrar dos novos padrinhos e da legião de afilhados que não tardarão a bater-lhe à porta a exigir o folar da Páscoa, ansisosos de se tornarem "califas no lugar do califa."

Eu, limito-me a precisar de paz.
E de me ir libertando das muitas guerras que vivi e nas quais fui parte activa; por vezes, demais, armado em guerreiro e líder de Operações Especiais.

Preciso de me ir libertando dessa guerra que me persegue há 39 anos, feitos este mês e que continua alapada ao corpo e à alma, um pouco por culpa do tio Segismundo Freud. Lá me vou entendendo com ela, procurando gerir os diabinhos que me perseguem, brincando com eles.
Sempre, mas sempre, sem esquecer aquele lema: "Ranger uma vez, Ranger toda a vida", razão que julgo me faz manter de pé firme, como que predestinado a não morrer na praia, longe dos combates de que me recuso a fugir ou a deixar matar de morte matada. 

Mas o que mais preciso agora é de me libertar das outras guerras, sobretudo das que se intrometem e vandalizam as nossas vidas pessoais, íntimas e afectivas.

Por isso me soube tão bem aquela tarde inteira de paz que vivi ontem na casa da muito amiga Dina, sita mesmo à beirinha do mar da Costa Nova, logo ali ao atravessar da rua, onde até tempo sobrou para trabalhar.
Preciso de me reencontrar com o mar, paixão que me acompanha e impele dede os primeiros recordares da infância.

É do que estou precisado, segurando na mão esquerda [que a direita tem outros donos] a poesia do Eugénio de Andrade, esse  génio que tão bem soube conjugar a escrita com a terra e com o corpo.
...
Onde me levas rio que cantei,
esperança destes olhos que molhei
de pura solidão e desencanto?
Onde me levas?, que me custa tanto.
...
___
- 1ª imagem: extraída de "Guerra Colonial", de Aniceto Afonso e Carlos de Matos Gomes, Edição Notícias Editorial/2000.
- 2ª imagem: pôr do sol na Costa Nova, ontem.
- O poema, esse, saquei-o do XXX capítulo de "As Mãos e os Frutos", de Eugénio de Andrade / Poesia e Prosa [1940 - 1980], Edição Limiar, 2ª edição revista e aumentada.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Andam dióspiros no meu quintal

Aí estão eles de novo, à consideração da passarada.
A ver se sobram para mim e para quem mais lhes chegue.
Trouxe-os aqui à colação.
Mas ficam a saber que, ao contrário do que determina o art.º 2.104º do Código Civil. os que eu comer não serão restituídos para efeitos de igualação.
Como os que me dá na real gana e, pronto, as contas estão feitas.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Eles comem tudo

Não, não falo da famosa canção do Zeca Afonso. Nem dos boys em fim de ciclo, fatalmente à espera de serem reciclados por nova fornada, que as sondagens não costumam enganar-se.
Falo do oriolus oriolus, que todos conhecemos por papa-figos.
Podem dizer-me que são atraentes e tardios: queixa-se o avesdeportugal.info de que é um visitante estival que chega bastante tarde ao nosso país.
Detesto queixinhas. Por mim, passava bem sem eles. Longe da vista, longe do coração dos preciosos figos, que mal chegam para o meu apetite voraz.
Lembro-os porque me chegou às mãos uma boa pratada deles. São um regalo, da nobre casta pingo de mel e está na cara que não chegam para as encomendas.
Vai sendo tempo de ir a eles ao quintal do vizinho.
Lembrei-os, aos figos, AQUI.
__
- Diz-se que a 1ª peça de vestuário foram folhas de figueira, mas o Adão e a Eva já não estão cá para o testemunhar.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Lampreia na Bairrada

Ensinam os livros que a lampreia (petromyzon marinus, linnaeus - 1758) é um membro primitivo da classe dos ciclóstomos, semelhante aos peixes da família dos agnatas, isto é, sem maxilas.
É sobretudo a partir deste mês que o bichinho, vindo do mar para desovar, se aventura a entrar nas barras dos rios a norte do Mondego, onde é mais apreciada.
Apesar de não ser alta, loura, nem ter olhos azuis, esta imigrante feiísssima e de ar untuoso tem uma fiel legião de fãs, entre os quais me encontro.
Tal como outras e menos higiénicas louras, é fácil encontrá-la à beira da estrada. Os sítios e pose que preferimos ficam ao longo dos rios Vouga (Paradela, Pessegueiro e Sever do Vouga) e Mondego (Montemor, Ereira, Porto da Raiva), sendo várias as formas de a servir à mesa. Cá por mim, fico-me pelo célebre arroz de lampreia, apresentado como a imagem mostra.
A novidade está na feliz circunstância do muito nosso Pompeu dos Frangos ter passado a servi-la ao almoço de 6ª feira. Para gáudio dos fãs, o Carlitos Aires introduziu o petisco na época passada. Basta dar um saltinho ao restaurante nascido em Bustos, mas instalado na Malaposta - Anadia desde 20 de Novembro de 1963.
A viagem até à antiga malaposta vale mesmo a pena.
___
A imagem foi extraída da Wikimedia.
Quem quiser conhecer um pouco da vida e obra da saborosa migrante pode ir até ao Aquário Vasco da Gama, aqui.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

SANTA MARIA MANUELA!

Desde miúdo que o mar me seduz, no que julgo ser um delicioso recalcamento dos tempos em que o mar de Agosto na Costa Nova era de Bustos.
Nos finais dos anos 50 e durante os anos 60, a colónia bustuense naquela praia formava quase um império. 
"É malta! Hoje o mar é de Bustos" - dei por mim um dia a gritar durante o banho das 11.
Era para a Costa Nova que muitos de nós íamos, fosse no mês de Agosto (para as famílias mais abonadas), ou fosse logo a seguir ao S. Miguel das principais colheitas, em finais de Setembro, princípios de Outubro (para os corpos doridos de tanta labuta e meia dúzia de cobres aforrados no magro bolso). 
Durante uma ou mais semanas e a troco de poucos escudos, os lavradores menos abonados  encontravam na outonal e chuvosa Costa Nova descanso para a dureza dum ano  de campo. Os calos das mãos e os gretados pés de tanto pisar o chão durante o amanhadio das terras, dali regressavam amaciados, prontinhos para retomar o trabalho de cão. 
Se chovia, era ver os homens a jogar às cartas, às vezes dias seguidos. As "patroas", essas, entretinham-se no crochet ou nos bordados. Ou na má-língua.
Ligado a este mar andou sempre o bacalhau-nosso-de-cada-dia.

A Epopeia dos Bacalhaus é outro tema que me seduz. Para o mar das campanhas fugiram jovens como eu, assim procurando livrar-se da mobilização para a guerra no querido ultramar do regime salazarista [curioso: nunca encontrei um único filho do regime a bater com os costados no mato].
Há momentos atrás, enquanto viajava meio perdido pela net à procura de porto de abrigo, encontrei uma preciosidade: um vídeo do famoso National Film Board of Canada sobre uma viagem do "Santa Maria Manuela", em plena 2ª metade dos anos 60.
O vídeo é longo em demasia para incorporar aqui.
Em 15 minutos de vídeo, o realizador canadiano retratou o Portugal de meados dos anos 60: a dureza do trabalho, a igreja do regime e o regime da igreja, os rostos sem esperança. De forma explícita, implícita ou mais subliminar, está lá o nosso retrato. 
Ou o retrato que andaram a tirar-nos à força durante anos a fio.
Por favor, não percam este THE WHITE SHIP!
Boa viagem!
__
- Não conheço a "Patricio Family", que me parece originária dos Açores dos princípios do séc. XIX. Mas Gente com Raízes destas merece o nosso carinho. Merece que se lhe diga: Bem Hajam, Patrícios!
- Imagem extraída de "A Epopeia dos Bacalhaus", de Francisco Manso e Óscar Cruz, Distri Editora, 1984, pág. 25: "saudações às altas individualidades do Estado e da Igreja presentes à cerimónia de despedida de mais uma campanha."
- Consultar ainda: "História da Pesca do Bacalhau - por uma antropologia do fiel amigo", de Mário Moutinho, Imprensa Universitária, Editorial Estampa, 1985.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Bonança

É o que vem depois da tempestade.
Depois de meses a dividir-me entre o trabalho e a realização das Festas em Honra de S. Lourenço de Bustos (um sucesso) e duma curta mas intensa incursão na preparação e apresentação duma lista para a Assembleia de Freguesia (uma pedrada no charco da política local)...
...só mesmo um dia de bonança.
E logo ontem que a minha mãezinha se lembrou outra vez de desfazer anos.
Presenteei-a com uma caldeirada de peixe divinal, que fiz acompanhar dum excelente espumante da Adega Cooperativa de Cantanhede.
A restante família estava de férias para o Cartaxo, como se usa dizer. Excepto a Bia e a nova e turbulenta aquisição.
Nem a propósito: quanto mais conheço os homens mais gosto das minhas cadelas.
...
Fui lá fora e não vi o céu estrelado.
Hum! Vem aí novo temporal!
__
- O retrato é de Junho de 1943, ainda eu não lhe estava nos planos.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

fui à pesca e não pesquei...

Uma só lua no céu,
uma boca no teu rosto.
Muitas estrelas no céu,
só dois olhos no teu rosto.


- Imagem: Corto Maltese.
- Poema dos índios aztecas, versão de Herberto Helder. Extraído do livro "Rosa do Mundo - 2001 poemas para o futuro" \ 3ª edição \ Assírio & Alvim (pág. 157).

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Porque defendo os meninos não sendo menino?

Porque me sinto como eles, sem esperança no destino...
Nada acontece por acaso. (*)
O excerto do poema do Carlitos Luzio que publiquei no NB, aqui, explica tudo.
Ou preferem este, sobre os velhos do Restelo, que representam o conservadorismo, as vãs promessas a que se referia Camões no Canto IV dos imortais Lusíadas?
Farto de ideias gastas e de gente carcomida pelo caruncho da política que promete tudo (do género: "adere à nossa lista, que temos aqui um tacho para ti"), resolvi aprender com a malta nova.
Como não sou sábio e acredito que o mundo não acabará quando eu morrer, atirei-me de alma e coração à causa dos meus netos. Porque o futuro é deles.
Porque a única geração rasca que conheço é a dos políticos que insistem em continuar até à náusea.

Sabem porque odeio as pilhas "duracell"?
- Porque o boneco não se cansa de repetir os mesmos gestos.

Não sei se sabem, mas eles - os jovens na casa dos 20 - são melhores do que nós, os velhadas.
E têm ideias, planos para o futuro da minha terra, que é a mais linda de todas. Tal como cada uma das outras é a terra mais linda de todas.
Eles têm ideias para Bustos. Para o concelho.
Até para o país merdoso e carunchoso que herdaram dos pais e dos avós.
Os velhadas (incluindo os corpos jovens em mentes enrugadas) deviam é ter vergonha na cara!
E não se pode defenestrá-los?
Claro que pode!
__
(*) Não foi por acaso que o meu S. Lourenço morreu na grelha: estava destinado a ser padroeiro de Bustos, das suas raízes (durante muito tempo mantive um endereço electrónico a que dei o nome de "raizesdebustos@...").
- A foto do manguito foi editada por AQUI algures.

sábado, 21 de março de 2009

Hoje é Dia de Santo Eugénio de Andrade

É o dia também
da nova poetisa de Bustos,
Marineide Santos
E é sempre dia do Carlos Luzio,
sempre
sempre
até sempre
*

Despertar

É um pássaro, é uma rosa,
é o mar que me acorda?
Pássaro ou rosa ou mar,
tudo é ardor, tudo é amor.
Acordar é ser rosa na rosa,
canto na ave, água no mar
_
EUGÉNIO DE ANDRADE\Coração do Dia [1956-1958]